Antarianos completam 20 anos

Agência de Comunicação Antares completa 20 anos de atuação no mercado publicitário paraibano e empresário diz que a propaganda sozinha não faz milagre e que é preciso fazer comunicação



Uma das mais completas agências de comunicação de João Pessoa completou este mês 20 anos de atividade no mercado publicitário paraibano. A agência é especializada na prestação de serviços de comunicação e iniciou suas atividades em fevereiro de 1988. Desde então, vem acumulando, além de bons relacionamentos, um amplo conhecimento do mercado, diversos prêmios de criatividade e qualidade, e muitos casos de sucesso.

A Antares hoje atua diretamente nos mercados da Paraíba, Alagoas e Rio Grande do Norte; além de desenvolver ações de comunicação em outros estados. Para isso, a agência conta com o suporte de uma grande rede nacional de parceiros e prestadores de serviços especializados.
Comandada pelo publicitário Expedito de Carvalho Júnior a Antares integra a Associação Brasileira de Agências de Propaganda (ABAP); é certificada pelo Conselho Executivo de Normas Padrão da Atividade Publicitária (CENP); e é uma das empresas pioneiras do mercado nordestino no Instituto ETHOS, uma associação nacional de empresas que atuam com base em princípios de responsabilidade social; além de ser também uma empresa amiga da criança certificada pela Fundação Abrinq.
Para falar sobre os 20 anos de atividade no mercado entrevistei o publicitário em sua agência, localizada numa bela casa, inteiramente reformada, na avenida Princesa Isabel, no bairro de Tambiá. Nesta entrevista Expedito Júnior faz uma análise do mercado, conta como era o ramo de atividade na época em que começou e fala com total desenvoltura e conhecimento de causa sobre a publicidade brasileira. Confira:

Como se configura o mercado publicitário paraibano?
Ao longo desses últimos cinco anos o mercado vem cada vez mais se profissionalizando. O que eu sinto é que os médios e os pequenos clientes não estão conseguindo acompanhar. Hoje em dia o braço da propaganda, como instrumento de comunicação, exerça o papel de maior importância, cada vez mais o senso da verba de comunicação vai se dividindo em outras frentes. Exemplo: assessoria de imprensa, área promocional, designer, Relações Públicas, Marketing. O que percebo é que em razão desse contexto o publicitário começou a cumprir um papel, para suprir a necessidade de mercado, muito mais de consultor de marketing do que propriamente de publicidade. Se agência trabalhasse só com a propaganda iríamos discutir aqui seu anúncio apenas. Quando na verdade você tem que enxergar o que ele realmente necessita. A propaganda sozinha não faz milagre. É preciso fazer comunicação.

O que foi mais difícil nestes 20 anos de Antares?
(Silêncio). Manter uma empresa pequena dentro de um mercado sem tanta base de estrutura profissional é complicado. Porque além do contexto nacional de regulamentação da profissão, das regras de como atuar neste mercado, nós estamos ainda dentro de um contexto totalmente carente de posicionamentos éticos. Observamos empresários com contas conflitantes, atendendo do mesmo jeito, como se fosse a coisa mais normal do mundo, quando, na verdade, não é. A grande dificuldade, além dos problemas de qualquer empresa, foi à falta de profissionalismo que graças a Deus a gente vem melhorando a cada ano.

Você concorda com a tese de que a criatividade nasce do ócio?
Na verdade as pessoas confundem. Isso é uma situação do processo criativo. Quando o diretor de criação tem contato com o que o cliente deseja primeiramente ele vai analsiar, pensar, estudar cada situação. Muitas vezes não consegue obter êxito na mesma hora, no mesmo dia, na mesma semana. Embora, os prazos agora sejam cada vez mais curtos. A pessoa não desliga. Vai para casa pensando e de repente, por exemplo, ele está tomando banho e tem um insight criativo, uma grande idéia. Daí as pessoas acham que o processo criativo só acontece dessa forma. Quando na verdade não é isso. Há uma inversão de como se dá o processo criativo. Um insight criativo pode se dar em qualquer lugar.

O envolvimento de Marcos Valério e Duda Mendonça no escândalo do mensalão abalou a credibilidade dos publicitários brasileiros?
Não acredito. Porque hoje é um segmento muito sólido. Existem muitas pessoas sérias fazendo publicidade. Isso foi um caso isolado. A gente não pode esquecer que Marcos Valério não é um cara de formação publicitária. É um lobista que armava essas pontes. A situação de Duda Mendonça é um pouco mais delicada, mas eu atribuo muito ao envolvimento, do qual você precisa ter muito cuidado, de ordem operacional com o cliente que ele tinha naquele determinado momento. O sentimento ético se dá no momento da escolha. A publicidade brasileira não pode se resumir só naquele fato. Tudo que ele construiu não pode ser jogado no lixo. O episódio também foi importante para que fosse gerado uma grande discussão e para se repensar em como estavam sendo trabalhadas as verbas governamentais.

A maior verba do mercado publicitário paraibano continua sendo da área governamental?
Infelizmente sim. Mas, eu atribuo muito ao fato de que as grandes verbas privadas passaram a ser trabalhadas em “houses” ou saíram daqui e procuraram agências de fora. Na área de varejo temos vários exemplos.

O ano passado foi um ano bom para a publicidade e propaganda no Brasil. Quais as previsões para 2008?
Eu estou muito otimista. Estava na contabilidade ainda pouco fazendo uma previsão e detectei aproximadamente um crescimento de faturamento na ordem de 20% até junho deste ano. O segundo semestre ainda é um ano de interrogação. Esse ano é de eleição, mas por ordem estratégica sempre deixei a verba do marketing político à parte deste processo. Para que a gente possa enxergar o ano dentro do cenário privado.

A publicidade na internet ainda é muito cara?
Aqui na nossa região ainda é um negócio muito novo, mas no sul e sudeste isso já é uma realidade. Estava vendo ainda pouco que 5% dos usuários de internet estão acessando internet por celular. Precisamos ficar atentos a este segmento. O formato é outro. E ainda vem muita coisa por ai. Por isso também acredito que o publicitário tem que ficar na esfera do marketing. Se ele ficar olhando apenas para a propaganda em si ele não vai conseguir entender o contexto do que vem acontecendo.

O que você diria para os estudantes de comunicação que estão querendo ingressar no mundo publicitário?
O primeiro passo é gosta de gente. Está junto das pessoas. No sentido não só do contato, mas de estar interessado no que acontece em volta de você. Porque cada vez mais a gente vai precisar entender quem é aquele público que a gente deseja alcançar. Eu acho isso condição “sin ne qua non”. Se você não gostar de pessoas não vai dar certo. Porque hoje a luta no mercado é por atenção. É um concurso. Somos impactados com várias mensagens ao longo do dia desde quando acordamos. A eficácia e a eficiência da propaganda vai se dá dentro do entendimento dos públicos que se pretende alcançar. E gostar de gente é gostar de cultura, se interessar pelas coisas da cidade. Tem que ter uma mente aberta para tudo que está acontecendo e não ter preconceito a nenhum tipo de mídia.

Adriana Crisanto
Repórter
adrianacrisanto@gmail.com
adriana@jornalonorte.com.br
Fotos: Helder Pinto