Poesia marginal e intelectual

E onde artista e intelectual junto sempre têm debate e polêmica. Teve início nesta segunda-feira (21) no XII Fenart o Seminário Cena Contemporânea que contou com a participação do poeta marginal Ricardo de Carvalho Duarte (o Chacal), no auditório azul do Espaço Cultural.

Além de Chacal a mesa esteve composta pelos professores universitários Amador Ribeiro Neto e Hildeberto Barbosa Filho. Na ocasião o convidado falou sobre a história do Movimento Poesia Marginal, que surgiu no Brasil no final da década de 1960 e início de 1970.

O poeta carioca lembrou que na época, os poetas ditos marginais não estavam preocupados em estudar os cânones literários, mas, sim, procurar formas de expressão. De acordo com Chacal, a poesia marginal estava, na época, ligada mais a contracultura, sendo influenciada não apenas pelos grandes nomes da literatura. Ele citou nomes como Hélio Oiticica (artes plásticas), José Celso Martinez Correa, Caetano Veloso, Gilberto Gil (música). Sempre muito irônico Chacal disse que se a poesia marginal não tivesse valor não estaria sendo discutida 30 anos depois que surgiu.

As discussões entre professores universitários e poetas marginais sempre foram uma constante. Na opinião do poeta e professor universitário Amador Ribeiro Neto, a poesia marginal não pode ser classificada como poesia, enquanto que Hildeberto Barbosa Filho tentou acalmar os ânimos dos presentes questionando sobre o conceito de poesia. “A poesia é auto-substantiva e não adjetiva”, disse Hildeberto.

Adriana Crisanto
Repórter
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Fotos: Guto Zafalan (do Fenart).