Nelma Figueiredo retorna para Tv O Norte/Band



Com 20 anos de profissão, Nelma Figueiredo é hoje uma das mais conhecidas profissionais de jornalismo da televisão paraibana. Brasiliense de nascimento, paraibana de criação e coração, cursou jornalismo na Universidade Federal da Paraíba (UFPB). Começou no jornalismo televisivo em 1987, quando a Tv O Norte ainda era filiada ao Sistema Brasileiro de Televisão, onde foi repórter. Ela acumula passagens pelas emissoras de televisão SBT, Globo, Record e novamente na TV O Norte/Band onde assumiu recentemente a editoria e a bancada paraibana do jornal da noite (Jornal O Norte, canal 10). Além disso, concilia o trabalho de assessora de imprensa do Departamento Nacional de Trânsito da Paraíba (Detran/PB) com a dura responsabilidade de ser mãe de dois filhos.
Nesta entrevista Nelma Figueiredo comenta sobre a dificuldade de fazer jornalismo na televisão, a experiência de ter testemunhado fatos históricos no período em que trabalhou em outros locais. Fala também da adrenalina de fazer entrevistas ao vivo, diz que o profissional de imprensa está acostumado a “fingir” que entende muito de tudo. Ela opina sobre televisão digital, fala da reportagem que mais marcou sua carreira e a que não gostaria de ter realizado e conta como é conviver com a concorrência dentro casa.

O que é mais difícil no jornalismo de televisão?
É o imediatismo da televisão e por ser um veículo que mexe com tudo, com texto, com imagem, com som e o desafio de trabalhar em equipe. Tem que ser uma engrenagem que funcione bem, do motorista ao editor, pois se alguém falhar vai esbarrar na produção do outro. Ao contrário do impresso, talvez, na televisão precisa-se de uma equipe completa, engajada e envolvida. Você não faz nada sozinho. Eu aposto muito nisso. No trabalho em equipe, no diálogo entre os profissionais para que o produto final saia o melhor possível.

Qual análise você faz do jornalismo na televisão paraibana?
Eu acho que a gente não deixa a desejar. Eu viajo muito e assisto a outros programas de televisão em outros estados. Aqui todas as televisões estão investindo muito na produção.


No próximo ano entra a televisão digital. Você acredita que com chegada dela os programas de televisão também vão mudar o formato? Como você vem observa isso?
Eu não parei ainda para fazer essa avaliação. Mas, acredito que isso está relacionado a um aspecto técnico da televisão, da qualidade de imagem. Tem a ver mais com o aspecto da engenharia do que diretamente com a linha editorial. A promessa é de que ela seja uma televisão mais interativa. Pode permitir participação mais direta do telespectador. O que percebo é que os canais de televisão por assinatura conseguiram influenciar um pouco o formato e a linguagem de alguns programas das emissoras de televisão aberta.


Política, cidades, economia, esporte e cultura. Qual destas editorias mais te atrai?
Eu não sei por que, mas sempre me rotularam como repórter de política. Embora eu nunca tenha ficado especificamente numa área, porque na televisão a gente não consegue se especializar. Estamos sempre na geral. Mesmo que você tenha afinidade com uma área o jornalista acaba fazendo de tudo. Eu acho que a política é uma área fácil de cobrir, principalmente quando você se familiariza, pois quando você chega na Câmara ou na Assembléia o repórter conhece todos os políticos e todos os representantes dos partidos. Fica mais fácil de fazer uma leitura do que acontece. Difícil é quando você está na geral, afastado de toda discussão e cai de pára-quedas naquela seção. Mas quando você acompanha, ler sempre sobre o assunto acredito que fica mais fácil. Ganha a empresa e o telespectador. Eu não tenho muita afinidade com esporte, mas mesmo assim faço. Nada como um bate-papo com o técnico de alguma modalidade esportiva, com os esportistas, com as pessoas envolvidas não resolva. A gente está acostumada a fingir que entende muito de tudo.


Qual reportagem, cobertura, que mais te marcou?


Foram vários momentos. Mas, não tem como deixar de citar a cobertura da morte do ex-governador Antônio Mariz. Na época a morte dele coincidiu do programa de televisão da emissora que trabalhava está no ar naquele exato momento. Fomos forçados a realizar a cobertura no improviso. Foi uma responsabilidade muito grande e marcou. Inclusive, Silvio Osias, que é hoje o editor aqui da TV O Norte, ao ser entrevistado em uma das retrospectivas também destacou a cobertura da morte de Mariz como uma das mais importantes. Eu fiquei muito feliz por ele ter citado, embora seja lamentável o momento de morte.


E a reportagem que você não gostaria de ter feito?
Eu fiz muitas reportagens que não gostaria de ter feito, principalmente quando envolvem crianças. Eu fiz uma reportagem de um acidente em que um caminhão atropelou seis crianças em uma parada de ônibus, no final do bairro do Bessa. Isso me chocou muito, na época, e recentemente um caso de cinco crianças que perderam a mãe por negligência médica de um hospital. São matérias que me marcaram e que não gostaria de ter feito, mas fiz.

As pessoas estão sempre criticando os programas exibidos na televisão aberta pelo conteúdo que apresentam. Que análise você faz destes programas de televisão?

É difícil fazer televisão e analisar. Hoje existe o controle remoto, as televisões por assinatura estão cada vez mais acessíveis. Os preços caíram muito. Dificilmente alguém não tem. Não há muito o quê criticar. Tem gosto para tudo e para todos. Às vezes um tipo de programa é insuportável para alguém, como é o caso dos programas policiais que estão ai como líderes de audiência. Muita gente não consegue nem parar na frente da televisão para assistir. Os de fofoca também conseguem alcançar números expressivos de audiência. E, às vezes, a gente critica tanto e se pega assistindo, sendo envolvido pela notícia. Eu acho que tudo é válido. Às vezes também a gente acha besteira à previsão do tempo e a tábua das marés, mas tem gente que consulta porque tem uma viagem, porque deseja fazer um passeio de barco. Você não pode desprezar a notícia.

Seu esposo também é apresentador de televisão. Como é conviver com a concorrência dentro de casa?
Risos. Na época que a gente namorou e casou trabalhávamos na mesma emissora de televisão. Logo depois eu fui para um local e ele para outro. Vamos fazer 18 anos de casado, praticamente em emissoras de televisão diferentes. A gente já meio que se acostumou com isso e levamos numa boa. Há fatos que evidentemente sei e não posso passar para ele, como também acontece com ele. Tem outras coisas que a gente discute. Existiu um fato interessante. Certa vez estava fazendo uma matéria fora do Estado e ele nem sabia onde eu estava, ou seja, foi aquela coisa mesmo de respeitar a concorrência.


Você é uma profissional respeitada e admirada não apenas pelo público, mas também pelos profissionais da área. De onde vem essa credibilidade?
Eu estava comentando com Silvio Osias outro dia que eu não sei de onde vem essa credibilidade, pois eu acho minha voz feia e infantil, às vezes, mas graças a Deus, modesta parte, eu reconheço e sinto isso também.

Adriana Crisanto
Repórter
adriana@jornalonorte.com.br
adrianacrisanto@gmail.com
Foto: Mano Carvalho

A constituição e seus fundamentos



O jurista Agassiz Almeida Filho recentemente lançou o livro “Fundamentos do Direito Constitucional” (Editora Forense, 294 p. R$ 50). A obra analisa as bases do fenômeno constitucional a partir de um diálogo com o pensamento político, destacando-se, em menos de três meses, como uma das mais importantes publicações jurídicas do ano.
Em estilo leve a acessível, o livro oferece ao leitor a possibilidade de mergulhar no universo teórico do Direito Constitucional e descobrir o que realmente é uma constituição, quais são os seus principais desafios e como se deve encarar o Direito Constitucional no Brasil de hoje.
De acordo com o autor, o livro é uma tentativa de entender o que existe na base do sistema constitucional, de compreender quais motivos impedem que a constituição brasileira funcione de fato. “No livro, estabeleço relação entre a constituição e a política. Às vezes temos a pretensão de considerar a constituição como algo somente jurídico sem ligação nenhuma com a realidade”.
Para compor o livro Agassiz Almeida Filho passou cerca de três anos realizando pesquisas na área. “Neste estudo o que percebi é que se a gente não entender a constituição fica difícil fazê-la funcionar”, disse o autor. A obra vem dividida em três capítulos. No primeiro o autor remete a questões sobre a epistemologia e o conceito de política. A idéia do escritor neste primeiro momento é identificar os fundamentos que condicionam os enunciados conceituais elaborados por Carl Schmitt, jurista alemão, filho de pequeno comerciante que estudou ciência política e Direito em Berlim, Munique e Estrasburgo. Schmitt entrou para o partido nazista, onde permaneceu até o final da segunda guerra. Suas idéias atraíram a atenção de filósofos e cientistas políticos, incluindo Walter Benjamin, Jacques Derrida, Giorgio Agamben e Chantal Mouffe.
“Fundamentos do Direito Constitucional” apresenta aspectos críticos e teóricos bem relevantes, a exemplo do historicismo e ausência de marcos jurídicos e pré-constitucionais. O historicismo, de maneira geral, é a prática de uma história radical, que enfatiza não somente sua importância enquanto saber e reflexão, mas impondo também sua posição central para uma compreensão do ser humano e da própria realidade. Pode-se dizer que tem suas raízes em escritos de Hegel, um dos mais influentes filósofos europeus do século XIX.
Para discorrer sobre o historicismo jurídico o autor toma emprestadas as idéias do escritor Antônio Hernández Gil e diz que o historicismo jurídico se desestima o geral ou genérico e proclama o singular e específico, mas, ao mesmo tempo, segundo ele, opõe o coletivo ao individual.
No segundo capítulo, em que trata sobre Política e Direito, Agassiz Almeida Filho, remete, com muita propriedade, sobre as posições teóricas acerca do poder constituinte, que de acordo com ele, envolve aspectos valorativos e ideológicos de caráter controvertido, pois se encontram em jogo, entre outros aspectos, o tipo de legitimidade do domínio político e a definição dos fundamentos da ordem jurídica.
Na tentativa de conceituar o termo “política”, o autor, no terceiro capítulo, parte do binômio Estado e Sociedade e do individualismo moderno do homem para discorrer sobre a terminologia. “O indivíduo isola-se em torno de sua autonomia e do modelo social a ela inerente. Do outro lado, situam-se o Estado e o fenômeno político, que se dissociam da realidade econômica com o fim de viabilizar o projeto liberal em todas as suas dimensões, cedendo espaço para uma sociedade que atua segundo leis próprias, ditadas pelo automatismo espontâneo do mercado”, esclarece Agassiz Filho.
O livro foi lançado no Rio de Janeiro, Fortaleza (CE) e em Caracas (Venezuela), de onde recém retornou. A publicação ainda não teve lançamento oficializado em João Pessoa, pois, segundo o autor, deseja lançar com festa na cidade onde nasceu.

Sobre o autor:
Agassiz Almeida Filho é Consultor Jurídico, Professor e Chefe do Departamento de Direito do Centro de Humanidades da Universidade Estadual da Paraíba (UEPB), Professor da FACET, Coordenador do Núcleo de Estudos Jurídicos da Fundação Casa de José Américo. Mestre em Ciências Jurídico-Políticas pela Universidade de Coimbra (Portugal) e Doutorando em Direito Constitucional pela Universidade de Salamanca (Espanha). É especialista em Direito Penal Econômico e Europeu no Instituto de Direito Penal Econômico e Europeu da Universidade de Coimbra. É autor dos livros: Introdução ao Direito Constitucional (2007), Constitucionalismo e Estado (2006), Estado de direito e direitos fundamentais (2006), Sociedae e Cultura em evolução (2004) entre outros artigos jurídicos publicados no Brasil e no exterior.



Serviço:
Livro: "Fundamentos do Direito Constitucional"

Autor: Agassiz Almeida Filho
294 páginas
R$ 50
Editora Forense
Ano: 2007


Adriana Crisanto