Beto Brito "Imbolador"


A literatura de cordel e a música em um único produto artístico-cultural. É assim “Imbolê – Cordel e som na caixa” que Beto Brito lança nesta quarta-feira (15), a partir das 21h00, no Teatro Paulo Pontes do Espaço Cultural José Lins do Rego, em Tambauzinho. Os ingressos estão sendo vendidos ao preço de R$ 10,00 (inteira) e R$ 5,00 (estudante).
Como diz a jornalista Ruth Avelino: “Pense num disco bom! Não dá nem pra explicar”. O disco foi gravado no Special Stúdio no Rio de Janeiro e contou com a participação especial de Zé Ramalho, com produção que leva assinatura do guitarrista pernambucano Robertinho do Recife.
O disco vem acompanhado de doze folhetos de cordel assinados pelo também poeta popular Beto Brito, em que traça o perfil social do povo do nordeste e remete a fatos que acontecem no cotidiano da cultura nordestina. É ouvir e ler se divertindo ao mesmo tempo. A produção é uma mistura de ritmos e sons brasileiros e nordestinos que parece mais uma vez marcar as produções musicais do país no início deste século.
Mesmo em meio a discussões partidárias sobre a política cultural local ele se lança por inteiro e com afinco neste trabalho. Beto Brito talvez tenha sido um dos únicos artistas regionais a se preocupar com a produção de sua obra. As apresentações são ricas em cenário e ele não está nem um pouco preocupado com o conservadorismo da cultura nordestina. O disco, por sua vez, é percussivo, marcante, contemporâneo com guitarras distorcidas, raps, violas, rabecas, zambumbas e grooves eletrônicos.
Ele mistura e prova mais uma vez que ninguém está de fora do processo globalização muito menos a cultura nordestina que ainda insiste em se conservar dentro de uma redoma de vidro. Preservar sim, conservar intocada não, pois a cultura é também democrata e feita para todos.
As canções, em sua maioria, leva a sua assinatura, exceto “Zé Limeiriano” (faixa 5) em parceria com Orlando Tejo e “Dureza” (faixa 6) que teve como parceiros Gerino e Pedro Tavares. “Dureza é falta de fé, dureza é não ter o perdão, dureza é viver de salário, ser analfabeto e otário, dureza é o fim do amor, dureza é não ter coração”, diz a canção. E é nesta dureza da vida que segue seu trabalho, muitas vezes criticado, algumas vezes “arreliado” com as injustiças.
Cantor, compositor, rabequeiro e cordelista Beto Brito começou a fazer música ainda criança, por influência do pai que era tocador de sanfona de oito baixos. Teve ainda a influência de cantadores de feiras de sua cidade natal. No ano de 1983, mudou-se para a cidade de João Pessoa, a fim de dar seguimento a sua carreira artística.
Beto Brito começou a carreira apresentando-se em festas e outros eventos na cidade de João Pessoa. Participou de diversos festivais nacionais e internacionais e teve sua música "Pandeiro Sideral" incluída em uma coletânea em Portugal. Beto é também cordelista e publicou, entre outros, os cordéis: "O dia que lampião chorou", "O Prefeito Analfabeto", "Sabedoria Popular" e "Mei-de-feira Mei-de-vida".
Na opinião do crítico e pesquisador Roberto Moura, o compositor Beto Brito é um nordestino rabequeiro, cordelista com suingue e balanço irresistíveis. “Seus CDs soam como um Alceu Valença jamais aculturado, mas sintonizado com as coisas do mundo. Os discos fluem, fácil. O sul-maravilha (ave, Henfil) precisa conhecê-lo mais", comentou.
No currículo conta ainda participações em eventos como Projeto Seis e Meia, e das festas de São João em Campina Grande, Caruaru e Recife. Além do Festival de Inverno de Domingos Martins (ES), São João no Parque (PB), Fenart (PB), Forró do Ball Room (RJ), Os Encontros Fnac (RJ/SP), Centro em Cena (PB) e Festival do Pau da Bandeira (CE).
No ano de 1997, lançou de forma independente o disco "Visões". No ano seguinte, também de forma independente, lançou o disco "A cara do Brasil". Em 2000, lançou o CD "Doidinho por forró", também em gravação independente.
Em 2002, lançou o CD "Pandeiro sideral", com destaque para as músicas "Canoa boa não vira à toa" e "Pra lavar a alma", de sua autoria, além da música título que foi incluída em Portugal, na coletânea "Brazil lounge". Em 2003, apresentou-se com Dominguinhos no Projeto Seis e Meia, no Cine Bangüê do Espaço Cultural, em João Pessoa.
No ano seguinte dividiu palco com Joquinha Gonzaga e Os Três do Nordeste, durante a Festa de São João de Campina Grande. Nesse ano, apresentou-se na Lona Cultural Elza Osborne em Campo Grande, zona oeste do Rio de Janeiro, primeiro com Marinês e depois com Moraes Moreira.
Apresentou-se também no Centro de Tradições Nordestinas Luiz Gonzaga, na famosa Feira de São Cristóvão, no Rio de Janeiro. Nessa ocasião, além de show solo, dividiu palco com Marinês e sua gente, cantando e tocando rabeca. Apresentou-se ainda em show de forró no Marco Zero, bairro de Recife juntamente com Oswaldinho do Arcodeon, Glorinha Gadêlha, Marinês e sua Gente, Sivuca e Savinho do Acordeon.
Ainda em 2004, lançou o CD "Mei de feira", que consolidou seu trabalho, abrindo espaço para convites para apresentações pelo Brasil e no exterior. Nesse disco destacam-se as faixas "Xote mei-de-feira", "Coco na beira-mar", "Trem do forró", "Xô aperreio", "Quebra tudo", "Balaio" e "Deus nunca tarda", todas em parceria com Pedro Tavares.
Com os CDs "Pandeiro sideral" e "Mei de feira", seu trabalho recebeu elogios de diversos críticos e reportagens das revistas MTV e Bravo. Em 2005, entre outros shows, apresentou o espetáculo "Mei de feira" na Casa de Cultura Lúcio Lins, em João Pessoa.

Adriana Crisanto


Serviço:
Beto Brito - Imbolê – Cordel e som na caixa

Quarta-feira (15)
Hora: 21h00
Local: Teatro Paulo Pontes do Espaço Cultural José Lins do Rego
Ingressos: R$ 10,00 (inteira) e R$ 5,00 (estudante).
Matéria publicada no jornal O Norte em novembro de 2006.