Trio elétrico de Armandinho Dodô e Osmar arrasta as Muriçocas do Miramar


Para comemorar os 21 anos de existência o bloco Muriçocas do Miramar traz para animar sua prévia carnavalesca, na quarta-feira de fogo, dia 14 de fevereiro, o Trio Elétrico de Armandinho, Dodô e Osmar, que após o falecimento de Osmar, um dos criadores do trio, é comanda pelos filhos Armandinho, Alberto, Aroldo e André Macêdo.
Este ano, o bloco Muriçocas do Miramar completa a maior idade e adotou o slogan "21 Anos – Dona do seu próprio nariz". O estandarte está sendo confeccionado pelo artista plástico Chico Pereira, e a arte da camiseta quem assina é o grafiteiro Shiko. A nova sede do bloco está localizada na Rua Nevinha Cavalcante, 277, no bairro do Miramar (Praça do Rotary).
No ano passado, o bloco rendeu homenagem aos artistas paraibanos e trouxe entre outras atrações o cantor e compositor Zé Ramalho. De acordo com o atual diretor do bloco, Marconi Serpa, a intenção das Muriçocas, desde sua criação, foi fazer com que o frevo fosse o som predominante e o trio de Dodô e Osmar tem essa tradição do frevo. “Com o tempo foi que o axé foi tomando conta da Bahia e tomou a dimensão que é atualmente com uma diversidade infinita de sons, mas o Dodô e Osmar têm essa tradição desde quando Moraes Moreira se apresentava junto com o trio”, comentou.
A família Macêdo vai executar, nas Muriçocas, clássicos do frevo pernambucano, a exemplo de Vassourinhas. “Estamos ensaiando sucessos antigos do Dodô e Osmar, que fazem parte da história do trio. E o frevo é um desses ritmos que sempre tocamos nas nossas apresentações. Por isso estaremos reforçando e resgatando os frevos antigos, o frevo rasgado, o frevo-rock e um frevo mais lento que mistura um pouco da batida do reggae e do samba”, explicou por telefone o guitarrista Armandinho Macêdo.
Todos os anos a cidade consegue reunir cerca de 400 mil pessoas entre pessoenses e turistas de todas as partes do país e do mundo numa única noite para se divertirem num percurso aproximado de cinco quilômetros. A concentração do bloco está prevista para começa às 19h00, na Praça Tito Silva, que mais uma vez será animada pela clássica Orquestra Metalúrgica Filipéia. O projeto cultural 'Muriçocas do Miramar' tem o patrocínio da Eletrobrás e Chesf, através da 'Lei de Incentivo à Cultura' (Lei Roaunet do Governo Federal).

Armandinho e a guitarra baiana

Armando da Costa Macêdo é um velho conhecido dos paraibanos. Instrumentista, cantor e compositor brasileiro, natural de Salvador (BA), desde criança Armandinho esteve plugado a música de carnaval, do frevo e dos trios. “Desde que me entendo de gente eu e meus irmãos temos uma ligação com a música de carnaval e com os trios elétricos. A primeira coisa que aprendi foi aquela batida característica do frevo”, disse.
Com o tempo Armandinho começou a ter destaque também com a guitarra baiana, um instrumento elétrico de quatro cordas, criado por seu pai Osmar Macêdo. Ele nasceu para ser executado em trio elétrico. Com suas quatro cordas originais, a guitarra baiana é afinada como o bandolim ou o violino - sol, ré, lá e mi (do grave para o agudo). Armandinho, filho de Osmar Macêdo, sentindo necessidade de obter um som mais grave, adicionou ao instrumento uma quinta corda, com afinação em dó.
A dupla "Dodô e Osmar" (Adolfo Nascimento e Osmar Álvares Macêdo), ambos de Salvador, teve a idéia de construir um novo instrumento a partir de uma apresentação, na capital baiana, do músico Benedito Chaves, que utilizava um amplificador acoplado a um violão.
Dodô, técnico em eletrônica, junto ao amigo, fez vários testes com madeira e posicionando o amplificador sob as cordas, conseguiu evitar a microfonia que verificaram ocorrer na apresentação que tinham assistidos.
Feito o instrumento, um ano depois do americano Les Paul haver criado o protótipo da primeira guitarra elétrica - e sem conhecer o trabalho deste - dois baianos inventavam a guitarra, que ganhou o apelido de pau elétrico. Era o ano de 1942, e da apresentação deste invento, sobre uma velha "fobica" nas ruas de Salvador, teve início o trio elétrico nos carnavais, pois a dupla tinha, tocando o pau elétrico, o amigo Temístoles Aragão.
Com o tempo Armandinho foi se destacando na guitarra e no bandolim eletrificado. Na década de 1970 formou o grupo A Cor do Som. Com a banda gravou cinco LP´s, um CD e recentemente, após o retorno da banda gravou um CD e um DVD, gravado no Canecão no Rio de Janeiro. Além da banda Armandinho tem sua carreira solo, onde se apresenta em quase todo mundo divulgando a sua música instrumental.A discografia dele é bem extensa. Tem gravado o compacto simples Armandinho Macedo, ao vivo (1969), o compacto duplo Armandinho Macedo (1969), o LP Armandinho Macedo (1970), o independente Brasilêro (1990) e regravado pela Movieplay em 1996, o CD “O Melhor do Chorinho: Armandinho e Época de Ouro” (1996), Armandinho e Rafael Rabelo (1997), Retocando o Choro Tom Brasil (1999), A Voz do Bandolim (2001) e Retocando o Choro Ao Vivo (2003). Além da vasta discografia com o Trio Elétrico Dodô e Osmar. Fora os projetos musicais de resgate da música, a exemplo do projeto “Homenagem a Tom Jobim – Música Instrumental Brasileira”, “Armandinho e Trio Elétrico Instrumental”, “Por do Sol no Castelo” e “Armandinho Convida”.
Adriana Crisanto
Fotos de divulgaçao
Texto publicado no caderno Show do Jornal O NORTE em Janeiro de 2007.