Xangai lança DVD "Estampas Eucalol"








Adriana Crisanto


O cantor e compositor baiano Xangai acaba de lançar seu primeiro DVD “Estampas Eucalol, gravado ao vivo em três dias na Sala da Fundação Nacional de Arte (Funarte), no Rio de Janeiro no ano de 2005. O novo trabalho está sendo distribuído pela Karup.
Acompanham Xangai nesta produção o arranjador João Omar (violão), Ocelo Mendonça (violoncelo e flauta) e Ferretti (percussão), com participação especial da filha Maria Porto.
O DVD contém ainda uma entrevista de uma hora de duração, gravado em Belo Horizonte (Minas Gerais) e Lauro de Freitas (BA), em que mostra os diversos sucessos do cantor e compositor que tem fãs de carteirinha aqui na Paraíba. O trabalho conta ainda com a participação de Elomar, seu eterno parceiro. O título do DVD “Estampas de Eucalol” surgiu da famosa canção de Hélio Conteiras.
Eugênio Avelino, mais conhecido como Xangai, é filho e neto de violeiros, nascido no Sertão da Bahia, e criado na zona da Mata de Minas Gerais. O nome artístico foi dado por causa do nome da sorveteria do pai, na cidade de Nanuque.
O avô, seu Avelino, era sanfoneiro e faleceu aos 101 anos. Viveu um tempo na fazenda de seu primo e parceiro musical Elomar. Aprendeu a cantar aboiando com os vaqueiros da região. Em 1973, mudou-se para o Rio de Janeiro, onde permaneceu por mais de dez anos. Chegou a começar a faculdade de economia, mas abandonou para seguir a carreira artística.
Hoje ele é considerado por parte da crítica uma das mais belas vozes a serviço da música sertaneja "de raiz" e apontado por outros como o aglutionador de linguagens do sertão. O seu primeiro trabalho foi gravado em 1976, pela CBS, intitulado “Acontecimento” que continha entre outras canções Asa Branca de Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira, "Forró de Surubim", "Marcha-rancho" , "Esta mata serenou".
No ano de 1980, lançou, em parceira com Elomar, Arthur Moreira Lima e outros, o disco "Parceria Malunga", pelo selo Marcus Pereira. Em seu disco "Qué qui tem canário", de 1981, interpretou, entre outras, "Curvas do Rio", "Pé de milho" e "Estampas Eucalol", esta última de Hélio Contreras.
O terceiro disco solo chama-se "Mutirão da vida", gravado em 1984, que teve direção musical de Jaques Morelenbaum e com acompanhamento do grupo Cumeno cum cuentro, com Jaques Morelenbaum, no celo, Alex Madureira, na viola, Marcelo Bernardes, no sax, clarineta e flauta, e Mingo, na percussão. Contou ainda com a participação especial de Geraldo Azevedo, Hélio Contreras, Marquinhos do Acordeom, Marcos Amma e Paula Martins.
Que Ricardo Anísio me corrija se estiver errada, mas destacaram-se no disco, entre outras, "Fábula ferida", de Jatobá, "O menino e os carneiros", de Geraldo Azevedo e Carlos Fernando, "Ele disse", de Edgar Ferreira, antigo sucesso de Jackson do Pandeiro sobre a carta testamento de Getúlio Vargas, "Violêro", de Elomar, e "Alvoroço", dele e Capinam. O disco trazia sofisticação instrumental e surpresas rítmicas. No mesmo ano, apresentou show no Teatro Castro Alves, em Salvador, acompanhado de Elomar, Geraldo Azevedo e Vital Farias. Do show nasceu o disco ao vivo "Cantoria 1", lançado pela Kuarup, no qual interpretou "Desafio do auto da catingueira", de Elomar, acompanhado do próprio Elomar, "Novena", de Geraldo Azevedo e Marcus Vinícius, que cantou juntamente com Geraldo e Vital, "Cantiga do boi incantado", de Elomar, e "Kukukaya", de Cátia de França. No ano seguinte, com o mesmo grupo, foi lançado o disco "Cantoria 2".
A discografia de Xangai é extensa. Após receber o prêmio Chiquinha Gonzaga lançou em 1986 o disco "Xangai canta cantigas, incelenças, puxulias e tiranas de Elomar". Na seqüência vieram: "Xangai lua cheia-lua nova", "Das labutas". Com Renato Teixeira lançou o disco "Aguaterra". Em 1997 editou "Cantoria de festa", com o qual recebeu o Prêmio Sharp de Melhor Disco do Ano.
Depois vieram "Um abraço pra ti, pequenina", gravado com o Quinteto da Paraíba, somente com músicas de compositores paraibanos como José Marcolino, Cassiano, Geraldo Vandré, Chico César, Bráulio Tavares e alguns outros, contando com as participações especiais de Vital Farias, Cátia de França e Pedro Osmar.
No ano de 2002 lançou CD “Brasileirança”, também gravado com o Quinteto da Paraíba, no qual interpretou, entre outas, "Pequenina", de Renato Teixeira, "Luz dourada", de Juraildes da Cruz e o "ABC do preguiçoso (Ai d'eu sodade)", um de seus maiores sucessos.
Pela Kuarup Discos ele lançou o CD "Nóis é jeca mais é jóia, além de áudio, o CD, que tem co-produção de Xangai com Mário Aratanha, também é CD-Rom, com dois vídeoclipes que mostram, em tela de computador, Xangai e Juraildes cantando no estúdio.

Serviço:
Estampas de Eucalol (DVD)
Xangai
Distribuição: Kuarup Discos
Preço: R$ 45,00
Informações: www.kuarup.com.br