I Mostra de Cultura Popular

I Mostra Popular do Nordeste traz grandes nomes da arte popular da Paraíba, Pernambuco e Ceará
As apresentações acontecem neste final de semana nas praças da Paz (Bancários), Coqueiral (Mangabeira) e Bela (Funcionários II) em João Pessoa.

Os mais importantes grupos de cultura popular da região nordeste estarão reunidos em João Pessoa, nesta sexta-feira (19), sábado (20) e domingo (21), na I Mostra de Cultura Popular – O Nordeste Mostra sua Arte, um evento promovido pelo coletivo cultural Muriçocas do Miramar que tem o objetivo de salvaguardar e valorizar o patrimônio imaterial dos Estados da Paraíba, Pernambuco e Ceará.
São grupos de coco, ciranda, repentistas, maracatus, emboladores, cavalo marinho, reizado, aboiadores e tribos reunidas para mostrar o universo de suas brincadeiras e tradições. As apresentações acontecem em três praças públicas da cidade de João Pessoa: Praça da Paz, do Conjunto dos Bancários, Praça Coqueiral, localizada no bairro de Mangabeira, e na Praça Bela do bairro Funcionários II.
Entre as atrações desta primeira mostra estão programadas as apresentações da dupla de repentistas Bebé de Natécio e Daudete Bandeira (PB), Chico do Canolino (CE), Maracatu Leão da Fortaleza (PE), Coral de Aboiadores (PE), as emboladoras Terezinha e Lindalva (PB), o grupo Caiana dos Crioulos (PB), Cavalo Marinho do Mestre Zequinha (PB), Selma do Coco (PE), Reisado de Zabelê (PB), Pandeiro do Mestre (PE), Marzuca do Mestre Zé Preto (PB) e Lia de Itamaracá (PE).
De acordo com o diretor executivo do bloco Muriçocas do Miramar, Marconi Serpa, a proposta é abrir uma nova possibilidade de entretenimento e vivência cultural, atingindo jovens, artistas, a população da cidade, turistas e com isso fazer com que mais um evento passe a fazer parte do calendário de eventos culturais da cidade.
A estimativa dos organizadores é de que compareçam em cada local cerca de duas mil pessoas. A realização da primeira edição da Mostra de Cultura Popular só foi possível graças ao patrocínio da Lei de Incentivo a Cultura do Governo Federal, da Eletrobrás e ao apoio da Prefeitura Municipal de João Pessoa e do Sebrae - Paraíba.
A intenção do diretor executivo do bloco Muriçocas do Miramar é que esse evento seja ampliado para outras praças do nosso Estado e cada vez mais a cultura popular dos brincantes seja salvaguardada no Nordeste. “Queremos fazer circular a arte, mostrar a dança, o canto e encanto de nosso povo”, acrescentou Marconi.

Artistas populares de Pernambuco, Paraíba e Ceará na Praça da Paz

As atividades da primeira edição da Mostra de Cultura Popular têm início nesta sexta-feira (19), a partir das 19h30, na Praça da Paz dos Bancários, com a apresentação dos artistas populares Bebé de Natércio e Daudete Bandeira, Chico do Canolino (CE), o Maracatu Leão da Fortaleza (PE) e o Coral de Aboiadores de Serrita –Pernambuco.
Bebé Natércio é compositor, poeta popular, cantador e contador de causos bastante conhecido no nordeste. Herdou das suas andanças pelos sertões e da vivência com grupos e mestres populares a proximidade com a rua e a cultura popular. Atualmente reside em João Pessoa e faz parte da cena cultural da cidade, sendo freqüentemente encontrado em pontos de convergência social e artística, onde diversos artistas, professores, estudantes e pessoas de diferentes categorias se encontram.
Nesta apresentação ele faz parceria com outro conhecido cantador Daudete Bandeira, que já declamou poesias com outros cantadores e tem um disco gravado com o cantador Oliveira de Panelas. O disco que se chama, Musique do Munde - Brazil Improvised Song, chegou ao Brasil com poucas cópias e teve vendas esgotadas.
Daudeth Bandeira se apresentou em vários festivais de repentes, uma de suas grandes apresentações foi no Festival de Cantadores de Pombal (PB), em que apresentou canções como Nordestinação, Brasil Virgem, Homem na 4a Ronda, Sonho de Leandro (uma homenagem ao poeta Leandro Gomes de Barros), Ladeira de Tambaú, Provocação de Vizinho, Manicure, Conversando com as Águas, entre outras.
Em seguida se apresenta Francisco Cassiano Nazaro, artisticamente conhecido como Chico do Canolino, de Baixio (CE). Chico é um músico popular, que toca um instrumento por ele criado, semelhante ao violino, feito de canos de PVC. Seu Chico do Canolino é um autodidata que toca sanfona e cavaquinho desde os oito anos de idade, quando inventou seu primeiro instrumento, um violão, feito de lata de doce. Com uma curiosidade incomum, ele aprendeu sozinho observando os músicos da sua cidade. Não freqüentou escola de música, toca de “ouvido” e confessa que desconhece os nomes dos acordes, mas quem prestigia seus shows fica encantado com o seu estilo.
Ele tem se apresentado nas principais festas populares, da padroeira, em praças e terreiros dos sertões cearense e paraibano. Anualmente mostra seu trabalho em Cajazeiras (PB), na festa da cidade ao lado do renomado sanfoneiro Chico Amaro e também tem tocado ao lado de Nonato Cearense no São João promovido pelas prefeituras da região.
Outra grande atração da sexta-feira (19) na Praça da Paz é o Maracatu Leão da Fortaleza (PE), fundado na cidade de Flecheiras (PE) e tem como dono o senhor José Beto da Hora. É formado por vários fogosões, a exemplo do caboclo de lança, mestre e o terno de seis, Burra, Mateu, Catirina entre outros. Logo após se apresenta o Coral de Aboiadores de Serrita, também de Pernambuco. O coral foi formado em 1999, pela Fundação Quinteto Violado e desde então não parou de realizar apresentações pelo país. O grupo foi convidado para participar do espetáculo “Além da Linha D´água”, em São Paulo, com a atriz Marília Pêra.
Em tão pouco tempo conseguiram gravar três CD´s e participar com oito músicas no CD tributo a Geraldo Regis. É formado pelos compositores e vocalistas Chico Justino, Cícero Mendes, Dedé, Quesado, Edgar, Murilo, Paulo Pedro, Cícera e Elonir. O repertório das apresentações é composto por músicas de aboios, toadas e capelas, além de muito improviso e interação pública.

Praça do Coqueiral recebe Selma do Coco

No sábado (20), a partir das 20h00, a Praça do Coqueiral do bairro de Mangabeira recebe a cantadora Selma do Coco (PE). A pernambucana Selma Ferreira da Silva ou dona Selma, como é mais conhecida, viveu no interior até os dez anos, quando travou contato com as festas juninas e as músicas da região, como o coco de roda.
Mudou-se com a família para o Recife, casou-se, teve 14 filhos e ficou viúva aos 30 anos, quando foi viver em Olinda (PE). Lá trabalhava como vendedora de tapioca, e nos horários de folga começou a promover rodas de coco em seu quintal, que ganharam fama e a fizeram viajar para se apresentar em eventos e casas de espetáculos.
Em 1996, participou do badalado festival Abril Pro Rock, que provocou uma guinada radical em sua carreira artística. O "hit" que impulsionou o sucesso foi "A Rolinha", gravada por outros artistas e muito executada no carnaval de 97. Foi convidada a se apresentar em São Paulo (SP) e de lá para a Europa, notadamente a Alemanha, onde fez diversos shows. Em 1998 a Paradoxx lançou o disco "Minha História", também lançado na Europa.
Outra atração da noite não menos importante são as emboladeiras, cantoras e compositoras Terezinha e Lindalva de Santa Rita (PB). Elas possuem um estilo satírico. As irmãs paraibanas tornaram-se conhecidas por apresentarem-se ao público no Largo da Carioca, Centro do Rio de Janeiro, cantando suas composições e vendendo fitas cassete de suas músicas. Apresentaram-se em outros estados em festas como a de folia-de-reis em Alto Belo, em Minas Gerais. Em 1999, lançaram pela Eldorado/Pequizeiro o CD "Terezinha e Lindalva", na série "Grandes repentistas do Nordeste", onde interpretam, entre outras, as emboladas "Proseado", "Coco da baiana", "O rico e o pobre" e "Coco do seringueiro", todas de autoria da dupla, além de "O macaco e o ferreiro", de Zé Monteiro e Curió.
Está programada ainda a apresentação do grupo Caiana dos Crioulos de Alagoa Grande - PB. Eles são integrantes reconhecidos pelos Palmares como um dos 13 legítimos quilombos brasileiros teve os seus primeiros negros (Século XVIII), vindo de Mamanguape - PB, de uma rebelião ocorrida em um navio que aportou em Baía da Traição - PB. Há 20 ou 30 anos atrás usavam roupas coloridas, onde ainda hoje se vê as tradições herdadas dos seus ancestrais africanos.
A Caiana é um pedaço do continente africano nas terras do Paó. Os negros de Caiana já foram exemplos de pureza étnica. Alguns afirmam que Caiana surgiu por esses negros no passado terem fugido de Palmares. Seus instrumentos, suas músicas, danças e costumes, ainda guardam um pouco de sua cultura e de sua história. Até algum tempo atrás, era difícil o contato do povo da cidade com os negros, pois eles tinham medo do homem branco.
O Cavalo-Marinho de Mestre Zequinha se apresenta também no sábado (20) na Praça do Coqueiral de Mangabeira. O grupo é o único em atividade na Paraíba e dos mais importantes do Nordeste. É reconhecido por diversos pesquisadores como possuidor de um estilo ímpar na apresentação musical dos diversos gêneros que perfazem esse folguedo, como as toadas, abios e baiões.
O estilo é bastante diferente do encontrado em grupos semelhantes do Rio Grande do Norte ou Pernambuco. Esse folguedo, ou “brincadeira do cavalo-marinho”, como é denominado pelos seus membros, representa atualmente a continuidade de uma longa tradição advinda da zona rural e, no passado, encontrada em cidades como Guarabira, Santa Rita, Borborema, Mari, Bayeux e outros. Mestre Zequinha é o que mais diretamente dá continuidade de uma longa tradição dos mestres que o antecederam, como Mestres Paizinho, Raul, Gasosa e Neco. Por esse cavalo-marinho já passaram brincantes que hoje são mestres em folguedos semelhantes, como o Mestre Pirralinho, do Boi-de Reis Estrela do Norte, e João do Boi, do Cavalo-Marinho Infantil do bairro dos Novais.

Lia de Itamaracá na Praça Bela dos Funcionários II

Cirandeira de Itamaracá, ilha perto de Recife, Maria Madalena Correia do Nascimento é a grande atração da terceira e última noite da Mostra de Cultura Popular que terá como palco a Praça Bela do Conjunto dos Funcionários II, em João Pessoa. A apresentação cirandeira está prevista para começar às 19h00.
Lia de Itamaracá ficou conhecida por esse nome nos anos 60, quando a compositora e cantora Teca Calazans registrou a quadra "Esta ciranda quem me deu foi Lia/ que mora na ilha de Itamaracá". Lia canta e compõe desde a infância, e em 1977 gravou seu primeiro disco, o LP "A Rainha da Ciranda". Mas não enveredou pela vida artística e continuou trabalhando como merendeira em uma escola de sua cidade.
Na década de 1990 foi redescoberta pelo produtor Beto Hees, que a levou para participar do festival Abril Pro Rock em 1998, com grande êxito. Com repertório que inclui coco de raiz e loas de maracatu, além, é claro, de cirandas, acompanhadas por percussões (ganzá, surdo, tarol, congas) e saxofone, gravou o segundo álbum em 2000, o CD "Eu Sou Lia", lançado inicialmente pela Ciranda Records e depois pela Rob Digital. Por ocasião do lançamento, apresentou-se em outras capitais e ministrou workshops.
Além de Lia de Itamaracá se apresentam no local o Reizado de Zabelê, o grupo Pandeiro Mestre (PE) e Marzuca do Mestre Preto (PB).
O Reizado é uma das manifestações mais autênticas da cultura folclórica paraibana. Teve sua obra conhecida em todo mundo devido ao lançamento do primeiro CD da cantora Sandra Belê, outra artista de Zabelê que está mostrando seu trabalho para o mundo.
O Reisado teve início na localidade a partir da grande devoção ao Padre Cícero. A história começou em 1919, com a iniciativa do Senhor Manoel Venceslau, mais conhecido como Manoel João, que era praticante do Reisado na cidade de União dos Palmares em Alagoas.
Fazem parte ainda do elenco as figuras do Rei e da Rainha, do Mestre e do Contra-Mestre, dos Embaixadores, do Médico, do Boi, do Jaraguá, dos Mateus, da Burrinha, dos Soldados e outros membros secundários, todos com indumentárias e funções próprias ao evento. Em geral as indumentárias têm como base a cor azul (com calças e saias brancas, enfeitadas com miçangas, espelhos, fitas de diversas cores, coroas que representam a Igreja do Município), máscaras, botinas e sapatilhas. Os instrumentos musicais utilizados são o cavaquinho, alguns maracás, um violão, uma caixa e um bombo.

Serviço:
I Mostra de Cultura Popular – O Nordeste mostra sua arte

Dias 19, 20 e 21 de outubro
Locais: Praça da Paz (Bancários), Praça Coqueiral (Mangabeira) e Praça Bela (Funcionários II)
Hora: a partir das 19h00


PROGRAMAÇÃO

DIA 19 DE OUTUBRO (SEXTA-FEIRA)
Hora: 20h00
Local: Praça da Paz do Conjunto dos Bancários
Ø Repentistas Bebé de Natécio e Daudete Bandeira (PB)
Ø Chico do Canolino (CE)
Ø Maracatu Leão da Fortaleza (CE)
Ø Coral de Aboiadores (PE)

DIA 20 DE OUTUBRO (SÁBADO)
Hora: 20h00
Local: Praça do Coqueiral de Mangabeira
Ø Emboladoras Terezinha e Lindalva (PB)
Ø Caiana dos Crioulos (PB)
Ø Cavalo Marinho do Mestre Zequinha (PB)
Ø Selma do Coco (PE)

DIA 21 DE OUTUBRO (DOMINGO)
Hora: 19h00
Local: Praça Bela Funcionários II
Ø Reizado de Zabelê (PB)
Ø Pandeiro do Mestre (PE)
Ø Marzuca do Mestre Zé Preto (PB)
Ø Lia de Itamaracá (PE)

Realização: Muriçocas Eventos Culturais
Patrocínio: Lei de Incentivo a Cultura do Governo Federal e Eletrobrás
Apoio: Prefeitura Municipal de João Pessoa e Sebrae Paraíba

Adriana Crisanto
Repórter
Fotos: Divulgação.