Soraia e o Trio Medeiros no Parahyba Café

A personalíssima voz da cantora Soraia Bandeira vai ecoar nesta sexta-feira (17), a partir das 22h00, no Parahyba Café (Usina Cultural da Salepa), localizado entre os bairros da Torre e Tambiá. Os bilhetes de entrada estarão sendo vendidos na porta do bar ao preço único de R$ 10,00.
Neste show imperdível de logo mais Soraia Bandeira interpretará canções da música popular brasileira, jazz, blues e músicas que estarão presentes no seu próximo trabalho, “Mundo”, que está em fase de gravação no Estúdio Peixe Boi de Marcelo Macedo, em João Pessoa, com direção de musical de Helinho Medeiros. Ela se apresenta com o Trio Medeiros (Xisto, Helinho e Glauco Andreza).
A cantora Soraia Bandeira (sem querer “eu” ser analítica), é pernambucana de nascimento e paraibana de criação, alma e coração. Ela que esteve fora do Estado, em viagens pelos transatlânticos e em São Paulo, aos poucos começa a retornar ao cenário musical da cidade para nos salvar do ostracismo.
Soraia Bandeira começou a cantar há cerca de 15 anos e já naquele tempo apresentava domínio vocal e postura de palco adquirida com o grupo de teatro Bigorna, famoso, na época, por encenar as peças escritas por Waldemar Solha. No repertório, também naquela época, privilegiava em suas interpretações o jazz, o blues e músicas de Luiz Ramalho, Milton Dornellas, Jaguaribe Carne, Chico César e outros nomes locais.
Com uma maturidade artística e distanciada do olimpio mítico de cantoras ela vem aos poucos tomando novo fôlego para música e tem sido vista em algumas apresentações pela cidade. Apareceu em um festival do Sindifisco, cantou com o trio Medeiros no Casarão 34, e em duas edições do evento Mulheres Canta Mulheres.
No período em que passou em São Paulo, gravou o primeiro disco, intitulado “Sete Luas” (2005), uma produção independente com edição esgotada. Poucos sabem, mas, Soraia Bandeira, divide seu tempo com as atividades da terapia corporal, o que ajuda muito nas suas apresentações em palco. “Em sempre gostei muito, pois eu sou uma pessoa muito corporal. Meu mental passa muito pelo corpo”, comentou cantora que fez vários cursos quando ainda residia em São Paulo.
O título deste novo trabalho “Mundo” vem de uma música de autoria de André Abujamra. O novo CD terá doze músicas e também traz composições de Chico César, Gonzaguinha (Recado), João Linhares, Milton Dornelas, Paulo Ró, Walter Egéa e apenas uma composição de sua autoria intitulada “Solitude”. “Eu acho que sou muito mais cantora do que compositora e não tenho nenhum problema com isso. Embora tenha algumas canções compostas”, disse Soraia.
Neste trabalho ela vem acompanhada pelo Trio Medeiros, músicos que convive há vários anos. O disco está sendo bastante esperado, pois ela está à cerca de nove anos sem cantar e produzir nada, mas, segundo Soraia, tudo tem seu tempo. “Cada coisa na sua hora. A vida vai levando a gente para onde a gente precisa está e crescer o que precisamos crescer”, avalia a cantora. A concepção e direção musical são de Helinho Medeiros. As fotografias são é de Vant e Suani Bandeira e a arte de Mauro Tenório Pedrosa.

Serviço:
Soraia Bandeira
Show: Mundo (pré-lançamento)
Sexta-feira (17)
Hora: 22h00
Local: Parahyba Café (Usina Cultural da Saelpa)
Ingressos: R$ 10,00.


Adriana Crisanto
Repórter
adriana@jornalonorte.com.br
adrianacrisanto@gmail.com
Fotos: Divulgação
Matéria publicada no caderno Show do jornal O Norte.

Novo mergulho poético de Lúcia Wanderley


“Mergulho” é mais um livro de poesias que será lançado neste domingo (19), a partir das 19h00, no Centro Cultural de São Francisco, dentro da programação da primeira edição do Festival Pessoense de Literatura, o 1o Agosto das Letras, que teve início na última sexta-feira (17) com a oficina de kaikai, com Alice Ruiz do Paraná.
O livro de poesia é de autoria da psicóloga Maria Lúcia Wanderley. Trata-se de um livro duplo, partilhado com o romance “Pirilampos Cegos” de Roberto Menezes. Nele estão contidos 40 poemas escritos em várias fases da vida da autora.
De acordo com Lúcia Wanderley, que nasceu na região das Espinharas, sertão da Paraíba, o gosto pela poesia veio muito cedo. Quando era criança costumava escrever poesias nas folhas das árvores. “Também sempre fui incentivada por meu pai que dizia que eu tinha uma letra linda”, comentou.
A primeira publicação em um concurso de poesia aconteceu no ano 1978, no Centro Cultural de Patos (PB), onde obteve o quatro lugar e ainda recebeu medalha de prata. Dez anos mais tarde publicou um poema em uma coletânea do Sebo Cultural (1988).
Participou do concurso literário da Associação Paraibana de Imprensa (API) e ficou com o segundo lugar com o poema “Tédio”, publicado na coletânea com mais outros dois poemas. Desde de 2005 que ela participa do FestCampos de Poesia Falada no Rio de Janeiro e neste mesmo ano foi classificada para as semi-finais como poema “Ponho-me Poeta”, publicado mais tarde no Correio das Artes, juntamente com “Espelho”.
No ano passado Lúcia Wanderley foi convidada para fazer parte do mesmo festival desta vez com edição em Campos dos Goytacazes, onde ficou entre os dez finalistas do evento de poesia recitada.
Paralelo as atividades profissionais ela coordena o “Caldo Cultural” do Espaço Psicanalítico, um evento cultural que acontece a cada três meses. Na opinião da autora, a arte, cultura e psicanálise são coisas que se entrelaçam e que fazem parte de sua vida.

Serviço:
Lançamento: Mergulho (poesia)
Autora: Maria Lúcia Wanderley
Domingo (19)
Hora: 19h00
Local: Centro Cultural de São Francisco – centro histórico.
Adriana Crisanto
Repórter
Foto: Sandoval Nóbrega
Matéria publicada no caderno Show do jornal O Norte, em agosto de 2007.

Ciro Marcondes Filho lança livro em João Pessoa


Com cerca de trinta livros publicados na área de comunicação e mais trinta e três dedicados à arte de lecionar jornalismo na Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo (Eca/USP), o professor doutor em Sociologia da Comunicação, Ciro Marcondes Filho, esteve em João Pessoa, na semana passada, para lançar um de seus últimos trabalhos, o livro “Até que ponto, de fato, nos comunicamos?” (Editora Paulus. Coleção questões fundamentais, 120 p. R$ 19,20) dentro do evento Café e Debate, promovido pela editora em algumas capitais brasileiras.
Marcondes Filho é doutor pela Universidade de Frankfurt, Alemanha e professor titular da Eca/USP. É autor de obras como "Televisão: a Vida pelo Vídeo" e "Espelho e a Máscara: o Enigma da comunicação no Caminho do Meio", “Perca Tempo”, “A produção social da loucura”, O escavador de silêncios”, entre outros. Hoje é considerado um dos mais citados autores da área. É diretor do Núcleo de Estudos Filosóficos da comunicação (FiloCom) e o Núcleo José Reis de Divulgação Científica, os dois ligados à mesma universidade. Formou-se em Jornalismo e Ciências Sociais, pós-doutorou-se na França, tendo publicado coletâneas, traduções e obras próprias nas áreas de Comunicação, Filosofia, Jornalismo, violência e cultura. Produziu na Rádio USP-FM a série de programas O Teatro do Mundo – A Canção.
A entrevista a seguir foi realizada antes de sua palestra no Centro Tecnológico da Universidade Federal da Paraíba (CT/UFPB). Nela Marcondes Filho faz referência a pesquisa em comunicação, fala sobre a obrigatoriedade do diploma, uma questão ainda polêmica no jornalismo, explica e questiona sobre a questão da incomunicabilidade que existe na sociedade atual.

Professor, até que ponto, realmente, nos comunicamos?
Risos. Eu sou uma pessoa que passou a vida inteira incomodado com a comunicação. Fui estudante da Eca e fiquei fascinado com o fato de ter uma escola de comunicação e artes para estudar. E eu fiquei muito frustrado, porque tinham muitas disciplinas, mas ninguém estudava a comunicação. Ninguém tratava bem a questão. O que é esse relacionamento entre nós? Eu falo coisas, você ouve, eu respondo. O que é esse fenômeno que está acontecendo com a gente? Não só com nós, mas o que acontece também com televisão que fica mandando sinais para a casa das pessoas. Afinal de contas, o que está acontecendo com cada um nós? Foi quando decidi direcionar meus estudos um pouco para isso. O que significa você compartilhar com alguém algo que você tem, que você sente? Como é que essa história das pessoas viverem em sociedade e trocarem coisas? E a conclusão que cheguei é que na vida em sociedade você pouco se comunica. Você cruza com as pessoas na rua, no teu prédio, no trabalho, às vezes fala, outras vezes não. Sua vida inteira é marcada por esse trânsito. Quando na verdade você tem a sensação de que está participando e comunicando. Têm a sensação de que está participando. Daí, você chega em casa e percebe que pouca coisa mexeu com você. Estamos numa sociedade em que temos todas possibilidades de comunicação e pouco de fato nos comunicamos. O que eu sei de você e o que você sabe de mim? Quase nada. A comunicação que poderia ser uma relação humana de troca, compartilhamento, solidariedade, de compaixão, não existe. Há uma miséria muito grande nos relacionamentos humanos. Miséria das pessoas não se interessarem, de saberem que não se comunicam, de viverem numa ilusão de que com um telefonema ou com a internet você encontrará qualquer pessoa em qualquer parte do mundo. Você vive a ilusão que está se comunicando. O que está havendo é uma perda. Estamos perdendo a noção do que é o outro. O outro está se perdendo numa imagem que vai desaparecendo. A intenção do livro é chamar atenção das pessoas. Mostrar que elas estão perdendo a possibilidade de encontrar no outro uma conversa, uma ligação, que pode tornar a vida delas um pouco mais compensadora.

A que se deve essa incomunicabilidade?
Tem várias coisas. Não sei se antigamente as coisas eram melhores. Não sei se os vínculos eram mais fortes. Hoje temos problemas muito sérios nas cidades grandes. O fato de você se isolar em apartamentos. A aglomeração urbana é uma outra coisa séria, pois se cria uma relação impessoal com as pessoas. O que agrava também, por outro lado, é a invasão total, em todos os seus ambientes, por tudo que é da comunicação. As pessoas se expondo nas revistas, na televisão, no rádio, na web. E isso, de certa forma, destrói e desfaz aquilo que nos separava um pouco da massa, aquilo que era o nosso segredo. Tudo isso se perde. Você se torna mais débil, mais frágil, menos consistente enquanto pessoa.

Como diferenciar as atuações da teoria da comunicação e da teoria do jornalismo?
Eu ministrei aulas na teoria da comunicação. Esse é um tema muito particular e percebo que elas são diferentes mesmo. Se bem que acredito que teoria do jornalismo é um sub-item da teoria geral da comunicação. Mas, a teoria do jornalismo tem uma certa especificidade, muito particular e tem a ver com o instrumento que você está mexendo. Tenho um livro “A saga dos cães perdidos” (2000), que chama atenção para a responsabilidade do jornalista. Especialmente agora, na era do jornalismo on line, do jornalismo ao vivo, da velocidade da informação jornalística. Pela rapidez você não tempo suficiente para checar. O boato que você veicula circula por muito tempo sem se descoberto a verdade. Então você põe em risco, desmoraliza, você desacredita em instituições, pessoas, governos, etc., por uma coisa que não é verdadeira. E quando você vai corrigir não tem a mesma força. O jornalismo é uma coisa muito séria para ser exercida pelo jornalista. Essa coisa de você chegar com o furo, de não perder o tempo da notícia, colocar a questão da ética no jornalismo brasileiro numa posição muito secundária. O jornalismo tem uma posição muito especial na história da comunicação, porque são os primeiros a noticiar as coisas, a formar a opinião, a interferir no processo.

Nelson Traquina diz, no volume 1 do livro Teorias do Jornalismo, que o jornalismo é uma das áreas mais criticadas da sociedade...
Ele está trazendo coisas novas. Eu particularmente gosto do texto Ramoné, que é um jornalista e é um teórico ao mesmo tempo. Ele denuncia um pouco essa ambigüidade do trabalho do jornalista.

O senhor não acha que o jornalismo é uma profissão muito vulnerável?
O jornalista é um profissional que entra em contato com pessoas muito poderosas (do poder econômico, político, moral) e existe uma sedução muito grande de ambas as partes. O político e o grande empresário querem o jornalista. Existe um namoro entre as duas partes. Da maneira que dos dois lados existe interesse. O jornalista se torna algo muito facilmente da corrupção, da sedução e fascínio pelo poder. E onde ele vai encontrar uma reserva moral? Porque eu acredito que a pessoa tem que ter uma reserva moral para fazer bem feito e não deixar se seduzir e se comprar pelos poderosos. Isso você tem que cultivar de alguma forma, porque uma pessoa que não tenha essa reserva vai se deixar facilmente corromper. Ela se torna um agente e perde sua capacidade de autonomia e distanciamento. Porque jornalismo é uma coisa muito séria. O jornalista quando você for entrevistar um sujeito, ele precisa fazer uma pesquisa, um levantamento para saber quem é essa pessoa. Para quê ela não te enrole. O jornalista também precisa ter malícia para não ser ludibriado.

E quanto à obrigatoriedade do diploma para atuação profissional. Como o senhor observa essa questão?
Eu nunca fui contra o diploma não. Acredito que ele é muito criticado pelos empresários. O diploma é um mal necessário. Porque obriga o sujeito a passar pela universidade, onde você tem uma perspectiva que não é a do patrão. Se ele não passa por essa escola não vai ter essa reserva moral, o distanciamento, a visão critica das coisas. E também porque as pessoas precisam ser ensinadas a entrevistar. O que a gente ver são coisas absurdas.

Como o senhor avalia a pesquisa em comunicação no Brasil?
As melhores pesquisas e estudos ainda são muito provisórios. Os estudiosos ainda estão apalpando uma área. E o problema é que a área não pára. E a cada ano está mudando tudo outra vez. Reposicionando as situações. E isso faz com que tenhamos a sensação de que tudo vai muito devagar. Parece que tudo está mais longe.

Adriana Crisanto
Repórter
Fotos: Divulgação Paulus
Entrevista publicada no caderno Show do jornal O Norte.

Mafalda ganha placa

A casa onde viveu o criador de Mafalda, uma das personagens de quadrinhos mais conhecida do mundo, desenhada pelo cartunista e chargista argentino Quino, receberá uma placa indicativa no edifício da Rua Chile, 371, bairro de San Telmo, em Buenos Aires (Argentina) ainda este ano. A placa deverá conter os seguintes dizeres: “Aqui se sentou Mafalda”.
A notícia circulou pela internet como rasto de pólvora e ganhou as páginas culturais do jornal El País. Mafalda, que amava os Beatles, não suportava a sopa e acreditava na possibilidade de chegar a lua com uma sonda propulsora, passará ter sua casa agora identificada com uma placa no bairro onde morou seu criador.
A idéia do tributo foi de um grupo de jornalista e blogueiros, que encaminharam a proposta ao poder legislativo do país para a colocação da placa. O autor da proposta, Darío Gallo, diz na matéria, que foram várias as tentativas, manifestações e campanhas para o posicionamento da placa e que o evento ainda não tem data certa para acontecer.
Quino, o criador de Mafalda, viveu na rua o Chile 371 por vários anos e era bastante conhecido na região. Suas tiras e comics foram traduzidas para mais de 30 línguas e foi naquele prédio onde viveu com seus pais e seu irmão e onde recebeu as visitas de seus amigos Susanita, Felipe, Manolito, Libertad e Miguelito.
O criador de Mafalda nasceu na Europa e tem nacionalidade argentina. Recebeu muitos prêmios pela personagem em vários países do mundo. Darío Gallo diz ainda que com a identificação o lugar poderá se tornar um marco turístico e cultural para o distrito de San Telmo, como também à escola onde freqüentou o criador e o armazém de Dom Manolo.
As histórias em quadrinhos de Malfada apresenta uma menina preocupada com a humanidade e a paz mundial, que se rebela com o estado atual do mundo. Ela usufruiu de altíssima popularidade na América Latina e Europa.
Mafalda foi muitas vezes comparada a personagem Charlie Brown, de Charles Schulz, principalmente por Umberto Eco em 1968. Ela foi inspirada pela novela Dar La Cara, de David Viñas, e alguns outros, foi criada em 1962 para um cartoon de propaganda que deveria ser publicado no diário Clarín. Foi quando o Clarín rompeu o contrato e a campanha foi cancelada.
Mafalda somente se tornou um cartoon de verdade sob a sugestão de Julián Delgado, na época o editor-chefe do semanário Primera Plana e amigo de Quino. Foi publicado no jornal de 29 de setembro de 1964, apresentando somente as personagens de Mafalda e seus pais, e acrescentando Filipe, em janeiro de 1965. Uma disputa legal surgiu em março de 1965, e assim a publicação acabou em 9 de março de 1965.
Uma semana mais tarde Mafalda começou a aparecer diariamente no Mundo de Buenos Aires, permitindo ao autor cobrir eventos correntes mais detalhadamente. As personagens Manolito e Susanita foram criadas nas semanas seguintes, e a mamãe de Mafalda estava grávida quando o jornal faliu em 22 de Dezembro de 1967.
A publicação recomeçou seis meses mais tarde, em 2 de Junho de 1968, no semanário Siete Días Illustrados. Como os quadrinhos tinham que ser entregues duas semanas antes da publicação, Quino era incapaz de comentar as notícias mais recentes. Ele decidiu acabar com a publicação das histórias em 25 de Junho de 1973.
Quino ainda desenhou Mafalda algumas poucas vezes, principalmente para promover campanhas sobre os Direitos Humanos. Por exemplo, em 1976 ele fez um pôster para a Unicef ilustrando a Declaração Universal dos Direitos da Criança. Na Cidade de Buenos Aires tem uma praça cujo nome é Mafalda.
A maioria das histórias que não eram intimamente relacionadas com a atualidade da época e com eventos hoje esquecidos têm sido reeditadas em livros. Isso exclui os primeiros, publicados no Primera Plana, mas jamais reimpressos em livros até 1989.


Adriana Crisanto
Repórter
Fotos: El País - Ao lado fachada da Rua Chile
Matéria publicada no caderno Show do jornal O Norte, em agosto de 2007.

Tesouros de Elvis

São 30 anos sem o Rei do Rock e muito será comentado nos jornais, rádios, televisão e internet por esses dias sobre sua vida e a importância que ele teve para o rock pop mundial. O rei parece está vivo para alguns. Para outros são lendas puras e pulsantes como as batidas do rock e do blues. Depois de garimpar muito na rede, ler, ouvir e ver muitos DVD´s de amigos fico pensando se existe ainda tesouros perdidos esperando alguma gravadora para ser abocanhado?


O rei do rock, Elvis Presley, parece está realmente cada vez mais vivo, principalmente na internet. Uma garimpada na rede mundial podemos encontrar verdadeiros tesouros. O cantor, mesmo depois de morto, continua sendo alvo de ações de marketing agressivas por parte das gravadoras e distribuidoras de vídeo. Pode-se encontrar, numa primeira passada, oito DVD’s lançados do cantor, dispostos em três produtos distintos.
A BMG editou nos Estados Unidos edições completas de dois especiais que marcaram definitivamente a história do rock: os shows ’68 Comeback Special e Elvis: Aloha From Hawaii, que segundo os especialistas, são edições de 2004. O primeiro foi produzido em 1968 pela rede NBC e mostrava Elvis de volta à música, após vários anos dedicando-se ao cinema. O segundo, de 1973, veio a ser o primeiro concerto com transmissão via satélite para todo o mundo.
Os dois saíram no Brasil, em edições reduzidas e não-oficiais. Na intenção de faturar cada vez mais, um tempo mais tarde, a mesma gravadora lançou o DVD triplo, com show completo do rei do rock, transmitido no dia 3 de dezembro de 1968 e como se não bastasse junto vieram os ensaios com um set totalmente acústico e cenas de bastidores. As versões anteriores, de acordo com os fãs de Elvis em João Pessoa, traziam apenas o show e o set acústico.
Os DVD’s mostram os grandes sucessos de seu repertório, entre eles “That’s All Right Mama”, o primeiro de todos, “Heart Tonight” e outros. São ao todo sete horas de 20 minutos de música. “Elvis: Aloha From Hawaii”, de 1973, é o retrato mais bem acabado do final da carreira de Elvis Presley. Essa época, de acordo com a arquiteta e produtora musical, Thelma Ramalho, e também fã incondicional de Elvis, foi o auge dos grandes concertos do cantor, com esquemas de super-produção, que ficaram conhecidos com a “fase Lãs Vegas”.
O show foi transmitido de Honolulu ao vivo para mais de um bilhão de pessoas. No Brasil, foi exibido pela emissora de televisão Rede Globo e traz Elvis com seus macacões espalhafatosos e voz absolutamente perfeita, em repertório clássicos como See See Rider, Blue Suede Shoes, Buming Love e May Way.
“Elvis: Aloha From Hawaii” é duplo e traz shows na integra, além do ensaio completo do espetáculo, registro esse que havia saído anteriormente somente em CD de áudio, em tiragem limitada. Ao todo são quatro horas de música. Dá para deixar rolando e ir fazendo outras atividades em paralelo.
Mais uma navegada na internet eis que encontrei “Elvis: The Great Performances”, uma série com três DVD’s editada a cerca de um atrás pela Sofa Entretainment, produzido pela ST2 Vídeo, que representa a Eagle Vision, detentora dos direitos distribuição do produto. Os DVD’s são vendidos separadamente. A tiragem inicial foi de três mil unidades por título. O primeiro volume dessa trilogia “elvispresliana” tem como foco principal no primeiro volume, Center Stage, apresentações de Elvis Presley em programas de televisão, números musicais extraídos de seus filmes e cenas de shows. Nele há mensagens raras, como a primeira performance do cantor na televisão, no programa Stage Show dos irmãos Jimmy e Tommy Dorsey, em março de 1956, cantando Money Honey, a polêmica apresentação no show de Ed Sullivan, quando foi apelidado de “Elvis The Pélvis”.
O segundo volume da trilogia intitulado de “The Man and The Music”, traz como destaques outras apresentações do cantor na televisão e em shows, imagens de gravações em estúdio e filmes caseiros realizados por amigos e familiares, nos quais Elvis aparece ao lado de outros astros como Buddy Holly e Jonhnny Cash. No set list das canções estão: My Happiness, American Trilogy, Don’t Be Cruel e G. I. Blues.
O terceiro volume de The Great Performances é um documentário sobre a meteórica ascensão de Elvis ao estrelado, que aconteceu no ano de 1956. A narração é feita pelo vocalista da banda irlandesa U2, Bono Vox, e é entremeada com imagens de shows e programas de televisão. Entre as canções deste terceiro volume podemos encontrar: Shook Up, Blue Suede Shoes e Love Me Tender. Nos três volumes podemos encontrar extras com curiosidades sobre o cantor. Cada um tem em média 53 minutos de duração. É o mundo do mito cada vez mais presente e marcante.

Adriana Crisanto
Matéria publicada no caderno Show do jornal O Norte, em agosto de 2007.

Sementes da poesia

Depois de “A Arca”, a escritora e jornalista potiguar, Ana Trajano, lança neste domingo (19), às 15h00, no Centro Cultural de São Francisco, no centro histórico da Capital, o segundo livro dedicado à poesia infanto-juvenil brasileira, intitulado “A Sementinha do Bem-me-Quer” (Recife: Ed. Edificantes, 24 pág. R$ 20,00).
O lançamento acontece dentro da programação do 1o Agosto das Letras (Festival Pessoense de Literatura), que teve início na ultima sexta-feira (17) e contou com uma vasta programação dedicada a literatura e a música paraibana.
Com ilustrações bem desenhadas e pintadas em aquarelas pelo artista plástico pernambucano, Aristóteles Monteiro, o livro mostra, em forma de poesia, a necessidade de se buscar e cultivar, desde criança, uma cultura da paz como antigamente. São 21 poemas dirigidos para os pequenos com temas que tratam da paz, do amor, da gulodice, da dúvida, ciência, da paixão, do tempo, da música e natureza.
De acordo com a Ana Trajano, a peculiaridade desta publicação é por ser um livro voltado para a paz. O que levou Ana a produzir mais um livro se deve à violência urbana. “É complicado hoje você ter um filho e esse filho não ter a liberdade de brincar na rua, de ir sozinho para escola que fica apenas seis metros da sua casa. Isso me angustia muito”, comentou.
Os poemas são simples e de fácil entendimento para crianças sem ser piegas e infantilizado. “Mamãe, você sabia que Platão não é mais planeta? – Não, filhinha. E Plutão deixou de ser filósofo?” diz um dos trechos poéticos do livro que trata da ciência.
Na opinião do ensaísta, poeta e professor de filosofia pernambucano, Ângelo Monteiro, da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), o poema inicial do livro é bastante expressivo e traz uma atitude existencial logo na primeira estrofe: “Vamos pensar o mundo. Como o mundo se desenha. No papel”. Para Ângelo Monteiro, o mundo desenhado vale enquanto aspiração, ao passo que o mundo vivido nunca pode fazer tabula rasa da experiência. Porque o coração humano vive mais de sua aspiração pelo real do que da medida crua das coisas.
Um dos trechos que destaco e que também me chama atenção é no final do último verso do mesmo poema citado por Ângelo Monteiro em que diz: “Não pode ser um sonho que jaz aquele que nunca termina”.

Sobre a autora:
Ana Trajano nasceu em Nova Cruz, Rio Grande do Norte, de onde saiu adolescente para se formar em jornalismo na Universidade Federal da Paraíba (UFPB). Em João Pessoa, atuou como repórter e chefe de reportagem em vários jornais. Desde de 2003 reside em Olinda (PE), lugar que aos poucos adotou como sua pátria, casou e do relacionamento com Onaldo nasceram Ana Luiza e Maria Eduarda, suas eternas fontes de inspiração.
Tímida e de poucas palavras Ana Trajano publicou no ano passado “A Arca”, seu primeiro livro de poesia para crianças e pré-adolescentes. O livro tinha como proposta também resgatar os valores como o amor à natureza e aos animais que andam perdidos nas ruas. A intenção poética da autora era de fazer construir, no imaginário de cada um de nós, uma arca e assim salvar muitos bichinhos do dilúvio da extinção.

Serviço:
Lançamento: A Sementinha do Bem-me-Quer
Autora: Ana Trajano
Gênero: Poesia infanto-juvenil brasileira
Editora Edificantes (Recife, PE)
24 pág.
Preço: R$ 20,00
Domingo (19)
Hora: 15h00
Local: Centro Cultural de São Francisco – Centro Histórico da Capital.
Adriana Crisanto
Repórter
Fotos: Divulgação
Matéria publicada no caderno Show do Jornal O Norte, em agosto de 2007.

Jornal em sala de aula


Com o objetivo de incentivar a leitura de jornais em sala de aula e com isso desenvolver o senso crítico dos estudantes das escolas públicas, a Rede Anhanguera de Comunicação lançou, em parceria com a Editora Papirus, o livro “Jornal: Uma Abertura para Educação” (Campinas, 2007, 115 p. R$ 36,00) assinado pelas autoras: Cecília Pavani, Ângela Junquer e Elizena Cortez.
A publicação faz parte do projeto Correio Escola de autoria do Jornal Correio Popular de Campinas, interior de São Paulo. O livro é fruto de 14 anos de encontros com jornalistas e professores doutores de várias universidades sobre a importância da leitura do texto jornalístico, de atividades propostas e experiências socializadas na mídia impressa.
Com dez capítulos, o livro (com fonte minion, miolo em off set, impressão e acabamento em paym), traz enfoques que são resultados de diferentes experiências realizadas por projetos com a leitura de jornal nas escolas, de reflexões sobre encontros em eventos, fóruns e seminários realizados por professores e empresários de comunicação.
De acordo com as autoras da obra, a intenção, desde o início, foi promover o estreitamento das relações professor, jornalista e leitores, e com isso extrair dos profissionais, verdadeiramente comprometidos com o sujeito-leitor vozes, emoções, sentimentos e ações.
Vivemos em um período altamente comunicativo, em que internalizamos e exprimimos em nossos comportamentos, valores e decisões. Publicações como está deveria ser copiada por vários veículos de comunicação, principalmente neste atual momento, em que tanto a mídia impressa como, a televisão, o rádio e a internet (webjornalismo) sofrem com os constantes ataques da sociedade pela maneira como controlam e planificam a comunicação.
Na outra ponta do novelo comunicativo estão as escolas e os educadores que estão aprendendo a usar o jornal como ferramenta de trabalho na sala de aula. O livro também traz opiniões dos profissionais de jornalismo do Correio Popular. Eles foram convidados para expressar suas idéias a respeito do papel do jornalismo na educação.
O professor da Faculdade de Educação da Unicamp, Ezequiel Theodoro da Silva, disse que o cenário nacional na esfera da leitura da palavra escrita é um dos mais drásticos e vergonhosos. De acordo com ele, há uma dívida social muito grande dos governos para com o direito da informação para a população.
A publicação se preocupa, principalmente, com os leitores e dedica um capítulo inteiro a reflexão sobre as vozes que calam e o leitor que deveria governar a leitura do jornal. Além de citar os vários gêneros do discurso na imprensa, o jornal fala também da importância da hemeroteca pessoal e virtual e do jornalismo on line.
Um dos aspectos interessantes do livro é um pequeno trecho que aborda sobre a internet como meio de comunicação e publicação. Hoje um número crescente de professores desenvolve projetos e atividades com o apoio da internet. Mas, a grande maioria das escolas e dos professores ainda estão tateando sobre como utilizá-la adequadamente. Muitos precisam avançar na exploração das possibilidades que a web possui, uma delas é a pesquisa. Tanto a escola quanto o educador precisam sair do mundo em que se encontram, ampliar e experimentar através da comunicação.
“Jornal: Uma abertura para educação” apresenta um debate sadio sobre a relação educação-escola-jornal. Po vezes esquenta o debate, põe junto diferentes produtores de informações e conhecimentos, apresenta ainda subsídios preciosos para um planejamento de ensino em que o jornal, e tudo aquilo o que ele possui de idiossincrático, e que enriquece o ensino-aprendizagem dos estudantes nos vários níveis de escolarização. O leitor não encontrará apenas visões sobre o que fazer jornalístico e pedagógico, mas também exemplos de como as diferentes seções de um jornal podem ser transformadas em unidades significativas de leitura e escrita na escola.

Sobre as autoras

Ângela Cristina Loureiro Junquer é formada em Letras pela PUC-Campinas. É professora de língua portuguesa na rede estadual de ensino de São Paulo. É co-autora do livro Jornal: (In) formação e Ação (Papirus).

Cecília de Godoy Camargo Pavani é graduada em Letras, com especialização em língua e literatura inglesa. Mestrado em Jornal e Educação, na área de psicologia escolar, pela PUC-Campinas. Coordenadora do Projeto Correio Escola da RAC desde 1992. É membro do Comitê de Leitura e Circulação da Associação Nacional de Jornais (ANJ). Também é co-autora do livro Jornal: (In) formação e Ação (Papirus).

Elizena Durvalina de Souza Cortez é graduada em Geografia, Estudos Sociais, Pedagogia, com especialização em Administração Escolar pelo Unifeg. É professora de geografia da rede particular de ensino do Estado de São Paulo. Co-autora do livro Jornal: (In) formação e Ação (Papirus).

Serviço:
Lançamento: Jornal – Uma abertura para a educação

Autoras: Ângela Cristina Loureiro Junquer, Cecília de Godoy Camargo Pavani e Elizena Durvalina de Souza Cortez
Editora Papirus – Campinas - SP
115 páginas - 2007
R$ 36,00.
Adriana Crisanto
Repórter
Matéria publicada no caderno Show do Jornal O Norte, em agosto de 2007.