Museu Oi Futuro - A história do mundo contada através do telefone


Quem considera o museu como um lugar coisas velhas ou um local qualquer criado para conservar, estudar, valorizar pelos mais diversos modos, e, sobretudo expor para deleite e educação do público, coleções de interesse artístico, histórico e técnico não pode deixa de visitar novo Museu das Telecomunicações para mudar sua forma de ver o mundo.

O museu foi recriado pela empresa de telefonia Oi e está localizado no coração da praia do Flamengo, em um prédio construído em 1918 para sediar a Estação Beira-Mar da antiga Companhia Telefônica Brasileira, que, em 1981, passou abrigar o Museu do Telephone - um centro de preservação e resgate da história da telefonia no Brasil.

Com serviços convergentes e integrados com as novas tecnologias da Comunicação o local passou a ser chamado Museu Oi Futuro e foi concebido como espaço de células que se dirigem ao mesmo ponto. Tudo isso aliado à arte, tecnologia, conhecimento e cidadania. Visitar o local é programa turístico para quem vai visitar a cidade do Rio do Janeiro. O espaço é aberto para shows, peças de teatro e exposição de arte.

O Museu Oi Futuro foi projetado pela Oficina de Arquitetos e está sintonizado com o que há de mais contemporâneo. Foi inaugurado no dia 30 de janeiro de 2007, com lançamento de um conceito revolucionário de exposição: o do hipertexto. Ao mesmo tempo em que o visitante fica por dentro da história das comunicações interage e tem experiências sensoriais. No espaço pode-se encontrar biblioteca, galerias de arte, teatro, cyber restaurante. A arte contemporânea se funde com novas linguagens tecnológicas.

São objetos históricos e cerca de 120 vídeos produzidos em parceria com instituições nacionais e internacionais. A história de como começou a funcionar o telefone, cabines com cenários de confidências, história das moedas, fichas, cartões telefônicos, biotecnologia, história da televisão e do rádio.

Logo na entrada o visitante recebe um aparelhinho portátil, parecido com uma pick up (de fabricação sueca) que lhe permite interagir com as instalações acionar vídeos e ouvir os textos narrados por atores conhecidos, a exemplo de Miguel Falabella, Marisa Orth, Zezé Polessa e Renata Sorrah. Ao entrar é Maria Bethânia quem dá as boas-vindas cantando "Oração ao Tempo", de Caetano Veloso.

Um dos espaços do museu que chama atenção são os Profetas do Futuro, ou seja, aqueles homens do passado que foram os visionários nas artes, na ciência do pensamento e nas atitudes. Outro espaço marcante do museu Oi Futuro são as Vozes da História, com vídeos falando sobre os heróis que mobilizaram a humanidade com seus pensamentos e suas palavras, a exemplo de Thomas Edison, Freud, Nietzsche, Proust, Paulo Freire, Simone de Beauvoir, Sartre, Jesus Cristo e outros.

Em outra parte do Museu uma gigantesca Linha do Tempo, onde o visitante pode selecionar uma época movendo um grande dial, e ouvir sobre cada etapa da história das telecomunicações ou sobre os fatos que marcaram aquele ano.

Há muito que se vê no espaço e você é capaz de ficar horas sem sentir que o tempo está contado sua história também fora dele. A lista telefônica é outra atração multimídia que chama atenção de quem visita o museu. Com apenas um toque na tela o visitante pode ter acesso ao endereço e telefone onde residiu Rui Barbosa, Machado de Assis, Clarice Lispector, Tom Jobim, Elis Regina e outros.

Ives Machado

Entre os vários pontos de tangência o que se vê não são objetos de arte valiosos, o valor é histórico e tudo sem perder autenticidade e ao alcance do povo. A obra de arte neste caso é não é feita apenas de matéria e, do mesmo modo que o artista não cria para si mesmo, como é o caso da exposição de Ives Machado um pioneiro do vídeo arte no Brasil.

A mostra reúne, além de material inédito do artista, vídeos produzidos por ele na década de 1970 e restaurados nos Estados Unidos especialmente para exposição. Os vídeos são instalações desenvolvidas especialmente para o Oi Futuro.

“De 74 a 76, eu produzi muito material. Mas comecei a me assustar com os rumos que os vídeos estavam tomando e com as possibilidades tecnológicas que fugiam de o que eu pretendia com os filmes. Eu também já tinha um trabalho como escultor e acabei indo para esse lado. Comecei a expor no exterior e minha carreira de videoartista parou por aí”, diz o artista no encarte da mostra.

“Apertando Silvana” é uma das vídeo-instalações de Ives Machado, uma espécie de protesto contra a violência e tortura de mulheres. Silvana é uma mulher aparentemente sofrida que está sendo submetida a apertões de alicate, de tijolos e todas as ferramentas de pedreiro que se possa imaginar. A todo o momento escutam-se gritos de Silvana que ecoam no espaço do museu.

A loucura é também objeto de arte para Ives Machado, a exemplo das imagens da obra “Paranóia” são projetadas no banheiro do Oi Futuro. Nela, o artista “observa” as pessoas enquanto utilizam o banheiro.

Uma das obras que chama atenção na Mostra Encontro/Desencontros é ”Perseguição”. No exterior do elevador, um projetor exibe imagens de uma perseguição realizada por quatro homens atrás de uma mulher, representada pela atriz Karla Dalvi. O filme exibido de forma vertical em preto e branco foi gravado no Parque das Ruínas, no Rio de Janeiro. A obra se apresenta em flashes e o ritmo lento do início vai aumentando até demonstrar a agressividade e velocidade características de uma perseguição.

Sobre o artista - Ivens Machado é um artista consagrado na história da arte brasileira. É autor de uma obra singular, possui vasto currículo nacional e internacional. Participou de várias versões da Bienal de Paris, da Bienal de São Paulo, e mais recentemente da Bienal do Mercosul, além de mostras individuais e coletivas em diversos países do mundo.

Sua obra desperta grande interesse de galerias, museus, curadores e estudiosos desde seu surgimento, constituindo material permanente de reflexão. Exímio desenhista e escultor, Ivens se destaca no cenário artístico pela imaginação altamente fantasiosa com que depura e transforma o mundo orgânico da natureza e as construções da cultura.

Adriana Crisanto
Repórter
adriana@jornalonorte.com.br
adrianacrisanto@gmail.com
Fotos: Divulgação - Assessoria de Impresa - Márcio Batista
**Obs: A repórter viajou a convite da empresa "Oi"