Walter Carvalho lança Moacir - Arte Bruta

Foto: Divulgação - http:/republicapureza.com.br



Adriana Crisanto


Um confronto entre o primitivo e o moderno são focos evidentes no longa-metragem “Moacir – Arte Bruta” (72 minutos, color, 35mm) de autoria do cineasta e fotógrafo paraibano Walter Carvalho lançado em junho deste ano, no circuito “Unibanco Arteplex” do Rio de Janeiro e São Paulo. O filme registra a vida de Moacir, 42 anos, um artista plástico negro, que vive isolado num recanto do Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros, em Goiás, em condições de extrema pobreza.
O cineasta conta que descobriu Moacir por um acaso há cerca de 15 anos, numa de suas viagens pelo interior do Brasil e desde então acalentou o sonho de registrar a vida dele e só agora vê esse sonho realizado. A intenção do cineasta não foi identificar onde se encontra a normalidade de Moacir.
Foram sete dias de filmagem na casa do artista plástico que, segundo Walter, tem problemas sérios de audição, fala e de formação óssea, um “quasímodo”, que manifesta toda sua angústia interior desenhando e pintando figuras míticas, seres humanos, santos e beatos reproduzido dentro de um universo muito particular. Os desenhos são carregados de erotismo e sensualidade e tem impressionado os artistas plásticos pelo primitivismo e pela beleza.
O longa é todo ele pontuado por entrevistas com seus familiares que se comunicam num quase dialeto próprio, com palavras e expressões que o país desconhece. Um Brasil, segundo Walter, esquecido, não oficial, porém forte e representativo.
Moacir Arte Bruta foi dedicado a Leon Hirszman, que, em 1987, produziu “Imagens do Inconsciente”, com três artistas do Museu das Imagens do Inconsciente, dirigido na época pela doutora Nise da Silveira. A trilha sonora é de autoria do músico Léo Gandelman, com cello de Jacques Morelembaum e canção tema de Antonio Nóbrega. A direção de fotografia é do filho de Walter, Lula Carvalho, que amplia o olhar do personagem e utiliza recursos extras, como filmar por debaixo de um vidro onde o artista desenha.
O longa infelizmente não tem previsão de ser exibido na Paraíba, devido a falta de espaços destinados a exibição de filmes de arte e documentários. Está semana foi exibido em Nova York e antes de embarcar para lá o cineasta Waltaer Carvalho concedeu uma entrevista ao caderno Show do Jornal O NORTE em que fala dentre outras coisas sobre documentário “Francisco Brennand”, dirigido por Mariana Fortes e que está em fase de preparação para filmagem de numa nova produção com Laís Bodansky, em São Paulo. Além da produção de um filme documentário de “Um filme de Cinema”, em que faz uma reflexão sobre o próprio cinema. Leia:

Como aconteceu o seu primeiro contato com o Moacir?

Foi em 1988, estava filmando, quando encontrei por acaso perdido no meio da Chapada dos Veadeiros no interior de Goiás, um artista outsider, negro, isolado, com problemas de formação óssea, de audição e fala. Um quasimodo. Mas que desenhava de forma impressionante, com um traço desconcertante. Voltei em 2003 para registrar seu trabalho e sua maneira de viver.

E como se encontra o Moacir hoje?
Foi um encontro interessante porque Moacir não se lembrava do nosso primeiro encontro. Digo não se lembrava, mas é possível que nem tenha registrado nossa conversa quando da primeira vez. Era uma pessoa arredia e nitidamente uma pessoa com sua psique alteada.

Como o senhor observa, mesmo que de longe, o cinema paraibano? O que falta para ele ser mais atuante?
Acho o cinema paraibano muito atuante. Temos cineastas como Torquato Joel, Marcus Villar, Bertrand Lira e muitos outros fazedores de filmes que se destacam no panorama nacional e internacional. Não falta nada para ele ser atuante, ele já é. Alô! Eliezer e Heleno estamos aí curiosos para ver pronto o novo e maravilhoso longa paraibano.

O senhor saiu magoado da Paraíba?
Não, em absoluto não tenho tempo para ter mágoa. Viver é muito rico e não podemos permitir espaços para essas coisas. Vim morar no Rio em 68, ano em que a repressão era assustadora. Em João Pessoa, fui preso numa passeata estudantil e muito perseguido pela direção da Escola Técnica que na época chamava Escola Industrial. Mas isso são coisas do passado e citaria Darcy Ribeiro que preferia estar do lado dos perdedores.

Na sua opinião atualmente existe boicote e censura estética no cinema?
Não. Existe censura econômica. Falta grana pra se filmar. Quando houver uma política decente, um cineasta como Torquato Joel, só para citar um nome, não vai parar de filmar nunca.

O senhor tem algum projeto em andamento? Em que fase está?
Tem. Estou filmando um documentário sobre Francisco Brennand, dirigido por Mariana Fortes. Estou me preparando para filmar com Laís Bodansky em São Paulo. Estou realizando um filme documentário sobre cinema chamado Um filme de Cinema, uma reflexão sobre o próprio cinema. Já estou filmando a cinco anos e ainda vou levar mais outros cinco para terminar. É um filme que me acompanha e só filmo quando acontece. Aceitei dirigir a adaptação de Budaspeste de Chico Buarque, estamos trabalhando no projeto. Mas ainda vai demorar.

O que pretende fazer daqui pra frente?
Filmar e fotografar. Estou trabalhando em silencio num projeto de fotografia com o grande fotografo paraibano Gustavo Moura juntamente com o nosso Antonio Augusto Fontes que também mora aqui no Rio. Aliás por falar em fotografia, gostaria de recomendar dois livros de Gustavo, a fantástica leitura imagética que ele fez sobre Ariano Suassuna e a expressiva poesia visual em A primeira luz do sonho. Por um transcinema.

Site mostra vídeos inéditos de Gonzaguinha






Adriana Crisanto



É de autoria de um paraibano, o gerente de negócios Paulo Vanderley, um conteúdo inédito em vídeo que está sendo disponibilizado no website sobre o compositor e cantor Gonzaguinha e que se tornou notícia na imprensa cultural do país. Desde que foi ao ar, no início de janeiro, o site teve mais de três mil acessos, apesar de ter sido construído há oito anos.
O website, construído com muita dedicação por Paulo, resgata a história e a arte de Luiz Gonzaga do Nascimento Júnior, o Gonzaguinha. São quatro vídeos com cerca de três minutos cada contendo a inauguração do Museu do Gonzagão, pai de Gonzaguinha, o discurso final e os shows Pense N´eu e Asa Branca.
As imagens, segundo Paulo Vanderley, estavam nas mãos de seu pai guardadas por mais de 15 anos. “São as únicas imagens da inauguração do Museu do Gonzagão, feitas em 13 de dezembro de 1989, com o show final de Fagner, Elba Ramalho, Gonzaguinha e Dominguinhos, em que teve a queima de fogos de artifícios”, recordou Paulo Wanderley, que é natural de Piancó, interior do Estado da Paraíba.
Ele conta que a sua paixão pela obra de Gonzagão e Gonzaguinha aconteceu porque seu pai, que era funcionário do Banco do Brasil, foi designado para trabalhar numa agência em Exú, interior do Estado de Pernambuco e no lugar só fala da família Gonzaga. Hoje ele tem um acervo que só quem é fã sabe o significado. São mais de dez Lp´s, fitas, fotos, reportagens e agora vídeos com imagens inéditas. “A principio estão apenas quatro vídeos, depois colocaremos mais imagens”, comentou.
De acordo com os idealizadores, o site é um trabalho cultural e tão fins lucrativos com o único objetivo de manter viva a memória de um ídolo. As imagens dos vídeos deixam um pouco a desejar devido ao período em que foram filmadas, mas, vale como registro e memória de um dos melhores cantores da música popular brasileira que faleceu ainda jovem, vitima de um acidente automobilístico.
Várias são as discussões quanto a veracidade sobre a paternidade de Gonzaguinha. Muitos ainda questionam se ele era mesmo filho do Rei do Baião. Paulo Vanderley rebate as discussões explicando que Gonzagão conheceu a mãe de Gonzaguinha num de seus shows, com ela teve um romance e nasceu Luiz Gonzaga do Nascimento Júnior, que durante um tempo de sua vida foi criado pelos padrinhos, que o iniciaram na música.
Desde cedo freqüentou os blocos e rodas de samba do Estácio, principalmente a Unidos de São Carlos no Rio de Janeiro, onde nasceu. Mais tarde entrou na faculdade de economia e conheceu, na Tijuca, o compositor Ivan Lins e o letrista Aldir Blanc (todos integrantes do MAU - Movimento Artístico Universitário), com quem, alguns anos mais tarde, o apresentou no programa Som Livre Exportação, na TV Globo.
Gonzaguinha concorreu, em 1968, no I Festival Universitário de Música Popular do Rio de Janeiro com a canção "Pobreza por Pobreza", que chegou às finais. No ano seguinte, na segunda edição do festival, foi o vencedor com "O Trem". Fazendo carreira em festivais, concorreu em 1970 com "Um Abraço Terno em Você, Viu, Mãe?", lançada em um compacto.
No ano de 1973, participou de um programa de televisão com a música "Comportamento Geral", em que fez duras críticas ao regime militar, que gerou polêmica e esgotou seu compacto que estava à venda. Desde então Gonzaguinha sempre teve outros problemas com a censura. Ainda na década de 70 excursionou por todo o país e gravou, em 1976, o disco "Começaria Tudo Outra Vez", um dos maiores sucessos de sua carreira.
Na sua discografia constam o lançamento de dezesseis LP´s e participou de outros tantos durante a vida, e depois de sua morte coletâneas e discos ao vivo foram lançados. Suas composições foram gravadas com êxito por diversos intérpretes, como Maria Bethânia, Fagner, Elis Regina, Simone, Joanna, As Frenéticas e outros. Entre elas, "A Felicidade Bate à Sua Porta", "Explode Coração", "Grito de Alerta", "Espere por Mim, Morena", "É", "Sangrando", "O Que É o Que É", "Um Homem Também Chora (Guerreiro Menino)".
No site construído por Paulo Vanderley consta toda trajetória do artista e segundo seus idealizadores é um trabalho cultural, sem fins lucrativos, com o único objetivo de manter viva a memória de um ídolo. Para conferir basta acessar o endereço eletrônico www.gonzaguinha.com.br.






Xangai lança DVD "Estampas Eucalol"








Adriana Crisanto


O cantor e compositor baiano Xangai acaba de lançar seu primeiro DVD “Estampas Eucalol, gravado ao vivo em três dias na Sala da Fundação Nacional de Arte (Funarte), no Rio de Janeiro no ano de 2005. O novo trabalho está sendo distribuído pela Karup.
Acompanham Xangai nesta produção o arranjador João Omar (violão), Ocelo Mendonça (violoncelo e flauta) e Ferretti (percussão), com participação especial da filha Maria Porto.
O DVD contém ainda uma entrevista de uma hora de duração, gravado em Belo Horizonte (Minas Gerais) e Lauro de Freitas (BA), em que mostra os diversos sucessos do cantor e compositor que tem fãs de carteirinha aqui na Paraíba. O trabalho conta ainda com a participação de Elomar, seu eterno parceiro. O título do DVD “Estampas de Eucalol” surgiu da famosa canção de Hélio Conteiras.
Eugênio Avelino, mais conhecido como Xangai, é filho e neto de violeiros, nascido no Sertão da Bahia, e criado na zona da Mata de Minas Gerais. O nome artístico foi dado por causa do nome da sorveteria do pai, na cidade de Nanuque.
O avô, seu Avelino, era sanfoneiro e faleceu aos 101 anos. Viveu um tempo na fazenda de seu primo e parceiro musical Elomar. Aprendeu a cantar aboiando com os vaqueiros da região. Em 1973, mudou-se para o Rio de Janeiro, onde permaneceu por mais de dez anos. Chegou a começar a faculdade de economia, mas abandonou para seguir a carreira artística.
Hoje ele é considerado por parte da crítica uma das mais belas vozes a serviço da música sertaneja "de raiz" e apontado por outros como o aglutionador de linguagens do sertão. O seu primeiro trabalho foi gravado em 1976, pela CBS, intitulado “Acontecimento” que continha entre outras canções Asa Branca de Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira, "Forró de Surubim", "Marcha-rancho" , "Esta mata serenou".
No ano de 1980, lançou, em parceira com Elomar, Arthur Moreira Lima e outros, o disco "Parceria Malunga", pelo selo Marcus Pereira. Em seu disco "Qué qui tem canário", de 1981, interpretou, entre outras, "Curvas do Rio", "Pé de milho" e "Estampas Eucalol", esta última de Hélio Contreras.
O terceiro disco solo chama-se "Mutirão da vida", gravado em 1984, que teve direção musical de Jaques Morelenbaum e com acompanhamento do grupo Cumeno cum cuentro, com Jaques Morelenbaum, no celo, Alex Madureira, na viola, Marcelo Bernardes, no sax, clarineta e flauta, e Mingo, na percussão. Contou ainda com a participação especial de Geraldo Azevedo, Hélio Contreras, Marquinhos do Acordeom, Marcos Amma e Paula Martins.
Que Ricardo Anísio me corrija se estiver errada, mas destacaram-se no disco, entre outras, "Fábula ferida", de Jatobá, "O menino e os carneiros", de Geraldo Azevedo e Carlos Fernando, "Ele disse", de Edgar Ferreira, antigo sucesso de Jackson do Pandeiro sobre a carta testamento de Getúlio Vargas, "Violêro", de Elomar, e "Alvoroço", dele e Capinam. O disco trazia sofisticação instrumental e surpresas rítmicas. No mesmo ano, apresentou show no Teatro Castro Alves, em Salvador, acompanhado de Elomar, Geraldo Azevedo e Vital Farias. Do show nasceu o disco ao vivo "Cantoria 1", lançado pela Kuarup, no qual interpretou "Desafio do auto da catingueira", de Elomar, acompanhado do próprio Elomar, "Novena", de Geraldo Azevedo e Marcus Vinícius, que cantou juntamente com Geraldo e Vital, "Cantiga do boi incantado", de Elomar, e "Kukukaya", de Cátia de França. No ano seguinte, com o mesmo grupo, foi lançado o disco "Cantoria 2".
A discografia de Xangai é extensa. Após receber o prêmio Chiquinha Gonzaga lançou em 1986 o disco "Xangai canta cantigas, incelenças, puxulias e tiranas de Elomar". Na seqüência vieram: "Xangai lua cheia-lua nova", "Das labutas". Com Renato Teixeira lançou o disco "Aguaterra". Em 1997 editou "Cantoria de festa", com o qual recebeu o Prêmio Sharp de Melhor Disco do Ano.
Depois vieram "Um abraço pra ti, pequenina", gravado com o Quinteto da Paraíba, somente com músicas de compositores paraibanos como José Marcolino, Cassiano, Geraldo Vandré, Chico César, Bráulio Tavares e alguns outros, contando com as participações especiais de Vital Farias, Cátia de França e Pedro Osmar.
No ano de 2002 lançou CD “Brasileirança”, também gravado com o Quinteto da Paraíba, no qual interpretou, entre outas, "Pequenina", de Renato Teixeira, "Luz dourada", de Juraildes da Cruz e o "ABC do preguiçoso (Ai d'eu sodade)", um de seus maiores sucessos.
Pela Kuarup Discos ele lançou o CD "Nóis é jeca mais é jóia, além de áudio, o CD, que tem co-produção de Xangai com Mário Aratanha, também é CD-Rom, com dois vídeoclipes que mostram, em tela de computador, Xangai e Juraildes cantando no estúdio.

Serviço:
Estampas de Eucalol (DVD)
Xangai
Distribuição: Kuarup Discos
Preço: R$ 45,00
Informações: www.kuarup.com.br


Star 61 em Fiplerama



Banda Star 61
Foto: Divulgação



A irreverência tomará conta do Parahyba Café na noite deste sábado (8), a partir das 23h, com o lançamento oficial do segundo CD demo da Star 61. A festa de lançamento acontecerá dentro da 15a edição do Zona Zine de Carol Morena, editora e produtora do evento, que tem previsão para começar às 21h, com discotecagem de Dj Verdee e apresentação da Flying Back.
A banda que foi atração principal do festival do SESC Paraíba ,“Todas as Tribos”, e traz nesta produção cinco músicas e um bônus da faixa multimídia do clipe “Fácil Demais”.
Apesar da produção musical ter escondido um pouco a voz do vocalista Flaviano e não apresentar uma capa bem encartada, com cores nem tão harmônicas, a demo chega em boa hora para dar uma sacudida no pacato cenário alternativo da Paraíba.
O Star 61 ao lado de grupos como The Sylvias, Cabruêra (rock mais regional), Unidade Móvel (rock industrial pop) vem se revelando como um dos mais irreverentes. Depois da extinta banda Flávio Cavalcanti, atual Flávio C, hoje, pode-se dizer sem pestanejar que o Star é o que de melhor existe na cena musical.
Comentários que surge de pessoas que estão sempre ligadas no que há de melhor no cenário local, a exemplo do ator, diretor de teatro e especialista em música alternativa, Everaldo Pontes. Na opinião de Everaldo, o grupo tem uma energia muito verdadeira. Pulsação está que ficou esquecida pelas bandas, devido, talvez, quem sabe, a exigência e urgência que tem os músicos, em se aliar as novas ferramentas da tecnologia, principalmente os que estão surgindo.
No melhor estilo “Placebo purpurina de ser” o efeito deles no palco é poderoso e impressionante. Resultado observado em nomes como Mick Jagger. Algumas pessoas acreditam que este efeito que enlouquece contagia a platéia que os assiste e escuta e isso se deve ao despojamento de Flaviano que a cada apresentação entra vestido com um figurino mais absurdo do que o outro.
Até um vestido de noiva ele já usou. Foi no Festival Mada, no Rio Grande do Norte, onde ganhou o prêmio como banda revelação de 2004, abrindo para o Sepultura. O público foi conquistado ali, à primeira vista, com a performance da noiva Flaviano regando flores no palco.
A fora toda essa irreverência a musicalidade em momento nenhum é perdida. A formação é a tradicional, ou seja, baixo (Edy - ex-Flávio Cavalcanti), guitarra (Túlio) e bateria (Walter Marrano), no melhor estilo rock. Tudo isso aliado a voz de Flaviano que já diz tudo.
O talento e despojamento levou a banda a participar do Abril pro Rock de 2005, ganharam a eliminatória de Recife do “Claro Que é Rock”. Existe comentários de que a mídia tenha ofuscado um pouco o trabalho do grupo, pois as matérias falavam mais das bandas de Recife do que o grupo da Paraíba.
Em novembro do ano passado a banda foi para São Paulo para participar do festival Claro Que É Rock, junto com as bandas Cachorro Grande, Iggy Pop & The Stooges, Sonic Youth, Nine Inch Nails, Flaming Lips e outras. A apresentação rendeu um outro convite. Desta vez para se apresentar no Blen Blen, casa de shows paulistana, dentro do projeto 2em1, ao lado das bandas Rock Rocket e Bidê ou Balde.
Para quem quiser conhecer o trabalho da banda pode acessar o website da trama, através do endereço eletrônico http://www.tramavirtual.com.br/star_61. Além do histórico do grupo você escutar as músicas do primeiro CD demo e também o mais recente “Fliperama”. Habilite-se e divirta-se.
Adriana Crisanto
adriana@jornalonorte.com.br

Serviço:
Star 61 - Fliperama
Sábado (8)
Hora: 23h
Local: Parahyba Café – Usina Cultural da Saelpa - Tambiá
Informações:
flastar61@yahoo.com.br
www.star61.cjb.net www.fotolog.com/banda_star61

Quando o meio é o ambiente

Figura híbrida de Gina Dantas, meio homem, meio serpente, em postura de oração, em terracota. Simboliza a necessidade de transformação do homem para que aflorem sentimentos de paz e a harmonia. A peça estará em exposição no evento que reúne moda, meio ambiente e arte.


Na tentativa de ampliar o entendimento sobre as questões ambientais um grupo de artistas em parceria com a Associação Acácia Pingo d´Ouro promovem nesta quinta-feira (6), a partir das 19h, na Usina Cultural da Saelpa, localizado no bairro de Tambiá, o evento “O meio ambiente está na moda e na arte”.
No local haverá desfile de moda, exibição de curta metragens, mostra de dança contemporânea e dramatização teatral. Tudo relacionado a temática do meio ambiente, proposta maior da Organização Não Governamental (Ong) Acácia Pingo D´Ouro que congrega pessoas preocupadas com as questões ambientais locais e globais, engajadas em projetos de conscientização ambiental e geração de renda segundo os princípios da sustentabilidade e do “fair trade”.
Na ocasião a artista plástica e estilista Fabíola P mostra sua nova coleção em que mistura fibras de bananeiras, material reciclado e tecido. Recém chegada da Europa a artista traz toda sua vivência das artes (teatro e dança) e sua experiência familiar do mundo das mercadorias para seus desfiles. “Acredito que todas essas experiências estão um pouco refletidas no meu trabalho”, contou Fabíola que parte agora com muito mais força e dinamismo para o mundo da moda.
A ceramista Gina Dantas também estará expondo suas personagens volumosas e de formas arredondadas que lembra a tradição da cerâmica andina, notadamente da cultura “mochica”. Uma de suas últimas obras é a figura híbrida, meio homem, meio serpente, em postura de oração que simboliza a necessidade de transformação do homem para que aflorem sentimentos de paz e harmonia.
Gina Dantas é uma das poucas ceramistas que conseguiu encontrar uma identidade própria. Conseguida, segundo a artista, sem muita explicação. “As coisas foram surgindo sem nenhuma pretensão”, comentou. A artista é natural de Recife (PE), mas está radicada em João Pessoa há mais de 30 anos. Suas peças estão expostas em várias capitais brasileiras e esculturas vendidas em vários países.
Engajada com os movimentos em defesa da arte Gina diz que sempre esteve a favor das pessoas que trabalham por uma causa. Esse foi um dos motivos que a fez apoiar o trabalho da Ong Acácia Pingo D´Ouro, da qual também faz parte e realiza estudos e pesquisas sobre as condições de vida das populações urbanas e tradicionais, nos aspectos ambientais, sanitário, educacional, sócio econômico e cultural e ainda apoiar e assessor grupos e entidades afins.
Os integrantes do grupo Acácia elaboram ainda projetos de combate à degradação e riscos ambientais em áreas de populações tradicionais e urbanas em situação de pobreza e risco, bem como projetos de desenvolvimento auto-sustentável.
A professora, poeta e artista plástica Terezinha Fialho estará no local fazendo também suas intervenções artistas e distribuindo com público pedaços de poesia que remetem a discussões sobre meio ambiente e artes. O evento contará com a presença de integrantes de movimentos ambientais, de representantes civis e políticos, que durante o evento estarão discutindo temas relacionados à educação e gestão ambiental na tentativa de criar oportunidades econômicas compatíveis com a realidade regional.
A moda e arte entram nesta contexto, segundo os organizadores, para nortear as discussões e como forma de chamar atenção da sociedade para os problemas ambientais e que teve seu ápice de discussão e conscientização na Eco 92 e desde então pouco se tem feito de fato pelo o meio ambiente. Os esgotos continuam sendo despejados no mar das praias de Manaíra, Bessa, Tambaú e Cabo Branco. Na Beira Rio esgoto “in natura” é depositado nas margens do Rio Jaguaribe provocando uma fedentina maldita que mais lembra os canais do Recife antigo. O rio São Francisco sendo alvo de brigas políticas partidárias sem precedentes.
A tentativa é fazer com a arte desperte essa consciência nas pessoas. Talvez consiga, desde que a mídia, que também diz ter uma função social, paute com maior intensidade sobre as questões ambientais e não fique puramente no discurso falacioso e não engajado.
Adriana Crisanto

Serviço:
Meio Ambiente está na moda e na arte

Quinta-feira (6)
Hora: 19h
Local: Usina Cultural da Saelpa - Tambiá


Martinho Patrício na Bienal


Martinho Patrício é único paraibano convidado a participar da 27a edição da Bienal de Artes Plásticas de São Paulo


O artista plástico Martinho Patrício foi o único paraibano a ser convidado para a 27a edição da Bienal de São Paulo. O evento, considerado um dos mais concorridos do país, está previsto para acontecer no período de 7 de outubro a 17 de dezembro no parque Ibirapuera. A edição, tem como tema “Como viver junto”, este ano contou com um total de 119 artistas.

Um dos projetos que provavelmente estará na Bienal é “Brincar com Lygia, com Hélio, com Volpi e com Rubem”. Brincar com Lygia, que foi exposto pela primeira vez na torre Malakof em Recife (PE), teve como curadora Cristiana Tejo. O trabalho consiste numa instalação em que o artista expõe cinco mesas com cerca de 18 mil peças confeccionadas em papel laminado onde as pessoas podem brincar com elas.

Uma das instalações que chama atenção são os expositores com três mil múltiplos que são vendidos ao preço de R$ 1,00 cada. Fazendo com que o público pense sobre o valor que pode ter a obra de arte e se ela tem realmente valor. São trabalhos representativos de pouco mais de dez anos de atividade, nos quais o artista criou uma obra singular na arte brasileira contemporânea.

A utilização do tecido como suporte dos trabalhos se ancora em referências fortes do cotidiano do artista, desde cedo cercado por um repertório variado de formas litúrgicas e lúdicas feitas de engenho e pano. Embora esteja próximas as formas construtivas cultas, essas outras formas dos trabalhos de Martinho não são fixas ou rijas, cedendo ao sopro do vento e à proximidade do corpo humano.

Os trabalhos Martinho Patrício estabelecem diálogos com artistas reconhecidos no cenário da arte contemporânea brasileira, a exemplo da artista construtivista mineira Lygia Clark que iniciou nas artes plásticas sob orientação de Burle Marx e criou, em 1960, “Os Bichos” - estruturas móveis de placas de metal que convidam à manipulação e a obra-mole, pedaços de borracha laminada entrelaçados.

O projeto selecionado, segundo Patrício, ainda está sendo desenvolvido, pois o evento acontecerá em outubro. Os trabalhos de Martinho são o que de mais “vanguardista” existe no cenário “contemporâneo” das artes plásticas da Paraíba, termos que por sinal, o artista não gosta muito de utilizar, como também é cauteloso e detalhista nas suas explicações. “É importante que as pessoas entendam o que o artista está querendo dizer e muitas vezes quem escreve não consegue transmitir”, criticou o artista.

Na opinião da Curadora Cristiana Tejo, o procedimento proposto pelo artista alia seu interesse pela forma (até então conseguida por tecidos, fitas, fuxicos, rendas e suas cerziduras) à espontaneidade de configuração de um jogo como o de búzios. Para quem quiser dar uma conferida no trabalho do artista pode acessar o seu web site através do endereço eletrônico www.martinhopatricio.com.br.

Sobre o artista

Martinho Patrício é natural de João Pessoa, onde ainda vive e trabalha. Graduado em Educação Artística na Universidade Federal da Paraíba, em1999. Entre as exposições individuais constam: Solo exhibitions (2005), Brincar com Lygia (2002). Expôs no Museu de Arte Moderna Aloísio Magalhães, Recife, que teve como curador Moacir dos Anjos, no Espaço Cultural Casa da Ribeira, Natal (2002), Espaço Cultural Sérgio Porto, Rio de Janeiro, Centro Cultural de São Francisco, João Pessoa, que teve como curadora Valquíria Farias, (1999), Centro Cultural de São Francisco, João Pessoa, Galeria Vicente do Rego Monteiro. Fundação Joaquim Nabuco, Recife (1997), Núcleo de Arte Contemporânea (UFPB), Museu de Arte Moderna da Bahia, Salvador, Museu de Arte Contemporânea de Pernambuco, Olinda (1991), Pinacoteca da UFPB, João Pessoa.

Entre as exposições coletivas constam sua participação no Group exhibitions (2005), Homo Ludens: do faz de conta à vertigem. Instituto Itaú Cultural, São Paulo, que teve como curadora Denise Mattar, Nordeste: fronteiras, fluxos e personas. Centro Cultural Banco do Nordeste, Fortaleza (2004), Narrativas: desenho contemporâneo brasileiro. Centro Cultural de São Francisco, João Pessoa, Coleção Museu de Arte Moderna Aloisio Magalhães: doações 2001-2004. Museu de Arte Moderna Aloisio Magalhães, Recife, Galeria Mariana Moura, Recife. Para ver de(s)perto. Galeria da Faculdade de Artes Visuais, Goiânia. Heterodoxia. Galeria Archidy Picado. Fundação Espaço Cultural, João Pessoa (2003). Ordenação e vertigem. Centro Cultural Banco do Brasil, São Paulo.

Coletiva. Dumaresq Galeria de Arte, Recife (2002), Pupilas Dilatadas. Galeria Massangana. Fundação Joaquim Nabuco, Recife. Rumos da Nova Arte Contemporânea Brasileira. Paço das Artes. Belo Horizonte, que teve como curador Fernando Cocchiarale.

Participou ainda da II Bienal Internacional de Buenos Aires. Museu de Bellas Artes, Argentina. Faxinal das Artes . Museu de Arte Contemporânea do Paraná, Curitiba. Caminhos do Contemporâneo: 1952-2002. Paço Imperial, Rio de Janeiro. O Presente e a Presença: coleções. Museu de Arte Contemporânea de Goiás. Onde o Tempo se Bifurca. Centro Cultural de São Francisco, João Pessoa. Entre o Eu e o Mundo... Centro Cultural de São Francisco, João Pessoa. Fez parte do Projeto Nordestes. SESC Pompéia, São Paulo. Entre o Eu e o Mundo... Museu de Arte Contemporânea, Goiás.

Arte Contemporânea da Paraíba. Museu de Arte Assis Chateaubriand, Campina Grande. Quatro vezes. Galeria Archidy Picado. Fundação Espaço Cultural, João Pessoa. Galeria Funjope. Fundação Cultural de João Pessoa, João Pessoa. No ano de 1998 expôs seus trabalhos na Geração 90. Galeria Casa Triângulo e Pinacoteca do Estado de São Paulo, São Paulo. V Salão MAM. Museu de Arte Moderna da Bahia, Salvador. Arte Contemporânea da Gravura. Museu Metropolitano de Arte de Curitiba, Curitiba. Antarctica Artes com a Folha. Pavilhão Pe. Manoel da Nóbrega, São Paulo.

A Bienal

A 27ª Bienal de São Paulo iniciou suas atividades em janeiro. Pela primeira vez, foram abolidas as representações nacionais. O título da mostra, “Como Viver Junto”, inspirado em seminários de Roland Barthes no Collège de France realizados em 1976-77 propõe uma reflexão acerca da construção de espaços partilhados. Coexistência e convivência, ritmos de produção e práticas cooperativas são questões que integram a tentativa de chegar a um sentido ético do Viver-Junto. A 27ª Bienal está conceitualmente situada na interseção de duas linhas de pensamento que Hélio Oiticica (1937-1980) desenvolveu: o sentido de "construção", que está na base da experimentação neoconcreta, e o "adeus à estética". Na mostra, essas duas linhas se traduzem em "Projetos Construtivos" e "Programas para a Vida".

Adriana Crisanto

Mais um prêmio para Mônica


Paraibana Mônica Câmara recebe das mãos do presidente Luis Inácio Lula da Silva prêmio promovido pela
Secretaria Nacional Antidrogas

A fotojornalista Mônica Câmara recebeu em Brasília (DF) o prêmio de R$ 4 mil pela primeira colocação no IV Concurso Nacional de Fotografia, categoria profissional, promovido pela Secretaria Nacional Antidrogas (Senad). Ao todo foram 80 fotógrafos de várias partes do país.
A solenidade de entrega do prêmio aconteceu ontem no Palácio do Planalto, durante a Semana Nacional Antidrogas, com a presença do presidente da república Luis Inácio Lula da Silva. Desta vez a foto premiada foi “Recreio”, tirada por um acaso na cidade de Caapora, quando trabalhava na editoria de fotografia do Jornal O NORTE.
A foto ficou guardada por algum tempo até que surgiu a oportunidade do concurso e ela resolveu concorrer. As regras do concurso eram claras e só poderia inscrever apenas um trabalho inédito sobre o tema “Atitudes positivas na vida e a prevenção do uso indevido de drogas”, não foi permitido utilizar imagens negativas ou preconceituosas, muito menos cópia ou adaptação de fotografia já existente.
O prêmio é sem dúvida o reconhecimento do trabalho de uma das melhores, senão a melhor, profissional de fotografia que o Estado da Paraíba dispõe. Sensibilidade é o que não falta a Mônica, a prova são os inúmeros prêmios que vem recebendo ao longo de sua carreira. Também não é a toa que ela carrega o sobrenome Câmara, quase chega a ser “Câmera”. Nesta simbiose de nomes, Câmara ou Câmera, na verdade, para quem a conhece bem e conviveu diariamente na redação com sabe o quanto é apaixonada pelo que faz.
Mônica Câmara é natural de João Pessoa (PB). É jornalista formada pela Universidade Federal da Paraíba (UFPB). Na fotografia começou no ano de 1997. Por quase seis anos atuou em redação de jornal. Hoje é programadora visual, concursada, na Editora Universitária da UFPB, que está vinculada ao Pólo Multimídia.
No currículo dela constam o prêmios concedidos pela AETC/JP de Jornalismo (2003). Conquistou o prêmio Momentos Incríveis promovido pela National Geographic Channel, na categoria Natureza, foi tema de um concurso redação do cursinho clássico de português da professora Valdenora Nogueira. “Isso vale mais do que qualquer premiação”, comentou a fotógrafa Mônica Câmara na época.
Ela também foi vencedora do prêmio “Click João Pessoa”, com a foto que retrata um momento da procissão de Nossa Senhora das Neves, padroeira da Paraíba, produzida no dia 5 de agosto.
A profissionalização só aconteceu em 2001, quando se despertou o interesse pelo fotojornalismo, e quando a arte de fotografar passou a ter um significado maior. Compromissada com a gente do lugar onde reside ela começou seus estudos na área de linguagem visual com às manifestações populares infantis, tema que muito lhe agrada. Em seguida, vieram os experimentos, as paisagens, os desastres sociais.
Há três anos, juntamente com os amigos Helder Machado, Amilton Simão e David Fernandes, vem desenvolvendo um trabalho de resgate e divulgação do fabrico e consumo da cachaça e rapadura artesanais, produzidas no Estado da Paraíba. Como senão bastasse Mônica Câmara desenvolve pesquisas em parceria com algumas Organizações Não-Governamentais (Ong´s), visando o reconhecimento da cidadania de crianças e adolescentes em situação de risco, no Estado.
Mônica diz que sua paixão mesmo está nas estradas e nas imagens. Tanta paixão levou a fotógrafa, em cerca de oito anos, a participar de 26 exposições, entre individuais e coletivas, destacando “12 motivos para não deixar de ser criança”, sua primeira exposição e o passo decisivo para o fotojornalismo.
Entre os prêmios que conquistou estão menções honrosas e honrarias, cerca 12. “Só o brasileiro se ver não é o bastante, ele tem que se reconhecer enquanto cidadão e ser humano”, disse. Um dos meios que a fez se enxergar enquanto agente formador de opinião foi a fotografia. Através dela, Mônica se reinventa. Sua construção visual se consolida a cada piscar. E vem do cheiro, da música, da poesia, do jeito, que sua gente tem de sorrir e de se dar. Parabéns por mais essa conquista.

O prêmio

Na categoria profissional, o 2° lugar ficou com Daniel Protzner de Melo, de Belo Horizonte (MG), que vai receber R$ 2 mil. Os prêmios de Menção Honrosa vão para Valéria Leite Simões, de Salvador (BA), Márcio Henrique Furtado Vasconcelos, de São Luís (MA), Severino Ferreira da Silva, de Caruaru (PE) e Helder Messias de Almeida, de Paraupebas (PA).
A vencedora na categoria amador foi Hellen Tatiene Vieira, de Campinas (SP), com o trabalho “Pelos passos da vida... não me canso de viver, nem de dançar”. O 2° lugar ficou com Valéria Aparecida de Mello, de Batatais (SP). Carlos Roberto Chaves Faria, de Salvador (BA), Cíntia de Souza Locaregio, de Chapecó (SC) e Ana Gabriela Correia de Albuquerque, do Recife (PE) vão receber os prêmios de Menção Honrosa.
O júri foi formado pela coordenadora de prevenção da Secretaria Nacional Antidroga, Doralice Oliveira Gomes; Wagner Antônio Rizzo, professor da Faculdade de Comunicação da Universidade de Brasília (UnB); Josué Gonçalves de Vasconcellos, representante da Unesco e pela Subsecretaria de Comunicação Institucional da Presidência da República, Silvana Ferreira.
Adriana Crisanto