Revelando Brasis


O vídeo-documentário “Extraordinárias Estórias em Manecos” de autoria da professora de letras e literatura, Maria José da Silva, mais conhecida por Tuca, será exibido nesta quarta-feira (4), a partir das 20h00, na praça da cidade de Guirinh
em, município localizado 67 quilômetros da Capital João Pessoa.

A exibição faz parte do programa "Revelando os Brasis", um projeto de formação audiovisual do Ministério da Cultura (Minc), concebido através da Secretaria do Audiovisual, que viabilizou a produção de 40 vídeos digitais em pequenas cidades do país. As histórias foram selecionadas após um processo de inscrição destinado exclusivamente a moradores de municípios com até 20 mil habitantes. Os vídeos têm duração máxima de 15 minutos.


“Extraordinárias Estórias em Manecos” foi gravado na comunidade rural de Manecos, onde as histórias sobrenaturais de Cumade Fulozinha, a Senhora das Matas, é contada por moradores. O vídeo mostra o imaginário e as supertições das pessoas sobre o personagem, e revela o convívio entre o homem e o meio ambiente.


O roteiro, direção e produção são de autoria de Maria José da Silva, com imagens João Carlos Beltrão, edição de Adilson Luiz da Silva, sonorização de Lúcio César, Magno Augusto e Job Andrade.


Manecos está localizado na região agreste e seus habitantes sobrevivem da caça e da agricultura de subsistência. O surgimento da comunidade de Manecos está ligada a história da cidade de Gurinhem, fundada por padres jesuítas e tornou-se freguesia em 1873. Foi emancipada em 19 de dezembro de 1958. O nome da cidade tem origem indígena e significa “rio do peixe saboroso”.


Logo após haverá exibição do “Contador do Doce”, uma espécie de continuação de “Extradionárias Estórias em Manecos”, contada pelo construtor de ferramentas e doceiro Luiz Ferreira Guerra, mas conhecido por Luiz do Doce, um homem simples que tenta sobreviver sozinho na comunidade de Manecos. Sua história e seu cotidiano são mostrados com extrema leveza pela autora que contou com a mesma equipe de técnica.

Quem foi Comadre Florzinha?

Comadre Florzinha ou “Cumade Flozinha”, como se diz a tradição oral, é uma lenda do nordeste brasileiro. O espírito de uma cabocla de longos cabelos que vive na mata protegendo a natureza dos caçadores e que gosta de fumo e mel. Diz-se que açoita violentamente aqueles que adentram suas matas sem levar uma quantidade de fumo como oferenda e também lhes enrola a língua. Furtiva, seu assovio se torna mais baixo quanto mais próxima ela estiver, parecendo estar distante.

Projeto Revelando Brasis - Além do vídeo-documentário “Extraordinária Estórias de Manecos”, o projeto Revelando Brasis contemplou mais três vídeos paraibanos: “Um dia na vida de uma marisqueira” de autoria da professora Adelma Cristovam dos Passos, de Pitumbú (litoral norte do Estado da Paraíba). O documentário acompanha a rotina de uma marisqueira, mostrando a organização do trabalho, as relações familiares, as dificuldades e as esperanças das trabalhadoras que vivem da pesca de mariscos.

O vídeo acompanha a rotina de Abonira dos Santos Ferreira que começou a catar mariscos aos nove anos de idade. Hoje, ela ajuda a sustentar a família com o fruto de seu trabalho.

Outro audiovisual contemplado foi “O Bode do Padre”, do professor de história Cícero Josenaldo Alves de Lira, do município de São Sebastião do Umbuzeiro (Cariri Paraibano). O vídeo ficcional conta à estória de um padre que ganha um bode de presente e passa a criar o animal na casa paroquial. O bode é leiloado várias vezes e sempre retorna a paróquia. Até o dia que um forasteiro participa de um dos leilões e decide não devolver o animal.

O roteiro, direção e produção de Cícero Josenaldo Alves de Lira, com edição de Anderson Augusto, música de Nanado Alves, arranjos de Jorge Cochó e elenco composto por Lucenilda Tomé Aleixo, José Washington Lima, Tarciana Maria Dias Feitosa. Os atores, de acordo com o produtor do vídeo, foram recrutados de São João do Tigre, cidade vizinha.

Outro contemplado com o projeto foi o vídeo-documentário também ficcional do jornalista Damião Expedito de Lima Rodrigues, intitulado “O Assalto”, da cidade de Jacaraú (PB). No elenco estão os atores: Alex Silva, Ana Luiza Camino, André Morais, Bete Maia e Cristiane Alves. A produção contou com o apoio de Jorge Bweres e Walter Cortez, com imagens de Onilson Pires e edição de Anderson Augusto. O vídeo foi baseado em um assalto que mobilizou a agência dos Correios e Telegráficos de Mataraca, município localizado a cerca de 87 quilômetros da Capital.

Adriana Crisanto
Repórter
adriana@jornalonorte.com.br
adrianacrisanto@gmail.com
Fotos: Equipe do vídeo Manecos - Divulgação - http://www.revelandobrasis.com.br/

Matéria publicada no caderno Show do jornal O Norte em julho de 2007.

Pigmentos da Informação


As criações são legítimas e o processo de interiorização das cores condensa a personalidade do autor. São essas as primeiras leituras que se pode fazer das telas do artista plástico Carlos Leão que estará expondo “Pigmentos da Informação”, nos dias 6, 7 e 8 de julho, na Loja Bangalô, localizada depois do supermercado Carrefour, na BR 230, em João Pessoa.
Carlos Leão é portador da “Retinose Pigmentada”, uma doença ocular de caráter degenerativo e hereditário cujo traço comum é a deterioração gradativa dos fotorreceptores e eventual atrofia do tecido retiniano. Mas, esse fato em nenhum momento diminuiu o desejo de desenhar e pintar telas que tem impressionado pelo contraste das cores.
A idéia de pintar surgiu do curso para cegos em Natal (RN), onde reside atualmente. “Eu dei risada quando soube”, comentou Carlos. Mas, o grupo foi formado por quatro irmãs e um cunhado do artista que tinha também deficiência visual. A princípio a técnica utilizada era tinta guache sobre o papel, técnica com a qual produziu cerca de 60 quadros, dos quais 12 estão na parede de sua casa, exposta como recordação.
O grupo se desfez e Carlos foi o único a continuar pesquisando outras técnicas. Utilizou PVA sobre eucatex. Foi quando, em maio de 2005, passou a usar óleo sobre tela. Após algumas exposições em hotéis e centros de convenções em Natal foi convidado para expor em Paris no ano passado e em Curitiba (PR) em maio deste ano.

Nesta mostra ele apresenta 20 telas que medem 50 x 80 metros (as menores) e de 80 x 1,20 metros de altura (as maiores). Nos trabalhos ele não identifica as cores, apenas os vultos. O artista tem os conceitos das cores básicas e dentro deste conceito ele pinta com as mãos e a parte periférica utiliza os pincéis. “Por exemplo, se for fazer um rosto. Ele é feito com a mão e a parte periférica com o pincel”, explicou Carlos.

De acordo com o artista, o nome da mostra se deve ao fato de ter informações visuais, das formas e informações auditivas. Com os 10% de visão que ainda tem, o artista consegue visualizar apenas os tons escuros e médios. Algumas telas são pintadas de forma aleatória.
O elemento fundamental da pintura é a cor. A relação formal entre elas presentes em uma obra constitui sua estrutura fundamental, que guia o olhar do espectador e propõe sensações de calor, frio, profundidade, sombra, entre outros. Estas relações estão implícitas na maior parte das obras da arte e sua explicitação foi uma bandeira dos pintores abstratos. A cor é considerada por muitos como a base da imagem.
No caso de Carlos Leão, foge a tradicional forma de pintar e misturar as cores. O artista reproduz em suas telas uma realidade que lhe é familiar, com extrema naturalidade interna. Ele pinta a natureza (natural ou imaginada) e rostos de sua realidade sensível.
Carlos Leão é natural da cidade de Bezerros (PE), residiu 23 anos em João Pessoa, onde tem duas filhas. Trabalhou com produção de festas infantis e eventos. Atualmente reside em Natal e trabalha na Fundação Norte Rio-Grandense de Pesquisa e Cultura (Funpec).

Serviço:
Pigmentos da Informação

Carlos Leão
Dias 6, 7 e 8 de julho
Local: Loja Bangalô, localizada depois do supermercado Carrefour, na BR 230, em João Pessoa.

Adriana Crisanto
Repórter
adriana@jornalonorte.com.br
adrianacrisanto@gmail.com
Foto: Divulgação
Matéria publicada no caderno Show do Jornal O Norte em junho de 2007.

Tim Festival confirma atrações internacionais

Estão confirmadas para edição do Tim Festival 2007 a banda britânica Arctic Monkeys e as americanas The Killers e Juliette & The Licks. A exemplo do ano passado, o festival acontecerá em quatro cidades: Rio de Janeiro, São Paulo, Curitiba e Vitória.

E na semana passada a organização do festival confirmou a presença da cantora islandesa Björk. Ela nasceu em 1965, na cidade de Reiquiavique, capital do país. Björk Guðmundsdóttir foi a primeira artista pop islandesa a vencer as barreiras geladas de sua terra natal e alcançar projeção internacional. Cantora, compositora é também atriz de vez em quando. Atuou no filme ‘Dançando no escuro’, de Lars von Trier, no qual também assinou a trilha sonora, lhe rendeu o prêmio de melhor atriz no Festival de Cannes em 2001. Ela liqüidifica influências que vão do pop ao folk, do eletrônico ao clássico, do jazz ao rock alternativo. O resultado de suas criações a transformou em uma das mais instigantes artistas do pop atual.

De acordo com a assessoria do evento, Björk mostrará as músicas inéditas de seu sexto disco solo, ‘Volta’ - cujo nome batiza a turnê iniciada em abril passado –, além de outras de trabalhos anteriores.

O evento, que já imprimiu sua marca, no Rio de Janeiro ocorrerá mais uma vez na Marina da Glória. Em São Paulo os shows acontecem no auditório do Ibirapuera e na Arena Skol Anhembi. Na cidade de Vitória (ES), a versão compacta do festival acontece no Teatro da Universidade Federal do Espírito Santo (UFES) e em Curitiba no bucólico cenário da pedreira Paulo Leminski.

A banda Juliette & The Licks surpreendeu a cena rock em 2003 ao revelar para o mundo um lado inesperado da atriz norte-americana Juliette Lewis, consagrada em filmes como ‘Cabo do Medo’, ‘Assassinos por natureza’ e ‘Kalifornia’ e hoje conduzindo uma bem-sucedida carreira de cantora à frente do seu próprio grupo.

Já as bandas “Arctic Monkeys e The Killers” surgiram em 2002 e se firmaram como grandes revelações do rock alternativo, com rápida ascensão na lista das mais executadas e vendas de discos ultrapassando a casa dos milhões.

As mudanças do festival ainda não foram anunciadas. O Tim Festival é um dos poucos que salva a tradição de festivais no Brasil e põe o país em contato com as atrações internacionais de peso. Desde que ressurgiu o festival trouxe para o público brasileiro um total de 136 atrações, sendo 44 nacionais e 102 estrangeiras, de 17 nacionalidades diferentes.

Já circularam pelo festival nomes como: Beastie Boys, The Strokes, Wilco, Brian Wilso e Diplo. A intenção dos organizadores é manter o público antenado com o que existe de mais novo na música nacional e internacional e assim antecipar tendências.


Adriana Crisanto
Repórter
adriana@jornalonorte.com.br
adrianacrisanto@gmail.com
Matéria publicada no caderno Show do jornal O Norte.

Diário de um louco

Adaptado do conto do escritor russo Nikolai Gogol, o monólogo “Diário de um Louco”, estréia na próxima quinta-feira (28), a partir das 21h00, no Teatro Santa Roza em João Pessoa. O espetáculo permanece em cartaz nos dias 29 e 30 junho e 1 de julho; dias 7 e 8 de julho, sempre as sextas e sábados (às 21h00) e domingos (20h00). Os bilhetes de entrada estão sendo vendidos ao preço de R$ 10,00 (inteira) e R$ 5,00 (estudante).

O monólogo do funcionário público fala de um anônimo apaixonado pela filha do chefe que vive a fantasia esquizofrênica do poder e da riqueza. A interpretação estilizada é do ator André Morais (o arrecadador de prêmios do vídeo Alma) e direção do arquiteto, ator e diretor Jorge Bweres, integrante do Grupo de Teatro Bigorna.

O texto é de autoria do russo Nikolai Gogol, escrito no século 19, fase áurea do realismo russo. A montagem constrói um funcionário público que é a encarnação da insignificância humana. Em cena um personagem pobre, solitário, que ocupa a função de apontador de penas de escrever que vive num pequeno quarto.

Para escapar de todas as mazelas de sua vida cria para si um mundo de fantasias. Ele da origem, na primeira parte do espetáculo, uma identidade que vai crescendo até se sentir um rei. A segunda parte da montagem o coloca em um manicômio. A todo o momento estão presentes as metáforas sobre a alienação em questões sociais da loucura mostrando que, na cisão entre realidade e desejo, entre o mundo que se oferece para ser vivido e o mundo a que não se tem acesso, cria-se um abismo que cinde a personalidade.

O cenário é de autoria do próprio André Morais e traz inúmeras páginas de diários. “A idéia é que a peça se passe dentro das folhas deste diário”, explicou Morais no programa do espetáculo. A música foi composta pelos estudantes do Laboratório de Composição Musical da Universidade Federal da Paraíba (UFPB), Samuel Correia, Marcílio Onofre, Wilson Guerreiro, sob a orientação do regente Eli-Eri Moura. O figurino é assinado por Suzy Torres e Graça Morais.

A iluminação tenta não apenas representar espaços ou reforçar situações dramáticas, mas de acordo com o diretor, Jorge Bweres, coloca Sophie, sua paixão e o herói da trama, em luz brilhante que encanta e faz sonhar. “A luz constrói ambientes e divide a encenação em diferentes planos, profundidades e alturas”, comentou o diretor-iluminador.

O texto foi adaptado para o teatro em várias casas de espetáculos no Brasil e na Europa. Uma destas montagens salvou o Teatro do Rio de uma crise financeira que parecia irreversível. No ano de 1997, Diogo Vilela retomou o papel, com encenação de Marcus Alvisi. O diretor deu ao texto um tratamento leve, centrado mais na personagem do que no mundo que o esmaga. A intimidade que se cria entre o ator e a platéia é utilizada por Diogo Vilela com uma interpretação olho a olho e a projeção da interioridade do personagem.

O ator André Morais diz que o processo desse diário compreender o quanto o humano pode ser frágil e simples. “Mergulhar no universo de Gogol me fez sentir uma alma morta e ao redor de almas mortas, alienadas, mesquinhas e egoístas com uma ilusão de um ideal de felicidade social. E quanto a ascensão pode ser dura para muitos”, descreve o ator no encarte da montagem.

Está também não a primeira vez que os textos de escritores russos são adaptados por atores em João Pessoa. O grupo de teatro Piollin, em 2003, apresentou “Woyzeck”, do dramaturgo alemão Georg Büchner (1813-1837) que adaptada pelo ator Matheus Nachtergaele recebeu o nome de “Woyzeck, o brasileiro”, que teve no elenco os atores paraibanos Everaldo Pontes, Servilho e Soia Lira. A peça foi encenada em várias capitais do país, menos na Paraíba.

Nikolai Vasilievich Gogol? - Nasceu na Ucrânia, mas viveu em Moscou. Foi um escritor russo de origem ucraniana. Apesar de muitos de seus trabalhos terem sido influenciados pela sua herança ucraniana, ele escreveu em russo e é considerado parte da literatura russa. Seu pai, antigo oficial cossaco, desenvolveu seu gosto pela literatura. Sua mãe lhe transmitiu a fé religiosa, que veio a acarretar, à beira da sua morte, em um misticismo doentio. Após os estudos deixou a Ucrânia para trabalhar num escritório em São Petersburgo, num ministério. A distância de seu país natal e a nostalgia que dela resulta, lhe inspiraram alguns dos seus escritos. Mesmo não sendo um medíocre empregado, a experiência lhe inspirou uma magnífica novela, O Capote (1843), cujo herói, Akaki Akakievitch, tornou-se o arquétipo do pequeno funcionário russo.

Logo depois Gogol consegue uma cadeira de professor de História no Instituto Patriótico de Jovens Moças, e em seguida, na Universidade de São Petersburgo. Durante este período, ele publica numerosas novelas. Em 1836, a peça de teatro “O Inspetor Geral” conhece um real sucesso em São Petersburgo, aplaudida pelos liberais e atacada pelos reacionários; Gogol se sente incompreendido, tanto irritado por aqueles que lhe apóiam quanto por aqueles que lhe criticam, pois, segundo ele, todos simplificam e deturpam seu pensamento profundo, pensam que ele ataca as instituições, de uma maneira quase militante, sendo que ele não quer denunciar senão os vícios e os abusos que se encontram no interior da alma humana.

Ele é autor do romance “Almas Mortas”. Ele tenta publicá-la em Moscou em 1841; mas o Comitê Moscovita de Censura recusa. Não é senão após uma intervenção dos amigos do autor que o livro é publicado em 1842. Este romance é uma descrição sem concessão da Rússia profunda, uma sátira às vezes impiedosa, porém onde guarda subjacente, de maneira permanente, o profundo amor de Gogol pelo país.

Em 1848, faz uma peregrinação em Jerusalém. Pouco a pouco sua saúde fica abalada e mais ainda a percepção que ele tem da mesma, pois ele se crê sempre mais doente do que de fato - e seu sentimento religioso se exalta: ele se torna cada vez mais místico.

Morre no dia 21 do mesmo ano, fatigado pelos jejuns. Está enterrado no cemitério de Novodevitchi, em Moscou. É autor das obras: Almas Mortas, O Nariz, O Capote, O Retrato, Taras Bulba, O diário de um louco, O Inspetor geral, Arabescos, Serões na propriedade de Dikanka, Vij e Uma terrível vingança.

Serviço:
Diário de um Louco (monólogo)

Quinta-feira (28)
Hora: 21h00
Local: Teatro Santa Roza
Em cartaz nos dias 29 e 30 junho e 1 de julho; dias 7 e 8 de julho, sempre as sextas e sábados (às 21h00) e domingos (20h00).Ingressos: R$ 10,00 (inteira) e R$ 5,00 (estudante).
Foto: Divulgação

Adriana Crisanto
Repórter
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Em discussão a nova classificação indicativa para televisão e cinema no Brasil

Passa a vigorar ainda este ano a classificação indicativa de obras audiovisuais para a televisão e cinema. Na última quarta-feira (20), em Brasília, aconteceu a audiência pública no Ministério da Justiça, para debater sobre alguns artigos da portaria 264 que definiu algumas regras para classificação. A portaria regulamenta, entre outros assuntos, a padronização dos símbolos que informam a classificação indicativa dos programas de televisão, a necessidade de informar a faixa etária em chamadas e traillers da programação e a reclassificação cautelar.

O Curador da Infância e da Juventude da Paraíba, Aderaldo Soares, disse que até o momento o órgão não recebeu nenhum comunicado sobre as modificações e tão logo entre em vigor serão tomadas as devidas providências. O curador disse que as pessoas que se sentirem incomodadas pode e devem entrar em contato com o órgão para que o programa ou o audiovisual seja denunciado sobre o abuso. Em carta aberta enviada ao ministro Tarso Genro, cidadãos brasileiros enviaram abaixo assinado manifestando apoio à política de classificação indicativa de obras audiovisuais de que trata a portaria 264 de 2004 do Ministério da Justiça.


O cineasta, Marcus Vilar, disse que é contra qualquer tipo de censura, mas considera importante que haja um mínimo de controle sobre o que é veiculado hoje, principalmente na televisão brasileira. Marcus, assim com boa parte dos produtores e cineastas locais, tem receio que a classificação interfira no processo criativo das obras.


A carta encaminhada ao ministro lembra que a Constituição Federal de 1988 substituiu a prática da censura pelo instrumento democrático da Classificação Indicativa. E sublinha ainda a existência de regulamentações complexas e democráticas sobre a radiodifusão – tanto na questão da infra-estrutura como em relação ao conteúdo veiculado (área que diz respeito à Classificação Indicativa) – nas nações mais consolidadas do planeta, fato que, segundo a carta, só colabora para a tese de que tais instrumentos não guardam, nem remotamente, nenhum parentesco com as práticas de censura.


A mesma Constituição, no seu artigo 227, indica que a proteção dos direitos da criança e do adolescente tem, no ordenamento jurídico brasileiro, prioridade absoluta. A Convenção sobre os Direitos da Criança, da qual o Brasil é signatário, fala, em seu artigo 17, sobre a importância de políticas que atentem para a relação entre os direitos da criança e do adolescente e os meios de comunicação de massa.


Na opinião do diretor de jornalismo dos Associados da Paraíba, o jornalista, Luiz Carlos de Sousa, qualquer iniciativa que tente estabelecer novos critérios para qualquer tipo de programa para televisão é uma forma de censura. O diretor acredita que é uma maneira do Estado intervir diretamente na vida do cidadão. “Está classificação tem o objetivo de orientar para evitar que crianças tenham acesso a programas que não contribuíam para uma boa formação. Mas, eu tenho a impressão que o governo generaliza e nivela por baixo. Porque só aos pais caberia a decisão para decidir sobre o que é bom ou não. Cada pai tem uma forma de educar e esclarecer seus filhos”, disse.


“Esse procedimento deveria ser não apenas para o cinema e televisão, mas se estender também para a internet”, comentou a empresária Maria Lúcia Menezes, mãe de dois filhos menores de 10 anos (Gabriel e Maria Helena). A empresária contesta dizendo que o assunto foi pouco discutido na Paraíba e que a sociedade deve exigir que sejam definidos horários adequados para exibição de determinados programas.


A propósito da classificação indicativa, o diretor do Pólo Multimídia da Universidade Federal da Paraíba (UFPB), o professor David Fernandes, comentou que a TV UFPB não tem esse problema com a censura indicativa, pois é uma televisão educativa e suas faixas de programação são todas livres.


David Fernandes diz que é favorável à discussão junto a sociedade civil, com debate para os pais sobre as regras e critérios utilizados para a classificação de um programa. “A criação de uma linguagem única, uma simbologia única, deixará bem claro qual a faixa etária indicada pelos especialistas para o programa exibido. Não se trata de censura prévia”, argumentou.


A Agência de Notícias dos Direitos da Infância (Andi), através do website http://www.educamidia.unb.br/ disponibiliza na internet um Manual da Nova Classificação Indicativa que dentre outros tópicos traz as formas de veiculação e as categorias. O documento traz informações sobre a nova regulamentação para classificação indicativa de diversões públicas, especialmente obras audiovisuais destinadas a cinema, vídeo, Dvd, jogos eletrônicos, jogos de interpretação (RPG) e congêneres. Dentre outras mudanças, a Portaria permite que os pais autorizem, mediante a assinatura de um termo de responsabilidade, o acesso dos filhos a filmes e espetáculos com classificação indicativa superior à faixa etária, desde que acompanhados de um adulto.


Adriana Crisanto


Repórter


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Fotos: Agência Brasil

Ano Cultural de Ariano Suassuna


A Secretaria Municipal de Educação, Cultura e Esportes lançou na tarde de ontem projeto “Ano Cultural Ariano Suassuna”, com uma solenidade ocorrida no Teatro Ariano Suassuna do Colégio Marista Pio X, localizado na Praça da Independência, no centro da Capital.

Na ocasião o prefeito Ricardo Coutinho, o autor do ano comemorativo, assinou o decreto que regulamenta a ação cultural. Com o objetivo de comemorar o aniversário do dramaturgo que completará, neste sábado (16), 80 anos de idade. Após a solenidade houve ainda o lançamento dos concursos para a criação do selo comemorativo e outro de redação, que será implementado na rede de ensino municipal envolvendo o "Mundo de Ariano Suassuna".

A noite foi brindada ainda com apresentação do Grupo Armorial e uma palestra com a professora, Beliza Áurea Arruda de Mello, que falou sobre a importância de Ariano Suassuna no panorama cultural paraibano. O prefeito, Ricardo Coutinho, referiu-se ao escritor como um dos homens mais importantes hoje no país e que a prefeitura homenageia o escritor não apenas por sua obra, mas também pelo seu caráter.

O Ano Cultural Ariano Suassuna será desenvolvido em agosto deste ano com o “Seminário Ciência e Sabedoria em Ariano Suassuna”, com palestra sobre a cultura e civilização ibérica na obra do escritor. As atividades devem acontecer no Centro de Capacitação dos Professores (Cecapro) com a participação dos docentes da rede municipal de ensino, estudantes e professores da Universidade Federal da Paraíba (UFPB).

No mês de setembro as atividades do projeto prosseguem com apresentações itinerantes do grupo Armorial nas escolas da rede municipal de ensino, exibição comentada do filme "Senhor dos Castelos", dos cineastas paraibanos Marcos Vilar e Durval Leal, cuja personagem central é o próprio Ariano. Haverá, também, exibição comentada do documentário sobre o Grupo Armorial da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). O público alvo está centrado nos alunos e professores da rede municipal de ensino.

Na seqüência, em outubro, haverá expedição ao “Universo de Ariano Suassuna”, com a participação dos estudantes das disciplinas de artes, história e português. De acordo com a diretora de Artes e Educação da Sedec, Rosires Andrade, a idéia é fazer com que os professores conheçam e trabalhem, em sala de aula, com os personagens e todo o universo mítico-literário de Ariano. Nas oficinas os professores irão trabalhar desde a fotografia e a leitura.

O resultado das expedições será mostrado durante o “I Festival de Artes das Escolas Municipais Ariano Suassuna”, onde haverá oficina de música, dança, artes visuais e teatro. Dentro da programação estará inserido também o projeto "Outubro no Teatro", organizado pela Fundação Cultural de João Pessoa (Funjope), com montagens teatrais do dramaturgo que percorrerá as escolas da rede municipal de ensino.

Em novembro haverá o lançamento do selo e exposição do mesmo e a entrega dos prêmios e comenda aos vencedores do concurso. Também está prevista a inauguração de escultura do artista plástico Miguel dos Santos. As festividades do Ano Ariano se encerram com apresentações musicais na Praça Antenor Navarro, no centro histórico da Capital.

Vida e Obra - Romancista e teatrólogo, Ariano Suassuna nasceu no dia 16 de junho de 1927, em João Pessoa, Capital do Estado da Paraíba. É filho de João Suassuna (governador da Paraíba entre 1924/28), viveu o ano de 1929, com a família, na Fazenda Acauhã, no sertão do Estado.

Em 1930, quando episódios políticos resultaram na morte do governador João Pessoa Cavalcanti de Albuquerque (assassinado por João Dantas que era primo da mãe de Ariano), ele teve que abandonar, com a família, a Paraíba e foi morar no município de Paulista (PE).

Na cidade de Paulista, os Suassuna tomaram conhecimento do assassinato (no Rio de Janeiro em 9 de outubro de 1930) de João Suassuna (como represália à morte de João Pessoa). Ariano retomou, com a família, a Paraíba para Fazenda Acauhã e, em 1932, foi morar na Fazenda Saco, também sertão paraibano.

Em 1933, a família muda-se mais uma vez para o município de Taperoá, interior paraibano. No ano de 1942 Ariano Suassuna, já adolescente, vai para a cidade do Recife, onde fixa, em definitivo residência. Em Pernambuco Ariano conclui o curso ginasial (Colégio Americano Batista) e o colegial (Ginásio Pernambucano e Colégio Oswaldo Cruz). É aprovado em Direito (1950) e em Filosofia (1960). Ficou dois anos acamado por causa de uma tuberculose.Tenta, sem sucesso, seguir a carreira de advogado. É quando decide ser professor na Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). Abandona os livros de direito e inicia-se na carreira literária escrevendo poesias.

Ariano Suassuna chegou a ser diretor do Teatro do Sesi. Publicou sua primeira peça teatral ("Uma Mulher Vestida de Sol") em 1947. Outras peças de teatro: "Cantam as Harpas de Sião" (1948, reescrita sob o título "O Desertar de Princesas"); "Auto de João da Cruz" (1950); "Auto da Compadecida" (1955); "O Santo e a Porca - O Casamento Suspeitoso" (1957); "A Pena e a Lei" (1959); "A Farsa da Boa Preguiça" (1960); "A Caseira e a Catarina" (1961).

Com o romancista publicou "A Pedra do Reino" (1971), adaptada recentemente para televisão. Com o romance conquistou o Prêmio Nacional de Ficção, do Instituto Nacional do Livro. Foi, também, diretor do Departamento de Extensão Cultural da Universidade Federal de Pernambuco; secretário de Educação e Cultura da prefeitura do Recife e membro do Conselho Federal de Cultura.

Com outros intelectuais, fundou o Teatro Popular do Nordeste (TPN) e o Movimento de Cultura Popular (MCP) ambos no Recife. Em 1970, foi o idealizador do Movimento Armorial, criado no Recife com a proposta de "realizar uma arte erudita brasileira a partir das raízes populares da nossa cultura". Foi Secretário de Cultura de Pernambuco durante o terceiro governo de Miguel Arraes, 1995/98.

Bibliografia:

Romance: "O Sedutor do Sertão" (1962 - inédito); "A Pedra do Reino", José Olympio Editora, 1971; "A História do Rei Degolado nas Caatingas do Sertão - Ao Sol da Onça Caetana", José Olympio Editora, 1976; "A História de Amor de Fernando e Isaura", Edições Bagaço, 1994.

Teatro: "Uma Mulher Vestida de Sol", Editora da UFPE, 1947; "O Desertor de Princesa", 1948, inédita; "Os Homens de Barro", 1949, inédita; "Auto de João da Cruz", 1950, inédita; "Torturas de Um Coração", 1951, inédita; "O Arco Desolado", 1952, inédita; "O Castigo da Soberba", seleta em prosa e verso, 1953; "O Rico Avarento", seleta em prosa e verso; "O Auto da Compadecida", 1955, Editora Agir; "O Casamento Suspeitoso", José Olympio Editora, 1957; "O Santo e a Porca", José Olympio Editora, 1957; "O Homem da Vaca e o Poder da Fortuna", seleta em prosa e verso, 1958; "A Pena e a Lei", Editora Agir, 1959; "Farsa da Boa Preguiça", José Olympio Editora, 1960; "As Cochambranças de Quaderna", inédita, 1988; "A História de Amor de Romeu e Julieta", inédita, 1996.

Depoimentos:
"Ariano Suassuna não é apenas um escritor e dramaturgo de talento, é também um pensador que ao longo de toda sua obra questiona a nossa visão do Brasil. Ele pertence a uma faixa de autores de gerações muito próximas que se dividiram entre a literatura, o ensaio e o jornalismo, usando estes instrumentos para estudar a formação do nosso povo, o relacionamento do Brasil com outras nações e outras culturas, e os problemas que iremos enfrentar num futuro próximo ou distante. São autores como Darcy Ribeiro, Antonio Callado, João Ubaldo Ribeiro, para não falar nos de uma geração anterior (que participou da formação do próprio Ariano) como Jorge Amado, Guimarães Rosa, Érico Veríssimo, Rachel de Queiroz. Cada um desses autores nos dá sua visão do Brasil, o que é muito importante num momento como o atual, em que grande parte de nossa literatura se volta para um intimismo psicológico, centrado nas emoções de um pequeno número de personagens, e sem nos dar uma visão geral, ampla, do que é o país. Nada tenho contra esse tipo de literatura -- mas a verdade é que precisamos dos dois. E é uma sorte termos escritores como Ariano, que apesar da idade avançada estão plenamente lúcidos, ativos, cheios de energia e de idéias novas para debater conosco. O fato de Ariano ter se criado na Paraíba e ter se radicado em Pernambuco aponta também para o caminho por onde se forjar uma consciência brasileira e nordestina, para além das rivalidades e picuinhas interestaduais. (Braúlio Tavares - poeta).

“Ariano é um ponto de pura luz norteando a cultura brasileira. Assim como Antonio Francisco Lisboa (Aleijadinho), Euclides da Cunha, Machado de Assis, João Guimarães Rosa. Ele, Ariano, sabe da sua importância para o futuro e identidade nacional. Para mim é o brasileiro mais importante vivo. Mais do que um gênio: Um Mestre!” (Miguel dos Santos - artista plástico)

A importância fundamental de Ariano Suassuna para a cultura e a literatura brasileiras consiste no fato de que sua obra possibilita, em pleno contexto da globalização e da chamada pós-modernidade, que se retome e se problematize a discussão sobre algo ainda hoje bastante arraigado no arcabouço mental brasileiro e especificamente no nordestino: o pensamento regionalista. Isso porque o próprio Suassuna reatualiza e reacende contemporaneamente a polêmica acerca do ideário regionalista do Nordeste”. (Sônia Lúcia de Ramalho Farias - escritora).

Adriana Crisanto
Repórter
adriana@jornalonorte.com.br
adrianacrisanto@gmail.com
Publicado no caderno Show do Jornal O Norte sábado 16 de junho - aniversário do escritor

Música para Pen Drive

Acredito que a onda da pirataria musical e cinematográfica só chegará a seu fim quando todas as pessoas tiverem acesso primeiramente a educação e conseguirem acompanhar toda a evolução das ferramentas tecnológicas de som e imagem. Enquanto isso não acontece vamos continuar a disputar nossas calçadas e ouvidos com a infinidade de carrinhos que circulam pelas cidades.

Aqui na redação os áudios vindos da internet não podem ser escutados. Em casa acessei a página dos irmãos “White Stripes” que estão lançando o novo single “Icky Thump” (Batida de Icky). A indicação foi de um amigo e lá encontrei uma versão do novo CD, em formato Aple Lossless em pen drive de 512 mega, com ilustração de Jack e Meg White como se fossem as bonecas russas matryoshka.

Essa não é a primeira vez que a música vai para novas ferramentas eletrônicas. O álbum Exodus, de Bob Marley, também passou a ser vendido em pen drives, em edição limitada. O novo brinquedo musical do White Stripes é salgado e custa US$ 57,50 cada uma ou as duas por US$ 99. Os fanáticos por coisas eletrônicas devem correr para comprar a novidade, pois a edição é limitada e só encontrada no site da banda que também vende o CD normal por 15 dólares. O disco sairá no dia 19 de junho e foi gravado em apenas 13 semanas no estúdio de Nashville nos Estados Unidos.

Com as novas ferramentas de tradução na internet descobri que o disco foi gravado primeiro no sistema analógico e depois passado para internet. O single traz a canção “Whole lotta love” (Amor inteiro do lotta) na abertura, uma música composta com muitas distorções. Uma outra música que pode ser baixada é ''You don't know what love is - just do as you're told” (Você não sabe que amor é - faz apenas enquanto você é dito) com uma introdução de Ziggy Stardust, de David Bowie.

Outra faixa que pode ser escutada é a terceira chamada “300 M.P.H que vertida para o português significa “300 bues torrential do outpour do M.P.H.”, que tem início com um violão e uma espécie de batida eletrônica ou caixa de efeitos. O som do Icky Thump se parece com algo produzido dos anos 70 e tem por incrível que pareça uma energia diferente.

O critico de música, Rodrigo James, que escreve para a revista Alto-Falante diz que os Stripes são pródigos em utilizar a mídia da forma correta para propagarem não somente sua música, mas um certo estilo de vida diferente. A banda esteve no Brasil em 2005 quando propagaram o casamento de Jack e fizeram show no Teatro Amazonas.

A música do White Stripes é uma mistura de música contry com rock ao estilo anos 70. O duo norte-americano é responsável por emplacar no Brasil o hit “Seven Nation Army” (Exército de sete nações) e conquistar uma legião de fãs no mundo todo com o disco Elephan. O som da dupla vai além das categorias mencionadas e da complexidade de Jack e Meg White. Escute e forme sua opinião.

O que é o Pen Drive? - Consiste em uma memória USB Flash Drive, que ficou popularmente conhecida com Pen Drive, é um dispositivo de armazenamento constituído por uma memória flash tendo uma fisionomia semelhante à de um isqueiro ou chaveiro e uma ligação USB tipo A permitindo a sua conexão a uma porta USB de um computador. As capacidades atuais, de armazenamento, são 64 MB, 128 MB, 256 MB, 512 MB, 1 GB a 64 GB. A velocidade de transferência de dados pode variar dependendo do tipo de entrada.

Essa nova ferramenta só pode ser utilizada caso seu computador tenha entra para ele. Na versão Windows XP o usuário pode introduzir o dispositivo e logo aparecerá a caixa com os arquivos, caso o usuário esteja utilizando programa antigos tipo windows 98 terá que instalar o dispositivo para ter acesso aos arquivos.

Adriana Crisanto
Repórter
adrianacrisanto@gmail.com
adriana@jornalonorte.com.br

TV UFPB

Circula em portais de comunicação que o Sistema Correio de Comunicação encaminhou desde o início do ano, através de sua Fundação “Solidariedade”, uma proposta para o Reitor da Universidade Federal da Paraíba (UFPB), Rômulo Polari, para concessão de uma parte do canal educativo que dispõe hoje a universidade.

A proposta gerou polêmica entre os empresários dos meios de comunicação da cidade de João Pessoa, estudantes e professores do Departamento de Comunicação Social (Decom) da UFPB que questionaram sobre o risco de perderem um canal público exclusivo de educação e cultura.

Em nota distribuída à imprensa e disponibilizada na Agência de Notícia da UFPB, o Chefe de Gabinete do Reitor, Luiz de Sousa Júnior, comunicou que tanto a UFPB quanto a Fundação Solidariedade solicitaram ao Ministério das Comunicações a concessão do Canal 16E, TV Educativa. Nesse sentido, diz a nota, a Fundação propôs formalmente à UFPB parceria para a exploração conjunta do canal de TV aberta. Essa parceria fundamentaria o pleito da Fundação que ofereceria, em caráter irrevogável e como contrapartida, parte da grade de programação a ser produzida pelo Pólo Multimídia da UFPB.

A proposta, de acordo com o assessor de comunicação da UFPB, Luiz Eduardo, foi encaminhada para administração superior da UFPB que procedeu à abertura do processo e solicitou, desde 8 de fevereiro de 2007, análise do mérito da proposta ao Centro de Ciências Humanas, Letras e Artes (CCHLA), Departamento de Comunicação Social (Decom) e para o Pólo Multimídia.

Sobre este questionamento a nota esclarece ainda que a administração superior da UFPB em nenhum momento pronunciou-se acerca da proposta. “Em respeito à comunidade universitária, temos tido sempre o cuidado de solicitar a análise do mérito acadêmico às instâncias da UFPB (departamento, centro, pólo multimídia) antes de tomarmos as decisões. O processo em questão se encontra atualmente em apreciação pela plenária departamental do Decom”, esclarece a nota.

O chefe do Decom, o professor Lúcio Vilar, explicou que o processo foi encaminhado para o professor Sancler Avelar para ser avaliado. Sancler, por sua vez, fez um levantamento da proposta em questão e disse, em seu parecer, que caso a UFPB não tivesse condição de arcar com as despesas do canal de televisão seria justo que ela buscasse alternativa através de parcerias com algumas fundações. O diretor do CCHLA, Lúcio Flávio, disse que até o presente momento a proposta não foi enviada ao CCHLA para ser avaliada e nem entrou na pauta de reunião dos conselhos do Centro e nem do Conselho Universitário, porque o professor Derval Gozil pediu vistas ao processo, ou seja, pediu que o projeto fosse reavaliado.

O professor Derval Gozil foi procurado pela reportagem para falar sobre o destino do processo, mas o mesmo não foi encontrado, uma vez que os servidores da UFPB estão paralisados desde o final de maio deste ano.

Atualmente, a propriedade da televisão de sinal aberto no Brasil está nas mãos de alguns grupos familiares, entre as quais se destacam as famílias Marinho (Globo), Sirotsky (RBS), Saad (Bandeirantes), Abravanel (SBT), Daou (TV Amazonas) e Câmara (TV Anhangüera).

A atual legislação proíbe "o exercício da função de diretor ou gerente de empresa concessionária de rádio ou televisão a quem esteja no gozo de imunidade parlamentar ou de foro especial". O professor Laurindo Leal Filho, da Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo, em entrevista a revista Imprensa, disse que mesmo que muitos considerem a legislação ultrapassada, o mais importante é lembrar que ela nunca foi cumprida.

O estatuto da Associação Brasileira de Televisão Universitária (ABTU), diz em seus artigos e títulos que a expressão “Televisão Universitária” designa aquelas atividades de televisão voltadas estritamente à promoção da educação, cultura e cidadania.

Um levantamento realizado em 1995 indicava que, "das 302 emissoras comerciais de TV existentes no país, 94 pertencem a políticos ou ex-políticos; dos 594 parlamentares, 130 têm uma concessão de rádio ou TV ou uma combinação das duas" (Globalização e Política de Comunicações no Brasil, Venício Artur de Lima, Contato, ano 1, n. 1). O jornal Correio Braziliense (Coronéis da TV, 20/7/97) chegou a estimar que "um em cada cinco parlamentares federais controla, diretamente ou por meio de parentes ou testas-de-ferro, estações de rádio e televisão. Muitos desses deputados e senadores já foram ou são acusados de usá-las para promover a sua imagem pessoal". A propriedade desses canais, em muitos casos, define quem tem ou quem não tem poder político no Brasil. Dono de repetidoras da Bandeirantes e da Rede TV em Cuiabá, o senador Júlio Campos revelou ao Correio Braziliense que chega a pagar para ter um canal de comunicação direta com o eleitor. "Dá no máximo para empatar. Mas, mesmo sem ganhar dinheiro, essa é uma arma que você precisa ter para se defender."

A partir de 1990, um novo ator passou a integrar o elenco de proprietários da televisão brasileira e a fazer parte do clube dos controladores da mídia televisiva: a Igreja Universal do Reino de Deus adquiriu por 45 milhões de dólares uma das mais tradicionais redes de televisão do Brasil – a Record. O revide da Igreja Católica veio com a formação da Rede Vida e TV Canção Nova, que soma hoje mais de três centenas de retransmissoras espalhadas pelo país. O crescimento vertiginoso que as duas redes vêm tendo desde então, seguida de uma ponderável representação parlamentar organizada e ativa, revela a importância do domínio de setor tão estratégico do ramo da comunicação audiovisual. E não estamos nos referindo às redes de emissoras de rádio dominadas por uma programação calcada na pregação religiosa, que hoje comparecem com fatia das mais expressivas da audiência em todos os estados brasileiros. É só ligar o rádio e correr o dial para conferir. O próprio Congresso Nacional, atento ao potencial embutido no veículo, integrou-se ao circo colocando no ar as tevês da Câmara e do Senado.

Adriana Crisanto
Repórter
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"Os Bonnies" em vídeo

A banda potiguar “Os Bonnies” teve seu videoclipe premiado como um dos melhores no Festival Curta Natal 2007. A notícia animou todos os roqueiros do nordeste e ganhou fama pelo ineditismo da premiação, pois essa é a primeira vez que um grupo de rock ataca de animadores, leva o melhor prêmio e desbanca produções super requintadas.
A animação, intitulada “Pram”, foi feita no sistema “lofi”. O vídeo foi desenhado quadro a quadro, naquele programinha do Windows chamado Paintbrush e concebido pelos integrantes da banda Arthur Rosa (guitarrista) e Olavo Luiz (baixista).
“Pram” é um tema rocker instrumental, gravado ao vivo no estúdio e até então inédito e só agora lançado em videoclipe. O desenho ilustra a capa do EP da banda. Os desenhos foram sendo criados aleatoriamente e aos poucos transformados na tela do paintbrush em historietas proto-animadas que foram disponibilizadas no website da banda para download.
A confusão agora é quanto o lançamento do videoclipe. A emissora de televisão MTV Brazil disse que o videoclipe não terá mais vez na sua programação, mas a quem diga que o pequeno estrato imagético encontra-se circulando no Youtube através do endereço eletrônico: http://www.youtube.com/watch?v=PRll7MrcoD0 e o making off do vídeo e outras “cositas más” poderá ser assistida no seguinte endereço: http://www.youtube.com/watch?v=q2SyoeHyiBU (assim mesmo, tudo junto).
A banda “Os Bonnies” surgiu em dezembro de 2000. Cinco anos mais tarde eles lançaram o EP como o mesmo nome da banda, com 7 faixas, lançado pelo selo Mudernage Diskos (RN) com boa recepção por parte da mídia especializada, sendo indicado ao Prêmio London Burning de Música Independente do Rio de Janeiro.
Os Bonnies exercem influências de nomes como: Hank Williams, Leadbelly, Larry Williams, Chuck Berry, Buddy Holly, Jerry Lee Lewis, Phil Spector, Bob Dylan, The Beatles, The Kinks, Iggy Pop And The Stooges e outros. Atualmente o grupo é formado por Arthur Rosa (guitarra e voz), Thiago Araújo (guitarra e voz), Olavo Luiz (baixo e voz) e Rafael Barros (bateria).


Adriana Crisanto
Repórter
adrianacrisanto@gmail.com.br
Matéria publicada no caderno Show do Jornal O Norte em junho de 2007.
Foto: site da Trama Virtual.

Poesia e política em Bob e Chico

Com a proposta de fazer um exame da ideologia e contra-ideologia dos textos poéticos dos compositores e intérpretes da música popular, Bob Dylan e Chico Buarque, a escritora Ligia Vieira César lançou o livro “Poesia e Política nas canções de Bob Dylan e Chico Buarque” (Novera Editora, São Paulo, 2007, p. 207, R$ 35,00).
O estudo é um dos mais diferentes até então abordado sobre artistas tão conhecidos. No primeiro capítulo a autora faz uma dissertação sobre a história da música popular norte-americana, da origem da balada até a canção de protesto, a origem do samba, a bossa nova e sua variante.
“Chico, como Dylan, um poeta rapsodo, insiste em contar histórias. Histórias de sua época, do silêncio, de um tempo cercado pela repressão e pela censura. Ambos explicitam o outro lado da história; a história silenciada dos vencidos”, disse Heloisa Buarque de Hollanda que escreve a apresentação da obra.
No livro o leitor também vai encontrar as influências político-literárias da contracultura em Bob Dylan e o contexto histórico pré e pós 1964 vivido por Chico Buarque. “A poesia de Chico é dialética, seguindo formas composicionais herméticas, em que o poeta, em uma análise crítica da sociedade, posiciona-se contra a ideologia oficial, não só contestando a insensibilidade do sistema para os mais humildes” comenta a escritora.
Bob Dylan, por sua vez, é visto pela autora como um poeta engajado na folk music revival e a temática das canções de resistência e de conteúdo órfico. Em “Poesia e política nas canções de Bob Dylan e Chico Buarque”, a autora procura demonstrar que apesar das “dissemelhanças” culturais e políticas os autores se combinam ideologicamente, principalmente no que diz respeito aos protestos e nas formas composicionais das músicas.
A obra, de acordo com a autora, procura demonstrar que não são encontradas nos textos poéticas de Bob Dylan e Chico Buarque uma estrutura linear, e sim uma temática dialética, na busca de uma identidade ideológica própria, nos tempos difíceis de crise política de seus respectivos países.
O livro segue ainda um anexo com sete músicas de Bob Dylan, a exemplo de Mr. Tambourine Man, Shelter from the storm, Blowin in the Wind, A hard rain’s a-gonna fall” e outras. Uma lista bem maior com as letras das canções de Chico Buarque aparecem no livro, como: A Banda, A Televisão, Agora Falando Sério, Amanhã, Ninguém Sabe, Ano Novo, Apesar de você, Tem mais samba, Samba de Orly, Sonho de Carnaval e por aí vai. Com bem disse a compositora e poetisa Alice Ruiz ao ler o livro “nos dá vontade imediata de reouvir os discos”. E com a licença dos leitores é o que vou fazer agora.

Sobre a autora

Ligia Vieira César nasceu em Curitiba (PR). É mestre em literaturas de língua inglesa pela Universidade Federal do Paraná. Professora de inglês com especialização em Ann Arbor, Michigan (EUA). Tradutora e editora da Secretaria de Cultura do Estado do Paraná. Fez parte do projeto Resistência Democrática, viabilizado pela SEEC, de 1986 a 1988, que resultou na publicação do livro “Resistência Democrática – A repressão no Paraná (1988)”, em co-edição da editora Paz e Terra. Ligia participou com os professores Charles Perrone e David William Foster, no projeto e coordenação editorial das traduções do livro: “Other shores – 13 emerging brazilian poets” (Outras Praias – 13 poetas brasileiros emergentes). Foi professora da Universidade Tecnológica do Paraná (Cefet Paraná) e da Uniandrade.

Serviço:
Lançamento: Poesia e Política nas canções de Bob Dylan e Chico Buarque
Autora: Ligia Vieira Cesar
Novera Editora
São Paulo
2007, p. 207
Preço: R$ 35,00
Informações: www.novateceditora.com.br

Adriana Crisanto
Repórter
Foto da internet
Matéria publicada no Jornal O Norte em maio de 2007

Dead Nomads lança Garage 80


Uma das mais antigas bandas de punk rock do Estado, a Dead Nomads acaba lançar seu mais recente trabalho. O CD “Garage 80” traz uma seleção de dez músicas com o melhor do rock no Brasil na década de 1980. Na lista estão canções como: In Between Days (Robert Smith), Big in Japan (Marian Gold), Bigmouth Strikes Again (Stephen Morrissey), Japions, Every Breath you take (Sting).
O disco foi gravado e mixado no “Garage Estúdio”, do músico Kiko Guedes, no final do ano passado. O trabalho é diferente de tudo que a banda produziu. A atmosfera que rodeia o disco é uma mistura de sons antigos do rock com novos arranjos recheados de influências.
Das dez faixas apenas a última, um bônus track, é autoral e se chama “Dinheiro” (Marcel, Rubem e Degner). O encarte, apesar de não ter as letras das músicas, traz os belíssimos desenhos do artista plástico Shiko, que dá todo um charme a embalagem do disco.
As músicas, apesar de covers, têm uma pulsação constante e vibrações mais distorcidas. A velocidade do pulso é uma seqüência em todas as canções, mesmo em Every Breath You Take de Sting. Os riffs das guitarras, aqueles solinhos distorcidos, pontuam quase todas os arranjos das músicas.
O CD traz ainda o cover da música “Jaspion”, do seriado de televisão japonês que fez bastante sucesso na década de 1980. Quem disse que era apenas “imbromeixon” se enganou, pois a musiquinha que não dizia nada com coisa nenhuma da época, fazia a alegria da garotada, e tinha a letra confusa daquele jeitinho mesmo.
Rubem Cacho, contador, vocal e guitarrista fundador da banda, disse que a seleção das músicas para este disco foi aleatória. Cada um escolheu as músicas prediletas que marcaram a juventude da moçada.
A banda mudou inúmeras vezes de integrantes. Tocaram na Dead Nomads os músicos Glauco Muniz, Jean Peixoto, Victor Rocco, Roberval Júnior, Jansen, Beto (da Rotten Flys), Danilson (que tocou no Nirvana Cover) e outros. Desde de maio que a banda tem a seguinte formação: Rubem Cacho (guitarra e voz), Marcel Viegas (vocal), Elmon Palmeira (bateria), Degner Queiroz (baixo e voz) e Adriano Stevenson (guitarra).
Punk rock, estilo principal da Dead Nomads, foi um movimento musical que surgiu com força na Inglaterra em meados de 1976 e em 1974 nos Estados Unidos (embora seus precursores possam ser encontrados no fim dos anos 60). Basicamente, as primeiras bandas de punk rock foram bandas inglesas e americanas como: The Damned, Ramones (a principal responsável pelo sucesso do estilo), Sex Pistols, The Stooges, The Clash, Stiff Little Fingers, Black Flag, e Dead Boys, também Discharge, Varukers com um som mais puxado para o hardcore old school.
No Brasil o punk rock brasileiro surgiu pouco depois do punk rock inglês e americano, no final da década de 70, com destaque para diversas bandas brasileiras como Cólera, Camisa de Vênus, Inocentes, Garotos Podres, Lobotomia, Lixomania, Olho Seco e Os Replicantes.
Os integrantes da Dead Nomads viveram bem esse período e trouxeram toda bagagem dessa época para dentro deste novo trabalho, que, apesar de serem covers de músicas conhecidas, tem um “toque” de originalidade devido aos arranjos. O lançamento oficial do disco está programado para acontecer em agosto, mas a data ainda não está confirmada porque antes a banda embarca para São Paulo para se apresentar no Final Cast. Ainda para este ano estão programadas cinco músicas autorais que serão gravadas em um novo trabalho.
A Dead Nomads, desde que surgiu, recebeu influências das bandas do final da década de 1970 até inicio dos anos 90. As letras sempre abordaram temas sociais e ecológicos, tentando mostrar as soluções para os problemas.
A primeira demo-tape chamava-se Desolation (1998). A fita demo conseguiu vender mais de 400 cópias (só na Capital), fora sua distribuição em Sergipe, Ceará, Rio Grande do Norte e Pernambuco. A demo possui nove músicas em inglês, seguindo totalmente a linha punk rock, com uma “pegada” bem melódica. Músicas como “Television”, “Behavior of Idiots” e “Culture of Competition” tornaram-se bem populares.
Na seqüência vieram: Speed and Melody (1999), Farinha, Hardcore e Rapadura (2000), um trabalho produzido pelo selo Cactus, Trincando os ossos num dia de cão (2001/2002), produzido também pela Cactus, Resposta (2002/2003).
A banda já dividiu palco com vários grupos de outros Estados, a exemplo da Nação Zumbi, Mundo Livre S/A, Devotos, Dead Fish, Switch Stance, Garage Fuzz, Câmbio Negro, Karne Krua e outros. E toca constantemente em Festivais na cidade como: Monster Rock, Fenart, Centro em Cena, Parahybatuke, Rock na Aldeia, Rock Arena, Março Core, PB-POP, Up Grade Festival e por ai vai.

Serviço:
Garage 80 – Dead Nomads

Preço: R$ 12,00
Vendas: Música Urbana, Oliver Discos, Stop Disc, Music.com, Infect tatoos, Tribos (Manaíra e Sopping Tambiá).
Contatos: (83) 9352.2055 / 9315.2487 (Rubem Cacho)
E-mails: deadnomads@hotmail.com
Internet: http://www.fotolog.com/dead_nomads
http://www.myspace.com/deadnomads


Adriana Crisanto
Repórter
*Matéria publicada no caderno Show do jornal O Norte

Flor que se renova

Professores e filólogos comentam o Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa, que deve entrar em vigor até o final do ano

No mesmo momento em que acontece o Festival de Cinema de Língua Portuguesa que reúne em um único espaço nações que se comunicam em língua portuguesa uma discussão paralela começa a tomar forma. É que até o fim do ano, deve entrar em vigor o Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa, que prevê uma única forma de escrever para os países Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste.
As mudanças só vão acontecer porque três dos oito membros da Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP) ratificaram as regras gramaticais do documento proposto em 1990. Brasil e Cabo Verde já haviam assinado o acordo e esperavam a terceira adesão, que veio, em novembro, por São Tomé e Príncipe.
Com isso, calcula-se que 0,45% das palavras brasileiras terão grafia alterada. Entre as mudanças, estão as extinções dos acentos circunflexos das paroxítonas terminadas em “o” duplo. Assim, "abençôo", "enjôo" ou "vôo" se transformam em "abençoo", "enjoo" e "voo". Fica extinto também o circunflexo das terceiras pessoas do plural do presente do indicativo ou do subjuntivo dos verbos "crer", "dar", "ler", "ver", ficando correta a grafia "creem", "deem", "leem" e "veem". O trema, costumeiramente esquecido, será eliminado completamente.
O professor de Língua Latina e Filologia Românica da Universidade Federal da Paraíba (UFPB) e do Centro Cultural Zarinha, Fabrício Possebon, considerou a percentagem de palavras alteradas pequena, todavia, esse número, de acordo com ele, não deve nos enganar, pois as palavras com nova ortografia são aquelas que têm uma freqüência relativamente alta. “É o caso, por exemplo, da palavra idéia, que perderá o acento. Ninguém deve imaginar que conseguirá continuar escrevendo pelo antigo sistema e ainda assim estará escrevendo corretamente”, comentou.
O novo alfabeto também ficará maior. Ele vai deixar de ter 23 letras para ter 26, com a incorporação das letras "k", do "w" e do "y". Outra mudança que pode causar estranhamento é a eliminação do acento agudo nos ditongos abertos "ei" e "oi" de palavras paroxítonas, como "assembléia", "idéia", "heróica" e "jibóia".
Com as regras incorporadas ao idioma, inicia-se o período de transição, no qual ministérios da educação, associações e academias de Letras, editores e produtores de materiais didáticos recebem as novas regras ortográficas para, gradativamente, atualizar livros, dicionários, entre outros materiais.
O angolano Ondjaki, que está participando do Cineport, vê com muita preocupação essa mudança, pois são oito países falando uma única língua. O também angolano Miguel Huurst também vê com preocupação, porque a língua portuguesa é uma das menos lidas no mundo. “Ela cresce muito pouco se compararmos com outras línguas”, disse.
O Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa (1990) é um tratado internacional que tem como objetivo criar uma ortografia unificada para o português, a ser usada por todos os países que usam esta língua. Foi assinado pelos representantes oficiais de Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal e São Tomé e Príncipe em Lisboa, em 16 de Dezembro de 1990, fruto de um longo trabalho desenvolvido pela Academia de Ciências de Lisboa e pela Academia Brasileira de Letras desde 1980. Timor-Leste aderiu ao Acordo em 2004. O acordo teve ainda a adesão da delegação de observadores da Galiza.
O escritor e professor de jornalismo do Departamento de Comunicação Social da Universidade Federal da Paraíba (Decom/UFPB), Edônio Alves, vê como positiva essas mudanças, pois as línguas vão ter um mínimo de sinais possíveis. “A princípio deve acontecer um certo estranhamento das pessoas, principalmente os escritores e jornalistas que lidam cotidianamente com a escrita, mas com o tempo essas alterações serão facilmente adaptáveis”, comentou o dramaturgo e escritor Tarcísio Pereira presente no Cineport. Do ponto de vista da poesia essas mudanças o poeta e escritor, Antônio Mariano, acredita que com as modificações jamais vão conseguir algemar a língua, pois a palavra poeticamente falando está subjacente à grafia.
Para Fabrício Possebon, as pessoas com hábitos de leitura não terão dificuldades com o novo sistema, pois irão se acostumar de modo imperceptível. “Os profissionais da área, como jornalistas e professores, terão o dever de aprender bem o sistema e aplicá-lo corretamente. Já as pessoas que muito raramente escrevem, provavelmente, não usarão o novo sistema e serão sempre reconhecidas por terem sido alfabetizadas pelo sistema antigo”, disse.
Atualmente o português é a única língua do mundo ocidental falada por mais de cinqüenta milhões de pessoas com mais de uma ortografia oficial. Mesmo o castelhano apresenta dezenas de variações de pronúncia na Espanha e América hispânica, mas apenas uma ortografia.
O português Marco Oliveira, programador da rede de televisão Portuguesa RTP, e a jornalista e apresentadora, Luísa Sequeira, também da RTP, acreditam que essa seja principalmente uma medida de fundo econômico. Eles contaram que ficaram surpresos ao chegar no Brasil e encontrar tantas pessoas falando a língua portuguesa. Marco Oliveira observa essa unificação de forma positiva e confessou que têm uma certa dificuldade em entender o português brasileiro, devido, principalmente as gírias usadas cotidianamente.
O acordo possibilita, entre outras facilidades, a criação de normas ortográficas comuns para as variantes da língua portuguesa, facilita a difusão bibliográfica e de novas tecnologias, reduz o custo econômico e financeiro da produção de livros e documentos. O diretor da Editora Universitária da UFPB, José Luiz, disse que por um lado às modificações permite aprofundar a cooperação entre as nações que falam português (terceira língua ocidental mais falada no mundo, depois do inglês e do espanhol), aumentando o fluxo de livros e publicações em todas as áreas, além de favorecer a produção de materiais para a educação a distância.
O diretor José Luiz acredita que as editoras terão que realizar essas mudanças de forma gradual, substituindo-se, por exemplo, os materiais didáticos e dicionários à medida que for necessária sua reposição nas escolas da educação básica.


Língua portuguesa

Olavo Bilac

Última flor do Lácio, inculta e bela,
És, a um tempo, esplendor e sepultura:
Ouro nativo, que na ganga impura
A bruta mina entre os cascalhos vela...

Amo-te assim, desconhecida e obscura.
Tuba de alto clangor, lira singela,
Que tens o trom e o silvo da procela,
E o arrolo da saudade e da ternura!

Amo o teu viço agreste e o teu aroma
De virgens selvas e de oceano largo!
Amo-te, ó rude e doloroso idioma,

em que da voz materna ouvi: "meu filho!",
E em que Camões chorou, no exílio amargo,
O gênio sem ventura e o amor sem brilho!

Adriana Crisanto
Repórter
adrianacrisanto@gmail.com
adriana@jornalonorte.com.br

*Matéria publicada no Jornal O Norte em maio de 2007


Star in love


A banda Star 61 é a atração desta sexta-feira (8), no Parahyba Café (Usina Cultural da Saelpa). O show meio que antecipa o dia dos namorados.Os ingressos estão sendo vendidos na bilheteria do local ao preço de R$ 5,00 ou antecipado na loja de discos Música Urbana, no centro da cidade. A festa-show intitula-se “Star 61 in love” e trará um repertório inédito com novos rits e covers escolhidos a dedo pelos novos integrantes da banda.
A festa está prevista para começar às 21h30 com uma discotecagem surpresa, fruto do acervo pessoal da Star 61, composta de uma seleção inusitada que vai das baladas sangrentas aos clássicos do rock, a exemplo do The Smiths, Ramones e NY Dolls. Além de Madona, Jovem Guarda, Cilla Black e outras divas da música internacional.
A banda que foi uma das atrações do Festival Rolla Pedra de Brasília, no início deste ano, lançou no ano passado o CD demo que contou com a produção cinco músicas e um bônus da faixa multimídia do clipe “Fácil Demais”.
O Star 61 ao lado de grupos como The Sylvias, Cabruêra (rock mais regional), Unidade Móvel (rock industrial pop) vem se revelando como um dos mais irreverentes. Depois da extinta banda Flávio Cavalcanti, atual Flávio C, hoje, pode-se dizer sem pestanejar que o Star é o que de melhor existe na cena musical.
Comentários que surgem de pessoas que estão sempre ligadas no que há de melhor no cenário local, a exemplo do ator, diretor de teatro e especialista em música alternativa, Everaldo Pontes. Na opinião de Everaldo, o grupo tem uma energia muito verdadeira. Pulsação está que ficou esquecida pelas bandas, devido, talvez, quem sabe, a exigência e urgência que tem os músicos, em se aliar as novas ferramentas da tecnologia, principalmente os que estão surgindo.
No melhor estilo “Placebo purpurina de ser” o efeito deles no palco é poderoso e impressionante. Resultado observado em nomes como Mick Jagger. Algumas pessoas acreditam que este efeito que enlouquece contagia a platéia que os assiste e escuta e isso se deve ao despojamento de Flaviano que a cada apresentação entra vestido com um figurino mais absurdo do que o outro.
Até um vestido de noiva ele já usou. Foi no Festival Mada, no Rio Grande do Norte, onde ganhou o prêmio como banda revelação de 2004, abrindo para o Sepultura. O público foi conquistado ali, à primeira vista, com a performance da noiva Flaviano regando flores no palco.
Fora toda essa irreverência à musicalidade em momento nenhum é perdida. A formação já mudou várias vezes, mas nem por isso eles perderam a veia rock irreverente.
O talento e despojamento levaram a banda a participar do Abril pro Rock de 2005, ganharam a eliminatória de Recife do “Claro Que é Rock”. Existem comentários de que a mídia tenha ofuscado um pouco o trabalho do grupo, pois as matérias falavam mais das bandas de Recife do que o grupo da Paraíba.
Também no ano passado a banda foi para São Paulo para participar do festival Claro Que É Rock, junto com as bandas Cachorro Grande, Iggy Pop & The Stooges, Sonic Youth, Nine Inch Nails, Flaming Lips e outras. A apresentação rendeu um outro convite. Desta vez para se apresentar no Blen Blen, casa de shows paulistana, dentro do projeto 2em1, ao lado das bandas Rock Rocket e Bidê ou Balde.
Para quem quiser conhecer o trabalho da banda pode acessar o website da trama, através do endereço eletrônico http://www.tramavirtual.com.br/star_61. Além do histórico do grupo você escutar as músicas do primeiro CD demo e também o antepenúltimo trabalho intitulado “Fliperama”.

Serviço:
Star 61 in love
Sexta-feira (8)
Hora: 21h30
Local: Parahyba Café – Usina Cultural da Saelpa
Ingressos à venda por R$ 5,00 na loja de discos Música Urbana, no Centro.
Informações: 3042.3212/ 8802.1128 e 9104.3812.
Foto: Divulgação


Adriana Crisanto
Repórter
Matéria publicada no jornal O Norte em junho de 2007

Filosofia Contemporânea em dicionário


O professor de Filosofia, Oswaldo Giacoia Júnior, acaba de lançar pela Editora Publifolha seu “Pequeno Dicionário de Filosofia Contemporânea” (2007, 184 págs. R$ 29,90). Prático e dinâmico a obra fornece verbetes esclarecedores sobre filosofia contemporânea.
A obra faz parte da coleção de bolso da editora “Folha Explica – Filosofia” que já publicou “A Democracia” e “A República” de Renato Janine Ribeiro e Adorno de Márcio Seligmann Silva.
No prefácio o autor explica que a idéia do dicionário foi oferecer ao público leitor, não necessariamente especializado em filosofia, uma obra básica de referência, atualizada, de consulta fácil, rápida, que verse sobre temas, problemas e conceitos fundamentais desse período da história da filosofia.
Os verbetes não são abrangentes e exaustivos, mas trazem esclarecimentos necessários aos termos da filosofia contemporânea. Sobre o moderno e o contemporâneo, o autor explica que alguns autores entendem por contemporâneo o período que se estende do século 19 até a atualidade e reservam a designação de modernos, preferencialmente, para os pensadores cujas obras se situam entre o final do século 16 e final do século 18.
O critério para inclusão dos verbetes está vinculado as indagações filosóficas, às pesquisas e resultados oriundos de outros domínios do conhecimento científico, tantos das humanidades quando das ciências formalizadas e naturais, na firme convicção de que o diálogo com as ciências e as artes, a história e a política, constituem não apenas uma característica da filosofia.
O escritor Oswaldo Giacoia Júnior é autor do livro “Nietzsche”, em que mostra porque é impossível se colocar à altura dos principais temas e questões do nosso tempo sem entender o pensamento de Nietzsche, um dos pensadores mais provocativos da filosofia moderna.

Sobre o autor
Oswaldo Giacoia Junior é professor livre-docente do Departamento de Filosofia da Unicamp. Formado em Direito pela USP, é mestre em Filosofia pela PUCSP, doutor em Filosofia pela Freie Uinversität Berlin e professor associado do Departamento de Filosofia da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Autor de 'Nietzsche' (2000), da coleção Folha Explica, 'Os Labirintos da Alma' (1997), 'Nietzsche & Para Além de Bem e Mal' (2002) e 'Sonhos e Pesadelos da Razão Esclarecida' (2005), escreveu também muitos ensaios sobre temas de ética e filosofia contemporânea, em revistas especializadas do Brasil e do exterior.

Serviço:
Título: Pequeno Dicionário de Filosofia Contemporânea
Autor: Oswaldo Giacóia Júnior
Edição: 1a. edição, 2006
184 páginas
Preço: R4 29,90

Adriana Crisanto
Repórter
Foto: divulgação
Matéria publicada no caderno Show do Jornal O Norte

"O rock também tem ovários e úteros"




“O rock também tem ovários e úteros”. É assim que tem início o “Cor de Rosa Choque”, primeiro volume de Biogratti uma luxuosa caixa de três DVDs da cantora e compositora Rita Lee, lançado recentemente pelo selo-gravadora Biscoito Fino. O DVD “Cor de Rosa Choque”, a vóvó Ritinha mostra o universo feminino em que foi criada. As gravações, em estúdio e shows, trazem canções antológicas como “Todas as mulheres do mundo,” “Pagú”, “Doce Vampiro”, “Bwana”, “Erva Venenosa” e outras.
Algumas imagens, neste primeiro volume, foram retiradas do show gravado, em novembro de 2006, no Morro da Urca, Rio de Janeiro. Arquivos preciosos contam com a presença de duas poderosas mulheres da música brasileira: Elis Regina e Cássia Eller. Com Eller a roqueira canta Luz Del Fogo (uma gravação antiga da MTV) e “Doce Pimenta”, que segundo a cantora, foi composta para homenagear Elis Regina, que deu uma força a Rita quando a mesma foi presa em 1976 por porte ilegal de maconha.
“Nunca fui uma mulher gostosa, mas sempre expressei muito bem minha sexualidade no palco e na música”, diz a cantora na série depoimentos do primeiro DVD, onde também deixa claro o seu lado feminino cruel e submisso ao mesmo tempo. “Mas, você sempre foi uma mulher gostosa. Só que a estética na nossa época era outra”, rebateu o seu eterno companheiro Roberto de Carvalho responsável pela direção musical.
O rock de Rita Lee sobreviveu a seus próprios instintos autodestrutivos e, por partes de uma perpétua mutação, deixou seus traços em gerações sucessivas. “Rita Lee é mais do que musa. É estátua da liberdade”, diz Caetano Veloso que juntamente com a irmã Virginia Lee e o filho Beto Lee compõe a série de depoimentos do DVD.
Em “Ovelha Negra”, segundo DVD, ela mantém sua fama de mal e em cenas recentes retorna ao Instituto Pasteur, de São Paulo, de onde saiu expulsa no antigo curso científico, porque, segundo ela, tacou fogo no teatro. Rita Lee revela ainda que tinha o hábito de fazer xixi no sapato das amiguinhas no vestiário da escola. Está é passagem do DVD é muito bem sacada. A cantora encontra a porta da escola fechada e retorna como uma equipe de filmagem, disfarçada de Aníbal, um de seus personagens preferidos para sair na rua.
No segundo DVD a ovelha também descreve a família. Sobre o pai, que era cirurgião dentista, ela comenta que o pai era filho de americanos e um sujeito muito feio. “Ele não era bad boy, tinha alcoolismo, um traço que eu também tenho. Mas quando eu nasci ele resolveu parar de beber", revelou a cantora. A mãe, por sua vez, era filha de italianos, devota de Nossa Senhora Aparecida e muito religiosa. “Minha mãe quase desaba quando viu a filha no festival vestida de noiva e grávida. Infelizmente ela ficou muito doente, meu pai, minhas irmãs e eu vimos aquela princesa se definhando", conta.
Sobre os ídolos Rita Lee nunca escondeu suas preferências e neste trabalho ela rende homenagens a Carmem Miranda, com seu samba rumbado, Fred Astier e ao seu ídolo máximo James Dean, do qual estampa numa camiseta em um dos shows da caixa, gravado na praia de Copacabana.
O primeiro grupo formado pela cantora foi o “Teenage Singers”, um quarteto feminino composto no colégio. "Cantávamos muito bem e tocávamos muito mal. Um repertório que girava de "Tous les garçons et les filles", sucesso da francesa Françoise Hardy a "500 miles", dos americanos Peter, Paul & Mary. Aí apareceram os Beatles e a gente caiu de boca", escancara.
Depois da Teenage Singers outro grupo se formou. Desta vez o Wooden Faces, que, de acordo com a cantora, cantavam mal e tocavam bem. Da dissolução dos dois saíram “Os Bruxos”, que Ronnie Von levou para seu programa de TV na antiga TV Tupi. O apresentador rebatizou a banda que passou a se chamar “O planeta dos mutantes”.
A estréia, segundo Rita, foi com a “Marcha Turca” de Mozart. Os irmãos Arnaldo e Sérgio Dias Baptista já faziam parte do grupo quando foi convidado para defender, no Festival de Música da Record, em 1967, a música “Bom dia”, única parceria com Gilberto Gil. No ensaio, diz a cantora, Gil ficou deslumbrado com a guitarra fabricada pelo quarto Mutante e terceiro irmão Baptista, Cláudio Cezar. "Ele era capaz de criar instrumentos que reproduzissem qualquer som de qualquer disco que a gente levasse para ele. Foi ele quem descobriu o theremim, invenção de um russo que ninguém conhecia por aqui. Gil convidou o grupo a acompanha-lo em seu Domingo no parque”, disse.
A guitarra ainda era tabu entre o pessoal da MPB, mas Gil e Rogério Duprat fizeram o arranjo. "Caetano e Gil é que me deram as dicas de como fazer música brasileira. Foram de uma generosidade... de mostrar no papelzinho. Finalmente conheci meu lado brasileiro. Sou mais brasileira que Pelé, ou tanto quanto, mesmo sendo filha de imigrantes. Ou quanto o Geraldo Vandré", brinca a cantora com a situação.
A música "Balada do louco", parceria dela com Arnaldo, Rita atualiza a letra, citando Giselle Bundchen e Osama Bin Laden, e reconstitui a célebre cena de como foi expulsa dos Mutantes. "O Arnaldo falou, nós vamos fazer música progressiva. Você não toca nenhum instrumento. Fiquei chocadíssima, mas no meu orgulho disse, 'tá bom', recolhi minhas coisas da comunidade da Cantareira e fui embora. Mutantes ficarem imitando Emerson, Lake & Palmer que eu adorava, Yes, que eu adorava, mas imitar...", critica.
Para quem disse que Rita Lee parecia que iria pendurar as chuteiras em cada edição dos DVD’s a cantora mostra uma música nova em processo de composição. O terceiro DVD é composto por cenas do show ao vivo na praia de Copacabana, onde aparece com uma camiseta estampada “Eu sou o Rio”, cidade que recentemente concedeu a artista o título da cidadã carioca.
João Gilberto também aparece nas imagens do DVD cantando com Rita a canção "Jouxjoux et balangandans" de autoria de Lamartine Babo (repertório de Mário Reis). As imagens são de 1980 e foi cedido pela TV Globo. As revelações são constantes nos DVD’s, a exemplo da canção Mania de Você, composta em cinco minutos após uma longa noite de amor com o marido Roberto de Carvalho.
Nos extras outra participação muito bacana é a do cantor e compositor Tom Zé. “Vai ser muito chato isso. Ninguém vai falar mal dela”, diz o cantor que ao mesmo tempo que esculhamba com a filmagem, homenageia a cantora e revela que a parceria que fizeram em 2001 (dos versos proféticos, "computador me resolve"), de 1968. Inicialmente o próprio Tom Zé fez música e letra, mas não gostou do resultado final nem do nome inicial, "Astronauta libertado". "A Rita fez uma música caipira como Kubrick utilizou no filme 2001 uma valsa, que é a música caipira deles", comentou.
Ao final Rita Lee revela que está cansada das turnês e que passa a maior parte do tempo em casa, tocando, compondo ou brincando com a netinha Isabella, filha de Beto Lee, mostrada em várias performances com a vovó Ritinha nos corredores do Copacabana Palace, no Rio de Janeiro.

Adriana Crisanto
Repórter
adrianacrisanto@gmail.com
adriana@jornalonorte.com.br
Matéria publicada no jornal O Norte em Junho de 2007.