Guerra dos Livros


O livro passou, nos últimos anos, a ser um dos produtos culturais mais comentados no Brasil, devido as bienais de livros que estão espalhadas por todo País, e pelas campanhas de reconhecimento a garantia ao acesso à leitura realizada pelo Ministério da Cultura (Minc), em conjunto com o Ministério da Educação há alguns anos. Na Paraíba, a criação da Bienal do Livro passou a ser alvo de uma pendenga político-cultural aparentemente sem motivos. E, como sempre acontece, foi motivo de pauta de discussão obrigatória nas rodas culturais de João Pessoa.
Dois grupos disputam a criação do evento, um deles liderado pela escritora Clotilde Tavares, que há três anos está à frente da Bienal Nacional do Livro de Natal, no Rio Grande do Norte. Ela conta que o convite para criação do evento, em João Pessoa, surgiu de amigos paraibanos que sempre questionavam sobre a não existência de um evento desta natureza na Paraíba, tendo em vista que o Estado sempre foi referência na área literária e possuir nomes expressivos na literatura brasileira.
Clotilde Tavares disse que lamenta que fatos como estes aconteçam e que a empresa Acessus Eventos e Comunicação, com a qual trabalha, procurou os organizadores da outra Bienal para que juntos realizassem um só evento. "Mas, eles não quiseram", comentou a escritora que diz que os preparativos para a Bienal do Livro da Paraíba estão a todo vapor.
O evento deve acontecer no período de 20 a 28 de maio, na Praça do Povo do Espaço Cultural José Lins do Rego, em Tambauzinho, e segundo Clotilde Tavares, tem presença confirmada de escritores conhecidos do meio literário nacional, a exemplo do jornalista José Nêumanne Pinto, o poeta e crítico Affonso Romano de Sant'Anna e a escritora Marina Colasanti.
Como também estão confirmadas as presenças de editoras bastante atuantes no Estado. Entre elas, uma das apoiadoras do evento, a Editora Grafset, que tem uma grande participação no mercado com livros didáticos regionais. Além de editoras e livreiros nacionais, presentes na Bienal Internacional do Livro de São Paulo, e outros que já fizeram a sua adesão à Bienal do Livro da Paraíba, como a Editora Cortez, Editora Global, Editora Paulus, Editora Paulinas, Barsa Planeta e outras.
A estimativa dos organizadores é que a Bienal Nacional do Livro da Paraíba tenha uma freqüência de público de 100 mil visitantes, com um fluxo de 12 mil pessoas ao dia, nos nove dias do evento, contribuindo para o crescimento intelectual e cultural do nosso Estado. A Bienal Paraibana do Livro
O segundo grupo que está na disputa pela realização de uma Bienal do Livro na capital paraibana é a Ong BB&C (Construindo a Cidadania), cujos representantes dizem ser idealizadores do evento, pois haviam criado a I Bienal Paraibana do Livro, antes mesmo da Bienal Nacional do Livro da Paraíba existir, e tinha, até alguns meses atrás, previsão para acontecer, no período de 1 a 10 de setembro, no Espaço Cultural José Lins do Rego.
A curadora da Bienal Paraibana do Livro, a professora Marília Guedes Pereira, contou em entrevista ao O NORTE, há alguns meses atrás, que a demora para a realização da Bienal, coordenada por ela, aconteceu porque o projeto enviado ao Minc ainda não tinha sido aprovado, mas que o final do ano passado o projeto foi aprovado pela Ministério da Cultura (Minc) e automaticamente tem o apoio da Câmara Brasileira do Livro (CBL), Associação Nacional de Livrarias (ANL) e da RPS Assessoria e Promoção de Eventos, empresa que trabalha na formatação de contratos com editoras e livrarias para grandes eventos nacionais, a exemplo da Bienal Internacional do Livro, em São Paulo.
O assessor de imprensa da Bienal Paraibana do Livro, Leandro Ramalho, da Pauta Comunicação, disse que até o presente momento é certo que o evento aconteça no período de 1 a 10 de setembro, no Espaço Cultural José Lins do Rego. De acordo com Leandro, a curadora Marília Guedes se encontra em São Paulo tentando captar recursos, patrocínios e apoios, buscando parcerias com entidades privadas e com o setor público.
Até o momento, dizem os organizadores, não existe confirmação nenhuma de nomes de escritores consagrados nacionalmente que venham abrilhantar o evento. A única certeza que eles têm é que a Bienal Paraibana do Livro terá como enfoque principal a valorização dos escritores paraibanos, sem deixar de valorizar o trabalho de autores nacionais e nordestinos.
Dentro da programação está sendo cogitado concursos literários, feiras, oficinas, palestras de escritores, tardes e noites de autógrafos, debates com autores, mostras de literatura de cordel, trabalhos de divulgação de literatura infantil, leitura de obras, estandes para visitação entre outras atrações.

Opinião dos livreiros pessoenses

Para os donos de livrarias e pequenas editoras locais, as bienais têm um lado positivo e outro negativo. Para o livreiro e proprietário da Editora e Livraria Nova Idéia, Magno Nicolau, o lado bom das bienais é o fato de que elas incentivam, abrem caminhos para a leitura e apresentam ao público os novos escritores locais. O lado negativo é o preço dos estandes para exposição dos livros. "Estão muito caros para nossa realidade", comentou.
Magno disse ainda que tanto a livraria como a editora pretendem expor o material, fazendo, talvez, uma parceria com outras editoras. Na opinião dele, as bienais do livro fazem bastante sentido nos grandes centros do país. "Porque lá existe uma rotatividade maior do público", disse o editor que recentemente inaugurou a Livraria Idéia.
O gerente de vendas da Livraria Almeida, Antônio Oliveira, também questionou sobre os mesmos motivos. "Além do que muitos não estão sabendo destas bienais", ressaltou. A Livraria Almeida tem participado com freqüência das feiras de livros em João Pessoa e Recife (PE), com isso constatando que viver do livro na Paraíba é muito difícil.
Heriberto Coelho, da Livraria e Sebo Cultural, disse que não estava ainda por dentro da programação das bienais e que até o dia 2 de abril irá decidir se de fato participa ou não da Bienal, devido também ao preço dos estandes para exibição dos livros. A preocupação maior de Heriberto Coelho, que tem um dos mais completos sebos de livro e disco da cidade, é com a venda dos livros dos autores regionais, que não vendem tão bem e ainda dispõe de pouco espaço.