Nasce o mito


A Paraíba acordou chorando ao saber do falecimento, ontem, de Severino Dias de Oliveira, o mestre Sivuca. O musicista faleceu às 23h55 na quinta-feira (14), vítima de um câncer na laringe, no Hospital Memorial de São Francisco, em João Pessoa, aos 76 anos. Durante toda a manhã e tarde familiares, amigos, artistas, escritores e jornalistas estiveram presente no Cemitério Parque das Acácias para prestar as últimas homenagens ao mestre da sanfona.
Sivuca estava internado deste a última terça-feira quando seu estado clínico se agravou. O músico deixa a esposa, cantora e compositora Glorinha Gadelha, uma filha (Flávia), um neto e uma legião de admiradores e fãs espalhados por todo mundo. “É uma perda insustentável. Não sei ainda como vai ser a minha vida depois da partida do meu amor”, comentou emocionada a esposa, Glorinha Gadelha, que esteve casada com Sivuca por 32 anos, e revelou aos jornalistas presentes que o músico tinha a doença há quase 30 anos.
“A genialidade de Sivuca fez com que ele se libertasse da morte”, comentou o irmão Josué Dias, 74 anos, por quem o músico tinha verdadeira admiração e respeito. De acordo com Josué Dias, o talento de Sivuca, que é natural da cidade de Itabaiana, se manifestou precocemente com nove anos de idade animando festas de casamento pelo interior o Estado. As últimas conversas dele como irmão foram apenas para relembrar fatos agradáveis da vida em família.
Recentemente Sivuca vinha recebendo do poder público do Estado e Município várias homenagens. Uma das últimas foi o lançamento do DVD intitulado “O Poeta do Som”, que reuniu novas composições num concorrido evento no dia 20 de novembro, na Fundação Casa de José Américo, na praia do Cabo Branco, que contou com a participação dos grupos Quinteto da Paraíba, Camerata Basílica, Quinteto Uirapuru, Quinteto Latinoamericano, Quinteto de Sopro, JPSax, Brazilian Trombone Ensemble, Sexteto Brasil, Poty Lucena e Valtinho do Acordeon, Banda Amigos de Sivuca, Clã Brasil, Metalúrgica Filipéia, Nossa Voz, Orquestra Sinfônica da Paraíba e Glorinha Gadelha.
A produtora do DVD, Gal Cunha Lima, que esteve perto de Sivuca e Glorinha Gadelha nos últimos meses, disse se sentir honrada em ter produzido um trabalho tão grandioso como foi projeto musical “Poeta do Som”. “Sivuca é para mim é um anjo e deixa um exemplo de vida, de simplicidade, humildade que não vou esquecer jamais”, comentou.
O poeta popular Oliveira de Panelas, presente no sepultamento, disse que Sivuca fez inveja a muito gringo pela maestria com que executava a sanfona. “Sivuca fez do som a palavra, botou vernáculo, uma gramática em todas as fusas e semifusas da sanfona. Fica uma lacuna na cultura que o mundo vai sentir”, declamou o poeta Oliveira aos presentes.
Mesmo doente Sivuca trabalhava sem se cansar, segundo Glorinha Gadelha, estava compondo uma peça musical da qual chamou de “Ave-Maria”, mas não chegou a terminá-la por completo devido à doença. Nos últimos anos produziu muito com os artistas locais. Além do DVD gravou com a Orquestra Sinfônica do Recife e Terra Esperança. “Minha filha não existe melhor remédio do que trabalhar uma partitura para uma orquestra sinfônica”, brincou o músico num dos últimos encontros.
Vários instrumentistas que participaram da gravação do DVD e estavam em Recife (PE) participando de um encontro de virtuoses da música instrumental contemporânea fretaram um micro ônibus e vieram para o sepultamento do instrumentista. Na opinião de Rucker Bezerra, integrante do Quinteto Uirapuru, a Paraíba perdeu um gênio da música. “Sivuca nos passou todo o sentido do que é a música”, acrescentou o trombonista Radegundis Feitosa que ficou as duas últimas semanas em contato com o artista. “Ele era um grande padrinho para nós. É uma pena, pois é uma luz que se apaga”, finalizou.
A Prefeitura Municipal de João Pessoa, através do prefeito em exercício, Manoel Júnior, decretou agora a pouco luto oficial de três dias na Capital, pela morte do maestro Sivuca.

Adriana Crisanto
Repórter
Matéria publicada no caderno Show do jornal O Norte sábado, dia 16 de novembro.
Foto: Ovídeo Carvalho

Fim de ano com música


Pronto. Estamos em dezembro. Faltam poucos dias para acabar o ano. Período em que o mercado fica enlouquecido com as vendas e o consumo mais acirrado. O que não é para menos, pois até o dia 31 de dezembro o público vai correr até a loja mais próxima para adquirir presentes de Natal e aquela famosa lembrança do Amigo Secreto.
Numa breve consulta aos websites dos revendedores de CD e DVD do país você pode descobrir até previsões do mercado musical para o próximo ano. As gravadoras, principalmente de grande porte, começaram a abastecer suas prateleiras com seus “blockbusters”.
A EMI, por exemplo, promete soltar mais uma série de shows da banda RDB, que este ano arrastou uma multidão de aborrescentes para consumir os produtos do grupo mexicano. Estão previstos os DVD’s da segunda e da terceira temporadas da novela Rebelde.
No mercado internacional as “major`s” (grandes empresas de música), a exemplo da EMI, lança novos trabalhos do Iron Maiden, Robbie Williams, Norah Jones, Diana Ross, compilações de Moby e Depeche Mode e um novo trabalho do que sobrou do Queen. Um dos anúncios da empresa é o CD "Love" que reúne músicas dos Beatles, remixadas e utilizadas pela Companhia de Dança Cirque de Soleil, em seu espetáculo homônimo.
O trabalho foi dirigido por Georg Martin e por seu filho Giles, sob supervisão dos dois Beatles remanescentes Paul MacCartney e Ringo Star, e de Yoko Ono e Olívia Harrison, viúvas, respectivamente de John Lennon e George Harrison.
No mercado nacional a também EMI brasileira programa os lançamentos dos discos “Prisma” de Paulo Ricardo, a banda santista Charlie Brown Júnior e do grupo baiano Cheiro de Amor. A dobradinha CD e DVD a empresa lança Caio Mesquita, Daniela Mercury e Fafá de Belém.
A major Sony BMG traz, como todo ano, o seu campeão de vendagem, o Rei Roberto Carlos que promete neste trabalho uma surpresa, um CD de duetos com grandes nomes da música brasileira. Paralelo a este trabalho o Rei Roberto grava no Rio de Janeiro o tradicional programa de fim do ano, que será exibido pela toda poderosa Rede Globo.
A cantora Ana Carolina também vem como promessa da BMG que para delírios os fãs da cantora retorna, enfim, ao mercado fonográfico. Nos últimos dois anos, a cantora esteve de férias, que só interrompeu para brincar de lançar o CD aclamado “Ana e Jorge”, lançado no ano passado com Seu Jorge. O novo trabalho de Carolina será um disco duplo.
Outro disco que vem causando uma certa expectativa é a dobradinha CD e DVD que celebra a retomada do grupo “Mutantes”. Como já foi exibido no programa de televisão Fantástico, no último domingo, o grupo deixou de lado a aposentadoria e foram faturar um pouquinho. Eles retornaram a pouco de uma série de apresentações nos Estados Unidos e Europa. O CD e DVD dos Mutantes foram gravados ao vivo no centro cultural Barbican, em Londres.
Outra aposta da BMG são os CD’s das moças da minissérie Antônia (Negra Li, Leilah Moreno e Cindy) que estreou no mês passado na televisão e que em breve será lançado nas telonas. No segmento música erudita a BMG ataca com Beethoven Piano Sonatas, um novo trabalho de Nelson Freire. Na linha internacional a companhia tem um verdadeiro arsenal de lançamentos.
Só para citar alguns tem o novo CD e DVD da banda U2, intitulado Definitive Best Of, que traz a participação do Green Day. Um detalhe deste trabalho do U2 é que essa participação de Day nesta única canção será revertida para a Music Rising, organização que presta assistência aos músicos que perderam os instrumentos durante a passagem do furacão Katrina. Tem ainda a estréia de Fergie do Black Eyed Peãs, Andréa Bocelli, Jay Z, The Who, Eminem, Jack Johnson, Diana Krall e Baby Blue da cantora e atriz mexicana Anahí.
Na seqüência de lançamentos estão ainda previstos ainda para este mês uma caixa com onze discos do baiano Caetano Veloso (Caixa Caetano 1), a coleção Chico Buarque, com 17 títulos remasterizados, uma edição especial da série High School, o DVD Live! Tonight! Sold Out! Do Nirvana e a série 11 títulos das melhores canções das escolas de samba do Rio de Janeiro.

Novos talentos

Novos talentos também podem faturar um pouquinho neste finalzinho de ano e são também promessas para o próximo ano. Uma dessas estréias é o disco inaugural do Canto dos Malditos na Terra do Nunca, um grupo de rock vindo da Bahia e o novo trabalho da cantora Céu, que vem sendo apontada como uma das grandes revelações da nova safra da MPB.
A paulistana Céu apareceu no cenário musical no final de 2005. Com apenas 25 anos de idade a moça surpreendeu a crítica ao lançar seu primeiro disco pela Ambulante Discos. Céu, que foi ofuscada pelas estrelas do Tim Festival, na sua última edição, foi indicada ao prêmio Tim de Música deste ano na categoria pop rock como melhor cantora.
Cantora, compositora e interprete, Céu mistura jazz, MPB, músicas urbanas atuais como o hip-hop, com sonoridades eletrônicas e ritmos regionais como o samba. Toda essa miscelânea rendeu a criatura uma bela turnê pela Europa e no Canadá, incluindo no pacote a participação no conceituado Festival de Jazz de Montreal.
Adriana Crisanto
Matéria publicada no caderno Show do Jornal O Norte
Dezembro 2006.
Foto: Cantora Céu, uma das promessas de sucesso para 2007.