A poética praia política de Maio de 1968

Quem não viu tem até sexta-feira (6) para conferir a exposição de fotografias e instalações que está exposta no Centro de Vivências da Universidade Federal da Paraíba (UFPB), campus I, no Castelo Branco, em João Pessoa. A mostra intitulada “Sob os paralelepípedos, a praia” fez parte das comemorações dos “40 anos de Maio de 1968”, promovido pelo GT de Cultura da Associação dos Docentes da UFPB (Aduf).

O evento foi realizado no mês passado com palestras, filmes e atividades culturais, mas a exposição ficará até sexta-feira. No local o visitante vai encontrar painéis fotográficos lembrando o que foi para a França o Maio de 1968. A exposição foi concebida pelo professor José Alexandrino e conta à história do movimento através de fotografias e cartazes.

“Sob os paralelepípedos, a praia” vai além de uma simples exposição. Ela desperta e estimula o expectador para o fato em si e a contribuição que trouxe para os movimentos sociais e luta de classes. Para que isso fosse possível o curador da exposição, professor Alexandrino, tentou reproduzir uma das ruas de Paris e trouxe para o espaço do Centro de Vivências da UFPB paralelepípedos e um veículo queimado. O título da mostra é bastante poético, “Sob os paralelepípedos, a praia”, e simboliza o rompimento com a ordem pesada, dura e antiga que reinava em Paris em 1968, representada pelo paralelepípedo, em busca da praia, símbolo da utopia. A praia como local de lazer de prazer e beleza.

No centro da exposição foi recriada uma parte da rua com paralelepípedos removidos do chão e uma frase em vermelho. “Nosso objetivo com a mostra é sair dos muros da universidade e levar para a sociedade paraibana um realidade histórica, o que a gente pode ajudar em matéria de debate e discussão de um movimento”, acrescentou Alexandrino.

As frases expostas na mostra condensam idéias de maneira irônica e por vezes provocativa e faz com que o visitante pare e reflita sobre o que aconteceu naquele maio de 1968 e nos reporte ao que ocorre com a sociedade atual, que se tornou apática e complacente com os mercados, com a economia globalizada, com a indústria. A intenção do curador da mostra é lançar um livro com todas as frases do movimento e alguns cartazes até o final do ano.

O que foi o Maio de 1968?

Maio de 1968 foi um período de revoluções em Paris (França). Dados históricos revelam que o movimento teve início com uma greve geral que rapidamente tomou proporções assustadoras e revolucionárias no país, em que mais tarde foi desencorajada a continuar pelo próprio partido Comunista Francês, sob a orientação de Stalin, sendo em seguida suprimida em seguida pelo governo, que acusou os comunistas de tramarem contra a república.

Filósofos e historiadores dizem que essa rebelião foi um dos acontecimentos revolucionários mais importantes do século 20, uma vez que foi aderida não apenas pela minoria de trabalhadores, mas pela população como um todo, que insatisfeita com a maneira como eram tratados se juntou aos estudantes para protestar por melhores condições e qualidade de vida.

Os livros e artigos espalhados pela internet relatam sobre uma série de greves estudantis interromperam as aulas em universidades e escolas de ensino secundário em Paris. O governo de Gaulle tentou a todo custo esmagar a greve colocando a polícia em confronto aberto com os manifestantes. Os protestos chegaram ao ponto de levar de Gaulle a criar um quartel general de operações militares para lidar com a situação, dissolver a Assembléia Nacional e marcar eleições parlamentares para 23 de Junho de 1968.

A história conta que o governo estava próximo ao colapso naquele momento (de Gaulle chegou a se refugiar temporariamente numa base da força aérea na Alemanha), mas a situação revolucionária evaporou quase tão rapidamente quanto havia surgido. Os trabalhadores voltaram ao trabalho, seguindo a direção da Confédération Générale du Travail, a federação sindical de esquerda, e do Partido Comunista Francês (PCF). Quando as eleições foram finalmente realizadas em Junho, o partido Gaullista emergiu ainda mais poderoso do que antes.

O mês de Maio na França é hoje um marco político e cultural de referência e exemplo para todo ocidente e ao mesmo tempo mostra uma história nublada, confusa e cheia de suposições e pretensos falsos líderes, a exemplo de Marcuse, Debord e outros.

Baderna – Paris Maio de 68

A editora Conrad editou e lançou o livro “Baderna – Paris Maio de 68”, um relato vivo do grupo inglês Solidarity. O livro não foi assinado, mas é a narrativa mais fiel encontrada sobre esse momento decisivo da história francesa. O livro foi publicado pela primeira vez em junho de 1968 e há que diga que a obra foi escrita por Maurice Brinton, uma espécie de alter ego do neurologista inglês Christopher Agamemnon Pallis (também conhecido por ser o autor do verbete "morte" na Enciclopédia Britânica, entre outras peripécias). Agamêmnon Pallis enxergava desde 67 no movimento estudantil francês uma alternativa radical ao stalinismo do Partido Comunista local, e pôde conferir com os próprios olhos as revoltas estudantis e a greve geral que transformaram o cotidiano francês em maio de 1968.

O livro está disposto para venda no site da Conrad (www.lojaconrad.com.br/Baderna), tem 80 páginas e custa a bagatela de R$ 19,00. Confira logo abaixo algumas frases impressas nos cartazes escritos por trabalhadores, estudantes, intelectuais e manifestantes e algumas fotos. Estás daí não estão na exposição, foram capturadas da internet, da biblioteca Wikipédia.


Adriana Crisanto
Repórter
adriana@jornalonorte.com.br
adrianacrisanto@gmail.com
Fotos: Divulgação e website Wikipédia.