Curtas-metragens paraibanos selecionados no Cine Pernambuco

Cena de "O Guardador" de Diego Benevides

Dois curtas-metragens digitais da Paraíba foram selecionados para participar da 12ª edição do Festival do Audiovisual de Pernambuco (Cine PE). O primeiro deles é o curta "Amanda e Monick" da estudante de jornalismo da Universidade Estadual de Campina Grande, de André da Costa Pinto. O vídeo apresenta a história real de Amanda Costa e Monick Macharrara, dois travestis da cidade de Barra de São Miguel, no Cariri Paraibano, que vivem em realidades totalmente opostas, mas tem suas vidas cruzadas a partir do momento que entram na sala de aula.

Amanda é professora de História para turmas de Ensino Médio e Fundamental, tem todo apoio da família, dos alunos e dos amigos quanto a sua condição sexual. Monick Macharrara cursa a 1ª série do Ensino Médio e é aluna de Amanda. Ganha a vida como garota de programa, foi totalmente rejeitada pela família devido a sua condição sexual e ainda tem que sofrer todos os maus tratos que a rua oferece. Vidas opostas que se cruzam quando ambos dobram a esquina e ficam cara a cara com o preconceito.

A locação aconteceu na cidade de Barra de São Miguel. O curta tem 15 minutos e mostra um pouco da vida do cotidiano dos dois travestis e como, através da educação, professora e aluna estão descobrindo uma possibilidade de quebra do preconceito.

A trilha sonora, composta especialmente para o curta, é baseada na história dos dois travestis e surgiu de uma parceria entre o diretor e a banda campinense "Repercussão". Amanda e Monick" é o segundo trabalho profissional de André da Costa Pinto, que recentemente recebeu do Curta Santos um prêmio especial do júri pela originalidade do documentário "A encomenda do Bicho Medonho", que também foi premiado no Jampa Vídeo 2007, além de ter participado de 12 dos maiores festivais de cinema do país e ter sido exibido nacionalmente pela TV Futura e pela TV Câmara.

O segundo selecionado para participar da competição do Cine-PE foi “O Guardador”, do diretor Diego Benevides. O documentário retrata o cotidiano de um funcionário do laboratório de anatomia da Universidade Federal da Paraíba (UFPB) e sua relação com a morte e com os corpos humanos que chegam ao laboratório para ser estudado pelos alunos é um dos temas abordados no curta. O filme tem 8 minutos e já participou de várias competições de cinema.

O Cine-PE deste ano bateu recorde nas inscrições, com especial destaque para as categorias longas e curtas-metragens. Devido ao grande número de trabalhos pernambucanos inscritos (31 curtas em vídeo, 17 em 35 mm e 11 longas-metragens), a direção do festival avalia ampliar a programação do festival. Confirma a lista de filmes que participam da mostra competitiva:

1. Curtas-Metragens no formato DIGITAL
- Amanda e Monick (PB), Documentário, Direção: André da Costa Pinto
- Até Onde a Vista Alcança (PE), Documentário, Direção: Felipe Calheiros
- Coração de Tangerina (SP), Ficão, Direção: Juliana Psaros e Natasja Berzoini
- Fabulário Geral de um Delírio Curitibano (PR), Ficção, Direção: Juliana Sanson
- Ismar (RJ), Documentário, Direção: Gustavo Beck
- O Filme do Filme Roubado do Roubo da Loja de Filmes (RJ), Ficção, Direção: Marcelo Yuka, Julio Pecly e Paulo Silva
- O Guardador (PB), Documentário, Direção: Diego Benevides
- O Mascate (SP), Animação, Direção: Fernando Gutiérrez
- O Paradoxo da Espera do Ônibus (RJ), Animação, Direção: Christian Caselli
- Porcos Não Olham Para o Céu (RS), Ficção, Direção: Daniel Acosta
- Um Pra Um (SP), Ficção, Direção: Érico Rassi

2. Curtas-Metragens no formato de 35 mm

- Até o Sol Raiá (PE), Animação, Direção: Fernando Jorge e Leandro Amorim
- Café com Leite (SP), Ficção, Direção: Daniel Ribeiro
- Câmara Viajante (CE), Documentário, Direção: Joe Pimentel
- Cânone para 3 Mulheres (SP), Animação, Direção: Carlos Nogueira
- Comprometendo a Atuação (MT), Ficção, Direção: Bruno Bini
- Décimo Segundo (PE), Ficção, Direção: Leonardo Lacca
- Dossiê Rê Bordosa (RJ), Animação, Direção: César Cabral
- Dreznica (RJ), Documentário, Direção: Anna Azevedo
- Engano (RJ), Ficção, Direção: Cavi Borges
- O Livro Walachai (RJ), Documentário, Direção: Rejane Zilles
- Ocidente (PE), Documentário, Direção: Leonardo Sette
- Os Filmes Que Não Fiz (MG), Ficção, Direção: Gilberto Scarpa
- Pajerama (SP), Animação, Direção: Leonardo Cadaval
- Pugile (SP), Ficção, Direção: Danilo Solferini
- Saliva (SP), Ficção, Direção: Esmir Filho
- Satori Uso (PR), Ficção, Direção: Rodrigo Grota
- Um Ramo (SP), Ficção, Direção: Juliana Rojas e Marco Dutra
- Um Ridículo em Amsterdã (SP), Ficção, Direção: Diego Gozze
- Uma (DF), Ficção, Direção: Nara Riella
- Trópicos das Cabras (SP), Ficção, Direção: Fernando Coimbra

A 12ª edição do CINE PE, Festival do Audiovisual de Pernambuco, acontece entre os dias 28 de abril e 04 de maio de 2008, no Teatro Guararapes, Centro de Convenções de Pernambuco, em Olinda. O festival é considerado um dos que possui o maior público de todo o Brasil – cada sessão tem em média 3,5 mil pessoas. Além das mostras competitivas, o evento promove atividades como oficinas técnicas, seminários, lançamentos de livros, exposição, mostra infantil de cinema brasileiro, mostra em bairros populares e mostra de cinema latino.

Adriana Crisanto
Repórter
adriana@jornalonorte.com.br
adrianacrisanto@gmail.com
Fotos: Divulgação.

Cursos de Cinema


E ainda falando sobre cinema o Serviço Social do Comércio (Sesc) de João Pessoa está oferecendo dois cursos de cinema, através de teleconferência, destinados a aficionados da arte cinematográfica, podendo ser profissionais em formação e atuantes, também, nas áreas das artes plásticas, história da arte, design e arquitetura, entre outras. Os cursos oferecidos são "Arte e tecnologia", ministrado pelo professor Marcelo Lins, e "Os principais movimentos estéticos do cinema", com o professor Francesco Trotta. As inscrições são gratuitas, com vagas limitadas, até o dia cinco de março, no setor de cultura da entidade comerciária. As teleconferências acontecerão uma vez por semana no turno da tarde, até o mês o final deste ano. Outras informações no setor de cinema e vídeo do SESC Centro João Pessoa, na Rua Desembargador Souto Maior, 281, ou pelo telefone 3208 3158.

Jornalismo e Literatura

A pesquisadora e antropóloga em comunicação Isabel Travancas no livro “Antropologia e comunicação” (Ed. Garamond, 2003) diz que o homem tem pressa, tem pouco tempo, quer receber o máximo de informações no menor tempo possível. É a corrida da sociedade moderna, da vida na cidade, da qual se referiu Georg Simmel (1979, p.14). É neste sentido que pensamos o jornal e o jornalista. Foi-se o tempo em que o texto no jornal se aproximava da literatura e conseqüentemente de um leitor menos apressado e mais dedicado.

De certo que muitas discussões já foram travadas entre jornalistas, intelectuais, pseudo-intelectuais, professores de letras, de jornalismo e literatura sobre o tema. Especialistas no assunto não faltam nas duas áreas. E para engrossar a literatura sobre Jornalismo x Literatura foram lançados recentemente duas novas publicações.

A primeira delas “Jornalistas Literários – Narrativas da vida real por novos autores brasileiros” (Summus editoral, 2007, R$ 53,90), uma coletânea de textos organizada pelo escritor Sérgio Vilas Boas. Pode-se dizer que o livro é e não é ao mesmo tempo didático. A obra consiste em uma coleção de 16 narrativas sobre pessoas reais e suas experiências.

Todos os textos foram produzidos pelos alunos de pós-graduação lato sensu (especialização) em Jornalismo Literário, turmas de São Paulo, Campinas, Brasília e Porto Alegre, entre o final de 2005 e o início de 2007. O curso, que é acessível apenas a quem dispõe de muita grana para fazê-lo, é oferecido pela Academia Brasileira de Jornalismo Literário (ABJL) e pela Texto Vivo, que tem no comando os professores e jornalistas Celso Falaschi, Sergio Vilas Boas e Edvaldo Pereira Lima.

Os melhores textos estão estrategicamente colocados em primeiro lugar, como o de Isabel Vieira em que faz um perfil literário do jornalista Marcos Faerman, que foi vitimado por um ataque cardíaco fulminante, na véspera de carnaval de 1999.

Dos 16 textos destaco o de Lorena Tovil Schuchmann “Pasta e Passione”, em que a autora a partir da uma mensagem impressa no verso de uma embalagem de macarrão, parte em busca de seu objeto de investigação literária. Coesão textual, descrição, narração e diálogos são facilmente observados no texto. Objetividade narrativa, típica do jornalismo, criatividade argumentativa, relato dos fatos passo a passo são também outras características do texto da autora.

Paste e Passione conta a história de uma família de uruguaios que veio morar em Porto Alegre, em 1979, quando o caçula da família tinha nove anos de idade. O sotaque foi embora, mas a paixão pela cozinha permaneceu e foi passada de geração em geração até surgir a “Pastifício Italiano – Produzione di Paste Artigianali – Fábrica de Massas”.

Outra publicação da área intitula-se “Jornalismo e Literatura em Convergência” (Editora Ática, 2007, R$ 41,50). A obra é assumidamente didática e chama atenção pelo levantamento histórico-crítico feito por Marcelo Bulhões, professor de pós-graduação do Curso de Comunicação Social da Unesp de Bauru (SP).

O livro além de trazer teorizações sobre as categorias factualidade, ficcionalidade, justaposição dos gêneros narrativos, com destaque para reportagem e o romance, mostra a interferência e influência do naturalismo neste processo.

Para se fazer entender sua prática/teórica o autor buscou seus autores preferidos, a exemplo de João do Rio, Zuenir Ventura, Lima Barreto, Émile Zola, Truman Capote, Sylvio Floreal, João Antônio e Caco Barcellos.

Mas nessa área não tem livro melhor do que Pena de Aluguel (Companhia das Letras, 392 págs). A publicação não é atual, data de 2005, e nela a autora Cristiane Costa fez um belo trabalho ao escrever história da relação entre a literatura e o jornalismo no país.

O livro tenta responder como as duas áreas foram se encontrando com o desenvolvimento da imprensa no país e como a produção em uma área vem influenciando a outra. Afinal, será que o trabalho de um escritor como jornalista pode influenciar a forma como este escreve literatura? Será que o escritor, trabalhando na imprensa, faz melhorar a qualidade dos jornais?

As perguntas servem apenas de mote a uma deliciosa viagem no tempo, onde encontramos desde personalidades como Machado de Assis, José de Alencar, Monteiro Lobato, até nomes recentes da literatura brasileira a exemplo de Bernardo Carvalho, Cíntia Moscovich, Luiz Ruffato, Marçal Aquino e outros.

Pena de Aluguel retoma uma enquete similar feita por João do Rio no início do século, quando os jornais davam um tratamento à literatura bem diferente ao dado hoje. Na época, escritores como Machado de Assis e José de Alencar possuíam um espaço para publicação de livros através do folhetim. Além disso, críticos como José Veríssimo dividiam suas análises na primeira página dos jornais com o próprio editor.

Neste período não havia preocupações como o tempo gasto nas atividades do jornal, com a utilização da linguagem jornalística, com a objetividade, muito menos com lead, sublead, abertura, etc. A autora avança nas observações e questiona: “Afinal, houve alguma mudança no modo como o lado escritor se relaciona com o lado jornalista?” As respostas são variadas e o livro traz alguns comentários a respeito do levantamento, mostrando não somente uma evolução no modo como a questão é tratada pelos artistas.

Outro grande mérito do livro é o modo como a autora fala sobre a evolução da mídia impressa brasileira, sua crise atual e multiplicação de blogs que vem, de acordo com Cristina Costa, provocando mudanças significativas nos principais veículos de comunicação do país.

Não vivi na época do jornalismo literário de Machado de Assis, apenas li seus livros clássicos para o vestibular, algumas reportagens e muitos comentários a respeito do escritor. Diante desta realidade penso que enquanto o jornalismo literário está em extinção nos cadernos culturais brasileiros, a crônica ganhou espaço e revelou outros nomes.

A leitura dos livros “Pena de Aluguel”, “Jornalistas Literários” e “Jornalismo e Literatura em Convergência” servem, portanto, de estímulo para que cada vez mais as editoras possam tratar de modo mais adequado os textos de grandes autores que foram veiculados nos jornais e colocar seus olhos na área de comunicação. O cruzamento entre jornalismo e literatura é ainda uma tribo a ser descoberta e explorada. Uma terra com tesouros de palavras.


Serviço:
Jornalistas Literários - Narrativas da vida real por novos autores brasileiros

Autor: Sérgio Vilas Boas (org.)

Summus editorial
São Paulo

Ano: 2007
315 páginas
Preço: R$ 53,90

Jornalismo e Literatura em Convergência
Autor: Marcelo Bulhões
Editora Ática
São Paulo
Ano: 2007
211 páginas.
Preço: R$ 41,50


Adriana Crisanto
Repórter
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adrianacrisanto@gmail.com
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NOEL o filme

Demorou a chegar nas salas de cinema de João Pessoa, mas finalmente foi exibido o filme "Noel - Poeta da Vila", do diretor Ricardo Van Steen. O filme conta a história do músico, compositor de sambas e por que não dizer mulherengo Noel Rosa e acima de tudo um gênio da música brasileira. Apesar das muitas críticas com relação ao elenco feitas pela imprensa especializada do sul, sudeste e nordeste a atuação do ator Rafael Raposo, que interpretou Noel Rosa no filme salvou muitas partes do longa-metragem.

Noel Rosa foi uma figura especialíssima, seu andar largado, chapéu panamá, terno branco, gravata, sapato de sambista, o queixo de quem nasceu com uma trombose e total entrega ao universo da música. Ele foi diplomado como boêmio, morreu tuberculoso, mas também suou a camisa para compor e deixar como legado 259 composições, escritas num período de cinco anos.


Abandonou a faculdade de Medicina para se dedicar à música e morreu aos 27 anos. Apesar de reverenciar o compositor e ter mergulhado em sua vida para viver o personagem, Rafael contou em entrevista para imprensa do sul que a boemia nunca foi o seu forte. “Tenho alguma semelhança física com Noel, mas sou bem diferente dele. Não levo uma vida boêmia e nem sou mulherengo. Porém, aprendi com ele, através do filme, a viver cada dia como sendo único”, diz o ator de ‘Noel Rosa — Poeta da Vila’.

O ponto alto da trama é a relação extraconjugal entre ele, que era casado, com a dançarina de cabaré Ceci, papel de Camila Pitanga, que recentemente viveu a prostituta Bebel na novela “Paraíso Tropical’’ (Globo). A personagem Ceci (assim como Bebel) tinha uma profissão que, na sua época, era rejeitada.

Mais do que uma narrativa histórica sobre o músico excepcional que foi Noel, o enredo do filme é um manifesto contra a discriminação e o preconceito enfrentados pelos negros ao longo dos séculos. Os índios nessa época eram vistos como apáticos ou nem eram vistos. Os negros, como escravos indolentes, marginais ou ladrões de carteira. Foi nesse contexto social que sobreviveu Noel, Cartola, Aracy de Almeida e tantos outros sambistas brasileiros que ajudaram a construir as bases da música popular.


A música do filme é um aspecto a parte. E é duro assistir e ouvir todas aquelas músicas com riqueza melódica e poética e se deparar em seguida na calcadinha da praia de Manaíra com carrinhos de música vendendo Cd´s com a música que tem no refrão coisas do tipo: “beber, cair e levar”. Não que Noel não tenha se embrigado, várias vezes são vistas cenas da boemia no filme, mas a embriaguez parecia fazia parte do processo criador e da criatura levado aos extremos com muito um humor.


Hoje o samba é moda, veio e ficou. Está em toda parte do país e tomou novos ares na cidade do Rio de Janeiro, onde dizem alguns historiadores ter nascido. Noel não era baiano, não nasceu no recôncavo, era carioca da gema. Nasceu de um parto difícil em que o uso do fórceps pelo médico causou-lhe um afundamento da mandíbula que o marcou por toda a vida.


Apesar de algumas criticas o filme ganhou os prêmios de melhor direção de arte, melhor edição de som e o Prêmio Especial "Orgulho de Ser Brasileiro", no Festival de Cinema Brasileiro de Miami. Ganhou o prêmio de Melhor Filme - Júri Popular, na Mostra de Tiradentes.

Este foi o filme de estréia do diretor Ricardo van Steen. As filmagens de Noel - Poeta da Vila ocorreram no final de 2004 e o filme foi exibido na mostra Première Brasil, no Festival do Rio 2006.


Adriana Crisanto
Repórter
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Raizes firmes

“Enraizados” é o nome do curta-metragem que será exibido na próxima quarta-feira (27) no Teatro Santa Roza em João Pessoa a partir das 20h05. O curta conta a história de Minervino e Salustiano, dois irmãos que envelheceram no sertão nordestino, não optando pelo êxodo como boa parte dos nordestinos, mostra a sobrevivência ao dia-a-dia de muitas dificuldades, solidão, indiferenças e alimentando-se de esperança de colher algo bom daquela situação.

A direção e o roteiro são de Niu Batista, a produção de Roseli Ferreira, fotografia de João Carlos Beltrão, som direto de Lúcio César, maquiagem de Williams Muniz, edição: Diego benevides, Lúcio César e Marco di Aurélio, com trilha sonora original de Roberto Araújo e Marcelinho Vasconcelos.

No elenco está o cordelista Marco Di Aurélio e o cantor e compositor Chico Viola. O curta tem duração de 12 minutos. Teve como cenário a cidade de Cabaceiras, município localizado cerca de 183 quilômetros da Capital, João Pessoa. Além do cenário natural o diretor optou com escolher duas figuras conhecidas do meio cultural do Estado, o cordelista Marco Di Aurélio e Chico Viola que foge a qualquer padrão estético de beleza cinematográfica, mas que são profundos conhecedores da arte popular, verdadeiros quixotes da cultura.

De acordo com o diretor Niu Batista, a idéia para o curta surgiu de maneira espontânea. Os atores foram consultados e logo aceitaram a proposta, o resto foi “fácil de fazer”, o talento e paciência de Niu uniu-se ao cenário natural do cariri paraibano. A locação do filme foi num casebre de taipa nas imediações do Lajedo de Pai Mateus, localizado entre os municípios de Cabaceiras e Boa Vista.

Serviço:
Enraizados (curta-metragem)
Direção: Niu Batista
Quarta-feira (27)
Hora: 20h50
Local: Teatro Santa Roza - Centro Histórico
Cabaceiras o cenário para locação do filme>>


Adriana Crisanto

Repórter
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Antarianos completam 20 anos

Agência de Comunicação Antares completa 20 anos de atuação no mercado publicitário paraibano e empresário diz que a propaganda sozinha não faz milagre e que é preciso fazer comunicação



Uma das mais completas agências de comunicação de João Pessoa completou este mês 20 anos de atividade no mercado publicitário paraibano. A agência é especializada na prestação de serviços de comunicação e iniciou suas atividades em fevereiro de 1988. Desde então, vem acumulando, além de bons relacionamentos, um amplo conhecimento do mercado, diversos prêmios de criatividade e qualidade, e muitos casos de sucesso.

A Antares hoje atua diretamente nos mercados da Paraíba, Alagoas e Rio Grande do Norte; além de desenvolver ações de comunicação em outros estados. Para isso, a agência conta com o suporte de uma grande rede nacional de parceiros e prestadores de serviços especializados.
Comandada pelo publicitário Expedito de Carvalho Júnior a Antares integra a Associação Brasileira de Agências de Propaganda (ABAP); é certificada pelo Conselho Executivo de Normas Padrão da Atividade Publicitária (CENP); e é uma das empresas pioneiras do mercado nordestino no Instituto ETHOS, uma associação nacional de empresas que atuam com base em princípios de responsabilidade social; além de ser também uma empresa amiga da criança certificada pela Fundação Abrinq.
Para falar sobre os 20 anos de atividade no mercado entrevistei o publicitário em sua agência, localizada numa bela casa, inteiramente reformada, na avenida Princesa Isabel, no bairro de Tambiá. Nesta entrevista Expedito Júnior faz uma análise do mercado, conta como era o ramo de atividade na época em que começou e fala com total desenvoltura e conhecimento de causa sobre a publicidade brasileira. Confira:

Como se configura o mercado publicitário paraibano?
Ao longo desses últimos cinco anos o mercado vem cada vez mais se profissionalizando. O que eu sinto é que os médios e os pequenos clientes não estão conseguindo acompanhar. Hoje em dia o braço da propaganda, como instrumento de comunicação, exerça o papel de maior importância, cada vez mais o senso da verba de comunicação vai se dividindo em outras frentes. Exemplo: assessoria de imprensa, área promocional, designer, Relações Públicas, Marketing. O que percebo é que em razão desse contexto o publicitário começou a cumprir um papel, para suprir a necessidade de mercado, muito mais de consultor de marketing do que propriamente de publicidade. Se agência trabalhasse só com a propaganda iríamos discutir aqui seu anúncio apenas. Quando na verdade você tem que enxergar o que ele realmente necessita. A propaganda sozinha não faz milagre. É preciso fazer comunicação.

O que foi mais difícil nestes 20 anos de Antares?
(Silêncio). Manter uma empresa pequena dentro de um mercado sem tanta base de estrutura profissional é complicado. Porque além do contexto nacional de regulamentação da profissão, das regras de como atuar neste mercado, nós estamos ainda dentro de um contexto totalmente carente de posicionamentos éticos. Observamos empresários com contas conflitantes, atendendo do mesmo jeito, como se fosse a coisa mais normal do mundo, quando, na verdade, não é. A grande dificuldade, além dos problemas de qualquer empresa, foi à falta de profissionalismo que graças a Deus a gente vem melhorando a cada ano.

Você concorda com a tese de que a criatividade nasce do ócio?
Na verdade as pessoas confundem. Isso é uma situação do processo criativo. Quando o diretor de criação tem contato com o que o cliente deseja primeiramente ele vai analsiar, pensar, estudar cada situação. Muitas vezes não consegue obter êxito na mesma hora, no mesmo dia, na mesma semana. Embora, os prazos agora sejam cada vez mais curtos. A pessoa não desliga. Vai para casa pensando e de repente, por exemplo, ele está tomando banho e tem um insight criativo, uma grande idéia. Daí as pessoas acham que o processo criativo só acontece dessa forma. Quando na verdade não é isso. Há uma inversão de como se dá o processo criativo. Um insight criativo pode se dar em qualquer lugar.

O envolvimento de Marcos Valério e Duda Mendonça no escândalo do mensalão abalou a credibilidade dos publicitários brasileiros?
Não acredito. Porque hoje é um segmento muito sólido. Existem muitas pessoas sérias fazendo publicidade. Isso foi um caso isolado. A gente não pode esquecer que Marcos Valério não é um cara de formação publicitária. É um lobista que armava essas pontes. A situação de Duda Mendonça é um pouco mais delicada, mas eu atribuo muito ao envolvimento, do qual você precisa ter muito cuidado, de ordem operacional com o cliente que ele tinha naquele determinado momento. O sentimento ético se dá no momento da escolha. A publicidade brasileira não pode se resumir só naquele fato. Tudo que ele construiu não pode ser jogado no lixo. O episódio também foi importante para que fosse gerado uma grande discussão e para se repensar em como estavam sendo trabalhadas as verbas governamentais.

A maior verba do mercado publicitário paraibano continua sendo da área governamental?
Infelizmente sim. Mas, eu atribuo muito ao fato de que as grandes verbas privadas passaram a ser trabalhadas em “houses” ou saíram daqui e procuraram agências de fora. Na área de varejo temos vários exemplos.

O ano passado foi um ano bom para a publicidade e propaganda no Brasil. Quais as previsões para 2008?
Eu estou muito otimista. Estava na contabilidade ainda pouco fazendo uma previsão e detectei aproximadamente um crescimento de faturamento na ordem de 20% até junho deste ano. O segundo semestre ainda é um ano de interrogação. Esse ano é de eleição, mas por ordem estratégica sempre deixei a verba do marketing político à parte deste processo. Para que a gente possa enxergar o ano dentro do cenário privado.

A publicidade na internet ainda é muito cara?
Aqui na nossa região ainda é um negócio muito novo, mas no sul e sudeste isso já é uma realidade. Estava vendo ainda pouco que 5% dos usuários de internet estão acessando internet por celular. Precisamos ficar atentos a este segmento. O formato é outro. E ainda vem muita coisa por ai. Por isso também acredito que o publicitário tem que ficar na esfera do marketing. Se ele ficar olhando apenas para a propaganda em si ele não vai conseguir entender o contexto do que vem acontecendo.

O que você diria para os estudantes de comunicação que estão querendo ingressar no mundo publicitário?
O primeiro passo é gosta de gente. Está junto das pessoas. No sentido não só do contato, mas de estar interessado no que acontece em volta de você. Porque cada vez mais a gente vai precisar entender quem é aquele público que a gente deseja alcançar. Eu acho isso condição “sin ne qua non”. Se você não gostar de pessoas não vai dar certo. Porque hoje a luta no mercado é por atenção. É um concurso. Somos impactados com várias mensagens ao longo do dia desde quando acordamos. A eficácia e a eficiência da propaganda vai se dá dentro do entendimento dos públicos que se pretende alcançar. E gostar de gente é gostar de cultura, se interessar pelas coisas da cidade. Tem que ter uma mente aberta para tudo que está acontecendo e não ter preconceito a nenhum tipo de mídia.

Adriana Crisanto
Repórter
adrianacrisanto@gmail.com
adriana@jornalonorte.com.br
Fotos: Helder Pinto