Lirismo de Maria Juliana



Ao que tudo indica o cenário de cantoras mulheres da Paraíba vem se renovando. Uma mostra desta lenta mutação é o surgimento, no ano passado, da cantora Flávia Venceslau. Em 2005, a cantora Maria Juliana, surge como a mais nova jovem revelação da música paraibana, indicada pela crítica especializada. Com uma voz extremamente afiada para sua estatura Maria Juliana encantou a platéia do projeto Seis e Meia, em junho deste ano, ao abrir o show da dupla de cantores Antônio Carlos e Jocafi. Ela, que também é solista do Coral da Universidade Federal da Paraíba (UFPB), embarca no final deste mês para Londrina, Paraná, onde participa com os integrantes do Coral do Festival Internacional de Cultura que acontece todos anos no local, representando o Estado.
Paralelo ao trabalho de solista do coral Maria Juliana, 22 anos, estuda Direito na UFPB e tem sua banda composta por: Michel Lucena (violão), Marcelino (baixo), Yuri Ribeiro (piano e acordeon), Herbert Pereira (bateria e percussão) e Victor Mesquita (violão, guitarra, cavaquinho e flauta). Nas apresentações “Maria Juliana e banda” cantam e tocam o repertório clássico da MPB, música regional e canções autorais. O diferencial é que tanto ela quanto os integrantes da banda tem formação clássica, ou seja, estudam música e possuem um trabalho mais orquestral.
Maria Juliana começou a cantar e atuar aos oito anos idade em peças de teatro da igreja do bairro José Américo. Quando completou 14 anos ingressou no canto lírico, no Coral Infantil da Paraíba, no Espaço Cultural José Lins do Rego, e em seguida no Coro Sinfônico da Paraíba. Fez alguns espetáculos musicais com a Orquestra Infantil, uma delas foi: “Os Tamancos”, uma peça de autoria da regente, a professora Norma Romano. Com a Orquestra Jovem, foi solista da peça “A Peste Intrigante”, uma fábula de Monteiro Lobato musicada por um maestro brasileiro.
Ainda na adolescência Maria Juliana foi convidada pelo pianista e regente do coral Unipê, Jean Carlos, para cantar em festas e eventos particulares. Apesar de ter ingressado para a música clássica e canto coral Maria Juliana contou que tem bastante influência da música popular, devido aos pais que são do interior do Estado. “Sempre escutei em casa, desde criança, músicas de Jackson do Pandeiro, Luiz Gonzaga, Marines”, revelou.
Uma pequena amostragem da diversidade musical apurada de Maria Juliana foi dada no projeto Quintas Musicais, em que cantou uma mostra da Ópera Carmem, Dolores Duran, músicas do paulista Renato Braz, do paraibano Adeildo Vieira, um tango de Mercedez Sossa e canções autorias de sua banda.
Mesmo com o esgotamento progressivo das fórmulas brancas de se começar numa carreira musical e de se fazer música, as chamadas fórmulas clássicas, ao que parece, um novo “crossover artístico”, para citar um termo nem tão atual assim, vem sendo anunciada por cantoras dessa nova geração como é o caso de Maria Juliana e de tantas outras que vem surgindo.
Nesta “linha evolutiva das coisas”, como bem disse Caetano Veloso, a cantora até já recebeu convites para interpretar canções de artistas locais, a exemplo do cantor e compositor Marcos Farias e do maestro Durier. “Tudo ainda são projetos para o futuro próximo”, conta Juliana que em cada apresentação está sempre acompanhada pelo violonista Michel Lucena, com quem também desenvolve um trabalho autoral, em que ela canta e ele toca violão. A cantora e o violonista podem ser vistos diariamente num programa de televisão local, Delícias do Chef, dando uma pequena mostra do trabalho da dupla. Com força de sua juventude Maria Juliana ainda arranja tempo para assessorar o Coral Infantil São Francisco das Chagas (de uma Ong que funciona no bairro do Rangel), grupo que abriu o Festival Paraibano de Corais (Fepac), no mês passado. No momento, diz ela: “quero apenas cantar”.
Adriana Crisanto
adriana@jornalonorte.com.br