Artesão paraibano expõe no Rio de Janeiro


O artista popular paraibano, Maritônio Sousa Portela, inaugura nesta quinta-feira (12), na Sala do Artista Popular do Centro Nacional de Folclore e Cultura Popular do Ministério da Cultura, no Rio de Janeiro (RJ).

A exposição reúne trabalhos de ex-voto rústico ao anjo barroco. São esculturas em madeira retratando ex-votos e anjos de inspiração barroca, que mostra a observação de um artista que aprendeu o ofício sozinho, usando apenas sua intuição e observação.

Maritônio Sousa Portela é natural do município de Livramento, interior da Paraíba, e residente em Nova Iguaçu (RJ). Aprendeu a arte com o avô e sonhava em um dia ser capaz de fazer uma peça igual as que ele produzia . Começou a esculpir aos 10 anos de idade, inspirado nas peças do avô, e desde então não parou.

A primeira peça que esculpiu foi uma imagem de Nossa Senhora do Livramento, padroeira de sua cidade. Aos 13 anos, fez para a capela do sítio em que morava uma Nossa Senhora das Graças. Ele estudou apenas até o segundo ano do ensino médio, e, no curso primário, ganhava livros de arte com trabalhos de Mestre Vitalino e Aleijadinho, que influenciaram seu trabalho. Aos 15, 16 anos, nas excursões da escola, em vez de ir para as praias, visitava mosteiros e igrejas. Visitava sempre o Convento de São Francisco, no histórico da Capital em João Pessoa (PB), e ficava admirando as imagens barrocas. Sua escolha pela arte sacra foi influenciada decisivamente pela religiosidade da avó, que morreu rezando, aos 103 anos.

Pode-se dizer que a arte de Maritônio Portela é primitiva, especializada em madeira. O material sempre vem da natureza. Em poucos minutos galhos e tábuas vão sendo talhadas, ganhando formas sacras, humanas e animais com sentimentos que vem da alma.

A criatividade Maritônio não fica apenas nisto. Ele também modela obras sobre vegetais mortos, a fim de provar que a arte, da mesma forma que resgata a vida, também enfeita a morte. É de sua autoria uma árvore esculpida (Algarobeira) existente na entrada de Livramento, a cidade onde mora, no Cariri Ocidental da Paraíba, a 286 quilômetros da Capital.

O único instrumento que utiliza para esculpir seus trabalhos é uma pequena serra elétrica, usada para cortar a madeira no tamanho certo das esculturas. O restante dos detalhes é feito no cinzel, como ajuda do escope e do formão. Em alguns momentos ele utiliza um quicé, faquinhas amoladas utilizadas por sapateiros.

Apesar de já ter tentado esculpir em pedra é a madeira em que mais sua arte sobressai. A madeira imburana do Cariri é resistente. Quando recém-cortada, apresenta-se com o cerne macio, de talhe fácil. O serviço do escultor, nesta ocasião, é facilitado. Após levar alguns dias de sol, a imburana endurece o miolo. Então, é vez a de amolar bem o equipamento, para diminuir o esforço do artesão. O esforço também é redobrado para evitar talhes desnecessários. Quando ocorre um escorregão da mão, surgem duas opções: jogar a peça fora ou modificar a expressão da escultura. Geralmente, a primeira alternativa é a escolhida.

Adriana Crisanto
Repórter
adrianacrisanto@gmail.com
adrianacrisanto.pb@diariosassociados.com.br
Fotos: Divulgação do Minc.