Música para trombones


Com repertório bem mais popular o grupo de trombonistas paraibanos Brazilian Trombone Ensemble (BTE) lançaram na última quinta-feira (19), no Cine Bangüê do Espaço Cultural José Lins do Rego, o segundo disco do grupo intitulado “A Little Bit of Brazil” (Um Pouquinho de Brasil), uma produção fonográfica do selo-gravadora CPC-Umes (R$ 20,00).
O show - inserido no projeto Quintas Musicais da Fundação Espaço Cultural (Funesc) -, o grupo tocou não apenas músicas do CD, mas duas que não foram incluídas no disco (Hey Jude e May Way). Com muita descontração eles fizeram o trombone, um instrumento desengonçado no seu visual, virar uma cuíca. Tudo isso acompanhado de perto pelo teclado que em nenhum momento agrediu os trombones, os donos da festa, e por uma cozinha (bateria) na marcação exata. A mesma apresentação foi realizado há seis semanas em Nova York, com casa cheia.
No repertório do disco constam músicas de Cazuza, Dominguinhos, Gilberto Gil, Djavan, Ary Barroso, Tim Maia, Milton Nascimento, Francisco Ferreira Lima e outros. No início existiam duas músicas internacionais, mas devido a questões relativas aos direitos autorais fizeram com que fossem incluídas apenas músicas brasileiras.
Mais do que um grupo de instrumentistas com vontade de serem reconhecidos e darem certo o BTE pode até nem trazer nada de novo para música instrumental, como se referiram os especialistas em música, mas são o mais novo paradigma para a nova geração de musicistas (que se fez maioria na apresentação de quinta-feira), cuja principal característica é fazer com que a música instrumental seja reconhecida e tocada.
O BTE existe como idéia há mais de três anos. Após alguns ensaios independentes eles foram convidados pela CPC-Umes para entrar no elenco da gravadora. Para o diretor artístico do selo-gravadora, Marcus Vínicius de Andrade, o disco surge como uma verdadeira celebração à popularização do trombone no Brasil.
“Um Pouquinho de Brasil” foi concebido e gravado em moldes semelhantes ao anterior (“Desafios”), e contou com a parceira da fábrica de instrumentos musicais Weril, do professor Gilberto Gagliardi, que desenvolveu um projeto de qualificação, desenvolvimento e promoção da marca do instrumento. O disco anterior chegou no mercado no início de 2003 e fechou o ano como um dos CD’s mais vendidos.
Mestres em seus instrumentos, os integrantes do grupo fazem malabarismos com o trombone como na música “Mambo Jambo”, de autoria de Damasco Pérez Prado e “Isto Aqui, O que é?” (Ary Barroso) que teve que contar com uma pequena introdução antes de cair direto na música.
Para quem está com tímpanos calejados de rock, jazz e blues a audição do disco é no mínimo prazerosa. Por outro lado, o BTE não abandonou a esfera erudita do instrumento, como pode ser ouvida na quinta faixa, “Tema da Vitória”, de autoria de Eduardo Souto Neto e na introdução de “O que é o que é” de Gonzaguinha.
A “fusion” entre erudito e popular, tão comum hoje no Nordeste, não se acomoda em stands óbvios e estão sempre alcançando interpretações emocionantes e dançantes, como na música “Andar com Fé” (Gilberto Gil). Para a gravação de “Um Pouquinho de Brasil”, o grupo contou com a participação de Glauco Andreza (percussão), Roberto Muniz (teclados), Sérgio Gallo (baixo), com arranjos do maestro Duda.
Nos trombones estão os músicos: Radegundis Feitosa (tenor Weril GGPlus), Sandoval de Oliveira (GG83 da Weril), Renato Farias (GG86 jateado), Roberto Ângelo (Weril GG83), Gilvandro Perreira (Weril GG83), Stanley Bernardo (trombone baixo GG96).
Radegundis Feitosa, que também é diretor artístico do grupo, disse que cada música selecionada revelou ser portadora de uma mensagem importante, merecedora de atenção particular. De acordo com ele, a escolha da música “Brasil” para figurar logo na primeira faixa não deixa de ser um estímulo para que as pessoas participem de uma grande festa para fazer do Brasil o país com que sonham os brasileiros. “Não importa quanto trabalho ou luta tenhamos de enfrentar”, relatou no encarte do disco, ilustrado com fotografias de Moema Cavalcanti.
O Brazilian Trombone Ensemble (BTE) é um sexteto de trombone. Eles são dissidentes do Quarteto de Trombones da Paraíba, formado no início por Sandoval Oliveira, Roberto Ângelo, Gilvandro Pereira e Stanley Bernardo. O nome surgiu da necessidade de posicionar melhor o grupo no mercado internacional, onde atuam com freqüência. A idéia para a composição do BTE aconteceu em fevereiro de 2001, durante o Encontro Nacional de Trombonistas. Conforme Radegundis Feitosa, nesta mesma época, todos os músicos estavam envolvidos com o professor Gagliardi, o que facilitou bastante a integração.
O grupo já participou do Festival Internacional de Trombones (32a edição), em Helsink, na capital da Finlândia. Segundo Radegundis a grande proposta de festivais internacionais é evitar a competição desnecessária, mas, mostrar o que de novo anda acontecendo no mundo.
O CD pode ser adquirido pela internet, através do endereço eletrônico http://www.umes.org.br/.

Serviço:
Música para Trombones
Lançamento: Um pouquinho de Brasil – Brazilian Trombone Ensemble
Gravadora: CPC-Umes
www.umes.org.br
cpcprod@umes.org.br
##Matéria publicada no caderno Show do jornal O Norte, João Pessoa, Paraíba, em 2004.