Mafalda ganha placa

A casa onde viveu o criador de Mafalda, uma das personagens de quadrinhos mais conhecida do mundo, desenhada pelo cartunista e chargista argentino Quino, receberá uma placa indicativa no edifício da Rua Chile, 371, bairro de San Telmo, em Buenos Aires (Argentina) ainda este ano. A placa deverá conter os seguintes dizeres: “Aqui se sentou Mafalda”.
A notícia circulou pela internet como rasto de pólvora e ganhou as páginas culturais do jornal El País. Mafalda, que amava os Beatles, não suportava a sopa e acreditava na possibilidade de chegar a lua com uma sonda propulsora, passará ter sua casa agora identificada com uma placa no bairro onde morou seu criador.
A idéia do tributo foi de um grupo de jornalista e blogueiros, que encaminharam a proposta ao poder legislativo do país para a colocação da placa. O autor da proposta, Darío Gallo, diz na matéria, que foram várias as tentativas, manifestações e campanhas para o posicionamento da placa e que o evento ainda não tem data certa para acontecer.
Quino, o criador de Mafalda, viveu na rua o Chile 371 por vários anos e era bastante conhecido na região. Suas tiras e comics foram traduzidas para mais de 30 línguas e foi naquele prédio onde viveu com seus pais e seu irmão e onde recebeu as visitas de seus amigos Susanita, Felipe, Manolito, Libertad e Miguelito.
O criador de Mafalda nasceu na Europa e tem nacionalidade argentina. Recebeu muitos prêmios pela personagem em vários países do mundo. Darío Gallo diz ainda que com a identificação o lugar poderá se tornar um marco turístico e cultural para o distrito de San Telmo, como também à escola onde freqüentou o criador e o armazém de Dom Manolo.
As histórias em quadrinhos de Malfada apresenta uma menina preocupada com a humanidade e a paz mundial, que se rebela com o estado atual do mundo. Ela usufruiu de altíssima popularidade na América Latina e Europa.
Mafalda foi muitas vezes comparada a personagem Charlie Brown, de Charles Schulz, principalmente por Umberto Eco em 1968. Ela foi inspirada pela novela Dar La Cara, de David Viñas, e alguns outros, foi criada em 1962 para um cartoon de propaganda que deveria ser publicado no diário Clarín. Foi quando o Clarín rompeu o contrato e a campanha foi cancelada.
Mafalda somente se tornou um cartoon de verdade sob a sugestão de Julián Delgado, na época o editor-chefe do semanário Primera Plana e amigo de Quino. Foi publicado no jornal de 29 de setembro de 1964, apresentando somente as personagens de Mafalda e seus pais, e acrescentando Filipe, em janeiro de 1965. Uma disputa legal surgiu em março de 1965, e assim a publicação acabou em 9 de março de 1965.
Uma semana mais tarde Mafalda começou a aparecer diariamente no Mundo de Buenos Aires, permitindo ao autor cobrir eventos correntes mais detalhadamente. As personagens Manolito e Susanita foram criadas nas semanas seguintes, e a mamãe de Mafalda estava grávida quando o jornal faliu em 22 de Dezembro de 1967.
A publicação recomeçou seis meses mais tarde, em 2 de Junho de 1968, no semanário Siete Días Illustrados. Como os quadrinhos tinham que ser entregues duas semanas antes da publicação, Quino era incapaz de comentar as notícias mais recentes. Ele decidiu acabar com a publicação das histórias em 25 de Junho de 1973.
Quino ainda desenhou Mafalda algumas poucas vezes, principalmente para promover campanhas sobre os Direitos Humanos. Por exemplo, em 1976 ele fez um pôster para a Unicef ilustrando a Declaração Universal dos Direitos da Criança. Na Cidade de Buenos Aires tem uma praça cujo nome é Mafalda.
A maioria das histórias que não eram intimamente relacionadas com a atualidade da época e com eventos hoje esquecidos têm sido reeditadas em livros. Isso exclui os primeiros, publicados no Primera Plana, mas jamais reimpressos em livros até 1989.


Adriana Crisanto
Repórter
Fotos: El País - Ao lado fachada da Rua Chile
Matéria publicada no caderno Show do jornal O Norte, em agosto de 2007.