Sivuca e Marinês ganham nome de avenida


Dois grandes artistas paraibanos, o músico Sivuca e a cantora Marinês, falecidos em dezembro de 2006 e em maio de 2007 vão ter seus nomes impressos em ruas do bairro Nova Mangabeira na grande João Pessoa. A homenagem partiu do projeto de lei apresentado pelo vereador Flávio Eduardo Fuba (PSB) na Câmara Municipal de João Pessoa (CMJP).

O projeto atende a uma reivindicação do Centro Comunitário dos Proprietários e Residentes do Loteamento Nova Mangabeira. "Sivuca e Marinês são dois grandes nomes da cultura nordestina e os moradores do Nova Mangabeira me procuraram e fizeram esse pedido para que os dois fossem homenageados, dando seus nomes a duas avenidas do bairro", disse o vereador Fuba. As vias públicas estavam sem nome oficial e deveram se chamar Avenida Severino Dias de Oliveira (Sivuca) e Avenida Maria Inês Caetano de Oliveira (Marines).

Marinês é o nome artístico de Inês Caetano de Oliveira, nascida em São Vicente Férrer, no Estado de Pernambuco, em 16 de novembro de 1935. A cantora de forró, baião e xaxado que escolheu a Paraíba como sua terra faleceu em Recife (PE) no dia 14 de maio de 2007. Filha de pai seresteiro, iniciou a carreira na banda Patrulha de Choque do Rei do Baião (Luiz Gonzaga), que formou com o marido Abdias e o zabumbeiro Cacau para se apresentar na abertura dos shows de Luiz Gonzaga.

A cantora gravou o primeiro disco em 1956 à frente do grupo 'Marinês e sua Gente', com o qual se consagrou. Ela foi vitima de um acidente vascular cerebral (AVC) em maio do ano passado, em Caruaru (PE). Ficou internada no por nove dias no Real Hospital Português de Beneficência, em Recife, quando veio a falecer.

Severino Dias de Oliveira, mais conhecido como Sivuca, nasceu em Itabaiana, no Estado da Paraíba, em 26 de maio de 1930, e morreu em João Pessoa, no dia 14 de dezembro de 2006. Reconhecido internacionalmente era além de notável acordeonista era compositor e parceiro de grandes nomes da música popular brasileira.

Suas composições e trabalhos incluem, dentre outros ritmos, choros, frevos, forrós, baião, música clássica, blues e jazz. Sua iniciação musical se deu na infância, tocando em feiras e festas populares aos nove anos de idade. Mudou-se para o Recife aos 15 anos, onde adotou seu nome artístico.

O primeiro LP, em 1950, em parceira com Humberto Teixeira, continha o seu primeiro grande sucesso: 'Adeus, Maria Fulô' (que foi regravado numa versão psicodélica pelos Mutantes, nos anos 60). A partir de 1955, foi morar no Rio de Janeiro. Após apresentações na Europa como acordeonista de um grupo chamado 'Os Brasileiros', chegou a morar em Lisboa e Paris.

Morou em Nova Iorque de 1964 a 1976, onde entre outros trabalhos foi autor do arranjo do grande sucesso 'Pata Pata', de Miriam Makeba, com quem então excursionou pelo mundo até o fim da década de 60. Compôs trilhas para os filmes 'Os Trapalhões na Serra Pelada' (1982) e 'Os Vagabundos Trapalhões' (1982). Em 20 de novembro de 2006, o músico lançou um DVD totalmente produzido na Paraíba, 'Sivuca – O Poeta do Som', em homenagem aos seus 75 anos, que contou com a participação de 160 músicos convidados. Foram gravadas 13 faixas, além de duas reproduzidas em parceria com a Orquestra Sinfônica da Paraíba. Faleceu em 14 dezembro de 2006, depois de dois dias internado para tratamento de um câncer que já o acometia desde 2004.

Adriana Crisanto
Repórter
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