Olha o Cafuçú ai gente!


Os foliões paraibanos ainda têm muito fôlego para brincar e dançar frevo nesta sexta-feira (20) com a saída de três blocos do projeto Folia de Rua, em diferentes bairros de João Pessoa. Entre eles estão: Cafuçú, Elefante da Torre e BARatona do Brasil que saem hoje.

O bloco Elefante da Torre é um dos novos integrantes da Associação Folia de Rua que também desfila nesta sexta-feira, na prévia carnavalesca da cidade. Embora novo filiado da entidade, ele é um dos mais tradicionais do bairro da Torre, reunindo cerca de 1.000 foliões no desfile que acontece a partir da Praça São Gonçalo, seguindo pelas avenidas Beira Rio, Rui Barbosa e Nossa Senhora de Fátima, até retornar ao local de saída. A concentração começa às 17h00, na Praça São Gonçalo.

O bloco Cafuçú se concentra a partir das 20h00, na Praça Dom Adauto, centro histórico da Capital. De acordo com Buda Lira, um dos coordenadores do bloco, este ano a intenção é criar outro pólo de concentração na Praça Nossa Senhora das Neves, que fica ao lado da Basílica, pois a Praça Dom Adauto parece ter ficado pequena devido ao sucesso e carisma da população pelo bloco mais divertido do projeto Folia de Rua.

Serão este ano ao todo 12 orquestras de frevo, palco e sonorização nos três pólos localizados na área do centro histórico da cidade. “Uma forma atender aos milhares de foliões que vêm aumentando muito, nos últimos três anos”, disse Buda Lira. No palco principal da Praça Dom Adauto se apresenta a orquestra de frevo Cafuceta, que acompanha o bloco até a Praça Antenor Navarro na dispersão. A orquestra será comandada pelo Maestro Chiquito que volta a tocar no bloco após alguns anos ausente da festa. Também na praça funciona a Difusora Cafuçú tocando música brega, romântica, mandando recados e animando os foliões na concentração.

“Cabelo com brilhantina. Duas lapadas de pinga. Pente no bolso, no corpo muita ginga. Medalhão no pescoço, cheirando a mistral. Lá vai o cafuçú brincar o carnaval”, diz o hino do bloco de autoria do cantor e compositor Kennedy Costa e Paulo Vieira. A letra não poderia ser mais irreverente e retrata bem aquele cidadão típico da classe trabalhadora sofredora, que apesar das dificuldades diárias, sai a brincar seu carnaval para superar as dificuldades da vida.

O bloco Cafuçú surgiu no ano de 1987 quando um pequeno grupo de professores universitários, artistas, estudantes, ativistas culturais da Capital, resolveram, na semana que antecede o carnaval oficial, desfilar pelas ruas do Bairro Miramar em direção à praia, puxados por uma carroça de burro, animados por violões e tambores.

Nos primeiros anos de fundação, o Cafuçú desfilava na Praia do Cabo Branco e Tambaú, em João Pessoa. Em 1997, se transferiu para o Centro Histórico, contribuindo para o resgate do Carnaval de Rua da Capital, procurando incrementar o calendário de eventos culturais, nesta área urbana de fundação da cidade.

“Na minha opinião é o melhor bloco do Folia de Rua. Saiu nele deste a criação e me divirto bastante”, relatou a estudante Maria Emília Santos, que saiu pela primeira vez no bloco com os pais quando tinha 10 anos de idade. Hoje toda a família e muitos amigos saem vestidos a moda cafuçú para brincar o pré-carnaval da cidade.

Alguns integrantes que fazem parte do bloco são fundadores do Bloco Muriçocas do Miramar e, sete anos depois, com o surgimento de mais dez blocos, cria oficialmente a prévia carnavalesca Folia de Rua, com o lançamento de um LP Folia de Rua, com a gravação dos hinos desses blocos. Hoje, são mais de trezentas mil pessoas que brincam em dezenas de blocos, durante os sete dias da prévia carnavalesca de João Pessoa, sempre na semana que antecede a data oficial dos festejos monescos.

O bloco carnavalesco Cafuçú é um dos responsáveis, com mais dez blocos, pela criação do Projeto Folia de Rua e pela fundação da Associação Folia de Rua, em 1992 e 1996, respectivamente, em João Pessoa, Capital da Paraíba. Na segunda metade dos anos oitenta, do século passado, o carnaval de rua e de clubes, na Capital, enfrentava uma fase de declínio, em termos de mobilização de amplos e diversos setores sociais. Setores da classe média eram atraídos, neste período, pelo carnaval das cidades de Olinda (que começou a repercutir fortemente no País), Recife (PE), Salvador (BA) e Rio de Janeiro (RJ). Enquanto isto, o chamado carnaval tradição, uma iniciativa das camadas populares, formado pelas escolas de samba, tribos indígenas, blocos de orquestras, entre outros, mantinha o seu desfile, durante o calendário oficial do carnaval.

Segunda BARatona do Brasil


Há dois anos surgiu em João Pessoa mais um bloco carnavalesco. Ele não faz parte do projeto Folia de Rua, mas reúne os foliões que gostam de um bom bar. Trata-se do BARatona Brasil, bloco comandado pelo advogado Marcos Pires, que percorre no carnaval alguns bares da cidade em busca de alegria e carnaval. Eles saem nesta sexta-feira (20), a partir das 12h30, na orla marítima da praia do Cabo Branco e prevê este ano percorrer 42 bares da Capital. Para participar da BARatona basta ter disposição e dinheiro para pagar a própria conta.

O BARatona do Brasil deverá reunir mais de 300 foliões que vão se concentrar na palhoça Deusa do Mar, nas proximidades do Jangada Clube. Ao som do melhor do frevo de todos os tempos, os participantes devem começar a percorrer os bares por volta das 14h30. Na prévia que foi realizada no dia 30 de janeiro, os foliões entraram em 12 bares. “Agora vamos atingir nossa meta de entrar em 42 bares” disse o advogado Marcos Pires, organizador do bloco.

A animação da festa ficará por conta da orquestra de frevo do Maestro Jameson, que tem 30 componentes e que vai tocar os grandes clássicos da música carnavalesca. “Depois das Muriçocas a cidade fica morta, então vamos ressuscitá-la nesta sexta a tarde como forma de esquentar para o bloco dos Cafuçus”, acrescentou Pires ressaltando que animação não falta aos participantes da BARatona do Brasil.

A exemplo do ano passado haverá um veículo Cata Bêbo para levar para casa quem se exceder na bebida. “Dessa forma estamos colaborando para o sucesso da Lei Seca e preservando o bem estar de todos os participantes da BARatona.” lembrou Marcos Pires. De acordo com ele todos os foliões serão antecipadamente etiquetados com dados básicos que permitirão a ‘remoção dos corpos’ para suas residências.

Também este ano haverá entrega do prêmio “Burrinha de Engenho” ao maior garapeiro em nível local e nacional. Garapeiro é aquela pessoa que se dá bem em qualquer situação. Nacionalmente o nome escolhido foi o do ministro da Agricultura Reinhold Stefam, pois entra governo e sai governo e ele se mantém em cargos elevados. O nome do garapeiro local só será conhecido na hora do evento.

Adriana Crisanto
Repórter
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Fotos: Divulgação