Mais um premio para Suely








O filme “O Céu de Suely” recebeu mais um prêmio. Desta vez o prêmio veio do 10o Festival Internacional de Cinema de Punta Del Este realizado entre os dias 4 e 11 de fevereiro, no Uruguai. Participaram do Festival os filmes brasileiros: O Céu de Suely, de Karim Ainouz, O cheiro do ralo, de Hector Dalia, É Proibido Proibir, de Jorge Durán, e o desenho animado Wood e Stock, Sexo orégano y rock'n' roll, de Otto Guerra, inspirado na obra do quadrinista paulista Angeli.
O festival, que coincide com os festejos pelos 100 anos de Punta del Este, homenageou este ano o veterano diretor brasileiro Nelson Pereira dos Santos, conhecido mundialmente por clássicos como Rio 40 Graus, Vidas secas e Memórias do Cárcere.
A seleção de filmes do festival inclui produções da Argentina (Nacido y criado, de Pablo Trapero; El camino de San Diego, de Carlos Sorín; El destino, de Miguel Pereira, e La Punta del diablo, de Marcelo Paván): Bolívia ( Lo más bonito de mis mejores años, de Martín Boulocq); Chile (Padre nuestro, de Rodrigo Sepúlveda, e Salvador Allende, de Patricio Gusmán): Peru (Chicha tu madre, de Gianfranco Quattrini) e Venezuela (El Don, de José Ramón Novoa): México (El violín, de Francisco Vargas Quevedo, Sólo Dios sabe, de Carlos Bolado).
"O Céu de Suely" já acumula 19 prêmios nacionais e internacionais, incluindo melhor filme e melhor atriz no Festival de Havana, três prêmios da Associação Paulista dos Críticos de Arte (melhor filme, melhor diretor e melhor atriz) e três prêmios no Festival do Rio (melhor filme, melhor diretor e melhor atriz).
A atriz Zezita Matos, que recebeu o prêmio de melhor atriz coadjuvante, na segunda edição do Festcine Goiânia, em novembro de 2006, comentou que o filme tem agradado a muitas pessoas e se tornado um marco no cinema nacional. “Além de que o filme mexe com o lado psicológico e social dos nordestinos. Mostra uma realidade sem artifícios”, acrescentou Zezita que será uma das principais atrizes do novo filme de Eliezer Rolim, O Sonho de Inacim.
O Céu de Suely conta à história de Hermila, uma jovem que volta de São Paulo com seu filho recém-nascido para a casa de sua família, no interior do Ceará. Ela espera a chegada do marido que deve reencontrá-la. Mas ele nunca chega. Sozinha, Hermila tenta reeinventar a sua vida, mas continua com o sonho de ir embora para o lugar mais longe possível.
O elenco é formado por Hermila Guedes, Maria Menezes, Zezita Matos, João Miguel, Georgina Castro, Mateus Alves e Gerkson Carlos. O Céu de Suely, produção de Walter Salles e Mauricio Andrade Ramos, foi dirigido pelo cineasta cearense Karim Aїnouz (o mesmo de Madame Satã).
Em entrevista para revista eletrônica de cinema Deustsche Welle o cineasta Karim Aïnouz disse que a dramaturgia de O Céu de Suely é mais indutiva do que dedutiva. O filme impressiona porque foge um pouco ao que já foi contado sobre o nordeste. E nem tudo é contado, tudo é muito induzido pelo espectador.
A linguagem narrativa que predomina no Brasil é da televisão, e ainda é, segundo Karim, bastante radiofônica, ou seja, para se entender uma novela, por exemplo, basta escutá-la, talvez não seja necessário vê-la. “Através da permanência do olhar do espectador sobre a imagem procuro levá-lo a descobrir o cotidiano das coisas e das pessoas. Não é realismo, é hiper-realismo”, comentou.
Neste filme Karim não pensa o Nordeste como um aspecto cultural. O sertão para ele vem como algo emocional da distância. O filme tem como cenário a cidade de Igatú, município do sertão do Ceará, e aparece como um não-lugar, um lugar de passagem para onde o personagem é catapultado, um saguão de aeroporto. Um espaço também cheio de ícones de tempos diferentes em um mesmo lugar, por exemplo, uma feira nordestina em frente a uma loja de produtos asiáticos de plástico vendidos por R$ 1,99.
Karim diz ainda, nesta mesma entrevista, que o Nordeste é também uma tradicional região de emigração e que compor o filme foi muito fácil, uma vez que ele mesmo foi criado entre mulheres fortes e divertidas. “Tentei imaginar como seria o contrário, se fosse à mulher que decidisse reinventar sua vida, que partisse, deixando tudo para trás”, finalizou.


Adriana Crisanto
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Fotos: Divulgação
Matéria publicada no caderno Show do Jornal O Norte, em fevereiro de 2007.