O príncipe lê jornais


O cotidiano e o poder no jornalismo impresso foram os temas centrais abordados no primeiro volume do livro “O Príncipe Lê Jornais” (Ed. Marcas de Fantasia, Série Veredas. 100 p. 2008. R$14,00) a nova publicação do Grupo de Pesquisa sobre o Cotidiano e o Jornalismo da Universidade Federal da Paraíba (Grupecj/UFPB) que será lançado oficialmente nesta sexta-feira (25), a partir das 19h30, no Casarão Philipéia, localizado no centro histórico de João Pessoa. A apresentação do livro será feita pelo professor de literatura e jornalismo Hildeberto Barbosa Filho. Logo após a cantora Geanne Lima e o violonista Fabiano Silva, profissionais recém-chegados ao grupo mostram seu talento para música.

Na mesma ocasião a jornalista de mestranda em sociologia Viviane Marques Guedes estará lançando o livro “O visível silêncio e a política Fosca” (Editora Elógica Press, Olinda, 159 p.). Os lançamentos marcam as comemorações de seis anos do Grupecj.

O Príncipe Lê Jornais foi organizado pelo professor Doutor Wellington Pereira e conta com ensaios de autoria de Jorge Fernando Hermida, Adriana Crisanto Monteiro, Viviane Marques, Ana Carolina Porto, Daniel Abath, Hildeberto Barbosa Filho e do próprio organizador. Para compor os textos que hora se faz presente nesta edição os pesquisadores, orientados pelo coordenador do grupo Wellington Pereira, selecionaram jornais e a partir destes passaram a analisar e fazer reflexões com base nos teóricos que falam sobre a questão do poder.

O resultado é impressionante. Os textos não são foram produzidos apenas na tentativa de realizar uma melhor apreensão sobre o poder e a comunicação, mas um entendimento profundo do que ocorre na prática jornalística.

O ensaio de abertura é de autoria do professor Doutor Jorge Fernando Hermida. Nele o autor faz um passeio pelas obras de vários escritores que falam sobre o poder, a exemplo de Maquiavel, Marx, Bobbio, István Meszaros, Habermans entre outros.

O estudante e bolsista do projeto do Grupecj, Daniel Abath, no seu ensaio “A vontade de potência nos sujeitos semióticos” observa que o acesso no discurso de certas fontes e a forma como os jornais diários se apropriam das falas e dos atores sociais. “O discurso cria uma forma cotidiana de abordagem das notícias, que se preocupa muito mais em legitimar o discurso do poder do que retratar as reais injunções cotidianas da sociedade civil”, comentou Abath.

A ensaísta Viviane Marques no seu texto “A institucionalização do poder simbólico” diz que a presença do poder está presente mesmo nas simples conversas entre interlocutores, mesmo que não seja na medida persuasiva.

Com receio de negligenciar a pluralidade de poderes existentes no jornalismo, a ensaísta Ana Carolina Porto, no texto “O jornalismo e seus poderes”, buscou no teórico Neveu subsídios que dessem conta da amplitude que é o poder no jornalismo paraibano. A autora não apenas enquadra um objeto na teoria, mas constrói ao longo texto conceitos sobre o poder, um verdadeiro exercício produtivo e criativo.

A jornalista Adriana Crisanto Monteiro no texto “Fragmentos sobre o poder e jornalismo” chama atenção para questões ideológicas que envolvem o poder no cotidiano dos meios impressos e traz um pouco de sua prática jornalística para dentro de suas análises, provando que a prática e a teoria podem caminhar juntas e mostrando ainda que os modos de exercer o poder no jornalismo são múltiplos, indo da persuasão até a coersão.

Em depoimento final o professor de ética e de direito à informação, Hilbeberto Barbosa Filho, comenta sobre o trabalho que vem sendo desenvolvido com muito ardor e paixão pelo Grupecj e finaliza dizendo: “Penso que o grupo ganha visibilidade, expandindo suas ressonâncias cognitivas, não somente na ingerência de sua formalização, dos seus encontros, daquilo que o constitui como corpo físico palpável, mas, sobretudo, no que deixa de provocação reflexiva, de conteúdo teórico, de aventura epistêmica”.

A obra foi editada pela Editora Marca de Fantasia do professor Doutor Henrique Magalhães e pode ser encontrada para venda no site da editora, através do endereço eletrônico: www.marcadefantasia.com.br .

O visível silêncio e a política fosca

O livro “O visível silêncio e a política fosca” (Olinda: Elógica Press, 159p), de autoria da jornalista e mestranda em Sociologia pela UFPB, Viviane Marques Guedes é resultado da pesquisa monográfica em jornalismo realizada por ela no ano 2005. A pesquisadora apresenta uma discussão sobre o conteúdo opinativo da imprensa pessoense em relação ao processo eleitoral do ano de 2004 na cidade de João Pessoa.

A pesquisa busca compreender quais os modos de silenciamento presentes na palavra oficial, ou seja, nos editoriais, dos periódicos Correio da Paraíba, Jornal da Paraíba, O Norte e A União durante o período que antecedeu as eleições municipais na capital paraibana. Como suporte teórico-metodológico para as análises desenvolvidas no livro, a pesquisadora recorre às teorias da Comunicação, a exemplo dos princípios do agenda setting e da espiral do silêncio, bem como vale-se do método de análise do discurso para desenvolver a investigação dos editoriais selecionados para o estudo.

Para Viviane Marques estudar o jornalismo impresso representa uma atividade de grande importância na compreensão de como o cotidiano apresenta-se no discurso, na linguagem. “Algo que requer afinco e extrema dedicação por parte do pesquisador, pois ele deve se valer, em suas análises, não apenas do que vê, ou lê, mas do que percebe nas entrelinhas dos dizeres”, disse.

A autora é integrante, desde 2002, do Grupo de Pesquisa sobre o Cotidiano e o Jornalismo (Grupecj), coordenado pelo professor Wellington Pereira. Junto ao Grupecj, Viviane Marques já publicou, em co-autoria, os livros: Leituras do cotidiano (2002); O trabalho de Sísifo: jornalismo e vida cotidiana (2004) e Epistemologias do caderno B (2006).

GRUPECJ – Seis anos dedicados à pesquisa em comunicação

O Grupo de Estudos sobre o Cotidiano e Jornalismo (Grupecj) surgiu no ano de 2002. Foi idealizado pelo professor doutor Wellington Pereira, que recém chegado de seu doutorado na França, sentia a necessidade de maiores discussões sobre pesquisa na área de comunicação e engajamento por parte dos professores e estudantes do curso. Reuniu um pequeno grupo de alunos e ex-alunos para estudar, pesquisar e analisar sobre todas as questões que envolvesse a comunicação social, em especial o jornalismo.

O grupo conta com a participação de alunos da graduação em jornalismo, ex-alunos, da Pós-Graduação em Sociologia e Comunicação Social (cursos da UFPB) e profissionais da imprensa paraibana.

Nestes seis anos de existência o grupo publicou: Leituras do Cotidiano (Editora Manufatura, 2002), O Trabalho de Sísifo – jornalismo e vida cotidiana (Editora Manufatura, 2004), Epistemologia do Caderno B (Editora Manufatura, 2006) e mais agora O Príncipe Lê Jornais – cotidiano e poder nos jornalismo impresso (2008).

O Grupecj é hoje um dos grupos de estudo de maior referência no país nos estudos sobre jornalismo. Neste período o grupo já promoveu seminários e foi um dos selecionados na carteira professor de graduação do Programa Jornalismo Cultural 2007/2008 do Rumos Itaú Cultural, como o projeto Epistemologia do Caderno B.

Sobre o organizador

Wellington José de Oliveira Pereira é professor do Departamento de Comunicação da Universidade Federal da Paraíba (UFPB), programa de Pós-graduação em Sociologia e do programa de Pós-graduação em Comunicação Social da UFPB. É doutor em Sociologia pela Université Paris V, Sorbonne. Graduado em Jornalismo e mestre em Literatura também pela UFPB. É autor dos livros: As possibilidades do róseo (1982), O beijo da noiva mecânica: ensaio sobre mídia e cotidiano (2002), Chanel 19: histórias no feminino (2000), Diário de um Zappeur (2006), Vovó nos protege? – histórias infantis para gente grande (2006). É o organizador das coletâneas: Leituras do Cotidiano (2002), O Trabalho de Sísifo – jornalismo e vida cotidiana (2004), Epistemologia do caderno B (2006).

Serviço:
Lançamento 1: O Príncipe Lê Jornais (ensaios)
Organizador: Wellington Pereira
Editora Marcas de Fantasia
Série Veredas.
100 p.
Ano: 2008
Preço: R$14,00

Lançamento 2: O visível silêncio e a política fosca
Autora: Viviane Marques Guedes
Editora Elógica Press
Ano: 2008, 159p
Onde: Casarão Philipéia – Centro Histórico
Hora: 19h30

Cerâmica em destaque no Fenart


Neste feriado de 21 de abril, segunda-feira, meio nublada e chuvosa a pedida mesmo é dar um passeio pelo Espaço Cultural José Lins do Rego e conferir as exposições de artes plásticas do XII Festival Nacional de Arte (Fenat). São três mostras que compõem o “Panorama da Cerâmica Artística”, mais as instalações “Afetos Roubados no Tempo” (Viga Godilho/BA), “Achados e Perdidos” (Luiz Barroso/PB) e a “Mostra Digital de Fotografia e Vídeo”, que estão no mezanino I.

Um dos destaques é da artista plástica Rosilda Sá que presta uma homenagem póstuma ao ceramista Tota. Na abertura, no sábado, o artista plástico Zaia realizou uma performance para o público presente esculpindo peças. “Nexus” é o nome da exposição de Rosilda Sá em que mostra as relações humanas em forma de nós. As obras de Rosilda sempre trouxeram grande sensibilidade e não poderia deixar de ser diferente. Em Nexus as obras são baseadas nos atos do seres humanos, nos seus afetos e desafetos, que une as pessoas formando uma rede de vários nós.

Adriana Crisanto
Repórter
adriana@jornalonorte.com.br
adrianacrisanto@gmail.com
Fotos: Guto Zalafan (do Fenart).

Poesia marginal e intelectual

E onde artista e intelectual junto sempre têm debate e polêmica. Teve início nesta segunda-feira (21) no XII Fenart o Seminário Cena Contemporânea que contou com a participação do poeta marginal Ricardo de Carvalho Duarte (o Chacal), no auditório azul do Espaço Cultural.

Além de Chacal a mesa esteve composta pelos professores universitários Amador Ribeiro Neto e Hildeberto Barbosa Filho. Na ocasião o convidado falou sobre a história do Movimento Poesia Marginal, que surgiu no Brasil no final da década de 1960 e início de 1970.

O poeta carioca lembrou que na época, os poetas ditos marginais não estavam preocupados em estudar os cânones literários, mas, sim, procurar formas de expressão. De acordo com Chacal, a poesia marginal estava, na época, ligada mais a contracultura, sendo influenciada não apenas pelos grandes nomes da literatura. Ele citou nomes como Hélio Oiticica (artes plásticas), José Celso Martinez Correa, Caetano Veloso, Gilberto Gil (música). Sempre muito irônico Chacal disse que se a poesia marginal não tivesse valor não estaria sendo discutida 30 anos depois que surgiu.

As discussões entre professores universitários e poetas marginais sempre foram uma constante. Na opinião do poeta e professor universitário Amador Ribeiro Neto, a poesia marginal não pode ser classificada como poesia, enquanto que Hildeberto Barbosa Filho tentou acalmar os ânimos dos presentes questionando sobre o conceito de poesia. “A poesia é auto-substantiva e não adjetiva”, disse Hildeberto.

Adriana Crisanto
Repórter
adriana@jornalonorte.com.br
adrianacrisanto@gmail.com
Fotos: Guto Zafalan (do Fenart).

Um Titã quase sinfônico


O músico e poeta Arnaldo Antunes (ex-integrante do grupo pop rock Titãs) foi a grande atração da abertura da XII edição do Festival Nacional de Arte (Fenart). O show aconteceu na última sexta-feira (18), na Praça do Povo do Espaço Cultural José Lins do Rego, localizado no bairro de Tambauzinho, em João Pessoa. Antunes subiu no palco logo após a apresentação bailarino Arthur Marques que dançou ao som do bolero de Ravel conduzido pela Orquestra Sinfônica da Paraíba (OSPB).

O repertório, sem dúvida, foi muito bem selecionado. Arnaldo Antunes brindou o público, estimado pelos organizadores em cinco mil pessoas, com as canções: “Não vou me adaptar”, “O quê” e “O Pulso”, intercaladas com canções como “Saiba”, “Pedido de Casamento” (a bastante aplaudida) e “Socorro”. No entanto, para variar, a acústica não ajudou muito. Quem estava nas laterais do palco e no fundo da praça escutava muito ruim a voz do artista e não teve nenhum arranjo especial da OSPB para as canções pop/rock de Antunes.

A surpresa revelada apenas na hora por ele foi quando recitou o poema do escritor paraibano Augusto dos Anjos, “Ao Luar”, musicado por Borges e cantou uma versão para “Qualquer Coisa”, de Caetano Veloso.

No palco ele ainda deu o ar de sua atitude roqueira levantando a perna até a cabeça, deitou no chão e fez algumas performances quando ainda integrava como vocalista e letrista o grupo de rock Titãs. No encerramento do show Antunes cantou “Exagerado”, numa homenagem ao cinqüentenário do poeta carioca Cazuza, que morreu vitima da Aids em 1990.

Escutar a Sinfônica da Paraíba é sempre muito bom, mas o som e o brilho dos melhores músicos do país só foi sentido, de fato, quando a cantora Maria Juliana subiu no palco e cantou o poema musicado. A OSPB foi regida pelo maestro assistente Carlos Durier que substitui temporariamente o maestro Marcos Arakaki que se encontra no Rio de Janeiro.

Solenidade de abertura

A solenidade oficial aconteceu no Teatro Paulo Pontes, com atraso de quase uma hora. Teve início com a apresentação de um vídeo institucional com os tradicionais artistas locais e um outro nacional comentando sobre a importância do festival.

O governador campinense, Cássio Cunha Lima, não compareceu a abertura do evento, mas foi representado pelo secretário de educação do Estado, o professor Neroaldo Pontes. De acordo com os seus assessores, o governador estava em reunião com empresários fora do Estado.

O presidente da Funesc, Antônio Alcântara, que tinha um discurso de nove páginas para fazer, não o fez, conforme o mesmo falou, devido às inúmeras explicações que teria de dar (tem mesmo, uma delas é o patrocínio da OI). E ainda bem que ele não fez porque a platéia, que já havia ficado esperando quase uma hora em pé na entrada do teatro não agüentaria com toda certeza.

Um dos grandes momentos foram os aplausos ao ator Fernando Teixeira e a atriz Zezita Matos, aplaudida de pé pela platéia que se fazia presente no Teatro Paulo Pontes. Estavam presentes ainda os apoiadores do evento: Ministério da Cultura (representado por Tarciana Portela), Banco do Brasil (representado por Robero Wagner de Mariz Queiroga), CEF (representado por Cristiane Medeiros), Oi/Telemar (representado por Ana Paula Cavalcanti Souza), Gráfica Santa Marta, o Superintendente do Sebrae na Paraíba Júlio Rafael, o gerente comercial da Cerâmica Elizabeth, Banco Real (William Freire) e a Zenitran (Alberto Queiroga). Tiveram também homenagens à professora de dança Estela Paula, Arnaldo Antunes e a funcionária da Funesc, Jucélia Farias, representando os servidores e organizadores do evento. Todos receberam das mãos do presidente da Funesc, Antônio Alcântara, uma placa concebida pelo artista plástico Chico Ferreira.

O Fenart está orçado em R$ 1,2 milhão, mas a organização do evento baixou os custos pela metade, devido às várias parcerias firmadas que deu suporte financeiro ao evento. Em entrevista posterior a imprensa Antônio Alcântara, disse que festival não sofreu cortes orçamentários para destinar recursos os atingidos pelas chuvas, porque tem receita própria.

O Espaço Cultural teve que receber algumas melhorias para poder produzir o evento. Foram retirados alguns vazamentos, consertados as infiltrações e o palco principal foi baixado em 70 centímetros para possibilitar uma melhor visão para a platéia.

Este ano o Fenart não teve decoração, os artistas locais tiveram um cachê inferior aos dos artistas nacionais, como também não tem nenhuma programação dirigida ao público infantil.

Por uma vida menos ordinária

O ator global, Eduardo Moscovis, certamente leva muitos fãs ao teatro. Mas quem assistiu ao espetáculo “Por Uma Vida Um Pouco Menos Ordinária”, na abertura oficial do Fenart de ontem não encontrou uma história leve, como nas telenovelas das quais participa o ator. De acordo com os críticos de teatro o ator Eduardo Moscovis tem uma trajetória no teatro que contraria o “status de galã”, pois sempre atua em espetáculos que suscitam reflexões e tocam o espectador de alguma maneira.

O espetáculo terá nova apresentação neste sábado, a partir das 20h00. Por Uma Vida Um Pouco Menos Ordinária fala de três jovens, unidos por laços afetivos, que perdem o controle de suas vidas em virtude do uso excessivo de cocaína. A falta de perspectivas impede a busca por um futuro promissor.

O personagem Adriano interpretado por Eduardo Moscovis é músico de uma orquestra, mas não sente prazer no que faz. Natália (Liliana Castro), irmã de Adriano, está desiludida porque acabou de fechar o bar do qual era proprietária. Joelson Medeiros é o policial Marques, conivente com o uso e com o tráfico de drogas.

Numa brincadeira entre Adriano e o amigo policial ocasiona um acidente com a bala perdida. A arma pertencia ao policial, que, abusando de sua autoridade, impede, através de ameaças, que Adriano se entregue. Natália, entretanto, não consegue superar a culpa por sua silenciosa cumplicidade e tenta convencer o irmão a se denunciar.

A autora Daniela Pereira de Carvalho, novo nome da dramaturgia, criou um texto interessante, mas a encenação de Gilberto Gawronski conseguiu aumentar a força gramática da obra. O espetáculo chocou muita gente que foi ao teatro e foi comum vê-las se retirando de mansinho da sala.

O espetáculo tem apenas dois momentos poéticos, quase imperceptíveis pelos menos sensíveis, o restante só mostra a degradação humana e o que se tornaram as pessoas que residem na cidade do Rio de Janeiro. Apesar de o diretor dizer que faz com que o os atores explorem o espaço físico do palco o que se viu aqui no teatro Paulo Pontes do Espaço Cultural José Lins do Rego foi muito espaço físico e pouca voz de ator. Quem estava sentado nas últimas filas do teatro não escutava o que os atores, com aquele sotoque carioca de matar, diziam no palco. Deveria se exigir também no teatro que o sotoque dos sulistas fosse correto, como fazem com os nordestinos quando começam a atuar nas televisões globais.

O ritmo da montagem é alucinante e deprimente. Os mais curiosos e resistentes foram até o final para não ficar imune aos acontecimentos. A situação fica incontrolável e o final retrata o destino de inúmeros jovens que não conseguem um rumo digno para as suas vidas.

Cenário, trilha, iluminação e figurinos acentuam o caráter moderno, tenso e impactante do texto. O cenário sugere uma realidade movediça. São baldes espalhados pelo palco formando verdadeiras cachoeiras de cocaína, uma idéia por sinal bem original e moderna. Na verdade tudo é um jogo cênico que se relaciona com o conteúdo da dramaturgia. O tempo inteiro os personagens consomem muita cocaína e aos poucos vão sendo soterrados pelo uso da droga.

"Por Uma Vida Um Pouco Menos Ordinária" não é uma peça fácil. É sufocante, deprimente e traz uma realidade que talvez não gostaríamos de presenciar. Representa muito bem a loucura da nossa vida moderna e trata de questões pertinentes, pois o transtorno que a organização em torno do tráfico de drogas provoca nos cidadãos é uma questão presente no nosso cotidiano, cuja esperança fica muitas vezes estagnada.

Um detalhe acontecido nesta apresentação foi quando o ator global, Eduardo Moscovi, meio irritado, no meio do espetáculo, saiu de cena e pediu para que alguém da platéia parasse de fotografar. Coisa de certa forma impossível nos dias atuais de se controlar, devido às centenas de aparelhos celulares com câmeras embutidas disponíveis no mercado.

O Fenart

O Festival Nacional de Arte (Fenart) é um evento organizado pela Fundação Espaço Cultural (Funesc/PB). Ele acontece anualmente, desde 1994, geralmente ocorrida no mês de novembro, no Espaço Cultural José Lins do Rego em João Pessoa, na Paraíba.

O Fenart é um festival concebido para ser aberto ao grande público com apresentações de teatro, dança e curtas-metragens, além de exposições de artes plásticas, fotografias e artesanatos. Diariamente, há um encerramento com apresentações musicais de artistas com apelo cultural.

Nestes doze anos depois de tantas idas e vindas passaram pelo Fenart: Paralamas do Sucesso, Cabruêra, Lobão, Cordel do Fogo Encantado, Tom Zé, Nação Zumbi, Elba Ramalho, Frejat, Alceu Valença, Chico César e Sivuca e tantos outros.

A cada edição do festival, um artista é homenageado. Entre os homenageados já estiveram Raul Córdula, Jackson do Pandeiro, Pedro Américo, Zabé da Loca, José Lins do Rego e Paulo Pontes. Este ano, como o próprio presidente da Fundação disse, o orçamento foi apertado. O evento prossegue até o dia 26 de abril e muita coisa ainda tem que assistida e escutada.

Adriana Crisanto
Repórter
adriana@jornalonorte.com.br
adrianacrisanto@gmail.com
Fotos: Divulgação do Fenart (Guto Zafalan).

Vai começar o FENART


Depois de tanta polêmica, que foi de certa forma abafada pelos cadernos culturais dos veículos de comunicação do Estado da Paraíba, tem início nesta terça-feira (18) o Festival Nacional de Arte (Fenart) no Espaço Cultural José Lins do Rego, em Tambauzinho. A abertura oficial será no Teatro Paulo Pontes a partir das 19h00 com a presença dos políticos e autoridades locais.

Em seguida haverá apresentação do espetáculo “Uma vida um pouco menos ordinária”, uma montagem teatral dirigida por Gilberto Gawronsky que tem no elenco o galã global Eduardo Moscovis, a atriz Liliana Castro e Joelson Medeiros. Está abertura será no teatro apenas para convidados, autoridades e imprensa.

Logo mais, às 21h30, na praça do povo do Espaço Cultural, a Orquestra Sinfônica da Paraíba (OSPB) se apresenta para o povão. A OSPB, de acordo com informações da assessoria de imprensa, convidou o cantor e compositor Arnaldo Antunes para abertura. No mesmo dia o músico, ex-vocalista do grupo de rock pop Titãs, estará comemorando 25 anos de carreira artística.

No show o cantor, autor do projeto musical Os Tribalistas, desfilará em seu repertório pop, mesclado com clássicos e músicas regionais. As canções foram arranjadas por Rogério Borges. A OSPB será comandada neste dia pelo maestro Luiz Carlos Durier. Além das músicas tradicionais Antunes fará uma homenagem ao cantor e compositor Cazuza cantando as músicas “Exagerado”.
Haverá ainda apresentação ao som do “Bolero”, de Ravel.

O festival prossegue até o dia 26 de abril com várias atrações nas áreas de música, literatura, cinema, artes plásticas, teatro e dança. Além de seminários, feiras e oficinas de arte. Vale salientar que algumas oficinas estão lotadas e já encerram as inscrições. Os interessados devem entrar em contato com a coordenação do Fenart para obter mais detalhes ou então entrar no website do festival no endereço eletrônico http://www.fenart.pb.gov.br e conferir toda a programação ou no final desta matéria.

Um dos destaques do Fenart 2008 é a presença do roteirista e escritor Marçal Aquino (SP), que estará no Seminário Cena Contemporânea e ministrará oficina de contos. Outro destaque é o poeta Chacal, que também vai ministrar oficina.

Para quem não conhece o escritor Marçal Aquino é o roteirista dos filmes 'O Invasor ' e 'Cheiro do Ralo'. Ele falará sobre ''Adaptação e Criação do Roteiro Cinematográfico" no dia 22 (terça-feira), às 14h30, e irá ministrar uma oficina de conto entre os dias 23 e 25, pela manhã, no auditório Azul do Espaço Cultural.

Já Chacal é um renomado escritor pioneiro na arte da poesia moderna falada no Brasil. O curso ministrado por Chacal será nos dias 20, 21 e 22, pela manhã, no auditório 4. Ele é conhecido por compor sucessos para grupos como Blitz e Barão Vermelho, o autor também será o palestrante do seminário 'Memórias de Mimeógrafos: O que há de Atual na Poesia Marginal', dia 21 (segunda-feira), às 14h30. Durante o evento, Chacal ainda lançará seu livro mais recente, 'Belvedere', vencedor do prêmio ACPA, de 2007.

Na música as atrações são as mais variadas possíveis. Entre atrações locais e nacionais estão à
cantora carioca Céu, Beto Brito, Regina Brown, Chico Correa e tantos outros. Confira a programação completa do Festival Nacional de Arte que volta a ter a frente o produtor e ativista cultural Antônio Alcântara. Essa é uma boa oportunidade para sair de casa, apreciar coisas boas, alimentar a alma, sair do limbo e se não gostar do que viu opinar, criticar e sugerir. Veja a programação:

19.04 – Sábado

CULTURA POPULAR
Praça do Povo
18:00 h – Ciranda do Sol do Mestre Manoel Baixinho (PB)

ARTES PLÁSTICAS
19:30 h - Mezanino I
Abertura das exposições:
. Panorama da Cerâmica Artística – Artistas plásticos convidados e artesãos do Programa Paraíba em suas Mãos
. Afetos Roubados no Tempo – Organização de Viga Gordilho (BA)
. Achados e Perdidos – Luiz Barroso (PB)
. Mostra Digital – Fotografia e Vídeo

TEATRO
20:00 h – Teatro Paulo Pontes
Espetáculo: Por Uma Vida Um Pouco Menos Ordinária
Direção: Gilberto Gawronski (RJ)
Elenco: Eduardo Moscovis, Liliana Castro e Joelson Medeiros (RJ)

CINEMA
Cine Bangüê
19:00 h - Lição de Fogo, de Larissa Claro – Doc 40’ (PB) - Vídeo
- Saliva, de Esmir Filho – Fic 15’ (SP) - Filme
- O Arroz Nunca Acaba, de Marão – Animação 8’ (RJ) - Filme
20:00 h - O Grão, de Petrus Cariry – Fic 88’ (CE) - Filme

ATIVIDADES DIVERSAS
19:00 h às 22:00 h - Praça do Povo
Lançamentos de Livros – Saraus – Performances
Feira do Livro - Stand da FUNESC

MÚSICA
22:00 h – Palco da Praça do Povo
Show: Coco Eletrificado
Biliu de Campina (PB) + Chico Correa Electronic Band (PB)

20.04 – Domingo

TEATRO
18:30 h – Teatro de Arena
Projeto Ensaio – Espetáculo: Quebra-Quilos
Direção: Márcio Marciano
Coletivo de Teatro Alfinim (PB)

DANÇA
20:00 h – Teatro Paulo Pontes
Espetáculo: Relações
Direção e Coreagrafia: Carlos Laerte
Laso Cia. de Dança (RJ)

CINEMA
Cine Bangüê
19:00 h - Amanda e Munick, de André Costa – Doc 15’ (PB) - Vídeo
- Até o Sol Raiá, de Fernando Jorge e Leandro Amorim –
Anim.15’ (PE) – Filme
- Instrumento Detector de Alguma Coisa, de Otto Cabral – Doc 10’
(PB) - Vídeo
20:00 h - Diário de Sintra, de Paula Gaitan – Doc 90’ (RJ) - Vídeo

ATIVIDADES DIVERSAS
20:00 h às 22:00 h - Praça do Povo
Lançamentos de Livros – Saraus – Performances
Feira do Livro - Stand da FUNESC

MÚSICA
22:00 h – Praça do Povo
Show: CéU (RJ)

21.04 – Segunda

CULTURA POPULAR
1º Momento da Cultura de Raiz
Praça do Povo
17:00 h – Maracatu de Alhandra (PB) -
18:00 h – Caiana de Crioulos (PB)
19:00 h – Odete de Pilar (PB)

TEATRO
18:30 h – Escola de Dança da FUNESC
Projeto Ensaio – Espetáculo: Aptos. Aptos p/Morar
Direção: Rosa Cagliani
Grupo: Deuzerohora Vamobora (PB)

22:00 h – Teatro de Arena
Espetáculo: Mercadorias e Futuro com Lirovsky
Direção e Produção: José Paes de Lira (Lirinha- PE) e Leandra Leal (RJ)

ATIVIDADES DIVERSAS
20:00 h às 22:00 h - Praça do Povo
Lançamentos de Livros – Saraus – Performances
Feira do Livro - Stand da FUNESC

DANÇA
20:00 h – Teatro Paulo Pontes
Espetáculo: Experimento Raiz
Direção e Coreografia: Erik Breno
Cia Fundasc Experimental de Dança (PB)

20:20 h – Teatro Paulo Pontes
Espetáculo: Mandrágora
Direção: Rosa Cagliani
Grupo Acena (PB)

21:00 h – Teatro Paulo Pontes
Espetáculo: Malaki: As Cores da Paixão
Direção e Coreografia: Joyce Mattos e Canízio Vitório
Paralelo Cia de Dança (PB)

CINEMA
Cine Bangüê
20:00 h - Brincantes Visionários, de Elinaldo Rodrigues - Doc 20’ (PB) - Vídeo
- Engole duas Ervilhas, de Marão, Stoliar, Monerrat, Perdido, Tomas,
Iuá, Rosamaria – Animação 8’ (RJ) - Vídeo
- Enraizados, de Niu Batista – Fic 14’ (PB) - Vídeo
21:00 h - Amigo de Risco, de Daniel Bandeira – Fic 88’ (PE) - Filme

22.04 – terça-feira

TEATRO
18:30 h – Escola de Dança da FUNESC
Projeto Ensaio – Espetáculo: Infidelidade
Direção: Toni Silva
Grupo: Argonautas (PB)

19:30 h – Teatro de Arena
Espetáculo: Presépio Mambembe
Direção: Marcos Pinto
Grupo: Geca (PB)

20:30 h – Teatro Paulo Pontes
Espetáculo: Toda Nudez Será Castigada
(da obra de Nelson Rodrigues)
Direção: Paulo de Moraes
Grupo: Armazém Cia de Teatro (RJ)
* Recomendado para maiores de 16 anos

LITERATURA
18:00 h – 19:30 h – Praça do Povo – Stand da FUNESC
Resultado da oficina de literatura do poeta Chacal com leituras e declamações de poemas

ATIVIDADES DIVERSAS
20:30 h às 22:00 h - Praça do Povo
Lançamentos de Livros – Saraus – Performances
Feira do Livro - Stand da FUNESC

CINEMA
Cine Bangüê
19:00 h - Trópico das Cabras, de Fernando Coimbra – Fic 23’ (SP) - Filme
- Cabaceiras, de Ana Bárbara – Doc 16’ (PB) - Filme
- O Brilho dos Meus Olhos, de Allan Ribeiro – Fic 11’ (RJ) - Filme
20:00 h - Crias da Piollin, de Bertrand Lira – Doc 53’ (PB) - Vídeo

MÚSICA
22:00 h – Praça do Povo
Banda Fenart convida para a Noite da Música Paraibana com Beto Brito, Dida Fialho, Mira Maya, Soraya Bandeira e Regina Brown

23.04 –quarta-feira

TEATRO
18:30 h – Escola de Dança da FUNESC
Projeto Ensaio – Espetáculo: A Saga de Zacarias
Direção: Marcos Pinto (PB)

20:00 h – Teatro Paulo Pontes
Espetáculo: Toda Nudez Será Castigada
(da obra de Nelson Rodrigues)
Direção: Paulo de Moraes
Grupo: Armazém Cia de Teatro (RJ)
* Recomendado para maiores de 16 anos

ATIVIDADES DIVERSAS
18:00 h às 22:00 h - Praça do Povo
Lançamentos de Livros – Saraus – Performances
Feira do Livro - Stand da FUNESC

MÚSICA
20:30 h - Cine Bangüê
Espetáculo: Nella Fantasia (Ópera)
Grupo: Delicatto (RN)

DANÇA

22:00 h – Palco da Praça do Povo
Espetáculo: Caminhos
Direção e Coreografia: Carlos Laerte
Laso Cia de Dança (RJ)
Participação do artista plástico Shiko (PB)

CINEMA
24:00 h – Cine Bangüê
Mix Brasil – Mostra de Cinema e Vídeo da Diversidade Sexual
* Recomendado para maiores de 18 anos

24.04 – quinta-feira

TEATRO
19:00 h – Teatro de Arena
Projeto Ensaio – Espetáculo: Vereda da Salvação
Direção: Cristina Streva
Grupo: Ser Tão Teatro (PB)
* Recomendado para maiores de 16 anos

DANÇA
20:00 h – Teatro Paulo Pontes
Espetáculo: Decalque
Direção e Coreografia: Leonardo Ramos
Ballet de Londrina (PR)

ATIVIDADES DIVERSAS
20:00 h às 22:00 h - Praça do Povo
Lançamentos de Livros – Saraus – Performances
Feira do Livro - Stand da FUNESC

MÚSICA
20:30 h – Cine Bangüê
Show: Kenny Brown (EUA) e UpTown Band (PE)

22:00 h – Praça do Povo
Show: Uma Batida Diferente
BossaCucaNova (RJ)

CINEMA
24:00 h – Cine Bangüê
Mix Brasil – Mostra de Cinema e Vídeo da Diversidade Sexual
* Recomendado para maiores de 18 anos

25.04 – sexta-feira

CINEMA
18:30 h – Cine Bangüê
Mix Brasil – Mostra de Cinema e Vídeo da Diversidade Sexual
* Recomendado para maiores de 18 anos

TEATRO
18:30 h – Escola de Dança da FUNESC
Projeto Ensaio – Espetáculo: Medéia
Direção: Saulo Queiroz
Grupo: Núcleo de Teatro da UEPB

22:00 h – Teatro de Arena
Espetáculo: O Sapato do Meu Tio
Direção: João Lima
Grupo Cia do Meu Tio (BA)

ATIVIDADES DIVERSAS
18:00 h às 20:00 h - Praça do Povo
Lançamentos de Livros – Saraus – Performances
Feira do Livro - Stand da FUNESC

MÚSICA
20:00 h – Praça do Povo
Orquestra Sinfônica Jovem da Paraíba convida os Detonautas -
Tico Santa Cruz e Renato Rocha (RJ)
Regência: Luiz Carlos Durier (PB)
Arranjos: Rogério Borges (PB)

22:00 h – Cine Bangüê
Show: Paraibass (PB)

23:00 h – Cine Bangüê
Show: Artur Maia e banda (RJ)

26.04 – Sábado

TEATRO
18:30 h – Escola de Dança da FUNESC
Espetáculo: Déjá Vu
Direção: Antônio Deol
Grupo: Graxa (PB)

CULTURA POPULAR
19:00 h – Coco de Roda Mestre Benedito (PB)

DANÇA
20:00 h – Teatro Paulo Pontes
Espetáculo: Skinnerbox
Direção e Coreografia: Alejandro Ahmed
Cena 11 Cia de Dança (SC)

ATIVIDADES DIVERSAS
20:00 h às 22:00 h - Praça do Povo
Lançamentos de Livros – Saraus – Performances
Feira do Livro - Stand da FUNESC

MÚSICA
22:00 h – Palco da Praça do Povo
Show: Beba-me
Elza Soares (RJ)

SEMINÁRIO CENA CONTEMPORÂNEA

21.04 – Segunda

Auditório 2
14:00 h às 17:00 h – Cultura Popular: Encontro dos Mestres dos Grupos de Cultura Popular Autêntica da Paraíba

Auditório Azul
14:30 h às 17:30 h – Literatura:
Memórias de Mimeógrafos: O Que Há de Atual na Poesia Marginal
Palestrante: Chacal - Poeta (RJ)
Debatedores: Amador Ribeiro Neto - Poeta e professor de literatura (SP/PB)
Hidelberto Barbosa Filho - Poeta e crítico literário (PB)

22.04 – terça-feira

Auditório Verde
14:30 h às 17:30 h – Cinema e Literatura:
Adaptação e Criação do Roteiro Cinematográfico
Palestrante: Marçal Aquino – Escritor e roteirista (SP)
Debatedores: Renato Félix – Jornalista e crítico de cinema (PB)
Carlos Dowling – Cineasta (PB)

Auditório 2
08:30 h às 12:00 h e 14:30 h às 17:30 h – Leis de Fomento à Cultura
Convidados:
Tarciana Portela – Chefe da Representação Minc/Nordeste (PE)
Sandoval Nóbrega – Sub-secretário de Cultura do Estado da Paraíba
Fernando Abath – Presidente do Fundo Municipal de Cultura (PB)

23.04 – quarta-feira

Auditório Azul
14:30 h às 17:30 h – Literatura:
Literatura S/A: As Relações entre Literatura e Vida Literária"
Palestrante: Marcelo Mirisola - Escritor (SP)
Debatedores: Rinaldo Fernandes - Contista (MA/PB)
Linaldo Guedes - Poeta e editor do Correio das Artes (PB)

Auditório 2
14:30 h às 17:30 h – Teatro: A Importância do Teatro de Grupo
Convidados:
Sérgio de Carvalho – Diretor e dramaturgo da Cia. do Latão (SP)
Paulo de Moraes – Diretor do Grupo Armazém (RJ)
Selma Santos – Produtora da Cia do Meu Tio (BA)

24.04 – quinta-feira

Auditório 2
15:00 h às 17:00 h – Literatura e Teatro:
No Palco da Palavra: A Evolução da Dramaturgia Brasileira
Palestrante: Bárbara Heliodora - Escritora e crítica teatral (RJ)

Auditório Verde
14:30 h às 17:30 h – Artes Plásticas:
Cerâmica Artística: Do Popular ao Contemporâneo
Expositora: Maria do Carmo Nino - FUNDAJ (PE)
Debatedores:
José Nilton da Silva - Casa do Artista Popular (PB)
Luís Renato de Araújo – Professor da UFPB

Auditório Azul
14:30 h às 17:30 h – Dança:
Que Dança é Essa?
Coordenador da mesa: Arthur Marques – Coreógrafo e bailarino (PB)
Convidados:
Alejandro Ahmed – Coreógrafo e diretor do Cena 11 ( SC)
Carlos Laerte - Coreógrafo e diretor da Laso Cia de Dança (RJ)
Leonardo Ramos – Coreógrafo e diretor do Ballet de Londrina (PR)

25.04 – sexta-feira

Auditório Azul
14:30 h às 17:30 h – Literatura:
Imprimindo o Futuro: O Escritor e as Novas Mídias
Palestrante:Marcelino Freire - Escritor (PE/SP)
Debatedores:
W.S.Solha - Escritor (SP/PB)
Clotilde Tavares - Escritora (PB)

Auditório 2
14:30 h às 17:30 h – Música:
Economia da Cultura - A Força da Indústria Cultural do Rio de Janeiro
Cadeia Produtiva da Economia da Música
Cadeia Produtiva da Economia do Carnaval
Palestrante: Luiz Carlos Prestes Filho (RJ) - Vice-Presidente da ABGC -
Associação Brasileira de Gestão Cultural

OFICINAS E WORKSHOPS ARTES PLÁSTICAS

. Vídeoarte , Vídeodança
Ministrante: Paula Gaitan (RJ)
Galeria Archidy Picado
18 a 20.04
09:00 h às 11:30 h
14:30 h às 17:30 h

. Desenho, desenho
Ministrante: Gil Vicente (PE)
Auditório 3
18 a 20.04
09:00 h às 11:30 h
14:30 h às 17:30 h

TEATRO

. Performance
Ministrante: Gilberto Gawronski (RJ)
Escola de Dança da FUNESC
18 e 19:04
11:00 h às 17:00 h

. Dramaturgia do Teatro Épico-Dialético
Ministrante: Sérgio de Carvalho (SP)
Auditório 5
22 a 25.04
08:30 h às 12:00 h

CINEMA

. Interpretação para Cinema e Televisão
Ministrante: Fátima Toledo (SP)
Teatro Santa Roza
19 a 22.04
10:00 h às 13:00 h

FOTOGRAFIA

. Conservação de Acervos Fotográficos
Ministrante: Clara Mosciaro – FUNARTE (RJ)
Auditório 3
22 a 25.04
08:30 h às 11:30 h
14:30 h às 17:30 h

Realização:
DEMU/IPHAN - IPHAEP

DANÇA

. Dança Contemporânea
Ministrante: Carlos Laerte (Laso Cia de Dança - RJ)
Escola de Dança da FUNESC
21 e 22.04
09:00 h às 12:00 h

. Velocidade, Controle e Percepção
Ministrante: Alejandro Ahmed (Cena 11 Cia de Dança - SC)
Escola de Dança da FUNESC
23 e 24.04
09:00 h às 12:00 h

. Ballet Clássico
Ministrante: Leonardo Ramos (Ballet de Londrina - PR)
Escola de Dança da FUNESC
25.04
09:00 h às 12:00 h

LITERATURA

. Poesia
Ministrante: Chacal (RJ)
Auditório 4
20 a 22.04
09:30 h às 12:00 h

. Hamlet: Uma Leitura Comentada
Ministrante: Clotilde Tavares (PB)
Auditório Azul
21 a 25.04
09:30 h às 12:00 h

. Conto
Ministrante: Marçal Aquino (SP)
Auditório 4
23 a 25.04
09:30 h às 12:00 h

CULTURA POPULAR

. Boi de Reis
Ministrante: Mestre Pirralhinho (PB)
Auditório 1
21, 23 e 25.04
09:00 h às 12:00 h

. Habilitação para Prêmios, Editais e Pontos de Cultura
Ministrantes: Equipe da Representação Minc/Nordeste (PE)
Auditório Verde
23.04
14:30 h às 17:30 h

MÚSICA

. Guitarra de Jazz e Blues
Ministrante: Kenny Brown (EUA)
Sala 45 da Orquestra Sinfônica
23.04
14:30 h às 17:30 h
FENART EDUCAÇÃO
22.04 – terça-feira

Oficina de Artes Plásticas
Hall das Artes
08:00 h e 14:00 h

Oficina de Origami
Biblioteca Infantil
09:00 h

Planetário
Sessões para Escolas
08:00 h e 09:00 h - 14:00 h e 15:00 h

Teatro de Arena
08:30 h – Peça teatral da Emlur: Agente da Alegria
Direção: Mônica Macedo e Waleska Rique (PB)
09:00 h – Voluntários da Pátria (RJ): Apresentação de músicas, poesias, teatro
e reflexões coletivas

23.04 –quarta-feira

Oficina de Artes Plásticas
Hall das Artes
08:00 h e 14:00 h

Oficina de Origami
Biblioteca Infantil
09:00 h

Teatro de Arena
08:30 h – Peça teatral da Emlur: Agente da Alegria
Direção: Mônica Macedo e Waleska Rique (PB)
09:00 h – Voluntários da Pátria (RJ): Apresentação de músicas, poesias, teatro
e reflexões coletivas

Planetário
Sessões para Escolas
08:00 h e 09:00 h - 14:00 h e 15:00 h

Teatro de Arena
14:30h –Espetáculo de Dança: Os Planetas
Escola de Dança da FUNESC
Coreografia: Lílian Farias (PB)
15:00h – Voluntários da Pátria (RJ): Apresentação de músicas, poesias, teatro
e reflexões coletivas

24.04 – quinta-feira

Oficina de Artes Plásticas
Hall das Artes
08:00 h e 14:00 h

Oficina de Origami
Biblioteca Infantil
09:00 h

Planetário
Sessões para Escolas
08:00 h e 09:00 h - 14:00 h e 15:00 h

Teatro de Arena
09:00 h – Voluntários da Pátria (RJ) : Apresentação de músicas, poesias, teatro e reflexões coletivas

25.04 – sexta-feira
Cine Bangüê
08:30 h - Espetáculo de Dança da FUNAD (PB)
10:00 h – Espetáculos de Dança da APAE (PB): A Porta do Sol e Xaxado

Planetário
Sessões para Escolas
08:00 h e 09:00 h - 14:00 h e 15:00 h
* As sessões do Planetário deverão ser previamente agendadas.

EXPOSIÇÃO DE ARTES PLÁSTICAS

1. “Cerâmica na Arte Popular” - mostra com artistas populares e artesãos do Programa “Paraíba em suas Mãos” do Governo do Estado da Paraíba (Maria José e Cooperativa de Serra Branca, Cooperativa de Cajazeiras, Gina Dantas, Chico Ferreira, Zaia, Fábio Smith, Nevinha, Irmãs Cavalcanti, Marta Santos, Madriano Basílio, Chico Santos, Lucinha dos Bichos, entre outros).
Curadoria de Dyógenes Chaves.
2. “Salas Especiais” - mostras individuais com os artistas Chico Ferreira e Rosilda Sá, além de homenagem póstuma ao artista popular Tota.
Curadoria de Rosilda Sá e Dyógenes Chaves.

OUTRAS EXPOSIÇÕES

1. “Afetos Roubados no Tempo”, curadoria de Viga Gordilho (Bahia)
2. “Achados e perdidos”, instalação de Luiz Barroso (PB)

MOSTRA DIGITAL

Exibição
Sala Preta: mostra de vídeoarte, vídeos sobre cerâmica e fotografia de artistas brasileiros.
Curadoria de Dyógenes Chaves.

Adriana Crisanto
Repórter
adriana@jornalonorte.com.br
adrianacrisanto@gmail.com
Fotos: Divulgação.

"Caos" em forma de canção

Ricardo Anísio (esq.) e Flávio Tavares

O caos é constantemente visto, escutado e lido no mundo real através da mídia. Na poesia o caos agora é retratado de várias formas na obra “Canção do Caos” (Forma Editora: João Pessoa, 2008, 112 p. R$ 20,00) de autoria do jornalista e crítico musical Ricardo Anísio que terá lançamento oficial nesta quinta-feira (17), às 20h00, no Terraço Brasil, localizado na Avenida Cabo Branco, logo após o Tererê, na praia do Cabo Branco.

“Canção do Caos” é o terceiro livro da trilogia do autor que traz o seu mundo, o seu caótico por meio da linguagem poética. O caos gerado nos poemas de Ricardo Anísio representa funções que nem mesmo ele, talvez, tenha consciência do que seja neste exato momento de sua vida. São ao todo 78 poemas e o engraçado é que ainda dizem que ele não escreve poesias. Quem sabe ele não escreva do jeito que Mário Quintana ou Augusto dos Anjos escreviam, mas não deixa de ter a estrutura da poesia a sua maneira.

O livro, como nos anteriores, tem ilustrações de um artista plástico local. O escolhido desta vez foi nada mais nada menos que o mais cobiçado artista plástico do Estado da Paraíba, o famoso Flávio Tavares. O prefácio é assinado pela professora de Letras da PUC do Recife (PE), Haidée Camelo Fonseca. O texto de abertura é do escritor pernambucano Luiz Berto, autor do romance da Besta Fubana e Memorial do Mundo Novo (Este último Berto não ambientou em Palmares, mas tenta explicar como funcionam as elites corruptas do Brasil moderno que se instalaram no Cabo de Santo Agostinho).

A obra literária traz ainda depoimentos nas orelhas do poeta e contista Ronaldo Monte, do poeta e ensaísta Sérgio de Castro Pinto, de Juca Pontes e do poeta e artista plástico W. J. Solha que prefaciou o segundo livro da triologia “Canção do Fogo” (Editora Bagaço).

Na Canção do Caos os poemas são curtos e longos. Neles Ricardo Anísio apresenta pequenas sutilezas de seu mundo familiar: o menino, o filho dedicado, a mãe, a perda do pai. E como não poderia deixar de ser no caos do poeta tem a morte, a dor, a saudade, a fome, a sede, o adeus, a queda, a falta, o errado e tudo aquilo, que na visão dele, representa o vazio primordial, ilimitado e indefinido, que precedeu e propiciou o nascimento de todos os seres e realidades do universo.

Essa mistura de idéias faz do trabalho, antes de tudo, uma obra de arte poética. O caos é um objeto metafórico usado pelo autor para dizer o quanto sua vida, naquele determinado momento, se encontrava em estado caótico e conturbado. Foram três momentos poéticos distintos: A Canção do Fogo representando seu nascimento, a Canção do Abismo, momento em que o autor abandona o álcool e agora Canção do Caos que culminou com a perda do pai.

Para quem convive com Ricardo Anísio, em ambiente de trabalho, sabe o quanto ele é visceral (para usar um termo dele) em tudo que faz, diz e escreve. E neste momento não poderia deixar de ser diferente. “Respeito muito à crítica, mas não é para eles que escrevo”, diz ele ao se referir a crítica especializada.

O livro foi lançado em Recife (PE), no Shopping Sítio da Trindade, localizado no bairro de Casa Amarela, na semana passada. Em conversa por telefone, numa tarde de domingo chuvosa, ele disse que depois da Canção do Abismo vai dar uma parada temporária nas publicações poéticas e se dedicar a música do qual tem domínio. “Pretendo lançar ‘Conversando sobre Música’, um livro de crônicas musicais com CD encartado”, comentou Ricardo Anísio. Os fonogramas deste novo trabalho tiveram o aval de nomes como: Elba Ramalho, Geraldo Vandré (seu grande ídolo), Geraldo Azevedo e tantos outros nomes da música popular brasileira. É esperar para conferir.

Sobre o autor:

Ricardo Anísio é natural de João Pessoa (PB). Começou a escrever sobre música para jornais locais. Publicou aos 20 anos seu primeiro livro de poemas intitulado “Em cada canto, um verso”. Vinte e sete anos mais tarde lançou o livro de poesias “Canção do Abismo” pela Editora Universitária da UFPB. Em 2005 lançou “MPB de A a Z” (Editora Idéia). No ano passado lançou o segundo livro da trilogia “Canção do Fogo” (Editora Bagaço de PE). No prelo se encontra o livro de crônicas musicais “Conversando sobre Música”. Atualmente é jornalista e critico musical do Jornal O Norte (Grupo Diários Associados Paraíba).

Serviço:
Lançamento: A Canção do Caos (poesia)
Autor: Ricardo Anísio
Editora Forma - João Pessoa – PB
112 páginas
Preço: R$ 20,00
Data: Quinta-feira (17)
Hora: 20h00
Local: Terraço Brasil – Praia do Cabo Branco


Adriana Crisanto
Repórter
adriana@jornalonorte.com.br
adrianacrisanto@gmail.com
Fotos: Divulgação

Você é feliz?

Constantemente são lançadas pesquisas sobre índices de violência, de insegurança, de morte, de vida. No entanto, pouco se comenta sobre a felicidade. Falar sobre felicidade parece que saiu de moda. O escritor e psicólogo americano Robert Wright, em um artigo para a Revista Americana Time, escreveu que a leis que governam a felicidade não foram desenhadas para nosso bem-estar psicológico, mas para aumentar as chances de sobrevivência dos nossos genes a longo prazo.

Buscar a felicidade tem sido a meta de quase a metade da população do mundo e nos últimos anos cada vez mais pesquisadores tem se debruçado na busca desse combustível que move a humanidade. Encaminhei um email da minha caixa postal para 205 pessoas perguntando o que é felicidade? O que elas fazem para ser feliz? As respostas foram as mais variadas possíveis.

O dicionário eletrônico Aurélio define a felicidade como uma qualidade ou estado de quem é feliz. Significa ter bom êxito, boa fortuna; dita, sorte. Na opinião do administrador de empresas, Carlos Fernando Farias, casado, pai de dois filhos, a felicidade é viver equilibradamente com Deus, a família e os amigos. “Adoro a Deus, dedico-me a minha família e amigos, preservo a minha saúde e a de meus filhos e procuro desenvolver o meu trabalho com criatividade, responsabilidade e profissionalismo”, comentou.

A felicidade força a estudar, trabalhar, ter fé, construir casas, realizar coisas, juntar dinheiro, gastar dinheiro, fazer amigos, brigar, casar, separar, ter filhos e depois protegê-los. Ela nos convence de que cada uma dessas conquistas é a coisa mais importante do mundo e nos dá disposição para lutar por elas. Mas tudo isso é ilusão. A cada vitória surge uma nova necessidade.

“A felicidade é um truque” disse a catadora de papel Guilhermina Silva. Se ela é um truque nos temos levado esse truque muito a sério. Vivemos uma época em que ser feliz é uma obrigação. As pessoas tristes são vistas como indesejadas, como fracassadas completas. A doença do momento é a depressão.

O escritor francês Pascal Brucker, autor do livro “A Euforia Perpétua” (Difel, Rio de Janeiro, 2002, R$ 32,00) diz que a depressão é o mal de uma sociedade que decidiu ser feliz a todo preço. “Muitos de nós estão fazendo força demais para demonstrar felicidade aos outros e sofrendo por dentro por causa disso. Felicidade está virando um peso: uma fonte terrível de ansiedade”, diz ele.

De acordo com o psicólogo Gleidson Marques a felicidade é algo extremamente subjetivo, é algo que varia de pessoa para pessoa e até de posição social e econômica. “A pessoa consegue ser feliz quando ela pára e percebe o que quer deseja para vida dela”, comentou.

O assunto até bem pouco tempo era desprezado pelos cientistas. Mas, na última década, um número cada vez maior deles, alguns influenciados pelas idéias de religiosos e filósofos, tem se esforçado para decifrar os segredos da felicidade. A idéia é finalmente desmascarar esse truque da natureza. Entender o que nos torna mais ou menos felizes e qual é a forma ideal de lidar com a ansiedade que essa busca infinita causa.


Prazer, engajamento e significado

No website da Universidade da Pensilvânia (http://www.upenn.edu), o psicólogo americano Martin Seligman, desenvolve há alguns anos uma pesquisa sobre o assunto e diz que a felicidade é na verdade a soma de três coisas diferentes: prazer, engajamento e significado.

Prazer, de acordo com o Aurélio, é uma sensação ou sentimento agradável, harmonioso, que atende a uma inclinação vital; alegria, contentamento, satisfação, deleite. É uma sensação que costuma tomar conta de nosso corpo quando dançamos uma música boa, ouvimos uma piada engraçada, conversamos com um bom amigo, fazemos sexo ou comemos chocolate.

O escritor e professor universitário Rinaldo Fernandes disse que felicidade é escrever, é encontrar a palavra certa da frase. “Melhor do que escrever só o ato sexual, talvez a mais importante forma de êxtase e prazer que existe”, acrescentou. Um jeito fácil de reconhecer se alguém está tendo prazer é procurar em seu rosto por um sorriso e por olhos brilhantes.

Engajar-se consiste em empenhar-se em uma determinada atividade ou empreendimento. O engajamento é a profundidade de envolvimento entre a pessoa e sua vida. Um sujeito engajado é aquele que está absorvido pelo que faz, que participa ativamente da vida. E, finalmente, significado é a sensação de que nossa vida faz parte de algo maior.

"Buscar a felicidade é uma meta meio vaga, fica difícil até de saber por onde começar. Mas, se você se conscientizar de que basta juntar essas três coisas - prazer, engajamento e significado - para a felicidade vir de brinde, a tarefa torna-se menos penosa”, garante o psicólogo americano Martin Seligman.

Seligman em seus estudos acrescenta ainda que um dos maiores erros das sociedades ocidentais contemporâneas é concentrar a busca da felicidade em apenas um dos três pilares, esquecendo os outros. E geralmente escolhemos justo o mais fraquinho deles: o prazer. "Engajamento e significado são muito mais importantes", disse ele numa entrevista à Time.

Algumas pessoas são capazes de se engajar em tudo: entram de cabeça nos romances, doa-se ao trabalho, dão tudo de si a todo o momento. Isso é raro e nem sempre é bom (inclusive porque gente engajada demais tende a negligenciar outros aspectos da vida, em especial o prazer). Ninguém precisa ir tão longe, mas o esforço de estar atento ao mundo, participando da vida, vale a pena.

Felicidade e o cérebro

Os Estados Unidos é o único lugar do mundo em que existe verba suficiente para fazer e mandar desfazer qualquer tipo de pesquisa sobre o comportamento da humanidade e sua evolução. Há cinco anos, por exemplo, o pesquisador Mihaly Csikszentmihalyi (pronuncie "txicsentmirrái"), da Universidade de Chicago (http://beta.uchicago.edu/), estuda um fenômeno cerebral chamado "fluxo", que ocorre quando o engajamento numa atividade torna-se tão intenso que dá aquela sensação boa de estar completamente absorto, a ponto de esquecer do mundo e perder a noção do tempo, ou seja, é um estado de alegria quase perfeita. Esse fenômeno acontece com monges em estado de meditação, mas também em situações muito mais comuns, como ao tocar um instrumento, andar de bicicleta ou até mesmo ao consertar a estante da casa.

Um outro pesquisador, o americano Richard Davidson, da Universidade de Wisconsin (http://www.sk.com.br/sk-uwsp.html), observou em laboratório que as pessoas em estado de fluxo ativam uma região do cérebro chamada córtex pré-frontal esquerdo, o que pode ter uma série de efeitos no organismo, inclusive um melhor funcionamento do sistema imunológico. Ao longo de um estudo realizado na Holanda, pessoas que entraram em fluxo tiveram seu risco de morte reduzido em 50%, por reagirem melhor a doenças.

E como se entra no tal fluxo? Csikszentmihalyi afirma que o segredo é buscar atividades nas quais se possa usar todo o seu talento. Tem de ser um desafio não muito fácil a ponto de ser entediante, nem tão difícil que se torne frustrante. Procurar experiências desse tipo é recompensador e traz níveis bem altos de felicidade. Claro que infelizmente nem todo mundo tem a sorte de encontrar desafios assim no trabalho. Nesse caso, um hobby pode ajudar na busca por engajamento e por momentos de fluxo - pode tanto ser uma atividade manual ou intelectual quanto um esporte.

Infelicidade

É quase impossível falar da felicidade sem remete ao seu contrário, ou seja, a infelicidade. De acordo com o Aurélio, a infelicidade é a qualidade ou o estado de infeliz, está ligada também a desgraça, ao infortúnio.

Ser infeliz também é uma opção de vida, como também não se escolhe daqui para frente serei infeliz, até porque ninguém deseja a infelicidade. Assim como a felicidade, a infelicidade não há respostas concretas, mas existem pequenas pistas que leva até ela. O filósofo grego Aristóteles afirmava, há mais de dois mil anos, que a felicidade se atinge pelo exercício da virtude e não da posse.

Hoje encontramos toneladas de livros e revistas de auto-ajuda ensinando ou dando dicas de como ser feliz. São testes e mais testes engajados sobre o assunto. Todos numa tentativa de fazer marketing com a felicidade.

Uma das causas da infelicidade, de acordo com alguns estudos, é a depressão. Em artigo publicado no British Medical Journal, professor Gordon Parker chama a depressão de diagnóstico que "engloba tudo", difundido por estratégias de marketing.

Cerca de um em cada cinco adultos é diagnosticado com depressão em, algum momento da vida. Em países como a Grã-Bretanha, os custos com a perda de produtividade e tratamento da doença é estimado em bilhões de dólares.

“O que acontece é que o ser humano pensa muito negativo sobre o mundo e sobre si mesmo”, avaliou Gleidson Marques que recebe diariamente em seu consultório pessoas com depressão. É a tríade cognitiva, diz ele: se penso negativo, vou atraiu coisas negativas e ter sensações negativas.

Para Marques a maior dificuldade do ser humano é párar e olhar para dentro de si mesmo. A vida está tão corrida que poucos param para saber o que realmente desejam. “A felicidade acaba se tornando clandestina. Porque as pessoas terminam entrando na convenção daquilo que outros nos coloca e não naquilo que realmente quero”, avaliou.

Religião e felicidade

Então quer dizer que para ser feliz basta juntar prazer, engajamento e significado e nossa vida se resolve para sempre? Se a fórmula fosse assim tão simples seria uma maravilha. A felicidade, como não cansam de repetir os poetas e os chatos, é breve. Ainda bem. Felicidade, por definição, é um estado no qual não temos vontade de mudar nada. Ou seja, se passássemos tempo demais assim, nossas vidas estacionariam.

A busca da felicidade é o que nos empurra para a frente. "Felicidade é projetada para evaporar", escreveu Robert Wright. E, segundo ele, há uma razão evolutiva para isso também: "Se a alegria que vem após o sexo não acabasse nunca, então os animais copulariam apenas uma vez na vida". Mora aí um dos grandes problemas atuais. Muita gente acredita que é possível viver uma existência só de altos, sem nenhum ponto baixo, sem tristeza, sem sofrimento. E alguns estão dispostos a conseguir isso sem esforço algum, só à custa de antidepressivos.

Os religiosos, em especial os budistas, afirmam algo parecido há muito tempo. Um de seus preceitos básicos é o de que "a vida é sofrimento". Coisa chata, não é? Talvez, mas ter consciência de que o sofrimento é inevitável pode ajudar a trazer felicidade, e certamente diminui a ansiedade. O conselho do Dalai-Lama é que, quando as coisas estiverem mal, em vez de se entregar à infelicidade ou tentar apenas minimizar os sintomas, você respire fundo e tente descobrir o porquê da situação.

De acordo com ele, grande parte da dor é criada por nós mesmos, pela nossa inabilidade de lidar com a tristeza e pela sensação de que somos obrigados a ser sempre felizes. Ao encarar o sofrimento de frente e identificar as suas causas reais, você estará dando um passo na direção do autoconhecimento, o que vai lhe permitir entender quais seus objetivos na vida, quais seus valores.

Há milênios, a humanidade encontra alento na crença de que cada um de nós faz parte de uma ordem maior. Pesquisas mostram que as pessoas religiosas consideram-se, na média, mais felizes que as não-religiosas. Elas também têm menos depressão, menos ansiedade e suicidam-se menos. A crença de que Deus está nos observando, nas palavras do psicólogo e estudioso da religião, Michael McCullough, da Universidade de Miami, é uma espécie de "equivalente em grande escala do pensamento “se eu não conseguir pagar o aluguel, meu pai vai ajudar”, ou seja, é um conforto, uma garantia de que, no final, as injustiças serão corrigidas e nossos esforços, reconhecidos.

No entanto a religião não é a única forma de dar significado à vida. Um truque eficaz para ficar mais feliz é fazer o bem para os outros, pode ser uma vista a um orfanato, ajudar a uma instituição de caridade, dar um presente útil a alguém. E isso não é conversa mole. Seligman mediu em laboratório os efeitos do altruísmo e percebeu que um único ato de bondade pode melhorar efetivamente os níveis de felicidade de uma pessoa por até dois meses.

Cinco atos de bondade por semana turbinaram sensivelmente o astral das cobaias do tal cientista. Também se alcança significado construindo algo que pode sobreviver a você. O exemplo clássico é criar filhos. Uma outra dica é acreditar que sua vida é importante para alguma grande causa: a história, a ciência, a justiça social, a democracia, a liberdade, o progresso, a natureza, ou seja, é útil crer em algo.

Para terminar, há uma regra da qual especialista nenhum discorda: ter amigos (e nem precisam ser muitos) ajuda a ser feliz. Amigos contam pontos nos três critérios: trazem, ao mesmo tempo, prazer, engajamento e significado para nossas vidas.


Adriana Crisanto
Repórter
adriana@jornalonorte.com.br
adrianacrisanto@gmail.com
Fotos: Divulgação

Vó Mera e seus Netinhos

A cirandeira Vó Mera lançará nesta quinta-feira (3), seu primeiro trabalho CD. O lançamento acontecerá na no hall da Reitoria da Universidade Federal da Paraíba (UFPB) em João Pessoa. O disco integra o projeto Raízes da Alma que consiste na parceria entre vários setores da instituição e apoio da Fundação Cultural de João Pessoa (Funjope).

O disco, intitulado Vó Mera e seus netinhos tem, 28 faixas, das quais 20 são cocos-de-roda e sete são cirandas. Tem ainda uma faixa-bônus em que as cirandas estão agrupadas sem interrupções para proporcionar ao público a chance da diversão de uma roda de ciranda. O CD foi gravado no estúdio do Departamento de Comunicação e Turismo da UFPB com produção do músico Adeildo Vieira e do professor Carmélio Reynaldo.

O trabalho de Vó Mera será objeto de um termo de cessão mútua a ser assinado por ocasião do lançamento, pela artista e pelo Reitor Rômulo Polari, será disponibilizado para ambas as partes usufruírem dele: a universidade libera os fonogramas e o projeto gráfico do CD para a artista que, por sua vez, libera para a instituição as obras gravadas. Além de ganhar a metade da tiragem do disco, a artista fica autorizada a reproduzi-lo livremente, desde que respeitando o projeto original, o que lhe dá a possibilidade de usufruir da obra como geradora de renda.

Quem é Vó Mera?

Vó Mera é natural do município de Alagoinha (PB). Filha de agricultores começou a trabalhar muito cedo na agricultura. Sua inclinação pelas várias manifestações da cultura popular se deu ainda na infância. Ela esperava ansiosa pela chegada das festas juninas para acompanhar com o ganzá na mão e a voz afinada, a sua tia, que cantava coco-de-roda e ciranda nas festas juninas da fazenda onde trabalhavam.

O grupo de ciranda e coco de roda Vó Mera e seus netinhos, foi batizado pelo chefe da divisão de cultura popular da Funjope, José Emilson Ribeiro, em 2003. É composto por Vó Mera (voz principal), Fernando Dylan (pandeiro e bumbo) e Jéferson Pereira (surdo). Posteriormente, Josenaldo Júnior (afoxé) e Clara Regina (ganzá) se integraram ao grupo. Antes da composição atual, Vó Mera era acompanhada apenas pelo pandeiro de seu neto Fernando Dylan.

A partir das 20h00, Vó Mera e seus Netinhos, se apresentam no pátio da Igreja São Pedro Gonçalves, no Centro Histórico de João Pessoa.

Serviço:
Lançamento: Vó Mera e seus netinhos
Quinta-feira (4)
Hora: 16h30
Local: Hall da Reitoria da UFPB.
Hora: 20h00
Local: Pátio da Igreja São Pedro Gonçalves - Centro Histórico
Informações: 3216 7822.

Adriana Crisanto
Repórter
adriana@jornalonorte.com.br
adrianacrisanto@gmail.com
Fotos: Divulgação.