Universo muito particular

A cantora e compositora Marisa Monte apresenta nesta quinta-feira (11 de janeiro), a partir das 20h00, na Praça do Povo do Espaço Cultural José Lins do Rego, em Tambauzinho, o show de sua nova turnê 2006/2007 “Universo Particular”, que pela segunda vez consecutiva tem o patrocínio da empresa de cosméticos Natura. Os ingressos estão sendo vendidos ao preço de R$ 260,00 (mesa), R$ 40,00 (inteira) e R$ 20,00 (estudantes e idosos).
Depois de um dejejum de bons shows a cidade será brindada com a voz aveludada da cantora que apresentará canções de seu último trabalho, o CD “Universo ao meu Redor”. Marisa abre o show com os nove músicos da banda. Entre eles o baixista de A Cor do Som, Dadi Carvalho.
No ano passado a cantora lançou um álbum duplo um completamente diferente do outro (Infinito Particular e Universo ao meu Redor). A critica especializada em música parece não ter gostado muito dessa inovação. A piores críticas recaíram principalmente sobre o álbum "Universo ao Meu Redor" que é o resultado da aproximação de Marisa Monte com a Velha Guarda da Portela, e apresenta composições de samba da comunidade, com canções de Jaime Silva, Argemiro Patrocínio e Dona Yvonne Lara, entre outros.
Numa breve conversa com Marisa Monte, por telefone, quando ainda estava em trânsito para o show em João Pessoa, a cantora disse que não entende porque ainda alguns críticos batem em cima desse trabalho. “Uma ou duas pessoas falaram que não havia gostado de algumas canções isoladamente. Mesmo assim o disco foi indicado ao Grammy Latino e chegou ao segundo lugar como melhor disco do ano nos Estados Unidos”, acrescentou.
Embora adote uma postura "cool", Marisa Monte procura evitar a superexposição na mídia, e mantém-se afastada dos meios de comunicação quando não está em turnê de lançamento de um disco novo. Mesmo assim ela contou que este álbum começou a surgir a partir de uma série de encontros e entrevistas orientadas por Paulinho da Viola, Monarco e Dona Yvonne: "Ouvi compositores, parentes e parceiros de sambistas antigos em busca não somente da obra deles, como também das referências criativas; da gênese do samba feito por eles". A produção do álbum é assinada por Mario Caldato Jr., produtor de hip hop brasileiro radicado nos Estados Unidos que já assinou trabalhos dos Beastie Boys e Marcelo D2.
As composições de "Infinito Particular" surgiram a partir de um trabalho de audição e resgate do arquivo de canções de seus 15 anos de carreira, feito pela própria Marisa Monte, incluindo antigas parcerias com compositores como Nando Reis, Carlinhos Brown, Arnaldo Antunes, Pedro Baby e Dadi Carvalho. O disco, que é mais fiel ao estilo que consagrou a cantora, conta também com participações de Seu Jorge, Adriana Calcanhoto, Marcelo Yuka, Leonardo Reis e Rodrigo Campelo, além de arranjos de Eumir Deodato, Philip Glass e João Donato, sob a produção de Alê Siqueira, que já havia trabalhado com a cantora no disco "Tribalistas".
No show de logo mais Marisa Monte canta as músicas do novo disco e faz um “mix” de antigas canções. A apresentação da cantora terá ainda “canja” do sanfoneiro cearense Waldonys que deu show nas apresentações de Natal e Fortaleza.
Para Marisa Monte cantar para o público do sudeste ou do nordeste não tem diferença, pois sempre é muito bem recebida por onde passa. “O que muda apenas é ambiente, um lugar mais acústico, um teatro ou as vezes um local mais aberto, como é o caso de João Pessoa”, disse.
Paralelo ao seu trabalho com cantora Marisa também tem um selo, chamado Phonomotor em que produz alguns trabalhos, mas segundo ela, não tem a pretensão de se tornar um selo para produzir e revelar novos cantores não. “Quem sabe no futuro”, brincou.

Natura e a Música

Para a Natura, a música dissolve fronteira, aproxima as pessoas. Contribui para aperfeiçoar nossa convivência com o diferente e nos inspira para a construção de um mundo melhor. Por isso, apóia iniciativas que dêem visibilidade à música que tem ao mesmo tempo profunda ligação com nossa gente, nossa história, nossos valores, nosso jeito de ser, e com o mundo globalizado, com o outro, com o diverso.
O envolvimento da Natura com a música ocorre através do programa Natura Musical e de patrocínios diretos, como o da turnê Universo Particular, da cantora Marisa Monte.
Adriana Crisanto
Foto: Divulgação
**Matéria publicada no Caderno Show do Jornal O Norte em Janeiro de 2007.

Admirável mundo do herdeiro de Avohai


Terminou na última terça-feira a primeira etapa das gravações do documentário sobre cantor e compositor paraibano Zé Ramalho, uma das atrações deste sábado (6), do projeto musical Estação Nordeste, idealizado pela Funjope, que teve abertura oficial sexta-feira (5), na Praça Antenor Navarro, centro histórico, com o show do cantor, compositor e arranjador carioca Egberto Gismonti, da cantora Gláucia Lima e do grupo Ô de Casa.
O roteiro do vídeo-documentário inclui ainda o show que Zé Ramalho fará neste sábado (6), na Praia de Tambaú, em João Pessoa. O documentário biográfico está sendo dirigido pelo jornalista Elinaldo Rodrigues, e pretende traçar um panorama sobre a vida e obra do artista. As primeiras gravações foram realizadas no Teatro Santa Roza, que, de acordo com o Elinaldo, o artista revelou profunda ligação sentimental.
Afinal, foi lá onde ele realizou seu show de despedida da cidade, em 1976, antes de seguir para o Rio de Janeiro e se projetar nacional e internacionalmente. De acordo com Elinaldo Rodrigues foram mais de cinco horas de depoimento, em que Zé Ramalho abordou sobre os mais diversos assuntos relacionados à sua vida e obra.
Os fãs do cantor e a imprensa local não tiveram acesso as gravações no Teatro Santa Roza, e alguns se sentiram profundamente magoados com a produção. “Eu atendi a um pedido do artista e pensei que as pessoas fossem compreender”, lamentou Elinaldo.
O vídeo-documentário ainda não tem título definido, provavelmente deverá se chamar “Zé Ramalho Herdeiro de Avohai” e terá duração de 50 minutos. Entre algumas surpresas está incluída a participação do cantor e compositor paraibano Pedro Osmar, que de posse de outra câmera intervia na conversa realizando perguntas. A idéia é recordar uma entrevista realizada com o artista para um jornal da Capital há cerca de 10 anos.
O documentário terá ainda locações na cidade de João Pessoa, Brejo do Cruz, sua terra natal, Recife e Rio de Janeiro, onde deverão ser registradas imagens de ambientes referenciais na vida e obra de Ze Ramalho, como também depoimentos de personalidades que integram a sua trajetória.
A equipe que trabalha nesta produção é formada por talentos do audiovisual paraibano, a exemplo do também jornalista João Carlos Beltrão (diretor de fotografia), Heleno Bernardo (produtor), Bruno de Sales (jornalista e técnico de som), Adilson Luiz e Lúcio César (câmeras), Gustavo Moura (still), Alfredo Amaral (suporte técnico), Irapuã Sobral (microfonista) e Aderaldo Júnior (assistente de câmera) e outros.
"Toda a equipe facilitou muito as coisas para que conseguisse lembrar e me expressar como me expressei", comentou Zé Ramalho numa declaração explícita a equipe de produção. Elinaldo Rodrigues disse ainda que o cronograma de gravações será definido conforme o ritmo de captação de apoio e patrocionadores.
A expectativa é que as gravações estejam concluídas até março de 2007. A produção não está atrelada a nenhum fundo de incentivo a cultura. Ela conta apenas com o apoio do Departamento de Comunicação Social e do Pólo Multimídia da Universidade Federal da Paraíba (UFPB), que cederam as câmeras, da Fundação Cultural de João Pessoa (Funjope), Nova Idéia Agência de Comunicação e do Mapa Guia Made in PB.
Adriana Crisanto
Texto publicado no caderno Show do Jornal O NORTE em dezembro de 2006.
Foto cedida gentilmente pelo diretor do documentario.