Dia do Músico e da Música


Na quarta-feira, dia 22 de novembro, comemorou-se em todo país o Dia do Músico. Passa ano e entra ano e a reclamação dos músicos ainda são as mesmas, ou seja, falta de espaço para se apresentar, cachês baixos, casas noturnas explorando artistas, além da competitividade entre os companheiros de profissão. São fatores que fazem com que muita gente boa se perca nesta dura caminhada. Sem falar no esquema da indústria fonográfica brasileira principal obstáculo na carreira do músico e nas rádios que só tocam o que elas querem.
O presidente da Associação dos Músicos da Paraíba (AMP), o guitarrista, Eduardo Montenegro, diz que as reclamações continuam as mesmas desde 1960, tanto dos músicos da área erudita, quanto os profissionais que atuam na música popular. Muito pouco se conquistou nesse tempo devido à falta de organização da própria categoria.
A AMP mesmo, disse Eduardo, no ano passado, nesta mesma data, promoveu uma missa e realizou shows na cidade em favor da categoria, mas poucos foram os colegas que participaram efetivamente das comemorações. A entidade começou a funcionar 2003 após um racha que foi parar na justiça com os membros da atual diretora da Ordem dos Músicos do Brasil – Conselho Regional da Paraíba (OMB/PB) sob a acusação de que a OMB estava agindo de forma irregular, com poderes de polícia, mandando parar a apresentação e exigindo a carteira de músico.
O músico Radegundis Feitosa, trombonista da Orquestra Sinfônica da Paraíba (OSPB), é um dos poucos que diverge da maioria. Na opinião dele a situação do músico brasileiro melhorou se compararmos com o que existia há 10 anos atrás. De acordo com o instrumentista, a situação é melhor principalmente para aqueles que foram em busca da profissionalização e para aqueles que tocam em bandas de forró que se venderam fácil.
O que fazer para dar maior credibilidade ao músico brasileiro e melhorar a situação poucos sabem dizer com certeza, mas todos são unânimes em afirmar que a legislação (decreto lei 3.857) que regulamenta a profissão precisa ser atualizada, pois ela foi escrita no dia 12 de dezembro e nunca foi modificada.
O contrabaxista Adriano Ismael, músico free-lance, com formação acadêmica na área, diz que o que atrapalha a profissão do músico hoje é sem dúvida a não qualificação profissional. “Isso faz com que o cachê nas apresentações diminua em decorrência do cachê menor oferecido pelo músico não qualificado”, comentou Ismael que além das apresentações com o grupo Nossa Voz e com a OSPB trabalha com técnico no Estúdio SG, em João Pessoa.

Campanha para o músico brasileiro

Este ano a Associação Brasileira da Música (Amemúsica), sediada em São Paulo, lança nesta quarta-feira uma campanha publicitária para homenagear o músico brasileiro. A campanha vai ser divulgada em outdoors, painéis do metrô, trens e ônibus da capital paulista.
O senador Eduardo Suplicy (pai do cantor Supla) e o goleiro Rogério Ceni, do São Paulo FC, são os primeiros nomes confirmados para a campanha. As atrizes Malu Mader e Regina Duarte, além do ministro Gilberto Gil, também devem confirmar suas participações ainda nesta semana.
A campanha traz as fotos das celebridades com a frase "Dá pra imaginar a vida sem eles?" e o selo da Abemúsica homenageando o Dia do Músico. "Ainda estamos longe do que gostaríamos de fazer enquanto Associação para comemorar este dia, mas certamente este é o começo de muitas outras ações que estaremos desenvolvendo com o intuito de ajudar no crescimento do mercado da música no Brasil", disse Synésio Batista da Costa, presidente da Abemúsica, em nota sobre a campanha.

Comemorações na Paraíba

Em João Pessoa, o Dia do Músico, será marcado por um dia inteiro de atividades na Praça Antenor Navarro, no Centro Histórico da Capital. Entre as atividades, acontecerão workshops de instrumentos (contrabaixo, guitarra, bateria, percussão e piano popular), ministrados pelos músicos Sérgio Gallo, Léo Meira, Beto Preah, Chiquinho Mino e Helinho Medeiros.
Na programação, que tem início às 17h30, com a mostra de vídeos de música, com a exibição dos DVDs “Danado de Bom”, um especial de Luis Gonzaga; ‘Obrigado, gente!’, de João Bosco; ‘Seu Jorge e Ana Carolina’; ‘Toca Brasil – Itaú Cultural’, de Escurinho; Vídeo Documentário do ‘Jaguaribe Carne’; ‘Paraíba do Forró’; ‘Lenine in Cité’; ‘Cátia de França’; ‘Musiclube 2006’ e ‘Cinema Falado’, de Caetano Veloso.
A partir das 21h00, no mesmo local, haverá uma coletiva de música, mostrando o resultado das oficinas dos instrumentos, que aconteceram ao longo deste dia, em seguida tem ‘Free Jazz’ com apresentações livres com os artistas presentes.
Pode participar o músico arranjador, intérprete, regente e compositor, podendo enveredar pela música popular ou erudita, em atividades culturais e recreativas, em pesquisa e desenvolvimento ou na edição, impressão e reprodução de gravações. A categoria profissional, em sua grande maioria, trabalha por contra própria, mas existem ainda, os que trabalham no ensino e os que são vinculados a corpos musicais estaduais ou municipais.

Dia do Músico e da Música

O dia do músico e também o dia da música. A palavra, de acordo com a definição do Dicionário Aurélio significa: "arte ou ciência de combinar os sons de modo agradável ao ouvido". A palavra de origem grega deriva de "arte das musas" em uma referência à mitologia grega, marca fundamental da cultura da Antigüidade ocidental.
Há quem acredite que as origens da música podem ser encontradas nos períodos anteriores da história do homem, ou seja, na Pré-história. De fato, tal suposição paira no reino das hipóteses, visto que os "homens das cavernas" não deixaram qualquer vestígio arqueológico a respeito da compreensão ou diferenciação dos sons.
É possível que os homens pré-históricos tenham produzido um tipo de música com caráter religioso, mágico, quase ritualístico, batendo mãos e pés, de modo ritmado, reverenciando seus deuses ou buscando proteção para a caçada ou para a guerra. No mesmo período, os homens passaram a bater na madeira, produzindo um som ritmado, surgindo assim o primeiro instrumento de percussão.
A história da humanidade é extremamente longa e mapear sua produção musical seria um trabalho demasiadamente grande e com lacunas tão explícitas que certamente viríamos a omitir dados de extrema importância.

Adriana Crisanto
Repórter
Matéria publicada no jornal O Norte em novembro de 2006.