A Prática das audiências

Para quem deseja se manter atualizado sobre o que acontece no mundo da comunicação a Editora Hackers tem uma coleção (comunicação), em que lança todo mês o que vem sendo discutido com maior freqüência entre os estudiosos e pesquisadores da área. As publicações são estilo pocket-livro, de fácil manuseio e com preço de agradar ao bolso dos mais duros.
Um dos últimos lançamentos da editora foi o livro “Comunicação e Recepção” (Hackers, 128 p. R$ 23,76) de autoria das professoras Ana Carolina Escosteguy e Nilda Jacks. Ainda que lançado em 2006, o trabalho merece comentários, pois traz uma reflexão sobre as práticas da audiência das mídias e sua relação com os públicos.
No primeiro momento as autoras recuperam as abordagens clássicas, como a dos efeitos, que demarcaram a formação dos estudos na América Latina, bem como os estudos sobre comunicologia, que de acordo com as autoras, no México um grupo de estudiosos está desenvolvendo um projeto de elaboração de uma comunicologia possível, uma ciência da comunicação com autonomia sistêmico-construtivista em relação às outras, com seus próprios princípios, operações e pontos de vista.
A publicação vem dividida em três capítulos. No primeiro traz um mapeamento das pesquisas sobre recepção e comunicação. Através do problema as autoras desenvolvem o tema, mostra a plasticidade do termo, o seu uso, os problemas teóricos apresentados, os estudos culturais sobre o assunto e outras narrativas.
O estudo sobre recepção é mais um caminho que se abre no vasto leque de pesquisas na área de comunicação e desta vez com um estudo para fundamentar as pesquisas.
Uma das partes interessantes deste livro é quando as autoras comentam sobre as frentes culturais, um modelo, de acordo com Ana Carolina Escosteguy e Nilda Jacks, concebida pelo mexicano Jorge González, resultante de estudos empíricos sobre a relação da cultura de massa e popular com seus públicos, desde um ponto de vista sócio-antropológico, ou seja, desde a relação com a multi-dimensionalidade espacial e temporal das distintas formas simbólicas com a sociedade.
Na tentativa de entender como acontece o relacionamento da televisão com sua audiência, as autoras estudam os vários modelos teóricos-metodológicos existentes. A televisão, segundo elas, é uma mediação que enquanto instituição social é produtora de significados que ganham, ou não, legitimidade e vai muito além da opinião do telespectador.
Embora o estudo reflita didaticamente sobre o assunto as abordagens podem muito bem serem identificadas e aplicadas no cotidiano dos programas de auditórios das emissoras de televisão brasileira.

Sobre as autoras

Nilda Jacks é professora do Curso de Comunicação Social da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRS). É pós-doutora pela Universidade de Copenhague (Dinamarca). Professora colaboradora dos cursos de mestrado em Comunicação da Universidade Católica de Montevidéu e da Universidade Andina Simão Bolívar (Quito). É autora de Mídia Nativa – Indústria Cultural e Cultura Regional (mestrado) e Querência – identidade Cultural como mediação simbólica (doutorado). Coordenou o livro Hermanos, pero no mucho.
Ana Carolina Escosteguy é professora da Faculdade de Comunicação Social (FAMECOS) da Puc-RS. Doutora em Ciências da Comunicação pela Universidade de São Paulo. Publicou Cartografias dos Estudos Culturais – Uma Versão Latino-Americana (Ed. Autêntica, 2001) .

Serviço:
Comunicação e Recepção
Coleção Comunicação
Ana Carolina Escosteguy e
Nilda Jacksisbn
Editora: Hacker Editores LTDA
Número de páginas: 128
Encadernação: Brochura. Edição: 2006
Preço: R$ 23,76.






Adriana Crisanto
Repórter
Fotos: Divulgação
*Matéria publicada no caderno Show do Jornal O Norte