Selma do Coco canta em Mangabeira


A pernambucana Selma Ferreira da Silva, dona Selma ou Selma do Coco, como é mais conhecida, será a atração de hoje da I Mostra de Cultura Popular, que teve início ontem e prossegue amanhã, na Praça Bela dos Funcionários. As apresentações estão previstas para começar às 20h, na Praça do Coqueiral do bairro de Mangabeira.
Selma do Coco, para quem ainda não conhece, viveu no interior até os dez anos, quando travou contato com as festas juninas e as músicas da região, como o coco de roda. Mudou-se com a família para o Recife, casou-se, teve 14 filhos e ficou viúva aos 30 anos, quando foi viver em Olinda. Lá trabalhava como vendedora de tapioca, e nos horários de folga começou a promover rodas de coco em seu quintal, que ganharam fama e a fizeram viajar para se apresentar em eventos e casas de espetáculos.
Em 1996, participou do badalado festival Abril Pro Rock, que provocou uma guinada radical em sua carreira artística. O "hit" que impulsionou o sucesso foi "A Rolinha", gravada por outros artistas e muito executada no carnaval de 97. Foi convidada a se apresentar em São Paulo e de lá para a Europa, notadamente a Alemanha, onde fez diversos shows. Em 1998 a Paradoxx lançou o disco "Minha História", também lançado na Europa.
Outra atração da noite não menos importante são as emboladeiras, cantoras e compositoras Terezinha e Lindalva de Santa Rita. Elas possuem um estilo satírico. As irmãs paraibanas tornaram-se conhecidas por apresentarem-se ao público no Largo da Carioca, Centro do Rio de Janeiro, cantando suas composições e vendendo fitas cassete de suas músicas. Apresentaram-se em outros estados em festas como a de folia-de-reis em Alto Belo, em Minas Gerais. Em 1999, lançaram pela Eldorado/Pequizeiro o CD "Terezinha e Lindalva", na série "Grandes repentistas do Nordeste", onde interpretam, entre outras, as emboladas "Proseado", "Coco da baiana", "O rico e o pobre" e "Coco do seringueiro", todas de autoria da dupla, além de "O macaco e o ferreiro", de Zé Monteiro e Curió. Está programada ainda a apresentação do grupo Caiana dos Crioulos de Alagoa Grande. Eles são integrantes reconhecidos pelos Palmares como um dos 13 legítimos quilombos brasileiros teve os seus primeiros negros (Século XVIII), vindo de Mamanguape, de uma rebelião ocorrida em um navio que aportou em Baía da Traição. Há 20 ou 30 anos atrás usavam roupas coloridas, onde ainda hoje se vê as tradições herdadas dos seus ancestrais africanos.
A Caiana é um pedaço do continente africano nas terras do Paó. Os negros de Caiana já foram exemplo de pureza étnica. Alguns afirmam que Caiana surgiu por esses negros no passado terem fugido de Palmares. Seus instrumentos, suas músicas, danças e costumes, ainda guardam um pouco de sua cultura e de sua história. Até algum tempo atrás, era difícil o contato do povo da cidade com os negros, pois eles tinham medo do homem branco.
O Cavalo-Marinho de Mestre Zequinha se apresenta também neste sábado na Praça do Coqueiral de Mangabeira. O grupo é o único em atividades na Paraíba e dos mais importantes do Nordeste. É reconhecido por diversos pesquisadores como possuidor de um estilo ímpar na apresentação musical dos diversos gêneros que perfazem esse folguedo, como as toadas, abios e baiões.

Saiba Mais

O estilo do Cavalo-Marinho de Mestre Zequinha é bastante diferente do encontrado em grupos semelhantes do Nordeste. Esse folguedo, ou "brincadeira do cavalo-marinho", como é denominado pelos seus membros, representa atualmente a continuidade de uma longa tradição advinda da zona rural e, no passado, encontrada em cidades como Guarabira, Santa Rita, Borborema, Mari, Bayeux e outros. Mestre Zequinha é o que mais diretamente dá continuidade de uma longa tradição dos mestres que o antecederam, como Mestres Paizinho, Raul, Gasosa e Neco. Por esse cavalo-marinho já passaram brincantes que hoje são mestres em folguedos semelhantes, a exemplo de Mestre Pirralinho, do Boi-de Reis Estrela do Norte, e João do Boi, do Cavalo-Marinho Infantil do bairro dos Novais.

Adriana Crisanto
Repórter
Foto: Divulgação
Matéria publicada no caderno Show do Jornal O Norte