Sementes da poesia

Depois de “A Arca”, a escritora e jornalista potiguar, Ana Trajano, lança neste domingo (19), às 15h00, no Centro Cultural de São Francisco, no centro histórico da Capital, o segundo livro dedicado à poesia infanto-juvenil brasileira, intitulado “A Sementinha do Bem-me-Quer” (Recife: Ed. Edificantes, 24 pág. R$ 20,00).
O lançamento acontece dentro da programação do 1o Agosto das Letras (Festival Pessoense de Literatura), que teve início na ultima sexta-feira (17) e contou com uma vasta programação dedicada a literatura e a música paraibana.
Com ilustrações bem desenhadas e pintadas em aquarelas pelo artista plástico pernambucano, Aristóteles Monteiro, o livro mostra, em forma de poesia, a necessidade de se buscar e cultivar, desde criança, uma cultura da paz como antigamente. São 21 poemas dirigidos para os pequenos com temas que tratam da paz, do amor, da gulodice, da dúvida, ciência, da paixão, do tempo, da música e natureza.
De acordo com a Ana Trajano, a peculiaridade desta publicação é por ser um livro voltado para a paz. O que levou Ana a produzir mais um livro se deve à violência urbana. “É complicado hoje você ter um filho e esse filho não ter a liberdade de brincar na rua, de ir sozinho para escola que fica apenas seis metros da sua casa. Isso me angustia muito”, comentou.
Os poemas são simples e de fácil entendimento para crianças sem ser piegas e infantilizado. “Mamãe, você sabia que Platão não é mais planeta? – Não, filhinha. E Plutão deixou de ser filósofo?” diz um dos trechos poéticos do livro que trata da ciência.
Na opinião do ensaísta, poeta e professor de filosofia pernambucano, Ângelo Monteiro, da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), o poema inicial do livro é bastante expressivo e traz uma atitude existencial logo na primeira estrofe: “Vamos pensar o mundo. Como o mundo se desenha. No papel”. Para Ângelo Monteiro, o mundo desenhado vale enquanto aspiração, ao passo que o mundo vivido nunca pode fazer tabula rasa da experiência. Porque o coração humano vive mais de sua aspiração pelo real do que da medida crua das coisas.
Um dos trechos que destaco e que também me chama atenção é no final do último verso do mesmo poema citado por Ângelo Monteiro em que diz: “Não pode ser um sonho que jaz aquele que nunca termina”.

Sobre a autora:
Ana Trajano nasceu em Nova Cruz, Rio Grande do Norte, de onde saiu adolescente para se formar em jornalismo na Universidade Federal da Paraíba (UFPB). Em João Pessoa, atuou como repórter e chefe de reportagem em vários jornais. Desde de 2003 reside em Olinda (PE), lugar que aos poucos adotou como sua pátria, casou e do relacionamento com Onaldo nasceram Ana Luiza e Maria Eduarda, suas eternas fontes de inspiração.
Tímida e de poucas palavras Ana Trajano publicou no ano passado “A Arca”, seu primeiro livro de poesia para crianças e pré-adolescentes. O livro tinha como proposta também resgatar os valores como o amor à natureza e aos animais que andam perdidos nas ruas. A intenção poética da autora era de fazer construir, no imaginário de cada um de nós, uma arca e assim salvar muitos bichinhos do dilúvio da extinção.

Serviço:
Lançamento: A Sementinha do Bem-me-Quer
Autora: Ana Trajano
Gênero: Poesia infanto-juvenil brasileira
Editora Edificantes (Recife, PE)
24 pág.
Preço: R$ 20,00
Domingo (19)
Hora: 15h00
Local: Centro Cultural de São Francisco – Centro Histórico da Capital.
Adriana Crisanto
Repórter
Fotos: Divulgação
Matéria publicada no caderno Show do Jornal O Norte, em agosto de 2007.