Anjos da música



A banda Anjos de Resgate faz show hoje em João Pessoa, no Esporte Clube Cabo Branco, às 20h. O show é uma promoção da Comunidade Eucarística Maná. Os ingressos estão sendo vendidos antecipadamente ao preço único de R$ 7,00 mais um quilo de alimento não perecível.
O grupo surgiu aproximadamente há sete anos e teve como idealizadores os músicos Dalvimar Gallo e Marcos Pavan. Após a saída de Pavan, que ingressou em carreira solo, a banda ganhou novos integrantes e ficou com a seguinte formação: Dalvimar Gallo, Eraldo Mattos, Marcelo Duarte e Xandão.
No início foi apenas uma gravação de disco para ajudar uma obra de recuperação de dependentes químicos numa comunidade no interior de São Paulo. A comunidade tinha com objetivo evangelizar através do carisma e da arte, uma arte que iluminasse o caminho para Deus. E ao que parece estão conseguindo. Hoje eles são o grupo católico que mais realiza shows pelo país. Eles fazem uma média de 120 shows por ano, tem cinco discos gravados e um DVD.
Como se não bastasse vendeu mais de meio milhão de cópias e conquistou cinco discos de ouro, um disco de platina e há poucos meses receberam o primeiro DVD de ouro, uma espécie de “Oscar” da música católica. A banda, recentemente, gravou uma das faixas e foi responsável pela produção do CD “Bendito o que vem em nome do senhor”, álbum oficial da visita do Papa ao Brasil. Para saber mais sobre esse sucesso da banda entrevistei, via email, o músico Eraldo Mattos que falou como teve início a banda e como tem evoluído a música católica. Leia a entrevista:

A banda Anjos de Resgate está há quanto tempo na caminhada? E como aconteceu a união do grupo? Vocês são de onde?
A banda tem 7 anos de caminhada e nasceu por uma inspiração divina mesmo, porque inicialmente apareceram umas músicas gravadas num CD para ajudar uma obra de recuperação de dependentes químicos. Até aí não tinha nada de banda. Quando Deus uniu o Dalvimar comigo, eu vi que ali tinha muito mais do que simplesmente a música, tinha uma história e dali surgiu alguma coisa de Deus mesmo. No início o nome era Dalvimar Gallo e Marcos Pavan, era uma dupla. E aí eu disse: “cara, no nosso meio dupla não emplaca nem a pau (risos), o nome tem que ser Anjos de Resgate”. Isso porque havia uma música com esse título e era também o nome da obra que ia ser ajudada com a vendagem do CD. Quando o CD ficou pronto, não tinha banda para tocar e aí o Dalvimar falou: “a banda que está no meu coração é o Eraldo, o Xandão (ex-baterista) e o Marcelo Duarte”. E foi assim que nasceu a banda.

Antigamente os ministérios de música tocavam e cantavam nas missas e solenidades da igreja católica. Hoje vários grupos e pessoas gravam discos e realizam grandes shows. A quê vocês atribuem essa mudança?
Engraçado que eu recebi um DVD de 2002 ou 2003 com um show nosso. A turma fala que o Anjos de Resgate é de show e CD, mas nós tivemos o nosso tempo de cantar músicas de missa, músicas tradicionais, tipo Deus enviou seu filho amado (risos). Eu acho que o houve foi uma evolução que o próprio Deus começou a colocar em função da necessidade de atingir um número grande de pessoas. Nós não podemos ficar restritos ao âmbito paroquial. Eu acho que a gente tem que ir para a rua. Temos que evangelizar, mergulhar em águas mais profundas. Temos que sair e mostrar a cara sem descaracterizar o nosso chamado. Mas também nós não podemos ir para a rua e cantar qualquer coisa. Não. Nem temos que cantar as músicas de sacristia. Nós temos que encontrar algo que seja como o próprio Jesus, que fala da vida e não nega o pai em nenhum momento, não nega a maneira de viver dele.
Eu acho que os ministérios evoluíram, a música católica está indo para a rua, mas são duas frentes. As duas são boas e complementares. Uma não exclui a outra. Há ministérios para tocar na igreja, há ministérios para tocar fora da igreja e outros que suprem as duas necessidades. Hoje o Anjos de Resgate caminha no “meio do campo”, ajuda daqui e dali, mas a qualquer momento Deus deve traçar alguma norma, alguma diretriz para a gente. É o que eu acho, mas se não acontecer, nós vamos muito bem também como está.

Vocês produziram o CD “Benedito o que vem em nome do Senhor”, o álbum oficial da visita do Papa Bento XVI ao Brasil. Como aconteceu esse convite? E como vocês se sentem por também terem sido convidados para participar do encontro com os jovens no Pacaembu, em São Paulo?
Eu acho que tudo isso não é mérito não. Eu acho que, da mesma maneira que Deus dá, ele pode não dar. Então não adianta dizer: “ah, eu louvo a Deus por isso”. Eu louvo a Deus porque ele me faz um servo útil. Se hoje eu estou fazendo isso, se a banda tem isso, se a gravadora tem aquilo, louvado seja Deus, mas pode ser que amanhã não tenha. E aí, e não vou mais agradecer a Deus? Ou o sucesso é uma condição para o meu louvor? Não, o sucesso de quem fez uma opção por Deus está na fidelidade. Eu acho que esse CD do Papa é fruto da fidelidade e da disponibilidade da gente a servir a Deus. Porque se a gente fosse pensar antes nas conseqüências, nas coisas boas de tudo isso, estaria sonhando até hoje, imaginando. Então se Deus mostrasse para a gente, estaríamos sonhando até hoje, mas não, partiu da fidelidade e da disponibilidade. Então é isso aí, vamos tocar o evento com a juventude, beleza, mas muito mais do que pensar no próprio Papa, nós temos que pensar na igreja como um todo, porque Bento XVI está vindo com uma missão para a Igreja do Brasil e da América Latina e nós somos parte dessa missão dele. É isso que a gente tem que enxergar. Nós não vamos estar lá para tocar para o Papa nem para a galera não, mas para fazer a história que Deus quer realizar na igreja.

Senão me engano vocês tiveram um problema com a gravação do DVD de vocês. O que aconteceu?
Faltou dinheiro (risos). Esse seria o nosso segundo DVD e o projeto era muito ousado, dentro disso que a gente estava falando de crescimento e evolução da Música Católica. O projeto do DVD ainda é ousado, mas hoje nós conseguimos baixar muito o custo e as coisas mudaram muito nesse meio tempo. Nós não tínhamos condição de fazer o DVD, ia ser uma loucura. E tem uma hora que você tem que ser prudente para não pôr risco tudo. Poderia ter sido péssimo, mas nós fomos fiéis a Deus e aí é que está: uma coisa é você fazer a vontade de Deus, outra é você tentar a Deus. Se a gente fizesse aquele projeto, nós íamos estar tentando a Deus. Nós íamos fazer uma coisa que não está no nosso tamanho ainda, era desproporcional e a gente iria prejudicar o próprio ministério. Quando cancelamos, o povo foi a nosso favor, o projeto amadureceu muito mais, estamos muito mais preparados e enriqueceu muito mais aquilo que vai ser e do projeto desse DVD, surgiram mais três DVD’s novos para a gente fazer. Então acho que valeu a pena sair perdendo para ganhar.

Vocês fazem parte da comunidade Aliança Luz das Nações. Onde fica está comunidade?
A comunidade é aqui de Cachoeira Paulista-SP e pode-ser dizer que é uma comunidade de louco (risos). Isso porque o objetivo dela não é simplesmente ter uma vida comum, é ter um espírito comum de evangelização. Alguém pode perguntar: “mas que raio de comunidade é essa? Qual é a unidade comum?”. A unidade comum é o carisma, que é evangelizar e ser luz através das artes. Então é uma arte que ilumina o caminho para Deus. E de que maneira? De n maneiras. Porque se você institucionalizar a luz, você vai virar um físico. E não é isso que somos, somos servos de Deus, somos filhos.
A comunidade é muito dinâmica, ela não tem princípio rígido. Nós temos coisas que são básicas, que é a nossa espiritualidade, nosso caminho. Mas nós somos muito flexíveis. Eu sempre digo que uma comunidade com menos de 50 anos não pode fechar o carisma, ela tem que estar aberta, dinâmica, enquanto está o chama do fundador, dos primeiros membros. Depois é que se monta uma estrutura, mas no começo você colocar rigidez, principalmente em algo que mexe com arte, vai castrar a arte e perde toda a fecundidade dela.

Quais os próximos trabalhos da banda para o ano de 2007?
Nós estamos trabalhando o DVD, que se Deus quiser vamos gravar este ano. Estamos estudando novas maneiras de fazer o DVD. Estamos preparando algumas coisas para o mercado secular, que está começando a acreditar muito na gente, então estamos abrindo muitas portas para os músicos católicos. Eu acho que essa missão de ajudar a música católica é muito importante, principalmente em função do lugar em que Deus nos colocou. Nós não podemos ser um tapa garrafão, a gente tem que ser um funil, para canalizar as coisas para a Igreja e os ministérios têm que aproveitar isso. E essa caminhada do Anjos de Resgate, juntamente com a gravadora Codimuc, é no sentido de encontrar novas formas de elevar o padrão de qualidade de música católica.

Vocês vão estar aqui na Paraíba neste final de semana em algumas cidades. Deixa uma mensagem a todo o pessoal que curte o som de vocês. O que eles podem esperar desses shows?
A única coisa que vocês podem esperar é que a gente chegue (risos). Essa é a primeira certeza. Mas a gente leva no coração os primeiros contatos. Muita gente tem acessado a comunidade do Anjos de Resgate no Orkut, muita gente de João Pessoa, Guarabira, Campina Grande, Pirpirituba, enfim de toda a região onde a gente vai estar tocando. Em todas as cidades, o povo paraibano espera a gente com carinho e com amor. Por isso eu acho que Deus não pode deixar de nos alimentar, nós também esperamos ser amados por esse povo. E, assim como eles anseiam estar conosco para sentir o amor de Deus, nós também esperamos o amor de Deus na presença deles. Acho que vai ser uma experiência inesquecível.

Serviço:
Anjos de Resgate
Sexta-feira (27)
Local: Ginásio do Esporte Clube Cabo Branco - Miramar
Hora: 20h
Ingressos: R$ 7,00 e um quilo de alimento não perecível
Informações: 32226.2876.