Andorinhas à vista


No período de 4 a 13 de maio a cidade de João Pessoa será palco da terceira edição do Festival de Cinema de Países de Língua Portuguesa (Cineport), evento instituído pela Fundação Cultural Ormeo Junqueira Botelho, instituição ligada à empresa Guataguazes de Energia Elétrica, que na Paraíba é representada pela Saelpa. O 3o Cineport terá como sede a Usina Cultural da Saelpa, localizada entre os bairros de Tambiá e Torre.
O evento foi criado com o objetivo de integrar e desenvolver o mercado audiovisual, promovendo os filmes realizados em português e dialetos falados nas nações que compõem a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa: Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor Leste.
O Festival esse ano terá como homenageado o cineasta paraibano Vladmir Carvalho. A presidente da Fundação Ormeu Junqueira, Mônica Botelho, disse que os preparativos para o evento estão a todo vapor e que o 3°Cineport irá conceder cinco tipos de troféus: Andorinha, Andorinha Digital, Andorinha Técnica, Andorinha Criança e Humberto Mauro. Para selecionar as realizações e conceder o Troféu Andorinha, na modalidade 35mm, foi criada em 2004, a Confraria do Cinema, formada por profissionais da área, que atua nos países de língua oficial portuguesa.
Para falar sobre os detalhes da programação, esclarecer aos pontos do evento, procuramos a presidente da instituição Mônica Botelho que nos concedeu gentilmente uma boa entrevista via correio eletrônico. Leia a entrevista:


Como se encontram os preparativos para a edição do CINEPORT aqui em João Pessoa?
Os preparativos estão correndo muito bem, estamos viajando para Portugal no Carnaval para fechar vários acordos para esta edição, nosso diretor do Festival e responsável pela curadoria dos filmes digitais, o cineasta Marcos Pimentel, irá para Cabo Verde e Angola em fevereiro e março para ministrar umas oficinas e conferir de perto a produção atual desses países.Em João Pessoa iniciaremos em março um programa nas escolas públicas em colaboração com o Estado abordando o universo dos países de língua portuguesa e preparando as crianças e jovens para o Festival que vai acontecer na cidade.

Quais atrações estão confirmadas?
No campo das atrações e presenças confirmadas ainda é muito cedo para apresentar todos os nomes, estamos ainda em fase de seleção dos filmes e das atrações. Já posso adiantar que nossos homenageados do Festival serão os cineastas Vladimir Carvalho com quem tive o prazer de almoçar ontem aqui no Rio, o cineasta africano Zezé Gamboa e a portuguesa Maria Medeiros ainda a confirmar. Fiquei muito feliz em homenagear nesta edição o paraibano Vladimir Carvalho que apresentará na abertura do Festival o seu novo filme, O Engenho de Zé Lins, sobre o escritor paraibano, Enfim, ainda bem que a Paraíba tem tantas coisas par apresentar no Festival. Já estamos fechando também com o Marcus Villar a participação do novo filme dele em homenagem a Ariano Suassuna.

A presença do escritor Gabriel Garcia Marquez está confirmada?
Não convidamos o Gabriel Garcia Marques, e nem pensamos em fazê-lo, apesar de que ele seria uma presença importante, que honraria qualquer festival. No entanto, como nosso Festival tem seu foco de atuação nos países de língua portuguesa, vamos convidar autores desses países. Aliás, estamos fazendo uma parceria com uma nova editora, a Língua Geral, que é dirigida pelo celebrado escritor angolano José Eduardo Agualusa, para o desenvolvimento de um Laboratório de Roteiros envolvendo seus autores, todos oriundos dos países de língua portuguesa. Esta será uma das novidades desta edição do Festival. Pretendemos realizar um ciclo de debates cinema-literatura no âmbito do Festival. Neste sentido, vamos contatar a Universidade da Paraíba em nossa próxima visita a João Pessoa, e propor uma parceria para esse segmento especifico do Festival.

Os funcionários da Saelpa vão poder participar do evento? Como acontecerá?
Sim todos os funcionários serão convidados a participar do evento, bem como toda a população de João Pessoa, pois o acesso ao Festival se dará de forma muito democrática. Todos os ingressos para as sessões serão distribuídos gratuitamente, com exceção de poucas sessões exclusivas para convidados. O esquema de distribuição de senhas será divulgado oportunamente.

Além do CINEPORT que outras atividades e projetos culturais estão sendo planejados para 2007 pela Fundação Ormeu Junqueira para a Usina Cultural da Saelpa?
Temos já definida nossas exposições de artes visuais para o ano de 2007, sempre dentro dos parâmetros que fazem da nossa galeria de artes uma das melhores do Estado, trazendo sempre para João Pessoa exposições de fatura contemporânea e de grande qualidade. Além disto, os projetos de arte –educação aliados ao projeto Café com Pão Arte ConFusão estão a mil, e cumprindo uma agenda de grande importância na vida de seus jovens freqüentadores, que descobrem na arte uma possibilidade de crescimento e desenvolvimento pessoal.

O que levou a senhora e sua equipe a desenvolver um projeto como o CinePort?
O desejo de realizar um Festival inédito que pudesse estabelecer laços com os países que compartilham da nossa mesma língua.

Qual a maior ou maiores dificuldades de levar cultura para os estados da Paraíba, Minas Gerais e Rio de Janeiro?
A Fundação atua em espaços e lugares identificados como fora do eixo da produção/difusão cultural brasileira, a Paraíba, a Zona da Mata Leste de Minas Gerais, o Estado de Sergipe e o município de Nova Friburgo no Estado do Rio de Janeiro. No entanto, pautamos nossas ações com a mesma qualidade e ousadia das chamadas cidades do eixo. È óbvio que é mais fácil realizar eventos de grande porte em cidades e estados maiores, onde existe maior circulação de recursos. Mas creio na excelência da produção dos lugares onde atuamos, que é também muito vigorosa e de muita qualidade, e não fica nada a dever aos outros lugares. Sendo assim, acredito que temos que pensar grande e lutar para conseguir realizar eventos que se traduzam em visibilidade para esta produção. O Ministério da Cultura do atual governo tem pensado estratégias para driblar esta concentração de recursos no Sudeste e nas grandes capitais, mais ainda nada de muito efetivo foi realizado neste sentido. Acho que uma estrutura de incentivos fiscais diferenciada deveria ser adotada nos projetos que são realizados fora do eixo, com o objetivo de seduzir as empresas a participarem mais. No nosso caso, temos a sorte de contar com a nossa mantenedora, a Saelpa, que financiará grande parte do evento. Mas ainda sim estamos buscando patrocínios complementares em outras empresas, pois Festivais consomem grandes recursos e, no caso especifico do CINEPORT, sua característica internacional eleva os gastos com passagens e hospedagens.

E como é para a senhora estar presidindo uma das mais importantes instituições culturais do país?
Acho que a Fundação tem tido o reconhecimento público de suas ações porque fazemos tudo dentro do espírito muito bem sintetizado por uma frase de Santo Agostinho, que se tornou nossa lema: ”Nada merece ser feito mesmo que bem feito se a alma não estiver no feito”, ou seja, é com um alto grau de entrega e paixão que realizamos nossas ações. E por isto me sinto muito orgulhosa de estar à frente de uma instituição que pensa e age assim.

O que a Fundação Ormeo Junqueira pensa em fazer pela cultura popular no Estado da Paraíba?
Estaremos intensificando muito em breve nossa atuação neste campo da cultura popular na Paraíba. Ainda estamos em fase de consolidação de nossas propostas iniciais de trabalho e, portanto novos programas e projetos podem ser aguardados para o futuro.

No ano passado, estavam sendo programados para funcionar o Memorial Ataulfo Alves em Miraí, o Memorial Humberto Mauro em Cataguases, a Biblioteca Infanto-Juvenil Lya Maria Müller Botelho em Leopoldina. Esses espaços já foram inaugurados?


Infelizmente houve um atraso em nosso cronograma devido a uma cirurgia que me tirou de combate por dois meses no ano passado. Mas nosso novo cronograma prevê para abril as aberturas dos Memoriais Humberto Mauro e Ataulfo Alves e para o segundo semestre, provavelmente em agosto, a inauguração da Biblioteca Lya Maria Junqueira Botelho em Leopoldina.




Adriana Crisanto





Entrevista publicada no caderno Show do Jornal O NORTE em fevereiro de 2007.


Fotos de divulgaçao da assessoria de imprensa da Saelpa.