Exposições de arte na Estação Cabo Branco


Três grandes exposições de arte permanecem abertas ao público neste final de semana na Estação Cabo Branco Ciência, Cultura e Artes, localizada na Avenida João Cirillo Silva, s/n, Altiplano Cabo Branco. No primeiro andar da torre da Estação cerca de 160 artistas plásticos paraibanos estão expondo suas obras. A mostra surgir da ideia de valorizar os artistas locais. A mostra, intitulada “Coletânea Paraibana” tem como proposta fazer uma viagem no tempo e na história.

A Coletânea Paraibana reúne obras de artistas plásticos de várias gerações, desde Pedro Américo a estudantes do curso de artes visuais da Universidade Federal da Paraíba (UFPB) com as mais várias técnicas e linguagens plásticas. São xilogravuras, pinturas, serigrafia, cerâmica, escultura, fotografia, arte eletrônica, grafitte, com os mais variados materiais, cores e formas.

A mostra é puro lirismo artístico, que se mostra através da arte, que não representa o mundo, mas o apresenta. “Tornando os artistas elos entre o ser interior e o mundo que o envolve. São sonhos, cores e formas que trazem o universo particular de cada artista”, comentou a curadora da mostra, a artista plástica Lúcia França.

No local o público irá encontra obras de Pedro Américo, Simeão Leal, Gustavo Moura, Cristina Strapação, João Câmara, José Altino, Josenildo Suassuna, Kaka Santa Cruz, Nai Gomes, Regis Cavalcanti, Sérgio Lucena, Shiko, Tamara Sorrentino, Tito Lobo, Unhandeijara Lisboa, W. Solha, Wilson Figueiredo e outros.

Um dos destaques desta mostra é a obra de Pedro Américo, intitulada “Cristo Morto”, e o caderno de desenhos do pintor, que fazem parte do acervo do Museu Pedro Américo, administrado pela Prefeitura Municipal de Areia (PB). No local o público visitante vai encontrar alguns pertences de Pedro Américo, a exemplo da mala pessoal e a caixa de pincéis (pertencente ao MURA – Museu Regional de Areia, administrado pela Paróquia Nossa Senhora da Conceição).

Entre outras obras de importância estão: uma tela de João Câmara (Elegia a Walt Disney), da década de 1970, uma obra de José Lira (Retrato de José Américo), a famosa “Salomé” de Sérgio Lucena e obras de acervo de Arthur Cantalice. Conta ainda com duas telas de Ivan Freitas, intituladas “Ponto de Cem Réis” e “O Pôr do Sol no Jacaré”. Ivan Freitas, falecido em 2004, no Rio de Janeiro, teve suas cinzas jogadas na praia do Poço (litoral norte do Estado da Paraíba) em 2004. E também obras de Simeão Leal, que estão sob a guarda do Iphaep.

As obras ficarão expostas a visitação pública na Estação Cabo Branco até o dia 4 de novembro de 2009 de terça a sexta-feira, das 9h00 às 17h00. Nos finais de semana e feriados, das 10h00 às 18h00.

IMAGEM DA PALAVRA - Também permanece no local até o dia 4 de outubro no segundo andar da torre mirante da Estação Cabo Branco. Parte da obra do artista chega ao público paraibano através de uma seleção de dez das suas preciosas iluminogravuras – obras hoje tão raras quanto originais, ferros de marcar gado, vistos por Ariano como elementos de uma heráldica brasileira e popular e desenhos para ilustração de um romance nunca publicado. A mostra contará ainda com vários audiovisuais compilados por Tiago Martins a partir de três documentários, dirigidos por Marcus Vilar, Cláudio Marzo e Douglas Machado.

Tanto este estudo dos símbolos da chamada “civilização do couro” quanto as iluminogravuras estão ligados ao movimento armorial proposto por Suassuna. Originalmente atribuído ao “conjunto de insígnias, brasões, estandartes e bandeiras de um povo”, a palavra armorial ganhou, através do Mestre Suassuna, um novo significado. Passou a designar criações que buscavam nas tradições populares brasileiras – a literatura de cordel, os poemas dos cantadores, a xilogravura, os estandartes e danças dos folguedos – os elementos para a construção de uma arte erudita essencialmente nacional.

Na concepção das iluminogravuras, Ariano também se inspirou nas tradições medievais. A técnica de iluminura era praticada por monges na Idade Média. Eles costumavam adornar as páginas de manuscritos com motivos florais e geométricos, capitulares rebuscadas e figuras fantásticas, que cobriam as margens do papel, emoldurando o texto. Na versão armorial, Ariano combinou a antiga iluminura com a gravura. As imagens de cavaleiros, cruzes, animais e armas são penetradas pela palavra.

Afinal, foi mesmo de um romance que surgiu o artista gráfico Ariano Suassuna. Na meninice, Ariano teve algum aprendizado de desenho e pintura. Ao iniciar a redação do seu monumental Romance d’a pedra do reino e o Príncipe do Sangue do Vai-e-volta, decidiu ilustrar ele mesmo o livro. Ao contrario das gravuras convencionais, as que compõem o romance têm papel estrutural na história – são assinadas por um dos personagens e citadas no texto.

Mais tarde, em 1980, Ariano aprofundou o processo de fusão entre texto e gravura em uma caixa com dez pranchas: Sonetos com Mote Alheio. Para fazer as matrizes, Ariano combinava os poemas manuscritos a desenhos em nanquim, em papel branco. As cópias eram feitas em uma gráfica, pelo processo off-set. Cada uma das 50 cópias era, então, trabalhada individualmente a mão, colorida a guache, tinta a óleo e aquarela, tornando-se peça única. Em 1985, o processo foi repetido em uma nova caixa de dez pranchas: Sonetos de Albano Cervonegro, apresentados nesta mostra, novamente com 50 exemplares (mais tarde, foram reproduzidos alguns exemplares extras, a pedido de amigos).

Para descrever as imagens, pode-se usar as características que Ariano cita como típicas da pintura armorial: “parentesco com o espírito mágico e poético do romanceiro e das xilogravuras populares do Nordeste; ausência de perspectiva, de profundidade ou relevo, ou então, perspectiva, profundidade e relevo apenas indicados; uso predominante de cores puras, distribuídas em zonas achatadas; desenho tosco e forte, quase sempre contornado, como herança da pintura popular; semelhança com os brasões, bandeiras e estandartes dos espetáculos nordestinos; parentesco com o espírito da cerâmica e da tapeçaria.”

Nas duas coleções, muitos dos títulos dos sonetos aparecem em uma tipografia peculiar. Trata-se do alfabeto Armorial, criado por Ariano a partir dos símbolos utilizadas por famílias nordestinas para marcar o gado. Depois de ler o pioneiro estudo de Gustavo Barroso sobre o tema, Ariano encontrou os registros do antepassado Paulino Vilar sobre os ferros usados pela família. A partir destas notas, estudou os seus significados simbólicos, como eram transmitidos de pai para filho e as alterações que sofriam ao longo do tempo. O resultado da pesquisa foi o livro Ferros do Cariri — Uma heráldica sertaneja (1974) e 25 letras de um alfabeto compostas pelo escritor a partir das formas dos ferros: troncos, cruzes, puxetes, mossas e pés-de-galinha.

O abecedário tem inspirado vários projetos gráficos, especialmente os ligados ao escritor. Nele, mais uma vez, Ariano Suassuna empresta à palavra uma dimensão estética, como disse certa vez ser o seu objetivo: “Unir o texto literário e a imagem num só emblema, para que a Literatura, a Tapeçaria, a Gravura, a Cerâmica e a Escultura falem, todas, através de imagens concretas, firmes e brilhantes, verdadeiras insígnias das coisas.”

Aproximar o grande público da obra gráfica e plástica de Ariano Suassuna é o objetivo maior da mostra A Imagem da Palavra, produzida pela CAMARA – Museologia, com o patrocínio da Companhia Hidroelétrica do São Francisco – CHESF. As obras ficarão expostas a visitação pública na Estação Cabo Branco até o dia 4 de outubro de 2009 de terça a sexta-feira, das 9h00 às 17h00. Nos finais de semana e feriados, das 10h00 às 18h00.

CONTEMPORÂNEOS PARANAENSES - Artistas plásticos do Estado do Paraná também estão expondo seus trabalhos em João Pessoa. Trata-se da exposição “Contemporâneos Paranaenses” que teve abertura oficial terça-feira (15 de setembro), na Estação Cabo Branco, Ciência, Cultura e Artes localizada na avenida João Cirillo Silva, s/n, Altiplano Cabo Branco. A mostra estará aberta a visitação pública até o dia 30 de setembro.

São 28 artistas plásticos paranaenses e ao todo 30 obras de arte das mais variadas técnicas e estilos, acrílica sobre tela, fotografia aplicada sem tecido, foto sem lona, instalações, lâminas de vidro com desenhos com caneta para retro projeção de medida variável e outros. As obras integram o acervo do Atelier de Arte Contemporânea e do Centro de Arte Contemporânea do artista plástico Edílson Viriato. As telas e obras fazem parte da história do Paraná e seus artistas conhecidos nacional e internacionalmente.

A exposição apresenta manifestações estéticas, poéticas e formais que levam o expectador ao mundo particular e criativo de cada artista. As obras associam linguagens, elementos e materiais dos mais diversos.

O artista plástico e curador desta mostra, Edilson Viriato, diz que o olhar faz com que o artista integre os contrastes para a existência ligando a mente e a paixão. “Lirismo ou caos a expressão esta no processo com o amanhã entre as bases do passado e as manifestações dos traços e volumes, evolução dos gestos e manchas”, comentou Viriato, artista com mais de 15 anos de experiência do Atelier que leva o mesmo nome.

SERVIÇO: EXPOSIÇÕES
COLETÂNEA PARAIBANA – até o dia 4 de novembro
IMAGEM DA PALAVRA – até o dia 4 de outubro
CONTEMPORÂNEOS PARANAENSES - até o dia 39 de setembro

Visitação: Terça a sexta-feira, das 9h00 às 17h00. Nos finais de semana e feriados, das 10h00 às 18h00.
Local: Estação Cabo Branco - Avenida João Cirillo Silva, s/n, Altiplano Cabo Branco