Móveis Coloniais de Acaju

A banda “Móveis Coloniais de Acaju” foi um dos destaques do último Festival Música Alimento da Alma (MADA) que aconteceu em maio deste ano em Natal (RN) e continua a divulgação nacional de seu CD de estréia, Idem (2005, Tratore). O disco foi produzido por Rafael Ramos e vendeu cerca de duas mil cópias em apenas dez dias e está em sua segunda prensagem. Com um estilo bem diferente, sem ser vulgar, a banda tem agradado em cheio. O grupo ao contrário do que algumas pessoas pensam surgiu em Brasília (DF) e não em Aracajú. André Gonzáles (voz), BC (guitarra), Beto Mejía (flauta transversal), Eduardo Borém (gaita, teclados e escaleta), Esdras Nogueira (sax barítono), Fabio Pedroza (baixo), Leonardo Bursztyn (guitarra), Paulo Rogério (sax tenor), Renato Rojas (bateria) e Xande Bursztyn (trombone), formam os Móveis Coloniais de Acaju. Para conhecer um pouco mais sobre “os caras” entrevistei-os, via email. Sempre irreverentes e brincalhões Esdras (sax), Beto (flauta) e Paulo (sax tenor) falaram como conciliam os horários, explicam sobre a origem e grafia do nome da banda, falam do cenário musical de Brasília e as novas investidas do grupo para o ano de 2007. Leia a entrevista:

A banda de vocês tem onze músicos, é isso? Têm sido difícil conciliar dia, horários, os shows com tanta gente?

Esdras: Não é difícil não, na verdade acho que a banda só conseguiu crescer por que somos muitos. Temos a banda como prioridade, cada um trabalha de uma forma, site, merchandising, finanças, etc, além do artístico.

Beto: Nem tanto. Tomamos a banda como prioridade nas nossas atividades. Compromissos de banda são compromissos profissionais.

Paulo: Na realidade são 10 músicos e um produtor que é da tem função de músico, mas ele ainda está estudando música e não decidiu o instrumento. Quanto a questão de horários nós procuramos agendar da melhor maneira possível, duas vezes por semana com alguns extras mas tudo resolvido de acordo com a necessidade e possibilidade de cada um, a agenda de ensaios é sempre resolvida em comum acordo.

Algumas pessoas pensam que vocês são um grupo daqui do Nordeste, mas especificamente do Estado de Aracajú? Explica ai para as pessoas que não conhecem vocês como surgiu a banda e o por que esse nome tão extenso?

Esdras: O nome é uma homenagem à Revolta do Acaju, que aconteceu no século retrasado na ilha do Bananal. Foi uma união inédita entre portugueses e nativos contra os ingleses. Para mais informações sobre ela, publicamos uma tese de mestrado sobre isso no site: http://www.moveiscoloniaisdeacaju.com.br/blog/432.

Paulo: Então também em função desse Acaju as pessoas imaginam que somos de Aracajú e apesar de não sermos do Nordeste acho que depois de alguns shows já fomos adotados... (risos).

Tem uma história ai também da grafia da banda não é mesmo?

Esdras: Pois é, já fomos chamados de Móveis Coloniais de Aracaju, Móveis Coloridos do Acaso, até com banda de Pífanos de Caruaru...

Beto: Grafia? É mesmo... a caligrafia do Fabio (baixista) é horrível. Gostamos de que a banda seja chamada pelo nome completo. Abreviações do nome são reflexos deterministas da nossa música. Para os mais íntimos, Móveis é o suficiente.

Paulo: E, sobre a grafia, basta seguir as normas da gramática brasileira... acaju não tem acento, pois é oxítona terminada em U.

Brasília sempre foi referência na música alternativa e tem fama de revelar muitos nomes. Foi assim com Legião Urbana, o próprio Paralamas do Sucesso e outros. Como se encontra atualmente o cenário musical na Capital Federal?

Esdras: Cheio de novidades, muitas bandas boas aparecendo para o Brasil... Prot(o), Lucy and the Popsonics, Lafusa, Galinha Preta. O Móveis tem um projeto que se chama Móveis Convida e busca esse intercâmbio entre bandas daqui e de fora, justamente para movimentar a cena e tentar mostrar um pouco do que acontece por aqui para o Brasil.

Paulo: A cidade sempre foi uma cidade muito musical, aqui tem grandes músicos e continua a revelar... Temos um dos grandes músicos da atualidade, o bandolinista Hamilton de Hollanda. Mas, a realidade é diferente do que houve nos anos 80 quando houve o ínicio desse movimento de capital do Rock, no entanto aqui continua de certa forma se produzindo bastante e talvez com tanta intensidade ou mais como nos anos 80, a diferença porém creio que seja a pluraridade musical. Basta observar as bandas que o Esdras citou.

Beto: No entanto, a falta de locais para tocar ainda é um grande empecilho.

Outro dia Nando Reis disse numa entrevista que fazia música ruiva. E a MCA faz que tipo de música?

Esdras: Feijoada Búlgara.

Vocês me disseram, por telefone, que estavam em processo de gravação de um vinil compacto com duas canções. Esse trabalho sai quando? E quais os planos e projetos artísticos para o ano de 2007?

Paulo: Na realidade, o embrião para esse trabalho foi um show que rolou no CCBB em Brasília, onde tocamos com Gabriel Thomaz, da banda Autoramas, onde fazíamos referência as bandas que fizeram um grande sucesso como Maskavo, Câmbio Negro e Litle Quail and Mad Birds (ex-banda do Gabriel) o show foi muito bom e o Gabriel propôs essa parceria e fizemos uma nova roupagem das músicas e resolvemos fazer em formato vinil pela Gravadora Discos do Gabriel e o nome será "Vai Thomaz no Acaju" previsto pra o segundo semestre de 2007.

Esdras: Para o CD novo que deve sair no ano que vem estamos em fase de composição, estamos tocando algumas músicas nos shows e já estão rolando no Youtube. a resposta do público está sendo muito boa.

Paulo: Os planos artísticos são muitos shows também!

Adriana Crisanto
Repórter
adriana@jornalonorte.com.br
adrianacrisanto@gmail.com
Fotos: Divulgação.

*Entrevista publicada no caderno Show do Jornal O Norte.