Terra da Gente Paraíba





A bordo de uma camionete blazer o fotógrafo Guy Joseph percorreu, por quase dois anos, o interior do Estado da Paraíba fotografando as belezas naturais, o povo e a cultura paraibana. A idéia, que começou solitária e informal, ganhou corpo, apoio da família, dos amigos e por fim das leis de incentivo cultural e transformou-se no projeto Expedição Terra da Gente Paraíba.
O projeto inicialmente resultou num sítio na internet e em seguida em um livro de fotografias que leva o mesmo nome “Terra da Gente Paraíba”, encartado pela Gráfica Santa Marta e que será lançado nesta quinta-feira (31), às 20h30, na Usina Cultural da Saelpa, localizada na Rua Juarez Távora, 243, no bairro de Tambiá. Paralelo lançamento haverá ainda exposição das fotos em painéis no local que poderá ser visitada de terça a sábado, das 14 às 20h00 até o dia 5 de setembro.
O livro foi impresso em off-set sobre papel couchê fosco e contém 280 fotos coloridas, com introdução e apresentação e depoimento do jornalista Petrônio Souto, Carlos Cordeiro de Mello (Rio de Janeiro), o escritor José Nêumanne Pinto, Evandro Nóbrega, Juca Pontes e do fotógrafo João Lobo, também responsável pela edição das fotografias.
De acordo com o fotógrafo Guy Joseph, o mais difícil foi fazer a triagem das fotos, do que poderia entrar e o que ficaria de fora desta edição. “Ficaram de fora quase dez mil fotografias. Tenho a convicção que não esgotei o assunto”, comentou o fotógrafo que disponibilizou o material que não entrou no álbum no endereço eletrônico http://www.terradagenteparaiba.com/. Lá o internauta vai encontrar um diário de bordo, uma galeria, o roteiro da viagem, flagrantes, méritos, central de notícias e um mural de recados.
Quem o ajudou na seleção das fotografias foi o também fotografo João Lobo. O critério usado para seleção foi o impacto. “Fosse do ponto de vista fotográfico, artístico, ou do próprio assunto abordado”, explicou.
Um dos momentos marcantes da expedição, segundo Guy, foi quando se perdeu dentro de um canavial. Por não conhecer a região, ficou rodando em círculos sem encontrar o caminho de volta. Foi quando resolveu adquirir um aparelho GPS que auxilia aventureiros a se orientar nas estradas e trilhas.
Os caminhos percorridos pelo fotógrafo foram muitos, não só na expedição mais em sua vida relacionada a fotografia. Guy Joseph contou que havia abandonado praticamente a fotografia quando sua irmã trouxe da França uma câmera digital de 1 mega pixes. Desde então não parou mais de fotografar e se apaixonar pela fotografia enquanto arte, principalmente a fotografia tradicional.
A fotografia de Guy Joseph, por vezes, ultrapassa os limites do registro meramente documental. As fotos desmascara o cotidiano, no que ele tem mais diário e verdadeiro, indo além da preocupação com a luz. Estabelecendo um olhar plural sobre a fotografia paraibana Guy diz que o Estado da Paraíba possui hoje excelentes profissionais e não deixa a desejar a nenhum outro país.

Sobre Guy

O paraibano Guy Joseph é fotógrafo profissional, designer gráfico e artista plástico. Começou a fotografar na década de 1960, com uma Pentax que era a sensação da época. Foi aluno de desenho e pintura do Departamento Cultural da Universidade Federal da Paraíba (UFPB), entre os anos de 1963 a 1967. Realizou vários trabalhos com áudio visual. Residiu vários anos no Rio de Janeiro, onde fotografou vários momentos da cidade. Voltou para a Paraíba em 1970. Participou de diversas exposições coletivas na Paraíba e em Pernambuco.
Em 1966, participou do movimento Etapa-6 que reuniu artistas plásticos que faziam parte da vanguarda. Dois anos mais tarde lançou o álbum de serigrafia intitulado “América, América”. Participou a exposição coletiva em Connecticut (EUA). Em 1976, realiza exposição individual na Galeria da extinta Vasp, em São Paulo. Publicou o álbum “Paraíba Monumentos I”, editado com o apoio do governo do Estado.
No ano de 1985 sua agência de publicidade foi convidada para montar as comemorações do 4o Centenário de Fundação da Paraíba. Em parceria com o poeta Juca Pontes edita a Revista “Em Dia”, que tinha como publico-alvo as artes e a cultura da Paraíba.
Em 1999, é premiado em concurso para escolha da logomarca do projeto carnavalesco Folia de Rua. Três anos mais tarde, adotando a tecnologia digital, realiza a 1a Exposição Fotográfica denominada “Caras, Bocas e Purpurina” na Galeria Tomaz Santa Roza do Casarão dos Azulejos. Suas infogravuras, em 2003, foi selecionada para participar do XI Salão Municipal de Artes Plásticas da cidade de João Pessoa. Em novembro do mesmo ano participa da II Bienal da Gravura no IX Festival Nacional de Arte (Fenart). É membro do Clube da Gravura da Paraíba.
Adriana Crisanto