Sai novo edital do FMC


Foi lançado oficialmente nesta segunda-feira (24) no Casarão 34 no centro histórico de João Pessoa, o Edital número 1 do Fundo Municipal de Cultura (FMC). O lançamento oficial não contou com a presença do prefeito Ricardo Coutinho, mas foi explicado pelo presidente da Comissão Deliberativa do FMC, Fernando Abath Luna e demais membros da comissão. Estiverem presentes ao lançamento escritores, músicos, produtores culturais, jornalistas e artistas.

O FMC este ano está disponibilizando um total de R$ 700 mil destinados a produtores culturais. As novidades este ano não foram muitas, de acordo com o próprio Fernando Abath. Uma das poucas modificações foram com relação a hora de entrega dos projetos no último dia de inscrição, que será de 8h00 às 12h00, no restante dos dias o horário será de segunda a sexta-feira das 9h00 às 11h30 e das 14h00 as 17h00.

As inscrições ainda poderão ser feitas nas agencias dos correios e telégrafos até o final do dia, respeitando os horários de funcionamento dos correios e suas franquias. As postagens do último dia de inscrição também devem obedecer ao horário de funcionamento das agências de correios.

A outra novidade foi à divisão dos projetos em pequeno, médio e grande porte, subdivididos em propostas de 10 mil, 30 mil e 50 mil reais. Para evitar à burocracia a comissão elaborou formulários com legendas e rodapés explicativos. A outra novidade é que as certidões negativas só serão exigidas para aqueles projetos que forem aprovados na primeira fase da seleção.

O FMC é um elemento de fomento cultural, instituído em 3 de dezembro de 2001 por intermédio da Lei nº. 9560 e regulamentado pelo Decreto nº. 4469, assinado em 7 de dezembro de 2001, que é destinado a produtores culturais. O Fundo abrange, na forma de projetos, as áreas de música e dança, teatro, circo e ópera, cinema, fotografia e vídeo, literatura, artes plásticas e artes gráficas, cultura popular e artesanato, acervo e patrimônio histórico, museologia e bibliotecas.

O edital bem como as informações e detalhes sobre o FMC podem ser adquiridas na sede da Fundação Cultural de João Pessoa (Funjope), localizada na Praça Antenor Navarro, no centro histórico da Capital, em horário comercial. A ficha de inscrição e o edital estão disponibilizados no endereço eletrônico http://www.joaopessoa.pb.gov.br/licitacoes/funjope/#fmc. Maiores informações também pelos telefones: 3218-9811, 3218-5502 e 3218-9707.

Adriana Crisanto
Repórter
adrianacrisanto@gmail.com
adriana@jornalonorte.com.br

Poesia abençoada

Nesta semana santa a dica cultural são dois livros do padre paraibano José Antônio Barbosa da Silva que recebi, há aproximadamente dois meses passados, quando o pároco, recém-chegado de suas missões na Espanha, Filipinas, Argentina, Uruguai e Paraguai presenteou-me com “Esperenzas del dia” (Editora Mis Escritos, Argentina: 2007, 64p) e “Dolor del Tiempo – vocês y poemas” (Editora D Primeira Mano, Paraguai: 2006, 61p.).

No momento em que recebi pensava comigo como é magistral a arte da palavra escrita em forma de poesia, como essa “coisa” pode extrapolar conceitos e juízo de valores. Nos tempos de hoje cristalizou-se a imagem de que a relação entre religião e poesia está em conflito, de que as duas formas de entender e sentir a realidade não são conciliáveis ou não se comunica (o que é totalmente equivocado).

Não é de hoje que os padres escrevem poesias. Só para lembrar Padre José de Anchieta escreveu em versos medievais o poema “De Beata Virgine Dei Matre Maria”, mais conhecido como “Poema à Virgem”, com 4.172 versos. Os autos misturavam características religiosas e indígenas, a primeira gramática do tupi-guarani (A Cartilha dos nativos).

A poesia do Padre José Barbosa é mais contemporânea que a de Anchieta, sem sombra de dúvida, pois como bem diz a prefaciadora de “Esperenzas del dia”, a poetisa Marta de Paris: “Toda obra criada deve identificar-se com o seu criador. Cada artista em sua época e sua arte”.

A surpresa se dá a cada poema lido. Sem nenhum alarde os versos são diálogos íntimos e livres do homem moderno que observa o cotidiano das pessoas no meio da rua, as vítimas e os assassinos de almas. Como também mostra suas angústias, dores, o seu cotidiano. “Não havia versos nas almas homicidas”, diz ele no poema “Incêndio em Setiembre”. E não havia mesmo padre José, não havia até quem os chegasse e olhasse de fora com tamanha expressão.

Aos poetas populares nordestinos ele dedica “Piedra de Molino” (p.44) em que comparar o homem do nordeste como pedra de um molino que segue sempre firme aos seus propósitos. Nas reentrâncias do poema a viagem estética de suas recordações de infância e a lembrança de seus heróis. Como ele bem diz: “Uso a filosofia para falar de uma rosa”.

Da página 50 em diante ele escreve pequenos poemas de três ou duas linhas, poemas curtos, parecidos com o haikai, uma pequena poesia com métrica e molde orientais. “Há dias que são tão escuros que se fazem noites”, diz um dos poemas.

E assim ele segue em todo livro construindo pontes entre o homem religioso e a poesia, e tenta mostrar que esse diálogo é possível, que pode inclusive ampliar o conhecimento do mundo seja de cientistas, poetas, seja dos intelectuais da tradição religiosa.

Já o segundo livro de sua autoria “Dolor del Tiempo – Voces y poemas” o tempo é o tema mais recorrente nos poemas. O tempo da agonia, o perdão do tempo, o tempo em qualquer lugar, o tempo de nascer e de morrer, de buscar tempo, de perder tempo, o tempo da guerra e da paz. Tudo tem seu tempo até para sentir a dor do tempo que parece nunca passar. Uma pessoa que sentiu de perto as poderosas armadilhas do tempo e lutou até quase ao desespero foi Santo Agostinho. Nos capítulos, senão me engano 14-28, do Livro XI das Confissões, ele se ocupa com o problema do tempo.

O pensamento geral de Agostinho e, conseqüentemente, seu pensamento sobre o tempo tem como base fundamental sua teoria da verdade, que consiste primariamente em entender a verdade como “aquilo que é”, lógica peculiar de sua época. É fazendo uso desta lógica e aplicando sua idéia da verdade na sua teoria do tempo que Agostinho chegou as suas conclusões sobre o passado e o futuro.

E é nessa seqüência entre o tempo futuro e o passado que os poemas de “Dolor del Tiempo – Voces y poemas” prossegue, como nos versos “Incandescência”, em que o poeta relembra os 60 anos da destruição de Hiroshima. É o tempo passado que deixaram marcas profundas nos muros da memória.

Na obra, em que até o silêncio se comunica, imprime muita simplicidade. A mística do livro seja ela de natureza religiosa ou humanística caminha como se enxergassem o invisível por detrás dos acontecimentos da vida. O único detalhe é que os dois livros são escritos em espanhol, o que por outro lado não dificulta em nada o entendimento, muito pelo contrário, talvez se vertida para o português não ganhasse tanta tenacidade.

Sobre o autor

José Barbosa da Silva é paraibano. Realizou seus estudos de Filosofia e Teologia aqui na Paraíba e deu continuidade a eles em Manila (Filipinas). Em “Isla de Samar”, centro do arquipélago foi diretor da Casa de Formação de sua Congregação Religiosa. Morou na Argentina entre os anos de 2001 a 2005, onde prestou serviço na Casa Sagrado Coração da Diocese de Laferrere, e acompanhou os alunos do Centro San José e aspirantes a vida religiosa.

É pós-graduado em Teologia Dogmática pela Pontifícia Universidade Católica da Argentina. Em 2006, foi transferido para o Paraguai, sendo nomeado pároco da Paróquia Nossa Senhora de Caacupé da cidade del este. Ele é membro do Instituto Literário e Cultural Hispânico, com sede em Westminster, Califórnia e do Movimento Poetas do Mundo.

Nosso padre poeta é autor dos livros: “Dolor del Tiempo e Esperanzas del dia”. Atualmente José Barbosa da Silva está em João Pessoa (PB) como novo pároco da Paróquia São Rafael no Castelo Branco.

Serviço:
Esperenzas del dia
Editora Mis Escritos
Argentina
Ano: 2007, 64p

Dolor del Tiempo – voces y poemas

Editora D Primeira Mano
Paraguai
Ano: 2006, 61p.

Contatos com autor: jobarbosa33@yahoo.com ou jbarbosa33@yahoo.com
http://vocesinpoemas.blogspot.com


Adriana Crisanto
Repórter
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Espetáculos de Jesus


A Semana Santa é o período mais importante para os cristãos católicos de todo país e como sempre acontece várias montagens teatrais, recontando a vida, trevas, paixão, morte e ressurreição de Jesus de Nazaré, estão sendo encenadas.

Nesta quarta-feira (19), por exemplo, é a última apresentação do recital “Das Trevas a Luz” do Coral Universitário Gazzi e Sá da Universidade Federal da Paraíba (UFPB). A apresentação está prevista para acontecer às 20h00 na Igreja São Pedro Bento Gonçalves, localizada no centro histórico da Capital. O espetáculo, que a cada ano é mais requisitado, faz parte das comemorações da Paixão de Cristo.

“Das Trevas à Luz” é um espetáculo que reúne canto coral com teatro. A montagem surgiu da parceria dos professores de educação musical do Demús da UFPB, Eduardo Nóbrega (maestro titular), Eleonora Montenegro (diretora cênica), Antônio Carlos Coelho (coordenador musical) e João Arimatéia (regente assistente).

São ao todo 50 coralistas entre estudantes universitários, atores e atrizes convidadas. O recital apresenta enquetes cênicas retiradas das passagens da bíblia católica, como a cerimônia do lava pés, a oração feita por Jesus no Monte das Oliveiras, o beijo de Judas, o momento em Jesus com sede pede água para beber e dão vinagre e grito final de sua morte.

A montagem é encenada e cantada por Alberto Black (Jesus), Pollyanna Barros (Maria), Ricardo Gomes (Judas); Onivaldo Júnior e Michel Lucena (Narradores), Gilson Figueiredo (Caifás); Marconi Bezerra (João Batista); Luciana Rabelo (Verônica); Paula Regina (Madalena); Salete Lelis (Mãe de Tiago e João); Eduardo Nóbrega Filho (Pedro); Arturo Gouveia (Sacerdote); Ana Ferraz e Bárbara Carneiro (mulheres crentes); Rammon Felipe (Tiago); Eudes Farias e Thiago Souto (soldados). Além da participação do músico Yuri Ribeiro (teclado) e da professora de técnica, Ana Catarina Leão P. Coelho.

No programa do recital estão incluídas as canções: IV Tractus (José Lobo Mesquita), Requiem (Pe. José Maurício), Kyrie (Pe. José Maurício), Christus Factus Est (Igor Strawinsk), Domine, Tu Mihi Lavas Pedes (Tom K), In Monti Oliveti (Tom K), Judas Mercator Pessimus, (Tom K), Felle Potus (Tom K), Ó Vós que Passais (Tom K - com solo de Pollyanna Barros), Tenebrae Factae Sunt (Tom K - solista: Eduardo Nóbrega Filho), Sepulto Domino (Tom K), Stabat Mater (Tom K) e Aleluia (Tom K).

Maria Canta a Paixão

E também começa hoje, a partir das 19h00, no Parque Sólon de Lucena (Lagoa), centro de João Pessoa, a montagem teatral “Maria Canta a Paixão”. Está é a quarta edição da montagem que privilegia atores e produção local. A intenção dos administradores da Fundação Cultural de João Pessoa (Funjope) foi selecionar dramaturgos, diretores de teatro e cenógrafos, através de editais de dramaturgia. O selecionado este ano foi o texto de autoria das arte-educadoras Luiza Barsi e Helena Madruga, diretor Antônio Deol e Duílio Cunha e dramaturgia de Diógenes Maciel.

O espetáculo sobre a morte e crucificação de Jesus Cristo prossegue até domingo (23) e contará com a mesma infra-estrutura que dispunha no local anterior (Praça do Bispo), com arquibancadas para o público. Serão ao todo oito sessões gratuitas divididas em uma apresentação nos dois primeiros dias do evento, às 19h00, e duas outras nos três dias subseqüentes, às 19h e 21h30.

A montagem tem uma hora de duração. A concepção cenografia é de autoria de Jorge Bweres e privilegia a manifestações populares, a exemplo dos desfiles de escolas de samba e procissões. As cenas acontecem em movimentos lineares sincronizados em uma passarela ao centro e as pessoas assistem das arquibancadas paralelas a esse palco.

As passagens cênicas serão contadas por 52 atores locais em uma área que mede aproximadamente 1.170 metros quadrados. O responsável pela direção musical é o maestro Eli-Eri Moura, que coordena a orquestra e o coro de formado por 20 vozes femininas, sendo oito solistas e ainda 10 instrumentistas.

“Maria Canta a Paixão” conta a história de Jesus Cristo na visão de Maria e tem o objetivo de integrar o sentido e importância da geradora do homem que revolucionou a história da humanidade. O diretor da montagem, o ator Antônio Deol, disse está na expectativa de que o espetáculo seja assistido por um número maior de expectadores.

Testamento do Rei Salomão no Casarão

As artes plásticas também não ficaram de fora da programação santa da semana. O Casarão 34 abriu hoje (19), às 19h00, a exposição do artista plástico alemão Dieter Ruckhaberle intitulada “ O Testamento do Rei Salomão (apókryphos). Na ocasião, o artista falará sobre as suas atuais e antigas obras, tais como: Cidade Latão, História das Mil e Uma Noites, Abisague e o Rei Davi.

Para quem não conhece ainda o Casarão 34 está localizado na Rua Visconde de Pelotas, 34 (Praça Dom Adauto), centro. As obras ficam expostas no local até o dia 10 de abril em horário comercial.


Adriana Crisanto
Repórter
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A "Evolução" de Zé Filho

De fato é uma verdadeira “Evolução” o novo CD do guitarrista Zé Filho que será relançando nesta quarta-feira (26), a partir das 20h00, no Teatro Ariano Suassuna do Colégio Marista Pio X, localizado na Rua Monsenhor Walfredo Leal, em Tambiá. Os ingressos estão sendo vendidos na bilheteria do teatro ao preço de R$ 5,00 (estudante) e R$ 10,00 (inteira). O show contará com a participação dos músicos Groove, Primatas e Beto Tavares.

“Evolução” conta com dez músicas e foi produzido entre os anos de 2005 a agosto de 2007, gravado no estúdio de Sérgio Gallo, com projeto gráfico de Fábio Cavalcanti, fotografia de Mano de Carvalho, participação especial de Edu Ardanuy, Costinha e o Quinteto Uirapuru.

É claramente perceptível neste trabalho as influências de instrumentistas do jazz, a exemplo de John Coltrane, Jimmy Smith e Wes Montgomery. Há momentos em que a guitarra de Zé Filho se inspira nos fraseados dos instrumentos de sopro, às vezes se separa deles, caminha de forma independente, volta, soma, aparece "jazzy" e depois cheia de blues. Nessa linha, confira as faixas Bluesão (faixa 4) de autoria de Washington Espínola, outro excelente guitarrista paraibano que hoje reside em Genebra, na Suíça. Além de Brincando com Blues (faixa 6) e O Recomeço (faixa 10).

Na opinião do guitarrista e produtor musical, Sydnei Carvalho, o som de Zé Filho transcende aos rótulos fáceis e, segundo ele, o guitarrista não se acomoda a posição de músico da terra. Daqui ou não Zé Filho vem a cada trabalho solo se aperfeiçoando. Para não ser ingrato a quem sempre o acolheu o músico presta homenagem a sua banda de rock Área 51, que no final de década de 1990 fez enorme sucesso junto aos jovens da sociedade paraibana.

Outra homenagem que rende é ao bar Portal das Cores, de propriedade dos produtores de cultura Roberto Zaccara e Marconi Serpa, que funcionou na praia de Intermares, em Cabedelo. O portal para quem não conheceu era um lugar privilegiado a beira mar que trazia música de qualidade. Revelou grandes nomes e trouxe artistas que hoje são consagrados no cenário musical brasileiro, a exemplo de Zélia Ducan, Chico Sciense (falecido), Cássia Ellen (falecida), Ângela Ro Ro, 14 Bis e tantos outros que esqueço agora. Infelizmente o lugar teve que fechar suas portas devido ao fatídico acidente de dois filhinhos de papai que assassinaram um jovem no local.

A sonoridade do disco lembra o estilo de outros bons guitarristas: Dave Specter e Ronnie Earl. Quando comecei a ouvir o disco, a primeira impressão que tive foi a de que o trabalho seria na linha desses dois guitarristas, mas depois constatei que ali havia alma própria.

Há também no disco um ótimo "groove", do qual ele nomeou “Groove do Zé" (faixa 5). A música é cheia de malandragem e com espaços para os músicos da banda dar suas canjas. Bom mesmo é escutar essa música no show. Ali ele se diverte como se fosse um menino que está aprendendo a tocar.

Na seqüência desta “Evolução” aparece a faixa título do disco, uma boa música de ser ouvida. Nela o guitarrista é acompanhado do quinteto de cordas Uirapuru. Uma excelente música para ser escutada tomando uns goles de vinho ou Mescal (tequila texana vendida com um mandruvá curtido no fundo da garrafa) ou até mesmo de uma coca-cola, nesse caso para os abstêmios.

Os timbres da guitarra de Zé Filho estão agradáveis, estudados e demonstram bem o vigor do som de suas guitarras novas e antigas que ele as apresenta como se fossem suas filhas. As gravações de Evolução revelam amadurecimento artístico do guitarrista, apreço pelos detalhes, principalmente estéticos do show.

Enfim, Evolução é mais uma mostra dos bons guitarristas que a Paraíba possui e credencia Zé Filho como um grande instrumentista que pode lançar o seu trabalho mundo afora.

Mini-biografia do guitarrista

Zé Filho é natural de Recife (PE), mas reside em João Pessoa (PB) desde os oito anos de idade. Começou a estudar música no conservatório da Universidade Federal da Paraíba (UFPB). Estudou violão clássico durante quatro anos e em seguida passou a se dedicar ao popular. Aos 16 anos começou a tocar guitarra, instrumento em que sempre foi autodidata. Lançou o seu primeiro CD instrumental intitulado "Guitar Performance" em 1997, em seguida gravou "Q_OUT" (2001). Em 2002 saiu a segunda edição do Guitar Performance. Zé filho usa cordas e pedais NIG, amplificadores Meteoro e guitarras do luthier Carlinhos Bezalel.

Serviço:
Show: Zé Filho (guitarrista)
Lançamento do CD: Evolução (instrumental)
Quarta-feira (26)
Hora: 20h00
Local: Teatro Ariano Suassuna - Colégio Marista Pio X - Rua Monsenhor Walfredo Leal - Tambiá.
Ingressos: R$ 5,00 (estudante) e R$ 10,00 (inteira).
Participação especial: Groove, Primatas e Beto Tavares.

Adriana Crisanto
Repórter
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Homenagem à mulher


Elizabeth Teixeira
Vida e luta pelos direitos do homem do campo


No último sábado (8) comemorou-se o Dia Internacional da Mulher, dia que poderia ser todos os dias, pois ser mulher neste país, apesar dos avanços, ainda não é uma coisa muito fácil. Estatísticas sobre o comportamento, a saúde, o poder, o mercado de trabalho, a violência e tantas outras foram recorrentes na mídia brasileira nos últimos dias. Belas ou feias a imagem da mul
her foi publicizada de várias maneiras, com o intuito de reconhecê-la enquanto ser humano, coisa que Eva tratou de estragar nos últimos milênios. E já que é para homenagear trago uma história que uma mulher que não viveu no paraíso como Eva, nem teve grana para fazer lipoaspiração, colocar silicone e botox na boca, nem muito menos exerce um cargo de renomada importância intelectual ou jurídica. Essa mulher chama-se Elizabeth Teixeira, uma camponesa que lutou em defesa não apenas da mulher, mas o ser humano que busca incessantemente por justiça e dignidade. Leia a matéria:

Saí da redação do jornal de onze horas da manhã em João Pessoa com a incumbência de entrevistar uma mulher que hoje é símbolo nacional da luta pelo direito a vida da terra, a líder camponesa Elizabeth Altina Teixeira. O sol a pino de um verão que parece que nem tão cedo vai terminar sigo para Rua Genésio Gambarra, 160, em Cruz das Armas. A casa, antepenúltima da rua, uma senhora de 83 anos, completados em fevereiro deste ano, me atende com um largo sorriso no rosto e dá mais luz ao meu dia.

A casa é boa, pequena, mas aconchegante e extremamente agradável. Ao atravessar o portão uma cachorrinha saltitante duas redes armadas e mesinha com algumas cadeiras prontamente nos espera no terraço coberto da casa. Elizabeth Teixeira (1925) deu continuidade à luta do marido João Pedro, quando este foi assassinado por latifundiários, em 1962. Dona de casa, mãe de onze filhos, ela assumiu a presidência da Liga Camponesa da Paraíba, primeiro órgão de defesa dos agricultores no Estado, fundado por João Pedro em 1958.

Elizabeth Teixeira passou a percorrer a região, explicando aos camponeses seus direitos, enfrentando fazendeiros, denunciando as violências no campo. Organizou reuniões e coordenou atos públicos na cidade. Perseguida pela ditadura, viveu dezesseis anos na clandestinidade. Sua vida de resistência e coragem está perpetuada no filme Cabra Marcado para Morrer, de autoria do cineasta Eduardo Coutinho.

A camponesa esbanja uma lucidez de dar inveja a muitas pessoas. Ela nasceu na Fazenda Antas, município de Sapé. Filha mais velha de nove irmãos, sendo o pai, um médio proprietário, dono de mercearia e negociante de algodão. A mãe, descendente de uma família de latifundiários.

Antes de conhecer o marido João Pedro ela trabalhava nos serviços de casa e ajudava o pai na mercearia. Foi alfabetizada, mas teve que sair da escola no 2º ano primário, por proibição de seu pai. Desfrutava de uma vida relativamente confortável até o momento em que conheceu João Pedro Teixeira, trabalhador de uma pedreira próxima, negro e pobre, com quem fugiu para se casar, uma vez que seu pai se opunha ao relacionamento devido à condição social.

Fugida casou em Cruz do Espírito Santo e foi morar com o marido na fazenda Massangana, na Paraíba, onde o tio de João Pedro era gerente. Sem emprego mudou-se com João Pedro para Açú (PE) em 1945, quando começou a trabalhar numa pedreira e alfabetizá-lo. “Alugamos uma casa em Recife e João Pedro trabalhava na pedreira”, explicou. Neste período começa o contato dele com o movimento operário e funda o sindicato de sua categoria, o que lhe valeu perseguição dos patrões, não lhe dando emprego. É quando a família retorna a Sapé em 1954, para uma propriedade do pai de Elizabeth, e começam a viver do roçado e do trabalho de João Pedro. Nessa época, conta Elizabeth, as condições dos camponeses da região Nordeste se agravavam, levando-os à organização das Ligas Camponesas para lutarem contra a exploração dos latifundiários e pela melhoria das condições de vida no campo.

Como se não bastassem os conflitos com o pai de Elizabeth, devido à sua participação e do marido nas Ligas, o clima no campo começou a ficar mais pesado. “João Pedro foi assassinado em 2 de abril de 1962, a mando dos latifundiários da região. Dois policiais fizeram uma emboscada na estrada que liga café do vento. Ele tinha vindo a João Pessoa resolver alguns problemas. Quando fui ver o corpo dele peguei em sua mão de disse: João Pedro nunca tive uma resposta para te dar, mas vou assumir o seu lugar”, relembrou.

João Pedro Teixeira foi assinado por dois policiais, um cabo e um soldado da polícia, e o vaqueiro Aguinaldo Veloso Borges. O cabo da polícia chamava-se Francisco Pedro, apelido de Chiquinho, o soldado, Antonio Alexandre. “Uma senhora que morava perto do local disse que depois de ter levado os três tiros, João Pedro dizia, levantando a mão e ainda em pé: “Tentaram, tentaram até que tiraram a minha vida”. Sei que não reencontro mais a minha mulher e meus filhos, deu alguns gemidos e já estava no chão”. O primeiro que o encontrou foi o companheiro Antonio José Dantas, que estava na estrada com o prefeito de Santa Rita.

O crime repercutiu dentro e fora do país. Elizabeth, mesmo sem saber muita coisa, assumiu a direção da Liga de Sapé. Logo após seu segundo filho, Abraão Teixeira, é assinado com uma bala na cabeça. Tempos depois sua filha mais velha Marluce Teixeira suicida-se. “Ela tinha muito medo que eu morresse também, pois eu estava protestando contra a retirada de uma família de camponeses da terra”, contou.

Em 1964, o regime militar instaurado no país reprimiu violentamente e desestruturou o movimento. Pouco tempo depois é presa pelo exército brasileiro e passa cerca de 16 anos confinada nas dependências do Grupamento de Engenharia em João Pessoa. Depois que foi libertada buscou exílio na cidade de São Rafael, no Rio Grande do Norte, onde permaneceu com outra identidade (Marta Maria da Costa) até 1981, levando apenas um de seus filhos."Eu fugi com o meu filho, e os outros ficaram espalhados, com parentes. Eu vivia lavando roupa de ganho, no rio”, disse Elizabeth que nessa época pegou uma infecção, ficou muito doente, e foi hospitalizada. “O médico disse que eu tinha que parar de lavar roupa, e a situação ficou mais difícil ainda. Cheguei a passar fome. Um dia, eu estava sentada na calçada, chorando, então um motorista que viu a minha situação foi na venda e comprou uma feira com muita coisa, inclusive quatro latas de leite, e me entregou, num gesto de grande solidariedade”, disse.

Em São Rafael percebeu que as crianças viviam pelas ruas, sem, sem ensino nenhum. “Aí falei com as mães e propus ensinar às crianças em troca de algum dinheiro. Elas se reuniram, cada uma cedeu uma cadeira, outra emprestou a sala da sua casa, que foi transformada em sala de aula e passei a ensinar às crianças a ler, contar e escrever”, contou.

Após um longo processo de procura, em 1981, o cineasta Eduardo Coutinho, a encontrou. Abandonou a vida clandestina que levava e revelou seu verdadeiro nome e sua história às vizinhas e amigas do município de São Rafael. Depois que foi encontrada sua primeira iniciativa foi, com o apoio do cineasta, reencontrar os demais filhos, que moravam na Paraíba, no Recife, no Rio de Janeiro e em Cuba.

O Filme

O Eduardo Coutinho (foto ao lado) foi ao Nordeste fazer umas filmagens sobre o povo do interior, com os estudantes da UNE, e mudou o projeto de seu filme quando soube do assassinato de João Pedro. Eles todos foram ao ato público que realizamos depois do assassinato, e aí ficaram revoltados. “Eduardo me procurou e disse que deveria fazer um filme, que só foi rodado em 1964. Filmamos no Engenho Galiléia, em Vitória de Santo Antão, Pernambuco", relatou Elizabeth. As filmagens, de acordo com Elizabeth, na Galiléia, foram interrompidas pelo golpe de 1°de abril de 1964, sendo retomadas apenas dezessete anos depois.

O filme acabou sendo focado na vida de Elizabeth Teixeira para contar o assassinato de João Pedro. “Cabra marcado para morrer” (120 min) é de 1984 e tem no elenco Elizabeth Teixeira e família, João Virgínio da Silva e os habitantes de Galiléia (Pernambuco). Narração de Ferreira Gullar, Tite Lemos e Eduardo Coutinho.

Em uma das muitas cenas do filme Elizabeth diz: "(...) a luta que não pára. A mesma necessidade de 64 está plantada, ela não fugiu um milímetro, a mesma necessidade do operário, do homem do campo, a luta que não pode parar. Enquanto existir fome e salário de miséria o povo tem que lutar. Quem é que não luta? É preciso mudar o regime, enquanto tiver este regime, esta democracia, (...) democracia sem liberdade? Democracia com salário de miséria e de fome? Democracia com o filho do operário sem direito de estudar, sem ter condição de estudar?"

Hoje

Atualmente Elizabeth Teixeira reside em João Pessoa, com uma das filhas e duas de suas 23 netas e netos. Aos 83 anos, a dirigente camponesa permanece atenta à luta dos trabalhadores, mas pouco participa dos atos públicos em si. “Não sei como está hoje o sindicato rural, pois hoje não é mais Liga Camponesa, mas sindicato. Não sei como está. Minha velhice não deixa mais acompanhar o movimento”, lamentou.

Hoje ela é convidada para dar seu depoimento em congressos e conferências pelo país. "No dia 10 de maio, estive num acampamento de camponeses, no município de Itabaiana, chamado Acampamento Elizabeth Teixeira. Foi uma honra saber que os companheiros que lutam lembram de mim, viúva de João Pedro Teixeira. E é triste saber que depois de sua morte, a miséria, a fome, as injustiças e os crimes do latifúndio continuam acontecendo do mesmo jeitinho”, disse.

Em 1963, Elizabeth esteve em Cuba, acompanhada dos companheiros camponeses. Passamos 24 dias percorrendo todo aquele país. “Fui muito bem recebida por Fidel Castro. Ele me apresentou uma casa, dizendo que se eu quisesse voltar com meus filhos, teria toda a assistência. Mas, eu disse para Fidel que tinha um compromisso com a luta do Brasil, não só pelo assassinato do meu marido, mas de muitos outros companheiros, amigos que tombaram na luta. Quando veio o golpe, naquele momento difícil, eu pensava, às vezes, no convite de Fidel”, relatou.

Apesar das muitas marcas que vida lhe deixou impressas em seu rosto ela é perseverante na sua fala. É dotada de um espírito resistente à dor, e ainda se mantém doce e solidária. Por trás daquele corpo franzino estão escondidos os vultos de muitas lembranças difíceis de apagar. Ao contar e recontar sua vida a qualquer pessoa, informada ou desinformada, que chegue até ela sempre se emociona. Mas, procura, em meio ao baú de lembranças, motivar a nova geração para a continuidade de ação em prol da justiça social.

O trabalho de Elizabeth influenciou outros trabalhos, uma dessas influências é o Movimento das Mulheres do Brejo Paraibano, surgido na mesma área geográfica das Ligas. Há trabalhos que demonstram a persistência da memória das Ligas na região. Elizabeth tem sido referência simbólica de muitos movimentos sociais no país. Além do filme Cabra Marcado Para Morrer que deu enorme visibilidade a sua vida ela já foi homenageada pelo grupo Tortura Nunca Mais, do Rio de Janeiro, com a medalha Chico Mendes; Câmara Municipal de São Paulo, Igrejas Evangélicas da Suíça (1989); Assembléia Legislativa da Paraíba e outros reconhecimentos.

Elizabeth Teixeira é uma dessas mulheres em que a dor não mais a abate, onde o fatalismo não tem vez, a fama muito pouco a seduziu, mas apenas uma coisa a direcionou: a justiça e dignidade para o ser humano.

Adriana Crisanto
Repórter
adriana@jornalonorte.com.br
adrianacrisanto@gmail.com
Fotos: Divulgação e arquivo

Socorro Lira participa de projeto cultural internacional


A cantora e compositora, Socorro Lira, que adotou visual carequinha, participa como artista brasileira convidada, em 2008, da “XIV Ponte... nas ondas!”, uma iniciativa da associação cultural Ponte... nas ondas!, da Galiza (Espanha), que promove a candidatura das tradições galego-portuguesas a Patrimônio Imaterial da Humanidade junto a Unesco.

O convite partiu da presidente da entidade, Santi Veloso, que tomou conhecimento do seu novo projeto musical, intitulado “Cores do Atlântico” (2006/2008), que traz versões de quinze cantigas d’amigo medievais galego-portuguesas, musicadas e interpretadas por ela e que contará com as participações de artistas convidadas do Brasil, da Galícia e de Portugal.

O Brasil estará representado como país de língua portuguesa da XIV edição de “Ponte...nas ondas”, no dia 6 de junho de 2008, uma jornada de eventos de comunicação, educação e arte que acontece anualmente envolvendo a imprensa da Galícia (e de toda Espanha), de Portugal, entre outros países como o Brasil; e pode ser acompanhada também pela internet. Outros artistas brasileiros, a exemplo de Chico César, já colaboraram com “Ponte... nas ondas!”.

O idioma como Ponte. A Galícia (ou Galiza), um dos Estados que, oficialmente, integram a Espanha é um povo que luta bravamente pela preservação de sua autonomia política e de suas tradições, inclusive mantendo a sua língua original – o galego – raiz do português moderno falado em Portugal e, por conseguinte, nos demais países lusófonos ex-colônias portuguesas na África e América.

O Brasil como um todo e, especialmente, a região nordeste reconhece a predominância de influências culturais da Península Ibérica da Idade Média, em sua cultura poética e musical, trazidas aqui por portugueses e galegos imigrantes que chegariam em terras hoje brasileiras, desde 1500. Outras informações podem ser obtidas no website: Para mais informações http://www.pontenasondas.org/


Adriana Crisanto
Repórter
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Novos Brasis da “Oi”

Como o objetivo de apoiar iniciativas que visam a inclusão digital e a transformação social, a empresa de telefonia móvel “Oi”, que entrou com força no mercado nordestino, abre nesta quinta-feira (13) inscrições para programa Novos Brasis, promovido pelo instituto de responsabilidade social Oi Futuro.

Os projetos inscritos devem ter como foco principal o desenvolvimento de tecnologias sociais que possam ser repassadas para outras organizações sociais. Serão observados critérios como inovação, criatividade, capacidade de apresentação de diagnóstico da comunidade e monitoramento do trabalho realizado.

O edital é aberto para organizações do terceiro setor sem fins lucrativos e devidamente legalizadas. Logo após a seleção dos projetos, os especialistas do Oi Futuro acompanharão a implantação de cada iniciativa, auxiliando na gestão e na avaliação do impacto das atividades.

No ano passado a Oi Futuro apoiou vários projetos culturais. Dentre eles estão: Olhar Circular (AL), Jogos Educativos para Informática – Jeinf (AM), Rede Ribeirinha de Comunicação (AM), Expresso Digital (CE), Fabriqueta de Software: um novo Brasil no Jequitinhonha (MG), iTEIA - Rede Digital de Cultura e Cidadania (PE), Portal Moda Brasil (RJ), Oficina Legal (PE), Da floresta para a cidade, da cidade para o mundo - Melhorando a comunicação da Hutukara Associaão Yanomami (RO).

As inscrições, assim como as regras de participação, estarão disponíveis no site www.oifuturo.org.br de 13 de março a 15 de abril. As organizações podem inscrever mais de um projeto, desde que atendam às exigências do regulamento.

Adriana Crisanto
Repórter
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Espanha e Pernambuco unidos no Festival Câmbio Sonoro

A Espanha e Pernambuco parecem está em completa sintonia. Mais um evento unindo os dois países acontece em Recife (PE), no Teatro Santa Isabel nos dias 14, 15 e 16 de março de 2008. Trata-se do “Câmbio Sonoro - 1º Festival de Música Espanha-Pernambuco”, uma iniciativa de intercâmbio que visa promover a música como dimensão fundamental da vida contemporânea, dando apoio às iniciativas culturais da música local e internacional. Os ingressos estão sendo vendidos ao preço de R$ 5,00 (estudante) e R$ 10,00 (inteira) na bilheteria do teatro.
O Festival contará com três apresentações de grupos musicais da Espanha, antecedidas por pockets-shows de artistas pernambucanos. A renda do festival será revertida para o Espaço Recicriar, vinculado à Prefeitura do Recife, através do Instituto de Assistência Social e Cidadania (IASC). O dinheiro arrecadado será destinado à compra de cestas básicas, de medicamentos não encontrados em postos de saúde e para incremento a atividades esportivas.

O Câmbio Sonoro é uma ação pioneira idealizada pela Mosaico Producciones (Pernambuco) e Mirmidón Producciones (Espanha) em parceria com a Prefeitura do Recife e governos de Canárias, Catalunha e Galícia.

No primeiro do festival, sexta-feira (14), a partir das 21h00, se apresenta o grupo NARF da Galícia (Espanha). O Narf é um projeto do cantor, compositor e ator galego Frán Perez, que divide a sua atividade entre o teatro e o rock. Perez é um dos músicos mais conhecidos da Galícia. Além de ser um excepcional guitarrista, possui uma delicada voz e altas doses de originalidade e talento.

O pocket-show de abertura será com Zé Brow, conhecido por causa do seu trabalho com o Grupo Faces do Subúrbio. Uma das maiores influências do Zé é hip hop e a embolada, por causa da improvisação em cima de temas variados.

O segundo dia, sábado (15), também a partir das 21h00, no Teatro de Santa Isabel, se apresenta o grupo “Refree” da Catalunha (Espanha). Refree é um projeto de Raül Fernandez, jornalista musical, considerado um dos compositores mais criativos da Catalunha e também um dos personagens mais inquietos da cena independente. Seus trabalhos mostram uma grande riqueza na concepção do popular, além de um sólido compromisso estético e sentimental. Uma mistura de rock vanguardista, folclore Catalão e free jazz. Neste mesmo dia o pocket-show de abertura ficará a cargo de Zaldorf, que lançou um CD duplo e dois livros.

No último do festival, domingo (16), a partir das 19h00, o cantor José Antonio Ramos, das Ilhas Canárias (Espanha) sobe no palco do Teatro Santa Isabel para mostrar sua música aos brasileiros do nordeste. José Antônio é o responsável por introduzir o “timple” (instrumento de cordas de origem espanhola - num espectro acústico completamente inédito) na música espanhola. Suas incursões passam por vários gêneros, a exemplo do jazz, flamenco, celta, sinfônico, e tem causado admiração de todos aqueles que escutam seu trabalho e suas novas propostas musicais.

O show de abertura neste último dia ficará a cargo de Nenéu Liberalquino Trio, grupo formado em 1977, pelo regente, violonista, compositor e arranjador brasileiro Nenéu Liberalquino. O grupo de violões tem como um dos seus pilares estéticos a releitura instrumental do Cancioneiro Popular Brasileiro (MPB).

O trio tem em sua formação os musicistas: Neneu Liberalquino, Cláudio Moura e Guilherme Calzavara. Na apresentação, que promete ser bastante eclética, o grupo apresentará não somente canções da MPB dos mais variados ritmos (da valsa ao frevo, passando pelo baião e o choro), mas também composições do próprio Nenéu.

Serviço:
Festival Câmbio Sonoro
Data: 14, 15 e 16 de março.
Local: Teatro de Santa Isabel - Praça da Republica
Fone: 81. 3232.2939/ 8814-1984 / 8832-3200


Adriana Crisanto
Repórter
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