Pigmentos da Informação


As criações são legítimas e o processo de interiorização das cores condensa a personalidade do autor. São essas as primeiras leituras que se pode fazer das telas do artista plástico Carlos Leão que estará expondo “Pigmentos da Informação”, nos dias 6, 7 e 8 de julho, na Loja Bangalô, localizada depois do supermercado Carrefour, na BR 230, em João Pessoa.
Carlos Leão é portador da “Retinose Pigmentada”, uma doença ocular de caráter degenerativo e hereditário cujo traço comum é a deterioração gradativa dos fotorreceptores e eventual atrofia do tecido retiniano. Mas, esse fato em nenhum momento diminuiu o desejo de desenhar e pintar telas que tem impressionado pelo contraste das cores.
A idéia de pintar surgiu do curso para cegos em Natal (RN), onde reside atualmente. “Eu dei risada quando soube”, comentou Carlos. Mas, o grupo foi formado por quatro irmãs e um cunhado do artista que tinha também deficiência visual. A princípio a técnica utilizada era tinta guache sobre o papel, técnica com a qual produziu cerca de 60 quadros, dos quais 12 estão na parede de sua casa, exposta como recordação.
O grupo se desfez e Carlos foi o único a continuar pesquisando outras técnicas. Utilizou PVA sobre eucatex. Foi quando, em maio de 2005, passou a usar óleo sobre tela. Após algumas exposições em hotéis e centros de convenções em Natal foi convidado para expor em Paris no ano passado e em Curitiba (PR) em maio deste ano.

Nesta mostra ele apresenta 20 telas que medem 50 x 80 metros (as menores) e de 80 x 1,20 metros de altura (as maiores). Nos trabalhos ele não identifica as cores, apenas os vultos. O artista tem os conceitos das cores básicas e dentro deste conceito ele pinta com as mãos e a parte periférica utiliza os pincéis. “Por exemplo, se for fazer um rosto. Ele é feito com a mão e a parte periférica com o pincel”, explicou Carlos.

De acordo com o artista, o nome da mostra se deve ao fato de ter informações visuais, das formas e informações auditivas. Com os 10% de visão que ainda tem, o artista consegue visualizar apenas os tons escuros e médios. Algumas telas são pintadas de forma aleatória.
O elemento fundamental da pintura é a cor. A relação formal entre elas presentes em uma obra constitui sua estrutura fundamental, que guia o olhar do espectador e propõe sensações de calor, frio, profundidade, sombra, entre outros. Estas relações estão implícitas na maior parte das obras da arte e sua explicitação foi uma bandeira dos pintores abstratos. A cor é considerada por muitos como a base da imagem.
No caso de Carlos Leão, foge a tradicional forma de pintar e misturar as cores. O artista reproduz em suas telas uma realidade que lhe é familiar, com extrema naturalidade interna. Ele pinta a natureza (natural ou imaginada) e rostos de sua realidade sensível.
Carlos Leão é natural da cidade de Bezerros (PE), residiu 23 anos em João Pessoa, onde tem duas filhas. Trabalhou com produção de festas infantis e eventos. Atualmente reside em Natal e trabalha na Fundação Norte Rio-Grandense de Pesquisa e Cultura (Funpec).

Serviço:
Pigmentos da Informação

Carlos Leão
Dias 6, 7 e 8 de julho
Local: Loja Bangalô, localizada depois do supermercado Carrefour, na BR 230, em João Pessoa.

Adriana Crisanto
Repórter
adriana@jornalonorte.com.br
adrianacrisanto@gmail.com
Foto: Divulgação
Matéria publicada no caderno Show do Jornal O Norte em junho de 2007.