Admirável mundo do herdeiro de Avohai


Terminou na última terça-feira a primeira etapa das gravações do documentário sobre cantor e compositor paraibano Zé Ramalho, uma das atrações deste sábado (6), do projeto musical Estação Nordeste, idealizado pela Funjope, que teve abertura oficial sexta-feira (5), na Praça Antenor Navarro, centro histórico, com o show do cantor, compositor e arranjador carioca Egberto Gismonti, da cantora Gláucia Lima e do grupo Ô de Casa.
O roteiro do vídeo-documentário inclui ainda o show que Zé Ramalho fará neste sábado (6), na Praia de Tambaú, em João Pessoa. O documentário biográfico está sendo dirigido pelo jornalista Elinaldo Rodrigues, e pretende traçar um panorama sobre a vida e obra do artista. As primeiras gravações foram realizadas no Teatro Santa Roza, que, de acordo com o Elinaldo, o artista revelou profunda ligação sentimental.
Afinal, foi lá onde ele realizou seu show de despedida da cidade, em 1976, antes de seguir para o Rio de Janeiro e se projetar nacional e internacionalmente. De acordo com Elinaldo Rodrigues foram mais de cinco horas de depoimento, em que Zé Ramalho abordou sobre os mais diversos assuntos relacionados à sua vida e obra.
Os fãs do cantor e a imprensa local não tiveram acesso as gravações no Teatro Santa Roza, e alguns se sentiram profundamente magoados com a produção. “Eu atendi a um pedido do artista e pensei que as pessoas fossem compreender”, lamentou Elinaldo.
O vídeo-documentário ainda não tem título definido, provavelmente deverá se chamar “Zé Ramalho Herdeiro de Avohai” e terá duração de 50 minutos. Entre algumas surpresas está incluída a participação do cantor e compositor paraibano Pedro Osmar, que de posse de outra câmera intervia na conversa realizando perguntas. A idéia é recordar uma entrevista realizada com o artista para um jornal da Capital há cerca de 10 anos.
O documentário terá ainda locações na cidade de João Pessoa, Brejo do Cruz, sua terra natal, Recife e Rio de Janeiro, onde deverão ser registradas imagens de ambientes referenciais na vida e obra de Ze Ramalho, como também depoimentos de personalidades que integram a sua trajetória.
A equipe que trabalha nesta produção é formada por talentos do audiovisual paraibano, a exemplo do também jornalista João Carlos Beltrão (diretor de fotografia), Heleno Bernardo (produtor), Bruno de Sales (jornalista e técnico de som), Adilson Luiz e Lúcio César (câmeras), Gustavo Moura (still), Alfredo Amaral (suporte técnico), Irapuã Sobral (microfonista) e Aderaldo Júnior (assistente de câmera) e outros.
"Toda a equipe facilitou muito as coisas para que conseguisse lembrar e me expressar como me expressei", comentou Zé Ramalho numa declaração explícita a equipe de produção. Elinaldo Rodrigues disse ainda que o cronograma de gravações será definido conforme o ritmo de captação de apoio e patrocionadores.
A expectativa é que as gravações estejam concluídas até março de 2007. A produção não está atrelada a nenhum fundo de incentivo a cultura. Ela conta apenas com o apoio do Departamento de Comunicação Social e do Pólo Multimídia da Universidade Federal da Paraíba (UFPB), que cederam as câmeras, da Fundação Cultural de João Pessoa (Funjope), Nova Idéia Agência de Comunicação e do Mapa Guia Made in PB.
Adriana Crisanto
Texto publicado no caderno Show do Jornal O NORTE em dezembro de 2006.
Foto cedida gentilmente pelo diretor do documentario.